FELIZ NATAL - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
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Massacre dos Inocentes - Pieter Bruegel, O Velho
(Obrigada, Wikipédia!)
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CUSTÓDIO MONTES e Mª JOÃO BRITO DE SOUSA
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Coroa de Sonetos
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FELIZ NATAL
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2024
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1.
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O brilho da noite dado por estrelas
Punha a manjedoura visível à frente
E por cada passo dado pela gente
Se viam palhinhas cada vez mais belas
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Vieram reis magos com prendas singelas
Montando camelos desde o oriente
Ver o Deus menino na palha jacente
Um clarão mais forte do que muitas velas
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É o nascimento que clareia a terra
Envolto em vida com paz e sem guerra
Só no bem pensando, combatendo o mal
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Venha a esperança e que tudo ao redor
Se abra em açucenas e laivos de amor
Cheios de blandícia com feliz Natal
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Custódio Montes
2.12.2024
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2.
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"Cheios de blandícia com Feliz Natal,"
Apesar dos mísseis que os fazem sofrer
Ainda há meninos jesus a nascer
Do solo queimado e coberto de sal
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E cada menino vê noutro um igual...
Bendita inocência, bendito poder
O destes meninos que mesmo a morrer
Não vêem, nos outros, crueza nem mal!
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Perdoe-me, amigo, se empresto aos seus versos
Dor e amargura em cambiantes diversos,
Mas sendo velhinha também sou menina
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E neste Natal sem Paz nem Perdão
Eu canto aos meninos que jazem no chão
Da terra assombrada que é a Palestina.
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Mª João Brito de Sousa
06.12.2024 - 12.00h
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3.
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“Da terra assombrada que é a Palestina”
Minada com bombas caídas do céu
Para lá mandadas por mão dum judeu
Escroque maldito sem lei nem doutrina
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Não lembra o bandido o que a história ensina
Quando em crematórios seu povo morreu
Com a invasão o crédito perdeu
Na fúria maldita, na guerra assassina
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Ele é o herdeiro da turba de então
Que sem julgamento, numa multidão
Matou enforcado jovem peregrino
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Esqueceu as lágrimas dos antepassados
Em fornos metidos, mortos e cremados
E agora ele mata menina e menino
*
Custódio Montes
6.12.2024
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4.
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"E agora ele mata menina e menino"
Sem qualquer remorso que el` disso não tem
Se os colhe e degola no ventre da mãe...
Quão fácil matar-se quem é pequenino!
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Ó monstro dos monstros, ó grande assassino,
Louco, genocida, pior que ninguém!
Ah, Natal sangrento! De novo em Belém
Morrem os meninos às mãos de um cretino
*
Essa besta/fera, bicho desumano,
Esse irmão de Herodes, como ele um tirano,
Não trava o massacre destoutro Natal
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E aos poucos meninos que ainda estão vivos,
Sem braços, sem pernas e sem lenitivos
Só misseís oferta. Que horror sem igual!
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Mª João Brito de Sousa
06.12.2024- 21.00h
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5.
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“Só mísseis oferta. Que horror sem igual”
Ver corpos caídos no meio do chão
Por bombas lançadas vindas de avião
Mandadas por ordem de vil animal
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O mundo calado sem se ver sinal
Que essa mortandade feita sem razão
Tenha um fim depressa e prender o vilão
Para que tenhamos um feliz natal
*
O martírio infame para terminar
Impõe que a guerra tenha que acabar
Com os assassinos presos e julgados
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A paz restaurada, sim concórdia e paz
Que acontecerá sem pessoas más
Nas suas fronteiras e com dois estados
*
Custódio Montes
6.12.2024
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6.
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"Nas suas fronteiras e com dois estados"
Ambos convivendo pacificamente
Porque é imp`rioso quebrar a corrente
Da guerra que brama por todos os lados
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Não mais pequeninos feitos em bocados
Quais peças de puzzles do que antes foi gente:
Que cesse esta guerra tão impenitente
Que impõe a meninos almas de soldados
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Se acaso não morrem no insano jogo
Da fuga constante do aço e do fogo
Que os mísseis, "amáveis", sobre el`s despejarem!
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Ó homem das guerras, pra quando essa Paz?
Pra quando a justiça, se dela és capaz?
Pra quando os sorrisos dos que se salvarem?
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Mª João Brito de Sousa
06.12.2024 - 22.30h
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7.
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“Pra quando os sorrisos dos que se salvarem?”
Mesmo com concórdia haverá mazelas
Que a destruição traz sempre umas sequelas
Nos gritos ouvidos e que perdurarem
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Mesmo em quietude se as armas calarem
Virão as lembranças, firmes, às gabelas
Do seu sofrimento por ruas, ruelas
Que calcorrearam sem nunca pararem
*
Mas assim paradas as armas e a guerra
Surgirá a luz a inundar a terra
Ir-se-á o horror e virá a harmonia
*
O voo das aves será o sinal
Duma boa-nova dum feliz natal
Com brilho de luzes em paz e alegria
*
Custódio Montes
7.12.2024
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8.
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"Com brilho de luzes em paz e alegria"
Se curam as chagas, se calam morteiros
E a vida renasce se os mísseis certeiros
Não mais provocarem morte e agonia
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Que voem as aves num hino à alegria,
Que a luz, num crescendo, vença os nevoeiros
Que cobrem as casas de bairros inteiros
De poeira espessa e de esp`rança vazia...
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Que assim seja, então! Mas... seremos ouvidos
Ou estas palavras serão, como os f`ridos
Que por mais que gritem acabam morrendo?
*
Não sei, meu amigo, não sei se acredito:
A Paz está na mão de um tirano maldito
E eu, como Tomé, digo: - Vendo, só vendo!
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Mª João Brito de Sousa
07.12.2024 - 12.30h
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9.
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“E eu como Tomé, digo:-vendo, só vendo”
Tomé era crente mas eu desconfio
De gente marvada, malvada a cotio
Mas pela esperança movido vou sendo
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A Guerra no mundo vai sempre crescendo
Metralha a metralha com metralha a fio
Corre pelo mundo como corre um rio
E o nosso desejo vai esmorecendo
*
Não acreditando que termine o mal
Então cada ano pior o natal
E a paz almejada é só um ensejo
*
Que haja bom senso que surja a bondade
E que acabe a guerra e a mortandade
Salvando-se vidas, é o meu desejo
*
Custódio Montes
7.12.2024
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10.
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"Salvando-se vidas, é o meu desejo"
E também o meu que é bem entre os maiores
A vida que cresce sem medo ou rancores...
Mas se assim o quero, porque é que o não vejo?
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De ficar calada perdi belo ensejo:
Pela ingenuidade não peço louvores,
Não sou eu quem manda e os grandes senhores
Pensarão, decerto, que apenas gracejo...
*
Consigo, porém, faço coro e sem medo
Exijo uma pomba por cada torpedo
Que foi concebido prá destruição!
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Que os vossos meninos Jesus estropiados
Possam ser, ao menos, da cruz resgatados
Pra que cresçam livres na Paz do seu chão.
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Mª João Brito de Sousa
07.12.2024 - 14.30h
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11.
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“Pra que cresçam livres na paz do seu chão”
É o meu desejo, também o espero
Oxalá que tenha tudo isso que quero
Para que a paz volte e se vá o vilão
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Com poemas destes nossa opinião
É dizer ao mundo, com ardor sincero
Que acabem as bombas, que fiquem a zero
Num mundo de paz e sempre em união
*
Destroem as guerras esforços da vida
Sem eira nem beira, comida e dormida
Sem haver trabalho, só morte e desgraça
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O mundo é lindo, com muitos valores
Em vez de crateras que haja só flores
Para encantamento de quem nele passa
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Custódio Montes
7.12.2024
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12.
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"Para encantamento de quem nele passa"
Possa o louco Mundo escutar a Razão
Que pede Justiça, Amor e Compaixão
Em vez de cobiça, rancor, ameaça...
*
Possa a Palestina sair da desgraça
Desta guerra imunda, da desolação:
Dos que sobrevivem, quem sairá são
Se a população qu`inda resta é escassa?
*
Transformem-se os mísseis em medicamentos,
Em água potável e em alimentos
Que ao menos consolem os qu`inda lá estão
*
Será tão difícil pró homem moderno
Construir um Mundo onde o duro Inferno
Seja só produto da imaginação?
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Mª João Brito de Sousa
07.12.2024 - 16.40h
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13.
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“Seja só produto da imaginação?”
Não. Acho que o homem também pode ter
Ânsia de mudança para combater
Quem mata um povo e lhe rouba a nação
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Como a Cisjordânia a que deitam a mão
Para colonatos estabelecer
Mas essa atitude não pode vencer
Nem ter o apoio do juiz Sansão
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Por isso acredito que haja mudança
É o meu pensar, a minha esperança
O meu ser mo dita bem vejo ao redor
*
Não somos só nós, há manifestações
Por vários lugares e às multidões
Que à paz se juntam com carinho e amor!
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Custódio Montes
7.12.2024
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14.
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"Que à paz se juntam com carinho e amor"
Pra que haja Justiça e termine o massacre,
Que os grandes assinem e selem com lacre,
Num novo tratado, o final deste horror
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Pra que das ruínas renasça uma flor
Em vez de estilhaços, em vez de pó acre...
Haja quem, ao vê-la, lhe toque e a sacre
No dia em que Paz renascer em esplendor
*
Ó homens da guerra, não vedes, sequer,
Que sois genocidas? Dar-vos-á prazer
Matar quando há obras tão úteis, tão belas,
*
À espera de braços que as saibam erguer?
Sereis todos cegos? Não sabereis ver
"O brilho da noite dado por estrelas"?
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Mª João Brito de Sousa
07.12.2024 - 21.00h
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Não foi fácil ao meu olhar ler todos os textos, mas valeu a pena!
ResponderEliminarNo tom, revejo-me mais nos da Maria João...com uma nota: do Chão da Síria, espreita-nos um monstro maior, ainda.
Um beijo e saúde!
Obrigada pela parte que me cabe, Ana!
EliminarEste mundo sempre foi um bom produtor de monstros, mas os monstros de agora matam muito. muitíssimo mais rapidamente do que os seus antecessores....
Um beijo, Ana!
Que bela coroa de poemas, que belos Sonetos
ResponderEliminarQuanto engenho e Arte aqui foram postos
Eu, leiga sem talento para escrever Tercetos
Adivinho o riso agora posto nos vossos rostos.
Um duplo abraço, dividido em artes iguais,
para o Custódio e a Mª João.
Viva, Janita!
EliminarNão senhora, eu nunca disse nem pensei que não tivesse talento. Muito pelo contrário, tem um enorme potencial para a poesia metrificada/musical e eu já li um soneto seu a uma deusa de loiça quase, quase perfeito na forma e extraordinariamente belo no conteúdo.
O meu amigo Custódio Montes não anda por aqui - que eu saiba... - mas far-lhe-ei chegar o seu abraço. Aqui, agradecida, deixo-lhe o meu
Peço desculpa pela gaffe...é partes e não artes que eu didido...
ResponderEliminarJesus...divido!
ResponderEliminarDeve andar por aí uma epidemia de erros tipográficos que eu também ando a espalhá-los por toda a parte. O que vale é que todos percebem que é erro tipográfico e que alguns são até muito divertidos.
EliminarMais uma excelente coroa, sobre os bandidos, que todos os dias mantam o Natal. Hoje, caiu mais um ditador, na Síria, só espero que não coloquem lá outro, porque, para mim, a liberdade é tão importante como o pão.
ResponderEliminarUm abraço.
Obrigada pela parte que me cabe nesta Coroa de Sonetos, Cheia!
EliminarEste nosso planeta sempre foi fértil pasto para grandes ditadores, uns mais bem disfarçados do que outros.
Um forte abraço
Estas coroas de sonetos é que nos mostram a vitalidade da Maria João e do seu acompanhante.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Muito grata pela parte que me toca neste trabalho a quatro mão, L.
EliminarAinda tenho alguma força anímica, mas só porque me apercebi de que a Gabapentina ma estava a roubar inteirinha.
Outro abraço!