QUE MAL, SE ME ALIVIA?

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*


QUE MAL, SE ME ALIVIA?
*



Ao fundo há um rapaz que canta, canta, canta,


E me embala e me encanta até que fique em paz


Com quanto vem atrás. Não, não sou essa santa


Que sempre se suplanta e de tudo é capaz
*



Sou a que a lhe subjaz e, às vezes, pinta a manta:


Transmuto-me e sou planta assim que Amor me traz


Num pequeno cabaz, um não sei quê que espanta


Por ser tão pouca - ou tanta? - a visão que me apraz...
*



Talvez seja incapaz, talvez seja excessiva


Mas se aspiro a estar viva e alcanço um novo dia,


Presumo que a avaria ou mesmo a recidiva
*


 


Destrua esta cativa e assuma que a recria...


Que importa se utopia ou céu que se me esquiva,


Ou louca, ou fugitiva... que Mal, se me alivia?
*


 


Mª João Brito de Sousa


22.12.2024 - 23.45h
***


Soneto em verso alexandrino com rima duplamente entrançada

Comentários

  1. Excelente, como sempre.
    Um abraço, Maria João.

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    1. Obrigada, Cheia!

      Ainda agora, quando me ia vestir para sair, a Musa veio trocar-me as voltas, trouxe-me de novo para o computador e lá nasceu mais um soneto baseado no verso final de um poema do Torga. Tenho vários sonetos em fila de espera...

      Outro abraço

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  2. Teresa Palmira HOFFBAUER23 de dezembro de 2024 às 16:58

    Prettig Kerstfeest 🎄

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  3. E nasceu outro soneto. "Que importa se utopia..." concordo.
    Um abraço
    L

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    1. Nasceu, sim, L. E ainda nasceram mais dois que ficaram em lista de espera, porque ninguém os leria se eu começasse a publicar mais do que um poema por dia. Mas isto vai abrandar a seu tempo. Agora a Musa ainda está esfusiante por se ter libertado da anestesiante Gabapentina.

      Outro abraço

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  4. Há uma ameaça no ar,
    Um sonho a acalentar.
    Haja paz no universo,
    Vamos viver o reverso.

    Feliz e abençoado Natal do Menino Deus, querida amiga Maria João!
    Beijinhos festivos

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    Respostas
    1. Haja PAZ neste nosso tresloucado mundo, querida Rosélia!

      Agradeço e retribuo os votos de um Feliz e Abençoado Natal do Menino Jesus

      Beijinhos festivos também para si

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  5. E cantei, cantei, cantei
    mal sabia eu
    que esse meu cantar
    te inspiraria a poemar

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    1. Ai, meu rico neto, que ainda estou muitíssimo envergonhada por causa do tremendo disparate que disse/escrevi no Conversa Avinagrada...

      Quando a Musa se solta, tudo me inspira e o teu canto pode ser um excelente motivo para criar um soneto alexandrino, ou qualquer outro tipo de poema...

      Beijinhos da avozinha que quase se enfiou num buraquinho quando descobriu a tremenda "gaffe" que deu sem dar por isso

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  6. Que importa? se é o mal que alivia ?
    Isso é libertador. Enquanto andas as voltas com a sua musa ( que seja longo esse flerte),eu aqui entediada com os enfeites, com lojas cheias, supermercados apinhados de gente comprando... comprando... Enfim., as vezes é o mal que nos alivia e nos ensina a paciência. Assim ,seguimos na espera de um novo Ano e a mesma Nova Vida rsrs
    Tudo de bom amoreco e damos graças pela inspiração maravlhosa que está aí à espera...
    Que venha !! Beijihos

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    1. Olá, Lis

      É bem provável que as nossas vidazinhas continuem com os altos e baixos de sempre, no ano que se aproxima, mas... Este ano, se por vidas peço - e nem sei se sei a quem o peço - , será pelas dos que estão a ser impiedosamente exterminados pela guerra.
      E não sou santa, nem nunca aspirei a sê-lo, mas quem aguenta saber que há tantos meninos mortos e estropiados ainda que seja lá longe, perto do outro lado do mundo?

      Mas não quero entristecer-te, todos sabemos o que se está a passar neste mundo louco e o Natal continuará a ser celebrado nas nossas casas com ou sem os que nos são mais próximos... Até eu sei que, muito provavelmente, esquecerei a tragédia durante a ceia de Natal porque estarei entre amigos em amena conversação e as rabanadas devem ser temperadas com calda de açúcar, nunca com as lágrimas que há meio milénio salgaram o mar português.
      Desejo do fundo do coração que tenhas um FELIZ NATAL , querida Lis.

      Beijinhos

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