UM VOO DE PARDAL - Soneto muito ligeiro, dedicado à Ligeirinha
UM VOO DE PARDAL * Eu, que tanto o pratico, sei tão mal As razões de voar do próprio engenho… Sinto que é muito meu, mas sei-o estranho E chego a acreditá-lo original Por vezes, volitando, é um pardal Que por mim passa a ver quando o detenho, Sabendo que eu, sem asas, não desdenho Um timorato adejo ocasional… E logo as mãos me adejam no teclado Por causa de um pardal me ter tentado, Por obra de tão parca tentação Que é caso pra dizer que ter voado Tem sempre uma razão, sempre um culpado E as culpas nunca são da própria mão… Maria João Brito de Sousa – 05.09.2012 – 20.10h Imagem de pardoca, retirada da net, via Google
Maria João em grande forma. Já não bastava Camões agora também o Miranda. Isso é que é folgo.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada, L., mas se me visse, em carne e osso, não me acharia mesmo nada capaz de escrever fosse o que fosse. É que apesar de ter dormido algumas horitas esta noite, ainda tenho muitos dias de sono atrasado e tão cedo não o devo recuperar, a menos que estas cãibras e dores isquémicas despareçam milagrosamente.
EliminarSá de Miranda foi quem trouxe o soneto para Portugal, mas a medida nova - o verso decassilábico - estava a estrear-se com ele e ainda lhe encontro muitos versos que estão longe da perfeição métrica/melódica que Camões lhes conferia. Não deixa, por isso, de ser um enorme poeta e na medida antiga - redondilha maior - não fica atrás de Camões.
Outro abraço