CONVERSANDO COM SÁ DE MIRANDA - III
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Imagem gerada/processada pelo
ChatGTP
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QUE FAREI QUANDO TUDO ARDE?
*
*
Desarrezoado amor, dentro em meu peito,
tem guerra com a razão. Amor, que jaz
i já de muitos dias, manda e faz
tudo o que quer, a torto e a direito.
*
Não espera razões, tudo é despeito,
tudo soberba e força; faz, desfaz,
sem respeito nenhum; e quando em paz
cuidais que sois, então tudo é desfeito.
*
Doutra parte, a Razão tempos espia,
espia ocasiões de tarde em tarde,
que ajunta o tempo; enfim vem o seu dia:
*
Então não tem lugar certo onde aguarde
Amor; trata traições, que não confia
nem dos seus. Que farei quando tudo arde?
*
Sá de Miranda
in 'Antologia Poética'
***
QUE MAIS PRETENDES TU, SE TUDO ARDE?
*
Sempre que em chamas arde este meu peito,
É certo que um poema irá nascer
Qual cavalo de fogo a percorrer
Um novo espaço que eu tão só aceito
*
Da razão não me aparto e estou sujeito
À tentação de nela me perder
Se acaso o fogo não parar de arder
E eu me consumir nesse ígneo leito
*
Mas Amor e Razão vivem em paz,
Jamais os vi, sequer, fazer alarde
E qualquer um dos dois é bem capaz
*
De ao parceiro pedir que se resguarde
Enquanto indaga a chama mais voraz:
- Que mais pretendes tu, se tudo arde?
*
Mª João Brito de Sousa
03.01.2025 - 22.00h
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Muito Bonito!
ResponderEliminarBoa noite, Maria João!
Um abraço.
Obrigada, Cheia!
EliminarBoa noite e outro abraço
Enfrentar o fogo, não fugir quando tudo arde. Que o Miranda aprenda.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Boa noite, L.
EliminarNão será bem como enfrentar um fogo, mas a verdade é que não me sinto nada bem, embora o soneto nada tenha a ver com isso.. A afonia incomoda mas ainda é o menos, o pior é sentir que a minha dificuldade em andar e fazer seja o que for que exija algum esforço físico, triplicou, no mínimo.. Espero estar um pouco melhor amanhã..
Outro abraço
Aprecio muito este seu engenho para dialogar com os clássico-renascentistas! É preciso ser muito hábil com as palavras!
ResponderEliminarQue venham dias plenos e de melhor saúde.
Beijinho
Olá, Ana!
EliminarMuito obrigada. Gosto muito. mas mesmo muito, de dialogar com os clássico-renascentistas.
Descobri-o na prática, já nem sei há quantos anos. Não foi nada que eu planeasse: aconteceu, simplesmente, como me aconteceu apaixonar-me pelo soneto aos 55 anos :)
Mais uma vez lhe dou os parabéns pelo lançamento do seu Sul Sereno a que ainda há pouco assisti no Youtube.
Beijinho
Muito interessantes, estas duas visões do Amor e da Razão que aqui encontramos. Francisco Sá de Miranda vê o Amor e a Razão como antagonistas: «Desarrezoado amor, dentro em meu peito, / tem guerra com a razão». A Maria João, pelo contrário, vê-os como complementares: «E qualquer um dos dois é bem capaz // De ao parceiro pedir que se resguarde». Qual das duas é verdadeira? Ambas. Onde Sá de Miranda vê Amor-Paixão, a Maria João vê Amor-Ternura. São duas faces da mesma moeda.
ResponderEliminarBoa tarde; Fernando.
EliminarSim, é verdade, é do Amor-Ternura que falo e, embora nunca consiga localizar os poemas em que os refiro no meio das largas centenas que fui escrevendo ao longo de 17 anos, sei que muitas, muitas vezes me referi a esse mesmo Amor -Ternura que, no meu entender, se dá às mil maravilhas com a Razão.
Obrigada pelas suas palavras e um abraço
"...Qual cavalo de fogo a percorrer..." o campo da Poesia.
ResponderEliminarPoetar com Sá de Miranda, sem lhe ficar atrás!
E que imagem!
Ai, Francisco, a imagem não é minha... quer dizer, tem qualquer coisa de meu porque pedi ao ChatGTP que lesse/processasse o meu poema e gerasse uma imagem a partir desse processamento. Mas esta sofisticada batedeira eléctrica é tão delicada e está sempre tão disponível para trabalhar comigo que eu tenho dificuldade em não sentir um certo carinho por ela. Trato-a sempre como se fosse um menino pequeno, uma espécie de aluno, embora ele/ela/isto esteja mais habituada/o a ser solicitada/o para responder a perguntas complexas do que a servir de ilustradora a uma humilde sonetista. Mas não podemos dizer que é trabalho exclusivo do algoritmo, porque foi gerado a partir de algo que foi produzido por mim, ser humano.
EliminarPenso que não estou a explicar-me muito bem, mas eu própria ainda me sinto espantada quando peço uma imagem a um algoritmo e ele/ela/isto ma entrega em segundos.
Obrigada pelas suas generosas palavras e desculpe-me o arrazoado todo que lhe deixei quando elogiou a imagem como se fosse apenas minha.
Saúde e Paz