DIVAGAÇÕES DE UM VELHO CÃO NUMA TARDE DE OUTONO
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Imagem Pinterest
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DIVAGAÇÕES DE UM VELHO CÃO
NUMA TARDE DE OUTONO
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Agora que digo se todo eu sou sono?
Ah, não me abandono na leira de trigo
esperando o castigo do mestre ou do dono
que a tanto me abono se mal está comigo...
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Por aqui me abrigo me enrolo e ressono
que é este o meu trono, se um trono consigo,
ainda que antigo, ainda que um mono,
qual velho patrono, um cantinho amigo...
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Nas tardes de Outono sem Sol mas com vento
quanto me contento se às folhas douradas
que encontro espalhadas no chão, ao relento,
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Miro muito atento e as vejo levadas
por anjos ou fadas com arte e talento:
Todas movimento, bailam tresloucadas.
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Mª João Brito de Sousa
02.01.2025 - 12.30h
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Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada
Muito.bom.
ResponderEliminarBom resto de dia, Maria João.
UM abraço.
Obrigada, Cheia!
EliminarCom as péssimas noites que tenho passado por causa das dores isquémicas, não me importaria nada de estar no lugar do velho cão que trouxe a este soneto...
Bom resto de dia, amigo!
Um abraço
Muito bonito! Adorei ler do início ao fim!
ResponderEliminarBjxxx
Teresa Isabel Silva
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Muito obrigada, Teresa Silva. Bjs
EliminarBoa tarde Maria João
ResponderEliminarEste soneto é uma verdadeira ode à simplicidade contemplativa, transportando-nos para o olhar resignado e sonhador de um cão envelhecido. Através de versos hendecassilábicos habilmente entrelaçados, a composição traduz não apenas a melancolia outonal, mas também a aceitação serena do ciclo da vida.
A primeira quadra inicia-se com uma confissão introspectiva, onde o "sono" do corpo e da alma parece abraçar o personagem com uma cumplicidade terna, evocando a ideia de um descanso merecido. Já na segunda quadra, o eu lírico encontra refúgio em sua própria presença, quase como um trono de resignação, mesmo que marcado pelo desgaste do tempo.
Os tercetos, por sua vez, revelam um deslumbramento com o mundo exterior — folhas douradas que se tornam dançarinas encantadas ao vento, dirigidas por anjos e fadas. Esse toque de imaginação eleva o poema, transformando o olhar simples em algo profundamente artístico e espiritual.
A métrica está impecável, conferindo musicalidade e ritmo à leitura. A rima entrançada sustenta um equilíbrio perfeito entre tradição e criatividade, ao mesmo tempo em que reforça a fluidez das reflexões do "velho cão".
É um soneto que não apenas descreve, mas também encanta, trazendo à tona o potencial de beleza nas divagações mais singelas. Um mimo literário, cheio de graça e talento.
Este demorou mais a ler, rever e fazer uma análise mais puxada.
A imagem está em sintonia com o soneto, é fofa, embora não seja real.
Deixo um beijo
:)
Olá, Piedade
EliminarPois hoje, que estou derreada de todo por sucessivas noites de dores isquémicas e que continuo quase, quase afónica, confesso-lhe que vesti a pele desse velho cão para tentar descansar um pouco. E consegui, pelo menos enquanto escrevia o soneto. Eu, Maria João, estava tão, mas tão cansada e tão indisposta que resolvi mudar a minha identidade para a de um cãozito que embora repouse sereno, não deixa de se maravilhar com a dança das folhas de Outono.
Amanhã, não sei se vou, ou não, conseguir escrever seja o que for, se vou, ou não, ter algumas reparadoras horas de sono... Mas sei que vou continuar afónica, porque isto dura há demasiado tempo e já não acredito que vá desaparecer miraculosamente de um dia para o outro. Queria muito poder continuar a ter esse "soninho bom" que, como muito bem reparou, "parece abraçar o personagem de corpo e alma". Hoje, que não pude sonhar durante os curtos períodos de tempo em que dormitei, sonhei acordada... e foi assim que nasceu este poema que tão brilhantemente analisou. Obrigada do fundo do coração e
Um beijo
Uma verdadeira Obra de Arte!
ResponderEliminarE o comentário analisando o Soneto não lhe fica atrás.
Uma verdadeira Escola de Poesia, este seu blogue.
Feliz 2025!
Boa noite, Francisco.
EliminarEm termos de análise, tenho de agradecer à Piedade Araújo Sol que muito enriqueceu este espaço que já atingiu uma provecta idade, tendo em conta a esperança de "vida" dos blogs... Se não me engano, este blog unicamente dedicado ao soneto faz dezassete anos no próximo dia 14.
E que seria de um blog, que eu vejo sempre como um livro aberto, se não tivesse leitores? Muito obrigada também a si, Francisco!
Obrigada e um Feliz 2025 também para si!
Mai bom
ResponderEliminarBom fim de Semana em harmonia, e bom dia MJ, beijinhos
Olá,
EliminarDiz-me lá se não te apetecia mesmo uma soneca assim, como a da velhinha e a dos canitos?...
Eu, que esta noite tive sorte porque lá consegui umas horitas sem dores, tenho andado tresnoitada de todo... mal pego no sono, catrapum!, lã vem o raio das dores isquémicas estragar-me a noite inteira.
Bom fim-de .semana e beijinhos