ABRIL, CAMÕES E EU NO SALÃO DO CCD 477

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À INICIATIVA DA ASSOCIAÇÃO "DESENHANDO SONHOS"


QUE, NO DIA 21, NOS UNIU NO SALÃO DO CCD EM OEIRAS
***



Fomos poucos, mas tantos nesse dia


Em que Abrii renasceu no nosso canto


Que julguei ver crescer cravos de espanto


No pequeno salão que me acolhia
*



A chuva intensa e o vento que zunia


Silenciaram quase por encanto


E veio-nos cobrir o mesmo manto


Que há tantos anos tanto nos unia
*



Cinquenta anos passaram mas, em nós,


Que vivemos o Abril original,


Não esmoreceu ainda a sua voz:
*



Não esqueceremos, nunca, todo o mal


De quem nos condenava ao medo atroz


Que então amordaçava Portugal.
*



Mª João Brito de Sousa


23.03.2025
***

Comentários

  1. Foi lindo, aquilo lá
    É lindo, isto aqui

    Beijinho, querida "avó"

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    1. Então não havia de ser, neto meu?

      Até Camões cantaria Abril ao som da guitarra do João Paulo Pereira, se lhe fosse possível sair do seu túmulo por umas horas.

      Beijinhos, querido neto meu

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  2. Muitos parabéns, pela merecida homenagem. Grato pelos encantadores sonetos, que me fazem vibrar o coração.

    Saúde e alegria, Maria João.
    Um abraço.

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    1. Boa tarde, Cheia!

      Olhe que eu não me esqueci, nem esquecerei nunca, que todas as glosas que fiz à lírica Camoniana, me nasceram das cantigas e trovas que o meu amigo publicava diariamente no seu Sociedade Perfeita. OBRIGADA!

      Pode não parecer, mas sou uma poeta repentista. Até os sonetos me nascem por impulso repentista, embora poucos acreditem e batam o pé afirmando que o único sonetista repentista que tivemos foi Manuel Maria Barbosa du Bocage. Pois bem, eu garanto-lhe que há mais sonetistas repentistas, mas só posso pôr as mãos no fogo por mim...
      Agora vou mesmo ter de descansar um pouco porque isto de querer manter os blogs em dia e, simultaneamente, ter de batalhar contra as infecções com um coração remendado e um pulmão ainda com líquido, não é nada prudente.

      Mais uma vez, muito obrigada, amigo José da Silva Costa.

      Um abraço

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  3. Brancas nuvens negras23 de março de 2025 às 20:39

    Lindo o seu poema. Homenagem merecida. Viva a Maria João e viva o 25 de Abril.
    Um abraço
    L

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    1. Muito, muito obrigada, L.!

      Viva o 25 de Abril, SEMPRE!

      E. para mim, um tempinho mais de vida que ainda não tenho vontade nenhuma de embarcar na Barca de Caronte...

      Um abraço

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  4. Teresa Palmira HOFFBAUER24 de março de 2025 às 01:10

    Que linda e merecida homenagem. A sua habilidade em criar sonetos que capturam emoções profundas e refletem a resistência é verdadeiramente inspiradora. É sempre gratificante ver iniciativas que valorizam e reconhecem o talento de poetas como Maria João, que certamente deixa uma marca indelével na cultura.

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    1. Viva, Teresa!

      Obrigada pelas suas generosas palavras e por confiar que o fruto do meu ofício de poeta possa deixar alguma marca na cultura. Eu há muito que duvido que isso venha a acontecer já que passo metade dos meus dias em casa e a outra metade em hospitais, clínicas, laboratórios e também no hospital veterinário porque a minha lindíssima Mistral está com uma diabetes perfeitamente incontrolável e sou eu quem tem de lhe injectar as altíssimas doses de insulina que a sua condição requer. Todos os santos dias, a cada doze horas, passo pelo martírio da incerteza já que os níveis de glicémia variam com muito maior frequência e amplitude nos pequenos felinos do que nos humanos e, neles, são muito mais frequentes os episódios fatais de hipoglicémia.

      Hoje, porém, esta minha bolinha de pelo parece estar bem melhor do que eu. Está deitada aos meus pés e, de quando em quando, vai até ao pratinho da ração e mia, implorando por mais uns baguinhos...

      Um abraço daqui, de onde o Tejo se lança ao mar


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  5. Com este poema maravilhoso ainda fiquei com mais pena de não ter ido à sua linda e merecida homenagem. Queria tanto dar-lhe um abraço. Haverá outras oportunidades.
    Uma boa semana.
    Um beijo.
    Graça

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    1. Boa tarde, Graça.

      Também eu tenho pena de a não ter podido conhecer e abraçar, mas pode bem ser que ainda nos encontremos, embora eu agora passe a vida a saltitar de hospital em hospital por condições de saúde que afugentam qualquer Musa que se preze.
      Votos de boa semana também para si

      Um beijo

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  6. Que bonito!
    Estive a ver o video agora no blogue do Rogério e fiquei muito emocionada.
    A Maria João merece, para mim é uma Poeta/sonetista, das melhores que já li.
    Deixo um beijo e abraço muito apertado.
    :)

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    1. Olá, Piedade

      Obrigada, muito obrigada pelas suas elogiosas palavras.

      O que viu no vídeo do Rogério foi uma velhota muito feliz e emocionada, mas desfigurada pela falta de dentes e muito inchada por causa da Cortisona... Enfim, os dentes virão, não sei quando, mas virão, mas dos efeitos secundários da cortisona já não me vou livrar...

      Não estou muito segura de conseguir retribuir ainda hoje a sua visita, mas tentarei...

      Um abraço muito apertado para si também!

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  7. Mª João
    Ontem não comentei o soneto, vim emocionada do Rogério e só falei no vídeo, mas não me esqueci de comentar o seu trabalho poético.
    O seu soneto respira memória e resistência, entrelaçando com mestria o passado e o presente. A musicalidade flui naturalmente, e a progressão imagética, dos "cravos de espanto" ao "manto" que une, cria um crescendo emotivo que culmina numa reafirmação poderosa da voz de Abril.
    Gosto particularmente do equilíbrio entre solenidade e emoção, sem que a estrutura clássica pese sobre a expressividade do poema. O fecho é forte e marcante, contrastando o "medo atroz" com a liberdade conquistada, reafirmando a importância de nunca esquecer.
    Um soneto digno da memória que celebra!
    Muito bom, como já nos habituou.
    Deixo um abraço com um beijo dentro.
    :)

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    1. Ah, Piedade

      Os seus comentários aos meus sonetos deixam-me sempre sinceramente espantada e um pouco envergonhada por nunca os conseguir retribuir à altura.

      Só a Piedade e uma grande amiga do Facebook que neste momento se encontra gravemente doente fizeram verdadeiros comentários literários aos meus poemas e com tal mestria o fazem - fez, no caso da outra amiga - que eu fico a acreditar que os vossos comentários são ainda melhores do que os meus poemas, eheheheh...

      Um forte abraço com um beijo dentro

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  8. Assisti aos vídeos que o Rogério publicou no seu blogue e tive pena de não estar lá também. Nem poderia, por muito que quisesse. Associo-me agora à homenagem, que foi muito bonita e é bem merecida.

    Como depois da tempestade vem a bonança, esperemos que os cravos de Abril floresçam de novo. Vão florescer com certeza.

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    1. Também eu tive pena de que não pudesse estar presente, Fernando e fico-lhe pelas palavras solidárias que aqui me deixou.

      Por muito que me custe reconhecê-lo, julgo que o mundo está a pender francamente mais para carabinas do que para cravos... Um dia, Fernando, num dia que já não verei, os cravos reflorescerão.

      Um abraço

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  9. Homenagem bem merecida e soneto lindíssimo. A sua afirmação de que é "repentista" depreende-se na sua escrita poética. Tal a facilidade de forma e conteúdo com que exprime ideias, ideais, sentimentos. Num modo tão fluente, tão rico no plano ideativo, em linguagem tão variada de vocabulário. E tudo aparentemente tão simples!
    Continue com a sua Musa inspirada, e com saúde.

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    1. Bom dia, Francisco.

      Muito obrigada pelas suas animadoras palavras e que o universo o oiça no que toca à minha saúde, porque desde Novembro do ano transacto que não paro de tomar antibióticos e de andar a saltitar do centro de saúde para o hospital e, às vezes, do hospital para as urgências de outro hospital. Por vezes tive de ficar um dia e uma noite na sala anexa ao SO do hospital S. Francisco Xavier. Valeu-me uma jovem que trabalhava no hospital veterinário e que se ofereceu para dar as injecções de insulina à Mistral, mas agora tem estado incontactável e não sei o que fazer se tiver de ficar novamente internada.

      Quanto à imagem, estimo muitíssimo este azulejo que me foi entregue pela Presidente da Associação Desenhando Sonhos, a dra. Olívia Matos.

      Saúde, Paz e o abraço de sempre

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  10. Boa tarde
    Levei este soneto por empréstimo.
    Espero que não se importe.
    Se não estiver de acordo será imediatamente retirado, com muita pena minha.
    https://ecosdepoesiaeliteratura.blogspot.com/

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    1. Boa tarde, Beatrice

      Os poemas nascem para serem lidos e partilhados. Agradeço-lhe a leitura e a partilha.

      Um feliz 25 de Abril!

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