A MINHA DOR - Reedição
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A MINHA DOR
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A minha dor é física e real
Tanto quanto o cenário de combate
No qual este meu corpo se debate,
Para meu mal maior, sem qu`rer-me mal
*
Por mais cruel que seja e mais brutal,
Condená-la seria um disparate:
Vá, canta a tua dor, modesta vate,
Que à dor maior cantou-a uma imortal
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A dor que eu canto é qual cabana velha
A que o vento arrancou, telha por telha,
A cobertura, as portas, o conforto...
*
É nela que o meu corpo agora mora
E é no dossel de musgo que a decora
Que o meu rosto se espelha assim que morto.
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Mª João Brito de Sousa
27.04.2022 - 21.00h
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Memorando o soneto homónimo de Florbela Espanca
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Maria João,
ResponderEliminarDoloroso este soneto. De dor física sim mas também de dor na alma. E esta ninguém entende... só os verdadeiros poetas como a Maria João!
Como estamos hoje?
Olá, amigo José da Xã
EliminarEste soneto é dedicado a Florbela Espanca, essa a quem chamo de Imortal, pela dorida indiscutível beleza dos seus sonetos... Não que eu não tenha sofrido - e bem! - durante a minha vida, mas essa dor que refere como "dor na alma" é muito mais dela do que minha.
Como estamos? Olhe, meu amigo, estamos em maré de contracturas - ou cãibras, sei lá... - nas mãos, nas pernas e nos músculos intercostais. O que me vale é que isto vem e vai, raramente demorando mais do que uma semana. Se isto fosse sempre assim, creio que nunca teria conseguido escrever nem pintar.
O magnésio ajuda um pouco, mas a verdade é que, com ou sem magnésio, isto provoca-me dores excruciantes e faz-me passar muitas noites em branco. Não lhe sei dizer a qual das muitas mazelas crónicas que tenho pertence esta agressiva sintomatologia, mas a verdade é que há décadas que me inferniza a vida, excepto as contracturas intercostais que só começaram há uns dois ou três anos.
Quanto às dores de alma da nossa inesquecível Florbela, entendo-as muito bem, embora eu seja bastante mais combativa do que ela e tenha desenvolvido inúmeras formas de não deixar que as dores da alma tomem conta de mim e me dominem. Assim pudesse eu lidar com estas malvadas contracturas que não há comprimido nenhum que as alivie... O único remédio é dar-lhes tempo, deixar que passem naturalmente e aproveitar o intervalo até á próxima crise.
Obrigada pelo seu cuidado.
Um abraço
Florbela Espanca ,um dos maiores nomes da literatura portuguesa ,sempre bom rememorar .
ResponderEliminarA dor do corpo fica mais suave quando a alma é grande Maria,tal qual a sua.
Melancólico poema e belíssimo_uma dor pungente me tomou aqui.
Fica bem,amiga e um final de semana com sua deusa a nos trazer mais coisas da sua alma.
Beijinhos Todo o bem do mundo para ti.
Viva, Lis
EliminarDizes muito bem quando te referes a Florbela como um dos grandes nomes da literatura portuguesa.
Provavelmente não conseguirei visitar-te hoje, pois estou mesmo em maré de dolorosas contracturas nas mãos e não só, mas fá-lo-ei assim que puder.
Que tenhas um excelente fim-de-semana.
Também eu te desejo todo o bem do mundo
Beijinhos
" Vá, canta a tua dor, modesta vate,
ResponderEliminarQue à dor maior cantou-a uma imortal"
Ambas são imortais.
Boas melhoras, Maria João.
Um abraço.
Ah, muito obrigada, cheia, mas eu sinto-me muito pequenina e muito mortal.... Até porque os tempos são outros e tenho um grande receio de não conseguir - eu e outros sonetistas como eu - fazer com que o soneto passe incólume pelas correntes literárias Transestéticas, como Florbela conseguiu fazê-lo passar pelo Modernismo e Pós-Modernismo que em vão tentaram silenciá-lo.
EliminarSó o futuro o dirá quando eu já não estiver por cá há muito tempo...
Obrigada e um abraço
Florbela e Maria João, irmanadas na Poesia e Genialidade!
ResponderEliminarMuito obrigada, Francisco. Sim, Florbela e eu estamos irmanadas na Poesia e no amor pelo Soneto, mas eu não tenho a genialidade dela... Apenas tento dar o melhor de mim e também me esforço para que o novo culto pelo prazer imediato e descartável não venha a fazer naufragar o esplêndido formato poético que é o Soneto.
EliminarSaúde e Paz, meu amigo .