RIBALTA
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RIBALTA
*
Às vezes é tão tarde, querido amigo,
Que uma nesga de céu nos bate à porta,
Que a gente nem a ouve... Ou já está morta,
Ou nem tem porta por não ter abrigo...
*
Não quer entrar e conversar comigo?
Venha daí se o que eu disser lhe importa,
Quero mostrar-lhe os frutos duma horta
Que cozinhei num fogo muito antigo...
*
É que a conversa, amigo, faz-nos falta,
Tanta quanta nos faz o pão prá boca
Ou a canção que anima e junta a malta
*
Esta é a minha casa, a minha toca,
O meu pequeno palco e a ribalta
Da minha velha Musa ousada e louca.
ª
Mª João Brito de Sousa
21.05.2025 - 21.30h
***
Sonetos de Todos os Tempos
Achei tão lindo ,MFlor
ResponderEliminardesejando que a ribalta nos ilumine e nos deixe conversar e conversar sobre
o nada e o tudo. Obrigada ,amiga nem sabes o quanto fazes falta quando demoras.
Abraços
Fico contente por saber que gostaste desta ribalta, Lis
EliminarTodos precisamos de comunicar uns com os outros e, sobretudo, de conversar sobre tudo e mais alguma coisa, desde as nossas próprias pequenas mazelas às mazelas que afectam o mundo inteiro.
Eu? Eu faço falta quando demoro? Como, se não passo de uma vozinha perdida no meio de milhares de vozes que falam bem melhor e mais alto?
Acredita que quando falto é porque não posso mesmo. Às vezes nem o meu nome consigo escrever sem me esforçar, por estranho que pareça.
Abraços para ti também
Boa noite, Maria João
ResponderEliminarCaro amigo
«Ai, há quantos anos que..."
Por caminhos diferentes seguimos
Em busca do mesmo Santo Graal.
«Meu "velho amigo" que me estás fitando»,
Que me vens bater à porta,
«"Deste" a volta ao mundo,
Dei a volta ao mundo»
Já somente os olhares
Nos reconhecemos
Os corpos tão gastos
Pela usura do tempo,
Pelas alegrias e tristezas,
Pelos risos e lágrimas
Da vida.
Meu velho amigo,
Entra esta porta
Que sempre esteve aberta
Para quem precisa de conforto,
Descanso
Para continuar a caminhada.
Zé Onofre
"Dei a vota ao mundo, dei a volta á vida,,,"
EliminarÉ impressão minha ou este seu poema foi inspirado no "Regresso ao Lar" de Guerra Junqueiro, Zé Onofre?
A mensagem que passa, mais ou menos dorida mas muito bela e humana, é praticamente a mesma nos três poemas: o de Guerra Junqueiro, o seu "Caro Amigo" e o meu "Ribalta"...
Parece que é mesmo verdade que não existe assunto nenhum que não tenha já sido cantado por outros poetas. Nós mudamos um pouco a ordem das palavras, imprimimos-lhe a nossa musicalidade, acrescentamos-lhe um ou outro gesto e tornamo-lo nosso enquanto o vamos escrevendo... depois de escrito e publicado, sabemos que passará a ser propriedade de todos os que o lerem...
E, olhe, só agora reparei que o que estou a fazer é mesmo conversar consigo sentada na minha sala e que já lhe mostrei vários "...frutos de uma horta/que cozinhei num fogo muito antigo/..."
Obrigada e um abraço
Boa noite, Maria João
EliminarA cabeça mais uma vez me traiu. Estava convencido que em nota tinha escrito -com a devida vénia a Guerra Junqueira. Por isso tantas aspas. E ainda por cima enganei-me. deveria ter escrito "Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida".
Enfim coisas de quem não revê o que escreve, mesmo que a primeira versão tenha sido manuscrita.
Zé Onofre
Não, não, Zé Onofre, não errou em nada, eu é que me recordei desse específico verso e o fui escrevendo quase sem dar por isso. É perfeitamente legitimo que tenha escrito "Dei a volta ao mundo"/Deste a volta ao mundo.
EliminarNem queira saber quantas vezes me enfureci comigo mesma por, na sofreguidão de publicar, me esquecer de rever, ou de rever tão por alto que, posteriormente descubro faltarem-me palavras inteiras...
Outro abraço
Um poema terno que emociona.
ResponderEliminarUm abraço amigo.
L
Obrigada, L.
EliminarTenho algum receio de já não estar a escrever "coisa com coisa" porque já estou a cair de sono, mas não vejo risquinhos vermelhos no que vou escrevendo o que quer dizer que ainda estou mais acordada do que o que pensava...
Um abraço
Bom e belo dia, em toda a harmonia
ResponderEliminarBeijinhos.
Bom dia.
EliminarHoje vai ser dia de ir para o hospital veterinário com a Mistral. Torce por ela - e por mim, já agora - para que a frutosamina não esteja muito distante dos valores normais. Obrigada e beijinhos
Comunicarmos com os outros é muito importante. Porque, como escreveu José Tolentino de Mendonça "há amigos que nos iniciam na decifração do fogo, na escuta dos silêncios da terra, no entendimento de nós próprios. Lembrei-me disto ao ler o seu belíssimo poema tão inspirador. Tudo de bom para a sua saúde . Que os seus dias sejam tranquilos.
ResponderEliminarUm beijo.
Muito obrigada, Graça
EliminarSim, é muito, muito importante que, juntos, continuemos a "decifrar o fogo" e na "escuta dos silêncios da terra"
Também eu lhe desejo dias tranquilos
Um beijo
É nestes momentos, que precisamos de todos os amigos, de toadas as palavras, que nos deem alento, outros céus nos ajudarão a ter esperança em melhores ventos.
ResponderEliminarUm abraço, Maria João.
É bem verdade, Cheia.
Eliminarobrigada e outro abraço
As nossas conversas
ResponderEliminarduram o tempo
em que caminhamos juntos
em data próxima
teu poema
será nosso tema
Beijo do netinho
É verdade, as nossas conversas acontecem sempre, sempre em movimento, o que não deixa de ter a sua graça...
EliminarBeijo da avó que continua à espera de uma resposta porque lhe custa aceitar que Portugal se tenha transformado num país à prova de Marx.
Estou com vontade de lhe roubar este seu inspiradíssimo soneto, para o expor na ribalta do meu blog. Posso?
ResponderEliminarFaça favor, caro Fernando: a minha Ribalta está à sua inteira disposição e eu fico-lhe muito agradecida e honrada por ela lhe merecer honras de publicação na "Matéria do Tempo".
EliminarUm abraço