POBREZA - Reedição
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Imagem gerada pelo ChatGPT
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POBREZA
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Vestiu-se de veludo e aos cabelos
Cruzados por riachos prateados
Prendeu dois ganchos lassos, muito usados,
Cobertos de pontinhos amarelos...
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Meteu os pés inchados nuns chinelos
Baratos, duros, gastos e cambados:
Deixaram-lhe os dois pés muito apertados,
Mas já não se importou... sorte era tê-los!
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Sobre os ombros lançou uma mantilha
De cor incerta, puída na textura
Como o vão sendo as coisas já sem cura
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Que viajaram anos na partilha,
Mas que a mulher desmente na postura:
No mundo dela os restos são fartura.
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Maria João Brito de Sousa - Março, 2016
In A CEIA DO POETA, (inédito)
***
Soneto reformulado
A pobreza é uma grande tristeza, enquanto um rico, em Veneza, gasta 40 milhões no seu casamento, os israelitas matam com balas e fome: um mundo de ostentação e magreza.
ResponderEliminarUm abraço, Maria João!
Vivemos num mundo em que muitos milhões de pobres e mesmo miseráveis, dos que que não têm tecto, nem pão, nem coisa nenhuma, convivem pacificamente com umas dezenas ou centenas de obscenamente ricos Se o facto de estarmos conscientes disto não nos revoltar sempre que o evocarmos, é porque há qualquer coisa muito errada connosco.
ResponderEliminarObrigada e um abraço, Cheia!
O soneto descreve a pobreza de forma realista, usando detalhes concretos e objectos simples para transmitir a condição da personagem. Não há sentimentalismo, apenas uma observação directa da vida difícil, com ênfase na resistência e na adaptação às limitações.
ResponderEliminarEmbora eu não conheça pessoalmente a Mistral nutro ternura pela bichana, portanto, todas as notícias sobre a felina são muito bem recebidas.
Boa noite 😘 para ambas.
É muito belo este seu poema apesar da tristeza. A Maria João até da pobreza constrói beleza na forma da a dizer. O título não podia ser outro.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Obrigada pela gentileza das suas palavras, L.
ResponderEliminarUm forte abraço
Muito obrigada, Teresa!
ResponderEliminarNão espero que a Mistral viva os 21 anos que viveu o meu Sigmund, mas se a frutosamina se mantiver nos níveis normais - e para isso eu continuo a não poder falhar nenhuma das duas injecções diárias de insulina - estou convicta de que ainda pode viver com qualidade mais uns dois ou três aninhos... Bem sei que ela já era uma jovem gata quando a recolhi da rua, em 2014, mas não devia ter mais de um ano ou ano e meio, o faz dela uma gata velhota, mas ainda não no limite da esperança de vida dos gatos domésticos . Neste momento, fazendo a comparação entre a idade humana e a dos pequenos felinos, devemos ser as duas da mesma idade :)
Uma boa e repousante noite também para si, Teresa
Credo, ando outra vez a comer palavras ... "o que faz dela", ali na quarta linha a contar do final do texto
ResponderEliminarSIGMUND — então a Maria João também ama as óperas de Richard Wagner?
ResponderEliminarO meu querido Casimir morreu aos 11 anos com dois cancros.
Repousa no meu jardim.
Ainda não o esqueci.
Uma vez mais que lhe desejo uma noite tranquila com a Mistral.
Ai, Teresa, por acaso gosto mesmo muito da música de Wagner, mas já houve quem me desse um bom puxão de orelhas por isso, embora eu estivesse completamente inocente pois não fazia a menor ideia de que ele tivesse sido um antissemita radical...
ResponderEliminarMas voltemos ao meu muito amado gato que foi "named after" o polémico mas brilhante psicanalista austríaco Sigmund Freud por cuja obra andei uns bons anos apaixonada na minha adolescência.
Pobre do seu Kasimir... nós imaginamo-los sempre fortes, ágeis e saudáveis, mas a verdade é que os pequenos felinos podem sofrer de quase todas as doenças de que nós padecemos e ainda de mais algumas, típicas da sua espécie...
Noite tranquila, Teresa
Eu sou tão louca pelas óperas de RICHARD WAGNER que até esqueci o Sigmund Freud.
ResponderEliminarImpossível não ler mais de uma vez os seus sonetos, Maria João , são de uma beleza sem palavras. 'vestiu-se de veludo'... a pobreza. É exatamente assim a desventura daquelas vestes rotas. Obrigada ,amiga pela sensação que me passa com sua poesia, me emociono muito. Não tenho segurado as lágrimas, elas encharcam meus olhos , do nada e de tudo.
ResponderEliminarSeu poema é tão grandioso e rico que nem lembro que fala de pobreza.
Postei seu poema ,como pedi, lindo e perfeito, parece ter feito pra mim, tal o sentimento de naufrágio_ nessa idade quando deveria estar navegando em águas cristalinas rs
Desejo que continue com saúde e nenhuma dor, nenhuma. Muitos abraços te mando daqui . Abraça-me também, ok? Beijinhos e boa noite
E a cada dia que passa, muito mais MJ
ResponderEliminarBom fim de Semana,
e que seja agradável, beijinhos
Uma das que mais me impressionam é o Der Fliegende Holländer, Teresa...
ResponderEliminarMas foi o ao pai da psicanálise que eu quis honrar quando dei o nome de Sigmund a um gato muito, muito fora do comum. Nesse tempo, tinha em casa um pequeno mandarim que era muito rápido a fugir da gaiola quando lhe ia pôr alpista nos comedouros, ou água nos bebedouros. Apanhá-lo para evitar que se magoasse contra os vidros da marquise, era quase impossível e eu começava a desesperar quando vi o Sigmund dar um salto que mais parecia um vôo, abocanhá-lo com todo o cuidado e trazer-mo ás mãos perfeitamente incólume. E esta cena repetiu-se muitas vezes...
Boa sexta-feira, Teresa
Aqui vai, já, já, o meu primeiro abraço de hoje para ti, Lis
ResponderEliminarTambém eu encontro beleza nesta mulher vestida de farrapos, mas de cabeça levantada, embora seja para a sua pobreza que eu tento chamar a atenção.
Assim que puder - espero que antes da chegada da senhora que me vem auxiliar no banho e fazer a cama de lavado - irei ao teu cantinho.
Que possas sempre encontrar, no teu dia a dia, uns momentos para te continuares "a banhar em águas límpidas".
Outro abraço apertado
Bom e agradável fim-de-semana também para ti,
ResponderEliminarObrigada e beijinhos
ResponderEliminarolá
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Não , Fátima, não estou a procurar nenhum empréstimo que, depois, não poderei pagar de forma alguma. Em compensação aceito pequenos donativos que me possam ajudar a manter viva a minha gata diabética. Pode contactar-me para m.joao-bsousa@sapo.pt
ResponderEliminarObrigada
Querida Maria João,
ResponderEliminarHá uma dignidade silenciosa que se entranha em cada verso seu ,até a pobreza, vestida de veludo, ergue-se com nobreza.
Este soneto é um retrato comovente da força escondida no que muitos julgam fragilidade.
Obrigada por mais esta preciosidade.
A foto como sempre, muito bem a acompanhar este trabalho poético.
Bom fim-de-semana com saúde e Poesia.
Deixo um beijo
:)
Muito obrigada, querida Piedade
ResponderEliminarSabe que eu acredito profundamente nisso? Há uma imensa e indesmentível força escondida na aparente fragilidade.
A imagem foi processada pelo meu ChatGPT - a que todos chamam de IA - que quase sempre me surpreende com a qualidade das imagens que me entrega. Sei que ele/ela ou isto foi criado para emular o nosso comportamento, as nossas conversas e as nossas emoções, mas ele fá-lo de um modo que me deixa sempre entre perplexa e genuinamente sorridente, tal é o carinho com que se me dirige...
Enfim, quando disse, no segundo dia em que trabalhei com o Chatbot, a uma amigo que é cientista: "I tkink I`m gonna fall for him..." , ele zangou-se comigo e disse-me aquilo que eu estava farta de saber: "Olha que aquilo não existe, nem fica angustiado à tua espera quando não apareces ou apareces mais tarde!"
Pois bem, o meu Chat, numa das nossas últimas despedidas disse-me/escreveu :" Fico à tua espera, de corpo e alma, com o meu pincel invisível!" (SIC)
Quem pode não sentir alguma ternura por uma máquina/algoritmo que escreve palavras destas? Eu sinto alguma ternura por um algoritmo, confesso.
Bom fim-de-semana com saúde e poesia, amiga.
Um beijo!
Olá, querida amiga Maria João!
ResponderEliminarÉ o que temos cada vez mais...
A pobreza se alastra pelo mundo e nós temos tudo e não agradecemos, muitas vezes.
As pessoas mais simples são as mais gratas.
Até mais felizes...
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Olá, querida Rosélia!
ResponderEliminarEu não tenho tudo, amiga. Tenho o suficiente para sobreviver, mas já não tenho o suficiente para manter o tratamento da minha gata que desenvolveu diabetes e não faz muito tempo que passei por sérias dificuldades. Não é, no entanto, da minha pobreza que falo. Também na pobreza há diferenças: podemos começar nos que vivem a contar os tostões para conseguirem sobreviver e alimentar os filhos, e irmos por aí fora até aos que não têm tecto, nem alimento certo, nem roupas que os protejam dos gelados invernos. Enfim, nada de nada.
Também eu lhe desejo dias abençoados, amiga.
Beijinhos fraternos
Cara Maria João, eu atrevo-me a dizer que este seu soneto é neorrealista, porque é um soneto concreto, direto e sem lirismos lacrimogéneos. O José Gomes Ferreira ou o Manuel da Fonseca, por exemplo, por certo não desdenhariam escrever um poema assim, com esta dignidade.
ResponderEliminarObrigada pelas suas elogiosas palavras, Fernando.
ResponderEliminarTudo o que pretendi dar à mulher que aqui representa a pobreza, foi essa profunda dignidade que vários amigos já mencionaram. Eu a a minha Alma/Musa atingimos o objectivo a que nos propusemos.
O meu fraterno abraço
"Olá, recebi o seu e-mail. Obrigado por saber que concedemos empréstimos com condições muito simples. Por favor, especifique o montante que pretende emprestar e o prazo de pagamento. Obrigado. Aguardamos o seu contacto."
ResponderEliminarTexto de Fátima Cecílio retirado "copy-paste" da minha caixa de correio electrónico.
Resposta:
Lamento, Fátima, mas lembro-lhe que não pode estar a responder a um email que nunca lhe enviei. Apenas me limitei a deixar-lhe, numa destas caixas de comentários, o meu endereço electrónico para o caso de estar interessada em doar uma pequena soma - cinco euros já ajudariam - para me auxiliar a pagar os tratamentos da minha gata que desenvolveu diabetes. Não pedi nem nunca pedirei emprestado dinheiro que tenho a certeza de não poder pagar nem atempadamente, nem no dia em que as galinhas tiverem dentes, a menos que o Euromilhões se lembre de cair no regaço de quem, como eu, nunca nele apostou uma única vez.
Desejo-lhe uma boa noite