UM AMOR COMO O MEU - Reedição
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Eu fotografada por meu pai
na casa do Dafundo
*
UM AMOR COMO O MEU
*
Amor passou por mim. Vinha apressado
E cedo, muito cedo, me abordou,
Mas deu, ao abordar-me, um passo ao lado,
Ou fui eu quem sem qu`rer o assustou...
*
Retorna, Amor, insiste e é selado
Entre nós dois um pacto que assinou
Primeiro, Amor, depois, de braço dado,
A tonta que de Amor se embriagou...
*
Se mais tarde morreu, Amor, cansado,
Se foi eterno, Amor, enquanto amou,
Dir-vo-lo-á um vate consagrado*
*
Que se perdeu assim que o encontrou...
Pode, contudo, estar o vate errado
Já que a Amor como o meu nunca o provou!
*
Maria João de Sousa
29.06.2018 – 11.38h
***
* Referência a Luís Vaz de Camões
Gostei do poema. Muito. Mas gostei da fotografia que o seu pai lhe tirou. Que menina linda.
ResponderEliminarSabe também morei no Dafundo. Quem sabe se nos encontrámos alguma vez.
Uma boa semana.
Um beijo.
Que grata surpresa, saber que também morou no Dafundo, Graça!
ResponderEliminarBem, na realidade, tive três casas "maternas": dois grandes andares geminados na Rua Luís de Camões em Algés, e o primeiro andar e sótão desta vivenda na Marginal, muito, muito próxima do Aquário Vasco da Gama. Foi nesta casa em que a minha mãe nasceu...
A vivenda foi restaurada e se eu ainda tivesse alguma mobilidade, já teria ido bater à porta de quem lá vive agora ... só para matar saudades, claro.
Boa semana e um beijo
Que bonita fotografia e forte amor, que nem Camões, amor como o seu, nunca provou.
ResponderEliminarBoa semana, Maria João.
Um abraço.
Obrigada, Cheia :)
ResponderEliminarSe Camões tivesse atrasado em cinco séculos o seu nascimento, ou se eu tivesse podido adiantar o meu esse mesmo espaço de tempo, talvez nos tivéssemos apaixonado e eu pudesse afirmar que ele provou "um amor como o meu"... :)
Boa semana e outro abraço, Cheia!
Um outro vate que poderia ter inspirado a Maria João poderia ter sido o Vinicius de Moraes, que escreveu o Soneto de Fidelidade.
ResponderEliminarhttps://www.viniciusdemoraes.com.br/br/poesia/texto/106/soneto-de-fidelidade
P.S. - Quando eu era miúdo, cheguei a conhecer, ainda que muito vagamente, o Dafundo, assim como Algés e a Cruz Quebrada. Uma minha bisavó (mãe do meu avô materno) vivia no Restelo e eu, que era extremamente estrábico, passei alguns meses em casa dela, para que pudesse ser operado aos olhos, o que só aconteceu dois anos mais tarde. Frequentei a escola de Pedrouços (que deixou de existir há muitos anos e ficava na Rua de Pedrouços, que liga Belém a Algés) e fiz o exame da terceira classe na escola de Belém, que também já não existe. Uma vez por outra, aos domingos, levavam-me a passear de elétrico até à praia do Dafundo, e mesmo até à Cruz Quebrada, e volta. Lembro-me de uma vez ter mesmo ido passear até à mata do Estádio Nacional, porque havia lá um jogo de futebol.
Vinicius inspirou-me outros sonetos, bem mais modernaços e conheço muito bem essa pequena maravilha que é o Soneto da Fidelidade, Fernando.
ResponderEliminarPelo que me conta, fomos vizinhos na nossa infância... Pelo menos vizinhos de Concelho...
Nem me fale dos eléctricos... quando era muito pequenina, adorava andar de eléctrico, tanto ou mais do que de andar de carrossel e ainda me recordo perfeitamente dos bilhetes de três tostões que eu fazia questão de pagar e receber da mão do cobrador quando íamos de Algés ao Dafundo.
Deixo-lhe, abaixo, um dos meus sonetos ao grande Vinicius
Um abraço
VI VINICIUS
*
Vinde e vencei! Versejos vigorosos,
Vastas vitórias, verticais, vibrantes
Vos valorizam, vates! Véus velantes,
Vãs virtudes vos vetam, valorosos!
*
Vencei vitórias, ó vitoriosos!
Venenos vãos vos vendem! Verdejantes
Verborreias, vencidas, volitantes,
Vazam, vertem venenos vaporosos...
*
Válidos vinhos vituperam. Vícios!
Vivo e vitorioso, vi Vinicius
Versejando voragens e vertigem.
*
Vejo o vector vibrátil e vermelho,
Viço vilipendiado, vate velho
Virtuoso e voraz varando virgem.
*
Maria João Brito de Sousa – 20.07.2018 -12.45h
Um olhar de entrega tão terna! Que feliz estava a minha amiga!
ResponderEliminarO poema, como os seus jogos de palavras, bem evoca Camões e os encontros e desencontros do amor...
Um beijo, minha amiga, e uma noite serena.
Obrigada, Ana.
ResponderEliminarFui uma criança feliz. Bem sei que me sentia tremendamente tentada pela leitura, pela escrita, pelas longas incursões nas matas e pelo desenho, mais até do que pela pintura, mas o tempo corria bem mais devagar quando eu era menina e nunca deixei de brincar, correr, pular, nadar e subir às árvores... Aqui estava encantada com o crescimento de um franguito que eu vira ainda pintainho, a furar o ovo e a fazer-se à vida...
Noite serena, Ana.
Um beijo
Sabes?
ResponderEliminarSempre que te olho
Leio este poema?
Até amanhã
Muito obrigada, neto meu, mas a velhota desdentada que sou hoje, dessa pequenita, só conserva a Alma/Musa quase, quase intacta
ResponderEliminarSonhos doces e até amanhã
Momento bonito MJ
ResponderEliminarBoa semana, bom dia, e que seja agradável, beijinhos
Obrigada,
ResponderEliminarcheguei agora mesmo da consulta de INR,. Está muito ligeiramente abaixo do valor mínimo, mas já me deu direito a sô repetir a análise dentro de duas semanas.
Boa semana também para ti, Beijinhos
Sempre o Amor como tema da poesia, sempre o amor como desassossego na vida real.
ResponderEliminarUm abraço
L
Aqui sim, L., este amor é mesmo um memória de tempos longínquos.
ResponderEliminarOutro abraço