UM BOLO IMAGINÁRIO PARA LUÍS VAZ DE CAMÕES
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UM BOLO IMAGINÁRIO PARA
LUIS VAZ DE CAMÕES
*
Tentei fazer um bolo pra Camões
Sem ter ovos, açucar nem farinha...
Quem é que uma iguaria assim cozinha
Ou quem o tenta nestas condições?
*
Perdida a esp´rança, não as intenções,
Propus-me desenhá-lo e, linha a linha,
De cima a baixo enchi, toda inteirinha,
Uma pequena folha de ilusões...
*
No cimo do meu bolo imaginário
Coloquei uma vela gigantesca
Pra dar mais luz ao seu aniversário
*
Pode esta confecção soar grotesca
Mas é num gesto amável, solidário,
Que sirvo esta ilusão tão doce e fresca.
*
Mª João Brito de Sousa
10.06.2025
***
Agradeço o empurrãozinho dado pelo comentário
do Senhor das Nuvens. Sem ele este soneto nunca teria nascido.
Luis Vaz de Camões come a romã e foge desse bolo gigantesco.
ResponderEliminarBom dia, Teresa,
ResponderEliminarÉ bem possível que sim, mas este enorme bolo imaginário foi cozinhado logo a seguir ao comentário do Senhor das Nuvens que, ontem, previu que eu cozinhasse um bolo real com uma enorme vela para celebrar o quingentésimo aniversário de Camões.
Não tenho forças, dinheiro, nem mão para confeccionar bolos reais, mas a ideia ficou a fervilhar dentro de mim e poucos minutos depois nascia, entre sorrisos e risos, este enorme bolo com uma vela gigantesca...
Um feliz Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Eu li o comentário do senhor das nuvens ⛅️ mas não preciso de estar de acordo com ele. Desculpe, Maria João, mas acho o bolo horroroso. Quase uma ofensa ao nosso maior POETA. A romã saudável e poética é uma melhor alternativa para festejar o DIA de CAMÕES.
ResponderEliminarAbraço de Düsseldorf, onde provavelmente a comunidade portuguesa festeja o dia de hoje. Como não pertenço a nenhuma comunidade não sei o que se passa neste dia.
Eu festejo o meu POETA de eleição com „Os LUSÍADAS“ na mão.
Tenho de concordar consigo, Teresa: a romã era uma prenda muito mais digna do que este enorme bolo que cozinhei em verso e ilustrei com o auxílio da IA...
ResponderEliminarNão o retiro, mas talvez vá buscar a minha publicação do ano transacto e a reedite. Este bolo
nasceu entre risos, foi mais uma brincadeira do que uma dádiva a Camões...
O me exemptar de "Os Lusíadas", o que ainda sei onde está, é uma perfeitíssima miniatura de capa dura com 4,5 por 6 cm que há muitos anos deixei de conseguir ler. Também o tenho comigo.
Embora tenha sido inteiramente escrito em oitavas, cada um dos seus versos é em decassílabo heroico o que lhe confere uma musicalidade ímpar.
Feliz Dia de Portugal e de Camões
Eu vejo o Camões como um homem tolerante e que saboreia com prazer o bolo de aniversário 🎂 e gostou muito da brincadeira.
ResponderEliminarPosei agora uma das minhas edições de “OS LUSÍADAS” e vou caminhar um pouquinho nesta terça-feira nublada.
Abraço camoniano, Maria João, elogiando uma vez mais a seu criatividade poética.
Entretanto, já reeditei a minha poética oferenda do ano passado... mas vou já ver o seu blog, Teresa!
ResponderEliminarUm bolo de versos, de que Camões muito gostaria. Mas, não há fruto como uma boa romã.
ResponderEliminarUm abraço.
É verdade, Cheia, a romã foi uma prenda muito mais bonita e digna...
ResponderEliminarObrigada e outro abraço
Também eu creio que ele não se deixará seduzir pelo bolo imaginário, Teresa
ResponderEliminar.
Entretanto, já reeditei a homenagem do ano passado e como estou a começar a ficar com sono, publiquei ainda hoje o soneto de amanhã... O pior, ou melhor, é que de repente me nasceu outro soneto para amanhã que vai ter de ficar à espera porque não sei o que se passa com a Musa que parece estar a querer compensar, em dois ou três dias, as semanas em que esteve muda e queda...
Abraço
Bom dia Maria João
ResponderEliminarEste soneto revela-se como uma oferta simbólica plena de afecto e engenho, onde a impossibilidade material se transforma numa celebração lírica. A autora parte da falta de ingredientes para criar um “bolo” ,não de massa, mas de imaginação e palavras que homenageia Camões de forma original e bem-humorada.
A construção formal é cuidada: rima adequada, métrica regular, e uma cadência que mantém o leitor envolvido até ao fecho gracioso. O tom leve, quase lúdico, esconde uma verdade mais profunda sobre o valor da intenção e da criação artística, mesmo (ou sobretudo) em tempos de escassez.
A “vela gigantesca” no topo do bolo imaginário funciona como um farol poético, iluminando a memória do poeta e simbolizando a luz persistente da poesia. Há aqui também um gesto de humildade solidária ,a consciência de que o simbólico pode ser tão (ou mais) significativo quanto o real.
Um soneto com alma generosa e sorriso discreto ,doce na ideia e elegante na execução.
Bonita homenagem a Camões e ao 10 de Junho.
Deixo um beijo
:)
Ah, Piedade , fico-lhe muito grata pela excelente análise poética deste bolo imaginário que ontem se tornou muitíssimo controverso porque gerou alguns sentimentos díspares... É que, na véspera, tinha oferecido uma romã ao grande vate e este enorme bolo surgiu depois, na sequencia do comentário de um amigo...
ResponderEliminarBom, adiante porque hoje, possa ou não possa, tenho mesmo de ir à farmácia e ainda nem consegui publicar...
Muito obrigada e um beijo