SILÊNCIO II - Reedição
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António de Sousa, o meu avô poeta
fotografado pelo meu pai
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SILÊNCIO II
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Silêncio! Nem protestos nem queixumes
Soltam os versos mortos insepultos:
Perdem-se nos desertos dos ocultos
As aves desgarradas, quando implumes.
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Não há escudos pra espadas de dois gumes
Nem há contra-veneno para insultos
E o meu silêncio nunca paga indultos
Nem serve a desistência em que o presumes
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Arranco um verso ao prazo ultrapassado
De um mísero estertor dos meus sentidos
Que a ferro e fogo foi reconquistado
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E já perdi a conta aos que, perdidos,
Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado,
No teu silêncio afogo os meus gemidos!
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Maria João Brito de Sousa
25.07.2021 - 13.22h
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Ah!, poeta
ResponderEliminarse não tivesses assinado teu poema
eu sempre apostaria ser teu
Beijo deste teu neto e fã
Obrigada, meu neto-fã :)
ResponderEliminarÉ mesmo assim, é. quem escreve poesia, ou mesmo prosa, deixa, no que escreve, qualquer coisa que funciona como uma impressão digital
beijinhos da avó cansada
Também como o Rogério gostaria de assinar um poema assim,até
ResponderEliminarporque são tantos os meus gemidos. E não há 'contra-veneno' ´para silêncios...
E a foto do seu avô me tocou tão fundo_ sem avós sem mãe, não sei como sobrevivi.
E lá vem a lágrima ...
Beijinhos querida
Olá, Lis
ResponderEliminarO que o Rogério escreveu foi que reconheceria a autoria deste soneto mesmo que eu não otivesse assinado...
Mas vamos debruçar-nos sobre ti e sobre esses teus gemidos, que com os meus sei eu lidar muitíssimo bem: que se passa contigo, minha querida amiga? Bem, creio que acabo de fazer uma pergunta muitíssimo estúpida, porque no momento histórico que vivemos , só os corações de pedra não gemem, ainda que calados... É isso, não é? Penso que sim, mas não vou , de forma alguma, fazer mais perguntas sobre a tua vida particular que só a ti te diz respeito. Mas sempre te digo que há muitos, muitos anos que todos os meus ancestrais apenas vivem nas minhas memórias. Os seus corações deixaram de pulsar, mas o meu, embora bastante avariado, bate por eles todos e, por instantes, chego a acreditar que eles ainda estão bem vivos.
Vou tentar secar-te essa lágrima com um abraço apertadinho