GUERRA; FOME; PESTE E MORTE
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Imagem gerada pelo ChatGPT
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GUERRA, FOME, PESTE E MORTE
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I
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Hão-de vir Guerra, Fome, Peste e Morte,
Quatro cavalgaduras cavalgando
As montadas que sob o seu comando
Nos deixarão sem voz e sem suporte
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Falo de quatro porque, de outra sorte,
Estaria o velho mito atraiçoando,
Mas muitos, muitos mais virão trotando,
Que os bobos correm sempre atrás da corte...
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Assim o fim dos Tempos se anuncia
Aos homens que ao ouvirem as trombetas
Terão seu julgamento derradeiro...
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Por mim, à Guerra e à Peste, expulsaria,
À Fome, a livraria das dietas
E à Morte a açoitaria um ano inteiro
*
II
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Quanto às sete trombetas, as encheria
De betume ou cimento, tanto faz,
Para que mudas deixassem a Paz
Reinar em espanto e graça e harmonia
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Às bestas que hoje reinam, lançaria
Um feitiço que sei ser eficaz:
Mil anos a dormir como a que jaz
Numa história infantil de bruxaria...
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Ah, se assim fosse, as tais cavalgaduras
Jamais cavalgariam contra nós,
Não quebraria o Anho os sete sêlos
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E todos nós, humanas criaturas,
Faríamos ouvir a nossa voz
Em vez de ir dando ouvidos a camelos!
*
Mª João Brito de Sousa
19.07.2025 - 22.50h
***
Sem qualquer ofensa aos camelos de quatro patas, animais pelos quais nutro grande simpatia
Sem quaisquer ofensas aos camelos, que não têm culpa das "camelices" e "burrices" dos humanos - excelentes Sonetos.
ResponderEliminarVotos de saúde, paz e bom domingo.
As calamidades de que muitos vivem.
ResponderEliminarBom domingo, Maria João.
Um abraço.
Muito obrigada, amigo Francisco.
ResponderEliminarEspero que me perdoe mais esta longa ausência, desta vez devida a uma acentuada perda de acuidade visual e a uma frustrada tentativa de manter minimamente habitável este depósito de livros, papéis e medicamentos em que vou vivendo.
Bom Domingo com Saúde e PAZ!
Bom dia, Cheia!
ResponderEliminarEstes dois sonetos são uma espécie de premonição do fim dos tempos para o qual não falta quem nos encaminhe por pura loucura. Um pouco de humor negro a temperar um Apocalipse que acaba por ficar em suspenso se deixarmos de dar ouvidos a "camelos".
No fundo, no fundo, uma "charge" aos loucos e fanáticos belicistas em cujas mãos, estupidamente depusemos o poder ...
Bom Domingo e um abraço
Que bom ter você,! demorastes um porquinho _ também estou
ResponderEliminardemorando mas sempre volto logo. E trouxestes profecias que
não está longe acontecer. Guerra e Fome já habituamos , as
outras não pretendemos vivê-las.
Beijinho e boa semana, querida Maria João.
Olá, Lis
ResponderEliminarSim, desta vez demorei até mais do que pensava, mas não foi por falta de vontade. Foi por falta de saúde, por várias tentativas frustradas de tornar este armazém de livros, papéis e roupas numa coisa que se assemelhasse a uma casa, porque os olhos estão a ver cada vez pior e me doem muito quando os obrigo a focarem-se no ecrã do computador, e... olha, nem vale a pena repetir que a Musa entrou em greve...
Este poema composto por dois sonetos é especialmente dedicado, sem sombra de carinho, aos megalómanos e doidos varridos que têm nas mãos papudas o poder de destruir o planeta inteiro, se para isso lhes der a loucura que, tendo, julgam não ter. Não me tenho por profeta, nem vidente, mas basta-me ter dois deditos de testa para compreender que estamos a ser "levados, levados sim"* "cantando e rindo" para o matadouro.
O meu computador está muito estranho, começou a fazer um barulho esquisito e temo que esteja prestes a avariar-se...
Beijinhos, querida Lis!
O título dos sonetos remete-nos aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, que simbolizam a guerra, a fome, a peste e a morte. Eles representam, de forma poderosa e dramática, as grandes calamidades que podem assolar a humanidade em momentos de crise ou transformação. Desta vez, até gosto da imagem criada pela IA.
ResponderEliminarAbraço após a tempestade ⛈️ que suavizou o fim da tarde.
Exactamente, Teresa , os Quatro Cavaleiros do Apocalipse são esses que citou - A Guerra, a Fome, a Peste e a Morte. Já que veio até cá, talvez possa compartilhar a minha estranheza ao descobrir que a Wikipédia resolveu mandar a Peste às urtigas e colocar a Conquista no seu lugar.
ResponderEliminarAmbas sabemos que este é um quadro importante da Mitologia Cristã e eu não entendo que razões possam levar a esta absurda mudança... Enfim, nem os grandes mitos estão seguros nos estranhos tempos que correm.
Por aqui o dia esteve de um azul quase pecaminoso, embora tenha corrido uma brisa fresca e agradável.
Um abraço!
Um poema de grande imaginação. Gostei do último verso "Em vez de ir dando ouvidos a camelos!" hoje em dia há muitos ouvidos à escuta.
ResponderEliminarUm abraço.
L
Não me foi necessário imaginar muito, L., esta é a descrição quase literal do Apocalipse à qual me atrevi a opor algumas alternativas...
ResponderEliminarSei que sabe que muitos de nós continuam a dar ouvidos a camelos. E olhe que camelos é um eufemismo quase elogioso para os que têm nas mãos sujas de sangue o destino do mundo.
Outro abraço
Sou um grande fã do Livro do Apocalipse, que considero ser a maior obra de literatura fantástica de todos os tempos. Recomendo vivamente a sua leitura a todos os crentes e a todos os descrentes.
ResponderEliminarEsta época que estamos a viver, de crueldade, ganância e egoísmo sem limites, parece ser a expressão do próprio Apocalipse, tal como está a acontecer em Gaza, nomeadamente. E ninguém faz nada. E as coisas só tendem a piorar. Como foi possível chegarmos a esta abjeção?
Boa tarde, Fernando
ResponderEliminarFoi na sequência de uma dúvida em tudo idêntica à sua que estes dois sonetos me nasceram. E Gaza estava também no meu pensamento.
Acredite, ou não, tinha nove anos quando li a Bíblia pela primeira vez e, como é óbvio, também o Livro do Apocalipse. Embora com esta idade já tivesse lido quase toda a vastíssima biblioteca da casa do meu avô, sei que era demasiado jovem para lhe poder dar o devido valor. Reli-a mais duas vezes, uma ainda na adolescência e outra um pouco antes dos quarenta anos. Concordo consigo quando diz que considera o Livro do Apocalipse "a maior obra de literatura fantástica de todos os tempos".
Como as duas bíblias que herdei estão impressas numa letra tão pequenina que mal a consigo ver, duvido que venha a repetir a leitura, mas o que ficou das antigas leituras basta-me para fazer a analogia que fiz.
Sei que nunca poderei expulsar a Fome e a Peste, que jamais açoitarei a Morte durante um ano inteiro, que me será impossível encher de betume ou cimento as sete trombetas e muito menos conseguirei que as bestas que desgovernam o mundo venham morder a minha maçã encantada ou picar os dedos no fuso da minha roca, mas - por enquanto... - ninguém me pode impedir de sonhar nem de escrever.
A dúvida, mais pesada do que uma montanha, continua ainda que o poema tenha terminado no vigésimo oitavo verso.
Obrigada pela leitura e pelas palavras.
Um abraço