SONETO/MISSIVA A ANTERO DE QUENTAL
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Eu, fotografada por Luísa Ribeiro
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NA MÃO DE DEUS
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Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
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Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
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Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
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Selvas, mares, areias do deserto…
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
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Antero de Quental
In Sonetos Completos de Antero de Quental - Pensador
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SONETO/MISSIVA
A
ANTERO DE QUENTAL
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Lá nesse não sei onde onde repousas
Todo cinzas e pó mas livre enfim,
Não saberás quão vivas trago em mim
As palavras que, morto, já não ousas
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Passam-se os anos, surgem sobre lousas
Gravados novos nomes num jardim,
Inda que nem pra todos seja assim
E só alguns aspirem a tais cousas...
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Tu, é na mão de Deus que enfim descansas,
Eu, que te lia quando usava tranças,
Escrevo-te agora, neste fim de vida
*
E em verdade te digo, companheiro:
Revirei, pedra a pedra, o mundo inteiro
E a nenhum deus achei de mão estendida.
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Mª João Brito de Sousa
10.10.2025
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Os deuses não estão ao nosso alcance. Só existem para quem acredita neles.
ResponderEliminarUm abraço, Maria João.
Boa noite, Cheia!.
ResponderEliminarRespeito os que neles acreditam e espero deles o mesmo respeito.
Quanto às minhas pequenas ou grandes dificuldades, vou já avisando que o meu computador tem sofrido graves episódios de aparente demência que vou tentando contornar - até agora com relativo êxito - mesmo sem perceber patavina de informática. Se desaparecer dos vossos ecrãs, desta vez será porque a minha ferramenta de trabalho
decidiu entregar a motherboard ao criador. Vou-me aguentando enquanto ele se aguentar pois levá-lo a reparar é-me absolutamente impossível porque ando aflita para conseguir pagar os meus medicamentos não comparticipados, bem como as consultas no hospital veterinário, as análises e a insulina da minha Mistral.
Razão e coração, em perfeito consenso, impõem-me que acuda primeiro aos que têm um coração a pulsar dentro do peito.
Outro abraço, esperando que esta maquineta se aguente minimamente funcional o máximo de tempo possível
"Eu, que te lia quando usava tranças"
ResponderEliminarLindo.
Um abraço.
L
E é verdade, L. : li Antero quando ainda usava tranças :)
ResponderEliminarObrigada e outro abraço
PS - Tenho o computador avariado de todo. Se desaparecer dos vossos ecrãs, desta vez a culpa será... sei lá!, da motherboard ou de qualquer outro "órgão" de importância vital que tenha chegado ao fim do seu tempo útil...
Sempre genial, ombreando com os Mestres
ResponderEliminarSaúde para si e para o computador.
Muito obrigada, meu amigo Francisco
ResponderEliminarEmbora navegando num computador agonizante e sem perceber nadinha de informática, estou a conseguir manter-me online... sinceramente, nem sei como, porque estou farta de fazer malabarismos e esta coisa continua a parecer ter vontade própria: ora abre separadores sem eu lho ter ordenado, ora salta que nem um canguru enfurecido... Parece ter acalmado um pouco nestes últimos dez minutos. Espero que se mantenha assim porque se ele me morre nas mãos, de nada me vale que a Musa venha ter comigo montada no seu cavalo-de-fogo.
Saúde e Paz
Boa noite, Maria João
ResponderEliminar«E em verdade te digo, companheiro:
Revirei, pedra a pedra, o mundo inteiro
E a nenhum deus achei de mão estendida.»
Talvez as milhentas palavras de carinho e conforto que recebe sejam a mão invisível de um deus desconhecido.
Que assim seja,
Zé Onofre
Boa tarde, Zé Onofre.
ResponderEliminarAh, mas a homens e mulheres capazes de me estenderem a mão quando cambaleio, encontrei muitos. Alguns conheço pessoalmente, outros não, mas parto sempre do princípio que são todos de carne e osso, como eu.
Um abraço, Zé Onofre