FOME(S ) II - Reedição
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Fotografia de Luís Rodrigues
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FOME(S) II
*
Se tens fome do pão que ao rico sobra,
A força da razão está do teu lado
Quando acusas traído o resultado
De tudo o que é produto de mão de obra
*
E se, do que criaste, outrem te cobra
O fruto inteiro ou o maior bocado
E a ti te deixa pobre e esfomeado
Certo de que te cala e que te dobra
*
Mal sabe que te entrega a força toda,
Que essa força em ti cresce e se denoda
Indo acender-se em chama renovada
*
Porquanto se agiganta, alastra em roda,
Incendeia-se toda e mais te açoda
Quando do que estuou lhe sobra um nada.
*
Mª João Brito de Sousa
In A CEIA DO POETA
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Bela terça MJ
ResponderEliminarque essa onda parece da Nazaré
Beijinhos.
Bom dia,
ResponderEliminarNão sei de onde é esta imensa onda, só sei que foi fotografada pelo fotógrafo, poeta e pintor Luís Rodrigues....
Obrigada e que tenhas, também, uma bela e ensolarada terça-feira
Beijinhos
Injustiça económica e exploração laboral; tensão entre criador e quem se apropria do fruto do trabalho. Soneto que desperta consciência, incita resistência e união entre explorados.
ResponderEliminarBoa tarde, Teresa
ResponderEliminarEstando fisicamente diminuída, restam-me os poemas para dar voz ao animalzinho político que vive em mim... e em todos nós :)
Um abraço amigo desde este gelado fim de Tejo
Boa tarde Maria João
ResponderEliminarEm FOME(S) II), a palavra ergue-se como denúncia e resistência.
A fome aqui não é apenas ausência de pão, mas consequência directa da injustiça do trabalho espoliado, da razão traída.
O soneto cresce em intensidade até transformar a carência em força colectiva, quase incendiária, lembrando-nos que aquilo que tenta calar o homem pode, afinal, acender nele a chama da mudança.
Uma poesia de consciência social, firme na forma e incômoda no conteúdo, como deve ser.
Bom Ano e que a saúde melhore.
Um beijo
:)
Em tempo!
ResponderEliminarA foto do soneto está excelente.
Parabéns ao LR
:)
Boa tarde, Piedade
ResponderEliminarÉ do fundo do coração que agradeço as suas palavras.
Desejo que o novo ano lhe possa trazer muita Paz, saúde e amor!
Outro beijo
Sim, é magnífica, esta fotografia que roubei ao nosso amigo Luís Rodrigues
ResponderEliminarHá poetas, cujas ceias são muito amargas.
ResponderEliminarFeliz Ano Novo, com saúde e alegria, Maria João!
Um abraço.
Boa noite, Cheia :)
ResponderEliminarPode ter a certeza de que os há. Entre poetas e não poetas, há por esse mundo afora muitos milhões de ceias amargas...
Um abraço
Que 2026 seja um ano feliz para si, que recupere e volte às lides poéticas.
ResponderEliminarUm afectuoso abraço.
L
Obrigada, L.
ResponderEliminarPaz e saúde para si!
Recebo e devolvo o abraço e o afecto
Simplesmente lindo!
ResponderEliminarOhhh| Que bom ver-te por aqui, Jay!
ResponderEliminarQue tu e Santana tenham um 2026 cheio de bênçãos e alegrias!
Um grande abraço para cada um de vós