NAS TUAS MÃOS

  
Fotografia de Carlos Ricardo 

*


NAS TUAS MÃOS

*


 


Nas tuas mãos eu, ave, te confesso

Que esvoaço, sucumbo e, já rendida,

Procuro nessas mãos uma guarida

Em que a chama que sou não tenha preço
*


Eu, ave, só te entrego o que não peço:

Submeto-me à carícia prometida

Nas asas da loucura em mim escondida

Que tu não sonharás e eu nem meço
*


E que outra ave marinha ofertaria

Tanta e tão profundíssima alegria,

Que outra alma se daria em seda pura?
*


As tuas mãos… quem mais se atreveria

A desvendar-lhes sede e fantasia

Para enchê-las de amor e de ternura?
*


 



Maria João Brito de Sousa


Maio 2007
***


 


 

Comentários

  1. Obrigada, Cheia.

    É um dos meus primeiríssimos sonetos. Só me apaixonei pelo soneto na Primavera de 2007.

    Outro abraço

    ResponderEliminar
  2. Boa Semana que o tema é bom e à maneira
    muito melhor
    Blogs do Sapo a acabar, antecipei e estou no Blogger.
    https://thebeites.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  3. Queremos tanto ser uma ave em Liberdade!
    Tão bonito este soneto.
    É profundamente belo.
    É um privilégio ler estas palavras.
    Obrigado!

    ResponderEliminar
  4. Olá,

    Acabo de chegar do centro de saúde e do laboratório.

    O meu INR não sobe nem à marretada e sinto-me imensamente cansada, dorida e esfalfada dos pés à cabeça.

    Obrigada por teres gostado deste soneto e por me dares a morada da tua casa nova. Eu continuo encalhada no limbo... Nem forças tenho para me atrever a ir chatear a equipa de ajuda dos blogs. No estado em que estou, provavelmente não entenderia instruções nenhumas.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. Obrigada pelas elogiosas palavras, José da Xã.

    Não sei se me aguentarei muito tempo por aqui, hoje. Continuo a piorar e o raio do INR não sobe nem com doses cavalares de Varfarina. Continua a tortura das injecções na barriga. Mas "barriga" já vai sendo um eufemismo para este gigantesco hematoma cheio de papos e caroços

    Estou tão farta! [:<]

    Um abraço

    ResponderEliminar
  6. Mãos preciosas _ as tuas Maria João, voando alto,
    mesmo na fragilidade e em constante transformação.
    Esvoaçando-se, vivendo intensamente, ora alto ,ora mais baixo,
    indo onde até onde possa ir . Plena, sempre plena.
    'As tuas mãos' amiga, me enternece e agradeço comovida.
    Te abraço forte nessa tarde lânguida ,melancólica, no entanto ,delicada.
    Obrigada.

    ResponderEliminar
  7. Ohhh, Lis , obrigada pela ternura das tuas palavras.

    Em breve também esta ave marinha terá de migrar... Passaremos a ser vizinhas pois tenciono "levar" os blogs para a plataforma em que ergueste o teu "Flor de Lis"

    Para iniciar esta odisseia, estou à espera de melhorar um pouco, pois tenho estado mal desde que vim do hospital. O INR não sobe e vieram outros sintomas juntar-se aos habituais...De qualquer forma, terei de migrar porque a plataforma Sapo decidiu descontinuar os blogs, com muita pena minha. São 18 anos e 5 dias de sonetos clássicos, décimas, sextilhas e outros trabalhos em redondilha maior que vou ter de "teletransportar" para outra "dimensão". Claro que vou ter ajuda, mas... confesso que tenho pavor de perder aquilo tudo.

    Também eu te abraço forte, Lis

    ResponderEliminar
  8. brancas nuvens negras19 de janeiro de 2026 às 16:38

    Os mistérios íntimos de cada um de nós, ficarão apenas connosco.
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
  9. Talvez, L., talvez... a poesia nem sempre os quer calar e a minha Musa é uma desbocada no que toca a intimidades, por isso é bem possível que, para o leitor, seja difícil acreditar que este As Tuas Mãos tenha sido um dos primeiros sonetos que escrevi e que seja dedicado ao formato poético a que damos o nome de soneto.

    Forte abraço

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas