CRUZANDO O RUBICÃO


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*

CRUZANDO O RUBICÃO
*


Já terão todos migrado

Deste bairro hoje fantasma?

Serei eu um ectoplasma

Que expirou sem ter notado?

Está vazia, a casa ao lado...

No Sapal paira o miasma

De uma solidão que pasma

O mais bem acompanhado...

Que é do sapinho encantado

Que tanto me entusiasma?
*


Percorro as ruas vazias...

Nem o vento me acompanha

Nesta caminhada estranha

E as horas tornam-se frias,

Pesadas como manias

Que alguém, tendo, não detenha

Por ser tarefa tamanha

Que só as melancolias

A igualam, nalguns dias

Em que alguma em nós se embrenha...
*


Nem vivalma! E percorri

O Sapal todo inteirinho

Sem vislumbrar um sapinho

Dos tantos que havia aqui...

Nem notei mas, sim, morri

E este é um outro caminho,

O tal que se faz sozinho

Quando nos vamos daqui...

Não fui eu que decidi

E, para trás, deixo um ninho
*


Mas não tenho alternativa...

Não posso dizer que não

Estando em decomposição

O corpo no qual fui viva

E, hoje, sou alminha à d`riva...

E agora? Que direcção

Me aponta este coração

Que não pulsa, nem cativa?

Espero encontrar comitiva

Que me leve ao Rubicão!
*

 

Mª João Brito de Sousa

17.01.2026 - 14.20h
***


Nota - Poema escrito quando soube que o Sapo Blogs, minha casa desde 14 de Janeiro 2008, iria ser descontinuado.

Comentários

  1. brancas nuvens negras17 de janeiro de 2026 às 17:30

    Pelo que me pareceu, eu serei um desses sapos. Certo?
    Um abraço.
    L

    ResponderEliminar
  2. A menos que também tenha um blog na plataforma Sapo, não, não pode ser um destes sapinhos, L.

    Isto é uma metáfora da migração forçada dos blogueiros do Sapo que receberam ordem de despejo e vão - vamos... - ter de procurar morada noutra plataforma.

    Outro abraço

    ResponderEliminar
  3. brancas nuvens negras17 de janeiro de 2026 às 20:43

    Compreendido, como dizia, salvo erro, o Vasco Santana
    Um abraço
    L

    ResponderEliminar

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