LUXOS...
LUXOS...
*
Vestiu-se de veludo e, aos cabelos
Cruzados por riachos prateados
Prendeu dois ganchos lassos, muito usados,
Cobertos de pontinhos amarelos
*
Meteu os pés inchados nuns chinelos
Baratos, duros, gastos e cambados:
Deixaram-lhe os dois pés muito apertados,
Mas já não se importou... sorte era tê-los!
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Sobre os ombros lançou uma mantilha
De cor incerta, puída na textura
Como o vão sendo as coisas já sem cura
*
Que viajaram anos na partilha,
Mas que a mulher desmente na postura:
No mundo dela os restos são fartura.
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©Maria João Brito de Sousa
Março, 2016
In A CEIA DO POETA, (inédito)

É belo este poema e como a poesia tão poeticamente descreve a pobreza e a nobreza.
ResponderEliminarUm abraço.
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