SE ME FOR DADO CRER


 Imagem gerada pelo Chat-GPT

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SE ME FOR DADO CRER
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Se me for dado crer, que seja assim que creia:

Que a dor que me cerceia esta ânsia de viver

Me não deite a perder o fio de cada ideia,

Que me não falte à ceia o pão para comer
*


E que enquanto viver, embora gasta e feia,

Castelos sobre a areia alcance ainda erguer

Nos quais me recolher a cada maré cheia

Do mar quando se alteia em vagas, a crescer
*


Caso assim possa ser, que quanto me rodeia

Me seduz e me enleia enquanto eu cá estiver,

Não pare de acender a luz que me norteia
*


E que não seque a veia, a tal que ousou tecer

No tear do dever, a rubra, imensa teia

Que no meu estro ondeia enquanto escolha houver.
*

 

©Maria João Brito de Sousa

14.06.2020

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Soneto em verso alexandrino com rima entrançada
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