SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA

 


"A Tia"

Tela de minha autoria

*

SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA

ou

PEQUENA ARTE DE CONTRADIZER FAMOSOS

ou

APOLOGIA DE UM ATREVIMENTO
*

(Em genuíno verso alexandrino)
*



Minha Musa rebelde embora talentosa,

Pedir-te que jamais te afastes de quem sou

É qu`rer guardar na mão uma manhã ventosa

Ou ir roubar ao mar o sal que o mar salgou
*


Mas se és mera invenção - segundo o Abrunhosa... -

E se só eu te sinto em mim ou se só estou,

Terei que te negar embora estando ansiosa

Por procurar em ti quanto de mim restou
*


Ah, sim, sei que o trabalho é mais do que importante

E que sem trabalhar nada de bom se faz

Mas sem sentir-te em mim de mim fico ignorante
*

 

E escrevo à martelada ou quedo-me incapaz

De escrever tanto quanto o fez o grande Dante

Que nunca me deu mais do que o que tu me dás!
*



©Maria João Brito de Sousa 


*

Sorrindo muito, às quinze horas do vigésimo terceiro dia do ano da graça de MMXXIII

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