VERSO A VERSO
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VERSO A VERSO
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Na tenaz destas coxas que te prendem
Conduzo-te, poema imaginário,
Por ondas e marés, doce corsário,
Ao cais onde estas vagas se me rendem
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Rotas hábeis que engendro e que te entendem,
Levar-te-ão, poema solitário,
Ao cais urgente, ao porto necessário
À nau que vara as ondas que a suspendem
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Afundo-te, poema, verso a verso,
Firmando o leme assim que tu, disperso,
Te desvias da rota e, já perdido,
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Recusando, talvez, morrer submerso
Na doce embriaguês deste universo,
Me negas o naufrágio, arrependido.
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©Maria João Brito de Sousa
Fevereiro, 2016
In A CEIA DO POETA (inédito)

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