OFÍCIO(S) I e II - Em verso operário
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OFÍCIO(S)
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Os meus frágeis castelos de papel
Não são mais opulentos que choupanas
Urdidas a tracinhos de pincel
Sobre a nudez de superfícies planas
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Outros serão gravados a cinzel
Somam-se em letras não menos humanas,
Por vezes numa pressa, num tropel,
Ao longo de horas, dias e semanas...
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Sou operária das coisas diminutas,
Guerreira desarmada de outras lutas,
Agricultora de estros e cultura
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Que ora plantando ora colhendo as frutas
Julga contar-se entre as mais resolutas
Das teimosas cultoras da ternura.
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Maria João Brito de Sousa - 07.07.2020 - 11.47h
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OFÍCIO(S) II
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(Soneto em verso operário)
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Proponho-me um poema de madeira
De linhas ergonómicas, tão estável
Como uma mesa ou como uma cadeira
Que seja muito sóbria e confortável
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Se não sei trabalhar senão inteira
E o corpo está num estado deplorável
Mudo os versos em tábuas e à canseira
Transformo-a em qualquer coisa de palpável
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Que pouco a pouco vai ganhando forma
E em breve este poema escapa à norma
Passando a ser objecto utilitário
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Se não fossem as rendas com que adorna
A lucidez de cada tarde morna
Teria sido escrito em verso operário.
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Maria João Brito de Sousa - 10.07.2020 - 10.45h
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IMAGEM - Tela de Tarsila do Amaral
E o que eu gosto do seu versejar. Obrigado.
ResponderEliminarSou eu quem agradece a leitura bem como o facto de me fazer saber que gostou, L.
EliminarAbraço
Se não soubesse, de ti
ResponderEliminaro que sei
diria de ti o que sempre direi
isto
bem podia ser um hino
Ah, mas tu sabes de mim, Rogério... recordo-me vagamente de que até me viste "renascer" numa madrugada qualquer, penso que ainda na UNICOR do HSC
EliminarAbraço