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O MEU ABRAÇO

Ah, este louco abraço em que me dou Se alcanço, de mim mesma, a plenitude! Ah, esta estranha forma de virtude Muito além das fronteiras de quem sou!   E se um, um só de vós, me aceita o vôo, Se entende esta mudança de atitude, Se intui, no meu abraço, essa amplitude E tenta, enfim, chegar aonde estou,   Mais vasto se me torna  estoutro abraço E subo um pouco mais, sou mais feliz E sei que é sempre em frente o meu caminho,   Pois tudo o que fizer, sei bem que o faço Porque o devo fazer... e quem mo diz Sois vós, quando aceitais o meu carinho...     Maria João Brito de Sousa . 06.03.08 - 13.45h

POSTAL DE AGRADECIMENTO

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      A minha gratidão segue em abraço Como um postal no marco do correio; Por vós eu nunca hesito, nem receio Desvendar-me nas linhas que aqui traço,     Pois por vós me condenso, ou me desfaço Nos versos mil que adubo e que semeio E é por vós que escrevo e devaneio Calcando bem mais fundo o meu cansaço.     P`ra vós, que descobristes o talento Onde outros nunca encontram senão fel, Envio esta minh`alma aberta e nua,     Por vós sigo inteirinha onde me invento Transmutada em pedaços de papel, Pela mão de um carteiro, em cada rua...         Maria João Brito de Sousa - 06.03.2008 - 10.36h  

SER AS COISAS II

  A título de ser quem nunca fui Perdi-me de ilusões, deixei de ser, Espelhei-me, procriei, fiz-me mulher Num corpo onde a vondade se dilui.     Quem sou? Esta minh`alma `inda me intui Dispersa pelas coisas, sem saber A qual pertencerei no renascer Da mesma dispersão que me possui...     Só  sei que sou por ser, além de mim, Tudo aquilo que alcance o meu olhar E tudo o mais que possa pressentir     Porque a longa viagem não tem fim E sei que tudo irá recomeçar Porque a verdade está neste ir-e-vir...         Maria João Brito de Sousa . 05.03.08 - 07.58h

SER AS COISAS

Eu vejo e sinto e sei e SOU o mar E os seus abismos de um azul profundo... Onde houver vida, aí é o meu mundo, Aí, onde sei ser, irei  morar...     Eu vejo e sinto e sei e SOU a Lua No manto em que derrama a sua luz E sou-o tanto quanto me seduz Esta assunpção total duma alma nua...     Sou pedaços de tudo e não sou nada Na dispersão total que habita em mim Como se em vez de "estar" fosse só "ser"     Para além de mim mesma e despojada De um corpo que terá princípio e fim E no qual sempre soube não caber...         Maria João Brito de Sousa - 04.03.2008 - 11.39h          

ASAS DE AREIA

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  ASAS DE AREIA * Dos meus antigos sonhos de menina, Recordo a tempestade dos sentidos A fustigar-me o corpo, em tempos idos, Como se amor nascera em cada esquina * Por ti fui, na verdade, peregrina, Cobri-me de paixão, vesti vestidos Que prometiam gozos desmedidos A essa minha essência feminina * Enredada na teia que teci, Tentei perder-me em ti, fiz-me sereia, Ou Ícaro-mulher ardendo em brasas * E ao tombar na praia é que entendi Que as asas que moldara eram da areia Com que as penas se moldam. Nunca as asas. *     Mª João Brito de Sousa 03.03.08 - 07.05h ***

UMA LÍRICA PARA CIDÓNIA

Aqui renasce o meu entendimento, Mesmo aqui em Cidónia, junto à Face... Quem dera um só de vós me acreditasse Aqui, onde renovo o meu talento...   Se é isto o que eu entendo, o que eu sustento, E se nisto a mim mesmo me encontrasse, Talvez outro de vós também sonhasse E, assim, reinventasse o Firmamento...   No Planeta Vermelho onde me sei Porque me multiplico em fantasia, Verdade é tudo aquilo que eu quiser!   A Face é o que eu vi, o que eu sonhei, E a vida é sempre um acto de magia A partilhar com todo o que o souber...     Maria João Brito de Sousa   01.03.08 - 04.00h   Este é para o V.A.D. por me ter aberto as portas à sua viagem pelo Planeta Vermelho e porque (vá lá saber-se porquê...) me agrada encontrar blogonautas que se atrevem a explorar outras moradas noutros espaços...(desde que no campo da criatividade e da fantasia, claro está...)

GUIA DE MARCHA

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      Lá vais subindo a pulso, é alto o muro, Já suada e cansada, vais parar... E páras, mas de novo irás tentar E nisto se constrói nosso futuro...   Já na recta final é menos duro Pois sabes que não podes recuar E sentes-te mais leve e vais chegar E nasce um novo sol num céu mais puro...   Se vais pelo caminho e, sempre em frente, Intuis, decerto, a meta dos teus passos, Se das pedras que encontras edificas   Um muro menos duro, embora urgente, Então benditos sejam teus cansaços Pois será Deus aonde O dignificas!       Maria João Brito de Sousa - 01.03.2008 . Feito no comboio, no caminho para a homenagem à Dra. Maria Ivone Vairinho que entrará, em 2008, no sétimo mandato do seu cargo de Presidente da Associação Portuguesa de Poetas. Dedicado a essa extraordinária Poetisa que, em detrimento da sua vida pessoal, tem dedicado o seu trabalho e o seu precioso tempo à APP. Para uma grande Mulher, uma grande Senhora e uma grande Poetisa. Sábado, 01.03.08 - 14.45h