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POR OBRA E GRAÇA

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  Antes de mim, só sonho e, porventura, Aquilo que haveria de existir. Depois uma envolvência, cio, ternura… Rituais que estar vivo faz surgir. Viver é, sobretudo, uma aventura E ainda aventura o persistir No perpétuo mistério da procura E na glória imperfeita de o sentir. Antes de mim, antes de cada vida, Um vazio por encher talvez esperasse Mais um outro qualquer procriador Pois cada vida deve ser cumprida Tanto quanto se possa e tudo nasce Por obra e graça de um poder maior…     Maria João Brito de Sousa     Imagem retirada da internet

O CONFRONTO II

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Eu visto este insepulto simulacro Do corpo a que estar viva me condena E rasgo, véu a véu, o gosto amargo De tudo o que  nascer da minha pena… Quantas vezes luzi por entre os astros? Em que órbitas se traça a estranha cena Da colisão estelar, nos céus mais vastos, Quando a nossa visão se torna plena? Ah, que estranhos caminhos nos apontam A morte e o nascimento de uma estrela E esse imenso caos do seu confronto! Majestosos titãs, quando se encontram - de uma grandeza absurdamente bela! – E, à vista desarmada, um mero ponto…     Maria João Brito de Sousa – 29.07.2010 – 00.02h   Imagem retirada da internet

NOS OLHOS DE QUEM CHORA

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  Nos olhos desvendados de quem chora Moram novas razões… quem o não sabe? Antes que a luz se vá, que o dia morra, Antes que o próprio choro se lhe acabe,     Antes do repensar de uma demora, Antes desse soluço que os invade, Antes que vá chegando a sua hora E antes da razão que lhe não cabe,     Nos olhos de quem chora se desvenda Um mar, todo inteirinho e revoltado Por ondas gigantescas que só morrem     Quando houver quem ensine e quem aprenda Que o mar que vem dos olhos é escusado, Tal como o sal das lágrimas que escorrem.       Maria João Brito de Sousa

AMANHÃ, COM ELES, NO "AS TARDES DA JÚLIA"

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  Hoje não há sonetos! Hoje vou preparar-me para, amanhã, estar na TVI, nas Tardes da Júlia, a falar sobre estes - e outros... - amiguinhos. Estes que comigo partilham, há tantos anos, os bons e o maus momentos. Os sonetos voltam depois de amanhã, se Deus quiser.

VIVÊNCIA

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  Eu canto este animal que existe em mim; Pacífico, leal, vocacionado Para não desistir, antes do fim, Do que quer que tivesse começado. Canto este bicho que descreve, assim, Momentos do que em si foi já passado E o enfeita com hastes de alecrim Consciente de um fim sempre adiado… Canto, em boa verdade, a minha vida; Os meus cinco sentidos – e algo mais… - Sob a teia lunar de uma envolvência Aleatoriamente traduzida - como a de tantos outros animais – Naquilo que a que chamamos de vivência…     Maria João Brito de Sousa – 23.07.2010 – 00.32h

SÓ POR UM BOM/MAU MOTIVO!

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  Como posso eu escrever seja o que for Se, hoje, esta insegurança me venceu, Se o tal subsídio, desfeito em vapor, Se faz tardar... ou desapareceu?!   Ninguém me diga nada, por favor! Eu já pensava tê-lo como meu E, de repente, some-se um valor Que eu- julgo... - o meu trabalho mereceu!   As contas que não esperam por ninguém Não vão  dar-me um segundo de sossego E um desabafozinho é admissível...   Se agora eu não escrever assim tão bem É porque estou zangada e não o nego! [raramente sou má, fico irascível...]       Maria João Brito de Sousa - agora mesmo, sem grande vontade e com uma pitada de "zanga"     IMAGEM - Caricatura de António de Sousa nos seus tempos de Coimbra

SONETO? NENHUM!

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  Não sei o que fazer… nem um soneto, Por mais pobre que seja- ou menos bom… -, Por mais “de pé quebrado” ou incompleto, Se digna bafejar este meu dom! Portanto, saia lá o que sair, Por pura teimosia, eu vou escrevendo E se não for soneto, este “sentir” É, ao menos, aquilo que eu pretendo… Papagueada a métrica insegura, Agrupados os versos dois a dois, Vou preparando os tercetos finais E, não estando impecável a estrutura, Não vos posso jurar que vá depois Dedicar-me a escrever uns versos mais…   Maria João Brito de Sousa – 21.07.2010   A precisar de férias…mesmo!