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A PONTA DO VÉU

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    Disto, que te não escondo, nada nego; Nem o intenso olhar com que te fito, Nem, vago, o esgar da dor que quase evito Mas te revela o meu desassossego.   Do resto, que não disse, nem delego Na boca de outro alguém, pois não admito Que um outro assuma aquilo que foi escrito Noutro modo verbal que nunca emprego,   Do restante - dizia – e dessas letras Que, em tempos, me ficaram por escrever Nos papéis que recordo (ou vejo e sinto?),   Surge a ponta do véu que esconde as metas Que nunca revelou, mas, sem saber, Te irá, depois, mostrar que te não minto.       Maria João Brito de Sousa – 29.12.2010 – 19.01h    

RABISCANDO UMAS ASAS DE PAPEL

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    Cada verso me nasce, sem pedir, Com asas de papel, corpo de chama, Quando, nele, em voz alta se proclama Tudo quanto me doa… se o sentir…     Cada verso que "roubo" é, sem mentir, Isento de razão, alheio à fama, Surgindo como a chuva se derrama Sobre eternas planuras a florir.     Cada qual se reforça quando afirma Seu derradeiro apelo à solidão; Rabisco mal  esboçado, mas urgente     De quem dispensa um outro que o redima… Por cada verso, a ponte em suspensão Entre aquilo que sou e toda a gente…             Maria João Brito de Sousa - 29.12.2012 - 14.51h

O DIA "SIM"

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  Há dias em que tudo me transcende; A rota de um cometa, a Terra, o Céu… [as coisas que aqui vejo, Deus mas deu, mas só porque, quem sou, logo as entende…]     Nesses dias, serei quem compreende Que o mundo, revelado, é todo meu, Que basta levantar a ponta ao véu E a chama que há em mim logo se acende…     Mas se é certo que um dia não são dias, Que os mais me trazem duras agonias, São coisas que se esquecem pois virão     Os que trarão sorrisos, alegrias, Os do deslumbramento e fantasias; Há sempre um “dia sim” nas “vidas não”...         Maria João Brito de Sousa - 28.12.2010 -12.09h

DA INEXPLICABILIDADE DO POEMA

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      PUPPEN THEATER - 1923 – Aguarela sobre fudo de giz sobre dois papéis, debruado a aguarela e pena sobre cartão Paul Klee         Como se me nascessem quando quero, Como se eu carregasse num botão E se materializasse a inspiração, A tal que só me vem quando a não espero...   Como se fosse simples! Não tolero Ser submetida a tanta sujeição! Mas, se sou eu quem me comanda a mão, Quem o comanda a ele? E desespero...   Mostra vontade própria, esse poema Que faz o que quer porque nasceu Do que não sei explicar, desse mistério   Que veio não sei de onde e, sem um tema, Desceu sem me dizer por que cresceu Tal qual como um ser vivo, sendo etéreo.     Maria João Brito de Sousa – 23.12.2010 – 17.10h         NOTA DE EDIÇÃO - Por esta estrada*, caminha-se para o subtítulo do Poetaporkedeusker, para a minha paralela paixão pela biologia, para o entendimento – ou não… - da abstracção e para todas as inexplicabilidades. Esta foi construída por mim e traz marcadores que são meus, que têm a ver com...

PARA ALÉM DA DOR - Humana Condição II

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  Não escreverei até que as mãos me doam Pois muito além da dor, ainda escrevo E, às vezes, digo tudo o que não devo Que nem deuses, nem o homens me perdoam,     Mas, se pressinto as rimas que ressoam E se acaso as alcanço, onde me atrevo, Prendo-as nas duas mãos que logo elevo Em estandartes, como aves quando voam.     São asas transcendentes, vigorosas, Vermelhas como as pétalas viçosas Que preferem morrer a ser vencidas       Em estrofes que persistem, que, teimosas, Brandem espinhos agudos, como as rosas Que sempre os usarão quando colhidas.             Maria João Brito de Sousa – 22.12.2010 – 00.13h                       http://www.dominiopublico.gov.br/   - Um site que recomendo e que corre o risco de terminar por ter muito poucos visitantes

A BEM DA VERDADE

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  Noutro ponto qualquer desta viagem, Num dia a que não sei dizer o nome, Encontrarei, talvez, força e coragem Pr´a negar esta absurda, humana fome.     Terei, enfim, traçado a minha imagem E não haverá mundo que me dome Pois serei, de quem fui, simples miragem A diluir-se na luz em que se some.     Será num tempo ainda por chegar, No desaguar de um rio que ruma ao mar Na barca destas tábuas que talhei…     Será onde eu couber, mas há-de ser! E é tudo o que, pra já, posso dizer Porque, a bem da verdade, eu nada sei!         Maria João Brito de Sousa – 20.12.2010 – 19.59h

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXIV

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    MISTÉRIOS DE TODAS AS POÉTICAS     Há gotas de suor nos meus sonetos, Jorrando de outros poros, porque os meus Não podem entender tantos dialectos E portam-se, por vezes, como ateus     Que pasmam só de olhar os riscos pretos Feitos – quem sabe… - pela mão de Deus, Destes grafismos estáticos, erectos, Que descrevem o Mar, a Terra, os Céus…     Inunda-me, o poema, o corpo inteiro, Escorrendo como a tinta de um tinteiro Que outro alguém, derrubando, não quisesse     Aceitar nas palavras que eu emprego E, à pressa, derramasse um grito negro Sobre o que eu escreveria… se pudesse.         Maria João Brito de Sousa – 18.12.2010 – 18.36h       CONDICIONALISMOS, COMODISMOS E RECEIOS, S.A.     Eu cantaria a rosa que há em mim, Mas posso muito bem vir-me a esquecer, Ou mesmo perguntar-me, até ao fim: - Se um espinho me picar, irá doer?     Eu cantaria as ervas de um jardim Até o mundo olhar e entender Mistérios numa haste de alecrim... Mas se ele for cego e nunca o puder ver?     Há preconce...