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GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVII

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  SOMBRAS, TREVA E FANTASIA Hoje tapou-se o sol, foi dia escuro Polvilhado por névoa branca e fria Tão húmida e tão densa como um muro Erguido numa mágica ousadia   Não havia horizonte nem futuro Somente sombras treva e fantasia Soltas plo nevoeiro branco e puro Em farrapos aquosos de poesia   Houve ao anoitecer sóis que brilharam Mais forte e de beleza perfuraram O branco, então já negro nevoeiro   A noite pôs um véu alaranjado De brilho, de fulgor enevoado E fez-se de mistérios plo carreiro     MEA 06/01/2017 ---* ---   CEGUEIRA(S) - (brevíssimo ensaio sobre...)     "Hoje tapou-se o sol, foi dia escuro" Muito antes da noite apetecer E dia que em nascendo é já maduro Antecipa, da noite, o recolher.   "Não havia horizonte nem futuro", Nem outra alternativa... era viver, Ou morrer, nesse dia em que, vos juro, Nem sequer vi o dia acontecer.   "Houve ao anoitecer sóis que brilharam", Estrelas que, extraviadas, orbitaram Em torno do meu espanto, em estranha da...

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE VIII

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  MOMENTOS E MEMÓRIAS (Do avô)   Sentado num cantinho da lareira Ele esfrega as mão geladas sobre o lume Que se faz de cavacas de madeira Aquecendo-se como de costume   Um jogo ou uma história, brincadeira Momentos inventados dum perfume que a memória recorda, já parceira Da saudade que queima com ardume   Um piscar de olhos, presto, disfarçado Ou um gesto singelo e engraçado Nos serões aquecidos da infância   Percorrem os meus olhos quase quedos Receando perder-se nos enredos Do espaço que separa da distância   MEA 30/12/2016   .....*.....   UMA VELHA MEMÓRIA   O meu, num cadeirão todo em madeira Almofadada, apenas quanto baste, Escreve os seus versos de uma vida inteira Que já vai acusando algum desgaste...   Assim, sentado junto à papeleira, Te vejo, avô poeta, a ti que ousaste Fazer dos sonhos a razão primeira Duma vida que em versos consumaste.   Sobraram-me, dos tantos que esboçaste, Os sonhos que me aguardam na fronteira De todas as razões que me ensinaste   E que nunca esqueci....

CATARATAS E MAIS CATARATAS...

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  Eu já vi cataratas que escorriam Do tecto da cozinha, quais cortinas De águas acumuladas que traziam Consigo grande estrago, as assassinas! Estas são de outras lavras; prometiam Não causar grande mal, que há formas finas De ir mascarando o estrago que faziam No vítreo cristalino das retinas... Agora vejo pouco e quando insisto Em ler letras pequenas, nada vejo, E, nada vendo, é certo que desisto, Embora muito contra o meu desejo, Porque vos asseguro que se existo É porque de escrever vou tendo ensejo...   Maria João Brito de Sousa - 02.01.2017 - 14.13h  

GLOSANDO JOAQUIM SUSTELO X

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SONHOS (RE)TIDOS   À noite, quando um sonho nos visita, E quando vem bonita essa mensagem, Connosco em fresca aragem coabita Retendo da visita a bela imagem   É essa "retenção" (sem ter viagem) Que dá, pela mensagem, tão bonita Uma força infinita, uma coragem, Que com a aragem vinda nos levita   Como que a querer ficar, na liberdade... Que embala, persuade e nos conduz A ver até mais luz na nossa estrada   E vamo-nos erguer com mais vontade Com essa claridade que reluz E o sonho nos produz na madrugada.   Joaquim Sustelo     A PERSISTÊNCIA DO SONHO     "À noite, quando um sonho nos visita (,)" Como um sopro de brisa, ou suave aragem, Nenhum de nós resiste, ou mesmo hesita, A reter-lhe, sonhando, essa mensagem...   "É essa "retenção" (sem ter viagem)" Que se abre, como flor, quando nos fita, E nos deslumbra os olhos numa imagem, Que a bênção de sonhar em nós suscita   "Como que a querer ficar, na liberdade (...)" De ser, mais do que um s...

SOLFEJO - Fusas, semi-fusas e colcheias

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  Tombam-me as mãos doridas e confusas Sobre as letras profusas que mal vejo Se disso tenho ensejo... e tu recusas As mesmas semi-fusas que eu almejo... Hei-de queixar-me ao Tejo que me acusas De não cantar-lhe as musas, pois fraquejo! Ah, sobra-me o desejo e, se te escusas, Mais perco, em águas lusas, meu solfejo... Alguma razão tens, pois vou falhando; Os olhos vão errando, as mãos também, E nada me sai bem... mas vou tentando! Talvez tornando brando o que me vem Das águas de ninguém, sem como ou quando, Ainda que chorando, eu cante bem. Maria João Brito de Sousa - 04.01.2017 - 17.40h    

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVI

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    REGRESSO   Pisei todas as pedras como então Olhei portas que já não são como eram E julguei-as apenas invenção Que os meus olhos atónitos me deram   Senti por cada montra a afeição E ouvi tantos segredos que disseram Nos gemidos que ouvi com emoção  Por delas terem feito o que fizeram   Revi em pouco tempo uma por uma Desfiz um pouco mais a minha bruma Que o tempo foi tecendo na memória   No peito houve a alegria de voltar De, no adolescer me reencontrar Ao sentir-me na mesma trajectória   MEA 29/12/2016 REVISITAÇÃO "Pisei todas as pedras como então", Na lentidão que agora é minha irmã E vi, no chão pisado, o mesmo chão Que vi quando o futuro era amanhã. "Senti por cada montra a afeição" Maravilhada, funda, honesta e sã, De afectos transbordantes de paixão Mostrando que a viagem não foi vã ... "Revi em pouco tempo uma por uma" As ondas do meu mar desfeito em espuma Sobre areias, agora inexistentes, "No peito houve a alegria de voltar" Às mesm...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXV

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  EIS, QUANDO SE DESEJA PAZ, AMOR   … Eis, quando se deseja paz, amor Quando o mundo se encanta nessa espera Quando se enchem os céus deste louvor Num cenário de mágica quimera   Na rua, solto oculto anda o terror Espiando disfarçado como fera E aguardando o momento esse estupor Cada vez nos ataques mais se esmera   Avança numa fúria arrebatada Leva no olhar a morte já ditada Faz valer ali mesmo o seu rancor   E devasta destrói mata inocentes! São seres possuídos e dementes Que fazem propagar no mundo a dor   MEA 2/01/2017   -**-   QUEBRANDO AS ALGEMAS...     "...Eis quando se deseja paz, amor", Igualdade, justiça e harmonia, Desaba o mundo em nosso derredor E impera a dura lei da mais-valia...   "Na rua, solto oculto anda o terror"; Sobrevive-se ainda mais um dia A tanto solto, oculto despudor, Nas ruas duma Terra, assim, sombria?   "Avança numa fúria arrebatada", Numa ganância pouco humanizada, Montado num ginete, o "Deus-dinheiro"   "E de...