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SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA- Reedição

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SONETO DA ASSUMPÇÃO DA MUSA ou PEQUENA ARTE DE CONTRADIZER FAMOSOS ou APOLOGIA DE UM ATREVIMENTO * (Em genuíno verso alexandrino) * Minha Musa rebelde embora talentosa, Pedir-te que jamais te afastes de quem sou É qu`rer guardar na mão uma manhã ventosa Ou qu`rer roubar ao mar o sal que o mar salgou * Mas se és mera invenção - segundo o Abrunhosa... - E se só eu te sinto em mim se só não estou Terei que te negar embora estando ansiosa Por procurar em ti quanto de mim restou * Ah, sim, sei que o trabalho é mais do que importante E que sem trabalhar nada de bom se faz Mas sem sentir-te em mim de mim fico ignorante *   E escrevo à martelada ou quedo-me incapaz De escrever tanto quanto o fez o grande Dante Que nunca me deu mais do que o que tu me dás! *   Mª João Brito de Sousa * Sorrindo muito, às quinze horas do vigésimo terceiro dia do ano da graça de dois mil e vinte e três.

GARANTO QUE CRESCI!- Reedição

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GARANTO QUE CRESCI! *   Perdidamente amei, perdidamente cri Naquilo que perdi do tanto que encontrei E evoco o que não sei se vi ou se não vi Até que encontre aqui quanto aqui procurei. *   Tentando honrar a lei que não reconheci, Jamais lhe resisti, jamais a confrontei, Mas se pouco lhe dei, bem menos lhe pedi E se acaso menti, a mim me castiguei. * Amo o chão que pisei, a terra em que nasci, A chama em que aqueci os sonhos que engendrei E as cerdas que entrancei nas cordas que teci. * Dos versos que escandi às telas que pintei, Do quanto gargalhei às mágoas que engoli, Garanto que cresci... e juro que gostei! *   Maria João Brito de Sousa 13.06.2020 – 17.39h ***   Soneto em verso alexandrino

UM SONETO PARA ANTÓNIO DE SOUSA

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UM SONETO PARA ANTÓNIO DE SOUSA *   São de astros os dez mastros dos teus dedos E destros os teus estros decantados Que enquanto livres voam são escoltados Por montanhas cobertas de arvoredos * Picos armadilhados de rochedos, Vales numa vertigem desenhados, Despenhadeiros quase despenhados De alturas outras, que não geram medos * São de astros feitos esses teus sonetos Poeta da casaca de cometas, Razão em suspensão sobre os afectos * Que calam, nos silêncios que prometas, A dimensão dos justos e dos rectos Que lá de longe vão traçando as metas. *   Maria João Brito de Sousa 31.05.2020 - 15.20h *** Reeditado

CONVOCATÓRIA - Reedição

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CONVOCATÓRIA * Convoco-te, poema, em cada verso, Em cada estrofe enquanto não tecida, Em cada afirmação, no seu reverso, No sopro que conduz o verbo à vida, * E sempre que comigo, em mim disperso, Te encontro e vou moldando, já rendida, Perder-te-ei depois, depressa imerso Num mar cuja maré me traz perdida * Mas essa sensação de, em tempo adverso, Estar presa, acorrentada e sem saída Num barco naufragado e já submerso, * Foi olhada de frente, foi vencida E acabou sorrindo neste verso No qual (des)multiplico a dor sentida. * Maria João Brito de Sousa Março 2016 * In A CEIA DO POETA (inédito)

FINGINDO, LONGE VAI QUEM QUER

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FINGINDO, LONGE VAI QUEM QUER * (Chocolates) * Come chocolates, rapariga, come, Inda que sem fome! Nunca disparates, Nem mesmo te adaptes! Repensa o teu nome E ao que te consome, retira uns quilates *   Pra que te retrates sem que alguém te dome, Ou por má te tome entre astros e vates! Que aos grandes debates teu nome se some: Não te dobre a fome! Come chocolates! *   Jamais te formates plo que vais ouvindo Ainda que lindo te possa par`cer: Pode não o ser e pode estar mentindo *   Quem disser - Bem-vindo!, sorrindo ao dizer Bem compreender o que estiveres sentindo: Cuida que, fingindo, longe vai quem quer! *   Mª João Brito de Sousa 03.06.2023 - 11.20h * A Álvaro de Campos *** (Soneto em verso hendecassilábico com rima dupla, interna e final)

TU!

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  TU! *   Tu dizes me amas, me cercas e chamas De amor entre as damas... mas gritas, reclamas Censuras me tramas e troças de mim Mostrando-me, assim, que és falsa e ruim! *   Se eu digo que sim… tu um não logo exclamas Gesticulas, bramas e, rindo, te ufanas… Com frases levianas te comportas, enfim, Qual mosca em quindim, gelatina ou pudim… *   Que come e no fim suas asas batendo Se vai debatendo, zumbindo, lambendo E acaba morrendo por ser negligente… *   E tu, realmente, mundana e vulgar Terás de mudar ou te irás atascar… Na merda acabar… como mosca indecente! *   Abgalvão *** EU? * "Na merda acabar... como mosca indecente"? Jamais! Eu sou gente, não mosca vulgar Que em qualquer lugar "aterra" e, carente, Se dá por contente com tudo o que achar * Que eu, pra namorar, sou muito exigente, Só de um pretendente gostei pra casar: Tu vens-me insultar e eu faço-te frente C`o murro potente que, sim, te vou dar! * Não me há-de faltar um quindim bem gostoso Num café jeitoso,...

EU?

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Imagem retirada  .daqui EU? * "Na merda acabar... como mosca indecente"? Jamais! Eu sou gente, não mosca vulgar Que em qualquer lugar "aterra" e, carente, Se dá por contente com tudo o que achar * Que eu, pra namorar, sou muito exigente, Só de um pretendente gostei pra casar: Tu vens-me insultar e eu faço-te frente C`o murro potente que, sim, te vou dar! * Não me há-de faltar um quindim bem gostoso Num café jeitoso, bem perto daqui, Mas longe de ti, que és um bom mentiroso! * Não ligues, que é gozo! É que não resisti E muito me ri c`o soneto jocoso, Mas nada maldoso, que li e reli. :) *   Mª João Brito de Sousa 30.05.2023 *** Soneto criado a partir do último verso do soneto de escárnio e maldizer TU, de Albertino Galvão.