ICEBERG

 


 


-


Sobressinto esta dor de ser quem sou


E sei-me derramada nas planuras,


Em castelos imensos , nas alturas…


Água que intenso frio já congelou!


 


Um iceberg cujo topo perfurou


Um céu que se perdeu noutras lonjuras,


Um bloco inerte e cheio de fissuras


Que o sol não derreteu nem cativou…


 


Sobre-sinto este frio que transformou


Em gelo este meu corpo e, das funduras


Que esta montanha imensa contemplou,


 


Eu sobre-sinto em gelo o que passou…


Sou, como tantas outras criaturas,


Produto do que Deus pr`a mim sonhou.


 


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Querida amiga, o poema é lindo, mas noto aí algo que não está bem. Se eu estiver errada, óptimo, senão já sabe onde estou. Certo?
    Beijinhos e fique bem.

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    1. :) É mesmo só uma coisinha menos boa, em termos de saúde... e uma série de outyras complicações, mas isto há-de passar, minha amiga. Muito e muito obrigada.
      Abraço grande!

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  2. Mais um soneto de cinco estrelas,muito bonito.
    Um abraço para a amiga
    Casimiro Costa

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    1. Um abraço também para si, meu amigo. Hoje estou a preparar-me para o fim-de-semana sem acesso à net. Até dá jeito porque tenho imenso trabalho de ficheiro para fazer... mas ainda me custa. Acredita que, para mim, o melhor dia da semana é a 2ª Feira? É mesmo! :)

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  3. Olá poetisa! Mais um belo soneto para fazer meditar. Há sempre mais coisas escondidas do que à superficie, e é nas últimas que temos de prestar mais atenção. Abraço grande.

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    1. Já estive, agorinha mesmo, no Amador do Verso, amigo.
      Todos nós somos um pouco como os icebergs... por isso é tão importante que nos conheçamos bem a nós mesmos... e essa é uma aprendizagem que dura toda a nossa vida.
      Um grande abraço!

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  4. Olá amiga, este soneto é muito bonito mas muito frio e deixa passar para este lado muito desânimo, o que se passa consigo está pior?

    Um grande abraço e até amanhã

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    1. Não estou no meu melhor, minha amiga. Ando com muitas dores de cabeça, mas penso que este soneto é bem menos "assustador" do que possa parecer. Apenas estava a reflectir sobre o muito de nós mesmos que temos de aprender, ao longo da vida. E depois, o gelo também é um universo de complexidade e a nossa sobrevivência está muitíssimo ligada a ele. Não será uma metáfora muito comum, mas eu acho que não vejo exactamente as mesmas coisas que a maioria vê... no iceberg, naquele momento, eu via apenas um grande paralelo entre a enormidade do que não é vísível e a enormidade do que nós desconhecemos em nós próprios.
      Um grande abraço para toda a família!

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  5. Querida amiga

    Adorei o poema porque eu também sou feita dessa tristeza que sinto nele, gostei muito
    a pontos de uma lagrimita teimosa aflorar,
    mas p'rá frente é o caminho, desejo te encontres bem.
    Um abraço grande
    natalia

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    1. Olá, Natália! Obrigada pelo teu comentário... não sei se há tristeza nele... eu estava a reflectir, mais uma vez, sobre a natureza humana, quando ele me nasceu... mas não estava triste. Pelo menos que eu me recorde... este perfeito equilíbrio dos icebergs é muito fascinante e absolutamente necessário à vida tal como ela existe neste momento... e depois nós também temos tanto, em nós, que nós ainda desconhecemos...
      Era este o meu estado de espírito quando o escrevi.
      Um abraço muito grande!

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