PARADIGMA

 


 



 


Via-se, sem se ver, sem se cuidar,


Paradigma de um espírito qualquer,


Acreditava ter em seu poder


A réstia da razão por apurar.


 


Traçou caminhos, ousou mergulhar,


Nunca, jamais, cuidou de se esconder


E fez tudo o que quis… sem o fazer


Pois tudo o que podia era sonhar…


 


Mas foi dono e senhor e transcendeu


Na Terra a condição do sonho seu


Resolvendo, afinal, o seu enigma.


 


[Não sei bem se foi cá, se foi no céu


Que o Poeta, em si mesmo, aconteceu


E se tornou, por fim, um paradigma.]


 


 



"Tête de Cheval" - Pablo Picasso 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Olá amiga João. Adorei é uma obra prima, como são todas as anteriores. Parabéns. Um abraço. Eduardo.

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  2. Rosa Silva ("Azoriana")22 de julho de 2009 às 17:13

    Olá Maria!

    Tardei mas aqui cheguei
    Na dobra de uma tarde
    E do pouco que espreitei
    Vejo que a lira te arde.

    Continuas a Poeta
    A amiga intemporal
    Renovaste a tua meta
    Do soneto original.

    Tiveste a felicidade
    Dum livro ser editado
    Para dizeres com verdade:
    Tenho o sonho realizado!

    É bonito ser assim,
    A vida tem outra graça;
    Não é bom que seja o fim
    A plantar o que se traça.

    Nesse traçado de linhas
    Com tudo o que Deus quer...
    Lê um sorriso nas minhas
    Para ti, grande mulher!

    Tens a lira como palma,
    Tens o verso maravilha,
    Tens tudo o que vem da alma
    E te canto em redondilha.

    Em suave colorido
    Do anil azul dos Céus
    Brilham versos com sentido
    Dos lindos poemas teus.

    Adeus que me vou daqui
    Na esperança de voltar:
    Tudo de bom para ti
    Que brilhas neste altar.

    Rosa Maria

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    1. Minha Rosinha! Já tinha saudades tuas! Não vou poder responder-te com um poema... estou no Centro Paroquial e isto está quase a fechar... obrigada por mais esse que me ofereces! Mas olha, vai ao http://antoniodesousa.blogs.sapo.pt/ ... acho que vais adorar!
      Um enorme abraço para ti!

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    2. Rosa Silva ("Azoriana")22 de julho de 2009 às 17:28

      Obrigada!
      Adorei mesmo e já comentei.

      Beijinhos

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    3. Já vou ver, amiga. Hoje não consegui vir da parte da manhã... fiquei à espera que chegasse o meu vale dos CTT, mas ainda não foi desta... só veio uma marcação de consulta para reuma. Agora vou ter de correr um pouco sobre as teclas :))
      Abraço grande!

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  3. Mais uma obra de arte.
    Maravilhoso minha amiga
    Até á manhã.
    Casimiro Costa

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  4. Oi amiga

    Sabe, quando li esta frase:
    "paradigma de um espírito qualquer"

    Confesso, sóp não sei se acreditas.
    Esteve um comigo por algum tempo.
    Mas não é qualquer um, é "um(a) especial".
    A única coisa que sabia era amar.
    Só soube do seu nome quando em meu poema retratei com o título "acordei". E juro que não foi fantasia. Acho que como sempre falei a verdade, veio por meu intermédio. Quando o bem-te-vi cantou, acordou-me, ela me falou o nome da empresa.
    Quando mais a noite descobri qual era e quem era o tal espírito.
    Curioso não acha?
    Acredita nestas coisas de espíritos?
    Agora o momento é de paz. Mas ainda tem muito o que contar, mas não será público, pois é segredo. Só será contado para uma determinada pessoa, a quel lhe interessa a história.

    Um abraço de cometa.

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    1. Olá amiga! Sabes, eu não gosto mesmo nada de mentir, por isso não vou dizer-te que acredito... pelo menos exactamente da forma em que tu acreditas. Nunca vi nenhum e apenas sinto que permanecem nos rastos que deixaram. Mas também não sou o tipo de pessoa que diz que os caracteres árabes não existem só porque eu não sei ler caracteres árabes... entendes? Sou muito mística e muito científica... parece paradoxal, mas comigo é assim. Posso entender as coisas de uma maneira, mas tu terás sempre o direito de as entender à tua maneira e eu velarei para que o teu direito seja respeitado, desde que isso esteja ao meu alcance.
      Um abraço de cometa, grande e luminoso.

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    2. Olá amiga

      Pois eu pude sentir que neste teu soneto há uma defesa, e isto me confortou muito.
      Obrigada.

      Abraço.

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    3. Um abraço também para ti, amiga. Devo, no entanto, dizer-te que sou demasiado teimosa e louca para me defender com evasivas de uma situação da qual eu estivesse absolutamente segura. Eu não estou segura de nada em relação a esse aspecto. É apenas o meu lado científico a medir forças com o lado místico... e isto deve estar para durar porque eu alimento os dois com igual amor e dedicação. É esta a minha humana condição, a minha fronteira.
      Um grande abraço!

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    4. Mas deve saber que quando termina um trabalho científico, deixa neste o início de um outro trabalho, porque nada é concreto.
      No místico da mesma forma, mas neste, há sempre uma razão e não hipóteses como no científico.
      Acredito também no coentífico, mas este também vem do místico, do divino. Ninguém tem inspiração por si só, esta vem de alguém e eu acredito que só vem do alto, de um único, do nº 1, mas como nem sempre sabermos a verdade, ficam as hipóteses.


      Abraço grande

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    5. Sim, disso eu não tenho dúvidas! Por isso eu digo que sou, também, o resultado deste meu diálogo entre os meus dois lados complementares; o místico e o científico. Eu consigo senti-los como complementares e mutuamente úteis, mas a maioria das pessoas sente-os como conflituais ou desencadeadores de tremendos problemas emocionais. Penso que sou como os gatos... demasiado curiosa para abdicar de um deles. Jamais o farei.
      Abraço enorme.

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    6. Entendo bem o que quer dizer.
      Eu também não faria isto com os cães que tenho, que são, nada mais que 3.
      Como também 3 são o número de pessoas que há na minha casa. E da mesma forma como relatei no meu final virtual. Somos 3, mas há um 4º no nosso meio, e este é Deus, mas não vejo ele como a 4ª pessoa, mas como primeira no nosso meio, porque nossa vida pertence à ele. Ele é quem dá e quem tira. Se fizermos o contrário teremos de aceitar o que no vem depois. Como fiz simbologicamente com meu blog lembra do Velucia?
      Eu o apaguei e se eu o tinha, é porque Deus me dava inspiração para isso. E por causa de uma outra pessoa, eu o apaguei.
      Agora com o re-nascer tenho de aceitar as críticas caso queiram fazer, mas há os que preferem passar e não comentar.
      Antes, no Velucia eu dava importância ao que comentavam, hoje tenho outra idéia dos comentários, absorvo apenas o que para mim tem algum significado, o restante... é restante mesmo.

      Abraço

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    7. Essa é uma excelente forma de estar na vida, amiga. Os seres humanos são complexos, mas devemos aceitar a nossa condição de humanos, vivos e sensientes mantendo o equilíbrio nas nossas relações e diálogos com os outros seres humanos. Não parece ser tarefa fácil, mas é absolutamente essencial à nossa sobrevivência espiritual... e também física, embora de forma menos evidente.

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  5. Respostas
    1. Olá, minha querida Maria. Hoje perdi a manhã à espera de uma coisinha que ainda não veio... detesto quando isso acontece... poderia ter estado aqui, convosco.
      Abraço grande!

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  6. Mª. João

    Talvez tenha sido no "Céu" que o poeta se
    tornou um paradigma.

    Lindo!

    Mª. Luísa

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    1. Talvez, minha querida amiga, talvez... mas o seu rasto ainda por cá vai dando os seus frutos.
      Um enorme abraço para ti. Vou tentar visitar-vos a todos, mas não posso prometer nada porque não consegui vir até cá esta manhã...

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  7. «Paradigma» ... Todos devíamos tentar ser paradigmas, bons paradigmas, para que todos nos tornássemos louváveis modelos, mesmo que em diferentes campos ou aspectos.
    Olhe, Maria João, é curioso que eu sempre gostei muito desta palavra, palavra de origem grega e por pertencer a um tipo de declinação que eu achava atraente, quase musical.
    O seu soneto é mais uma maravilha, e, ainda que o paradigma não esteja tão claramente pessoalizado, acho que se referirá a Picasso, essa figura também ela pessoalizada a seu modo, tornada paradigmática, entre a arte surrealista e a cubista.
    Deixe-me que lhe diga que a acho muito boa sonetista, é claro que uma ou outra vez não sai tão bem, como sucede a qualquer artista, neste caso sonetista. Os seus sonetos são geralmente, ou com frequência, sobre si. Eu, que gostaria também de sonetar mais sobre mim, acabo por fazê-lo mais de tipo social, por vezes com alguma ironia, ou sátira, tendo neste momento no meu blogue o soneto «Os sem-abrigo». Se quiser dar por lá uma olhada, como dizem os brasileiros ...
    Não me importava de ser a «máquina» (metáfora de «alma») de fazer sonetos tão bons que a Maria João é.

    Um abraço.
    Mírtilo

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    1. Meu amigo, eu tenho de lhe agradecer - e muito! - pelas suas palavras. A única coisa que se pode considerar louvável é este meu esforço físico de os partilhar convosco... o resto é imperioso! Eu tenho mesmo de escrever ou penso que já nem saberia viver. Tenho uma doença menos simpática que me provoca um imenso cansaço e, muitas vezes, o corpo vai-me pedindo que desista... mas depois vêm estas palavrinhas, esta melodia, estas convicções todas e eu sinto-me Hermes, mais uma vez. Acredito piamente que já não estaria viva se não tivesse esta teimosia toda a correr-me nas veias, juntamente com o anti-coagulante lúpico e a Varfarina sódica.
      Vou já, já ao seu blog!
      Abraço gde!

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