DOR


Não me doas assim, tão cruamente,


Roubando-me a noção de tudo o mais,


Deixando-me irascível, descontente,


Exausta do suplício em que me esvais…


 


Deixa-me em paz o corpo onde sou cais,


Sozinha, eu sei, mas orgulhosamente!


Devolve-me o meu "eu"  de aonde sais


Pr´a que o poema nasça urgentemente...


 


Quem pode assim escrever, desfeita em dor,


Abafando os gemidos da lamúria,


Sem descanso ou momento de conforto?


 


Quem poderá provar-te sem temor,


Sem que a voz lhe rebente numa fúria,


Ou preferir-te à paz de um cais já morto?


 


 


 


Maria João Brito de Sousa 

Comentários

  1. Então, como estás? :'/
    Só agora pude vir aqui, tenho andado com pouco tempo :(
    Como te sentes?
    Um beijo e as melhoras Maria *

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    1. Finalmente consigo dar um pulinho até cá, Paper! A situação melhorou um pouco, mas só parcialemente porque eu continuo a quase não conseguir andar. Fui ao Centro de Saúde e deixei consulta marcada para daqui a bocado... esta vinda é mesmo a correr.
      Abraço grande obrigada!

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  2. E quanto ao soneto, apesar de todas as dores que transmites, está lindo :')

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    1. :) Obrigada! Estava mesmo, mesmo cheia de dores e saiu-me assim...

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  3. Não sei que dizer. Coragem!
    Bacio.

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    1. Grazie, Peter! :)
      Não vou ter tempo para vos visitar... o Diogo - o funcionário "das tardes" do CJ - acaba de me dizer que a sala vai ter de encerrar por causa de uma acção de formação... e também tenho de ir ao centro de saúde. Bacini.

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  4. “Dor que não dói”

    A nossa Maria sem camisa
    Poetisa e pintora distinta
    Tem uma camisa com pinta
    Que foi tecida pela leve brisa

    Sendo poeta porque Deus quer
    Mesmo não o querendo ela seria
    Tudo aquilo que mais desejaria
    Porque tem garra esta mulher

    Anda numa fase mais dorida
    Mas esta dor não dura sempre
    E com a ajuda cá da gente

    Em breve essa dor será corrida
    Passará a ser dor benevolente
    Dor que não dói certamente.

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    1. Olá, Poeta! E eu que digitalizei o poema para o por aqui, com a fotografia das rosas... vou tentar pô-lo ainda, antes que encerrem a sala :)
      Beijinho!

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  5. “A lágrima”

    A lágrima trago dentro de mim
    Lágrima que não chora sua sorte
    Esta é uma lágrima muito forte
    Ela que já aguentou vento norte

    Nunca havia visto lágrima assim
    Mesmo contra toda a adversidade
    Longe dos tempos de mocidade
    Ela encontra forças sem vaidade

    É uma experiência surpreendente
    Forças supremas e arte de resistir
    Poder testemunhar minha gente

    Vocês hão-se pensar, está a mentir
    Mas eu sei esta lágrima é diferente
    Esta lágrima eu vi um dia a sorrir.

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  6. Mª João

    Também tenho um poema à "Dor", mas menos revoltado, menos impaciente, diferente...
    A dor é a velha Senhora que destrói e mata!

    Eu sei e não gosto dela! O soneto exprime bem o que sentes.

    Te convido, quando te sentires menos dorida, para ires aos Prémios e
    levares uma lembrança minha.
    Fácil de encontrar (logo no princípio)

    Um beijo e as melhoras,

    Maria Luísa

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    Respostas
    1. Obrigada pelas tua compreensão... vou fazer o possível por ir ver o teu Prémios, mas só agora cheguei do centro de saúde onde deixei consulta marcada para daqui a pouco, vim até cá com muita dificuldade e dizem-me que vão ter de encerrar a sala... mas, se não conseguir hoje, consigo amanhã! :)
      Abraço grande!

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    2. Mª. João

      Tenho no Prémios, selinho para ti dos meus 300 seguidores.

      As melhoras,

      Maria Luísa

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    3. Vou tentar ir lá, já, já! Já publiquei as rosas e o poema que o Poeta Zarolho fez para mim! :) Obrigada!

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  7. Respostas
    1. Modestos? Tudo bem... este também é modesto! :) E eu sou azaradita... amanhã vou ter de voltar aos Correios porque hoje não tinham dinheiro para o vale - parece que é muito... - , no centro de saúde dizem-me que o papel que o meu médico do hospital passou não chega para me isentar das taxas moderadoras e, quando pedi o papel do hospital, disseram-me que era um erro administrativo do centro de saúde porque a isenção já estava digitalizada no cartão de cidadão... acho que há coisas inconcebíveis que só me acontecem a mim... :/ e não é pelo dinheiro que, hoje, até tenho... é porque isto anda a acontecer há que tempos e não entendo esta confusão toda...
      Beijinho!

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    2. “A latrina”

      Não têm dinheiro pr’o vale
      Nos correios de Portugal
      Mas nada se consta corra mal
      Neste canto d’Europa, o quintal

      A isenção da taxa moderadora
      Dizem-me que já está no cartão
      Mas afinal dizem-me que não
      Não chegou o papel da doutora

      Neste pequeno canto europeu
      Enorme fedor já não se aguenta
      Têm que mandar cá a inspecção

      Isto não parece quintal, digo eu
      Parece mais uma latrina sebenta
      Promovam já uma desinfecção.

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    3. :o! Caramba, Poeta! Este tinha-me escapado... mas está um delícia! :)) Essa da "latrina sebenta" é do melhorzinho que já ouvi!

      Espero que isto se resolva,
      Na sexta-feira que vem,
      E que o centro me devolva
      As taxas que por lá tem... :))

      E mais não posso pedir
      Pois só peço o que for justo...
      E até estou a pressentir
      Que isto me traga algum custo... :/

      Mas, tudo bem, não me importo
      De ter de justificar
      O que for justificável...

      Agora... se der "pr`o torto"
      E alguém me quiser multar...
      Isso sim, é condenável! :))

      Bjo!

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  8. Cara amiga,
    Com uma tão grande parafernália de técnicas, ainda não conseguimos dominar a dor.
    Não sei dizer mais nada, nem consigo.
    Abraço grande.

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    Respostas
    1. Venho sossegá-lo um bocadinho, meu amigo... a dor mais intensa já está, de momento, ultrapassada... espero que me dê um pouco de descanso antes de voltar...
      Muito obrigada e um enorme abraço!

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