NAS TUAS MÃOS
Fotografia de Carlos Ricardo * NAS TUAS MÃOS * Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? * Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***
FILHOS e ENTEADOS
ResponderEliminarSonetilho, em contraponto ao do Pedro «Enteados da Nação»
No mundo dos humilhados
Se eles baixam os braços
Os filhos, são os ricaços
Os pobres, os enteados
Mas quais serão mais palhaços,
Os qu´arrotam enfartados,
Ou os muitos que são capachos
Dos poucos bem recheados?
Só vai haver um meio
A bem da tal equidade
De lhes minguar o recheio
Para o gordo emagrecer
E evitar a obesidade
Não se lhe dá de comer.
Eduardo
Dois pesos, duas medidas
EliminarQue o capitalismo tem...
Para mim, são todos "vidas"
E eu serei vida também...
Sei que a luta é permanente,
Mas que os vamos demover
De julgar injustamente
Conforme lhes convier
Por isso, mesmo cansada,
Continuo a poetar...
Não duvido, mesmo nada
Nem recuo uma só vez
Pois há muito por lutar
Pelo povo português!
Boa noite, amigo Eduardo.
Aqui vai - penso eu... - mais um sonetilho apressado. A net está péssima e eu já perdi dois comentários a este seu sonetilho.
Muito obrigada e um abraço para si e esposa.
Maria João
“Velho rumo”
ResponderEliminarUm novo rumo é preciso
Mas nunca o conseguirão
O homem, pr’a ser conciso
Condimenta este caldeirão
Petróleo, diamantes e ouro
Superam qualquer fragrância
Ao ódio visceral duradouro
Adiciona toda a ganância
Que impede rumos novos
Destrói qualquer evolução
E pelo que vejo, presumo
Não há salvação pr’os povos
A menos que calem o seu não
E prossigam no velho rumo.
É pouco conciso, esse homem
EliminarQue assim se verga ao dinheiro!
Talvez mereça que o domem
Por querer ser sempre o primeiro...
Não farei qualquer reparo
A tudo o que ele aprender
Mas ele é um "bicho raro"
Que só acredita em "ter"...
Estou cansada e estou febril
Mas amanhã, se puder,
Voltarei a publicar...
Hoje gritei por Abril,
Fui poeta, fui mulher
E vi o povo a lutar!
Abraço grande, Poeta!
“E agora Portugal?”
ResponderEliminarE depois da Greve Geral
Que vais fazer Portugal?...
Foi publicado em edital
A sua execução fiscal
À beira mar plantado
Com um sol de encantar
Campos de golfe e montado
Estádios novos, a estrear
Pl’a maior oferta apresentada
Acima de cem mil milhões
E oferecemos por atacado
Equipa de gestão integrada
Uma estátua do Camões
E um povo desenrascado.
Prof Eta
É que é já no dia trinta
EliminarQue voltamos a afirmar
- e já não há quem desminta! -
Que nos não vão leiloar!!!
Que as troikas tenham cuidado
Pois basta de humilhação
E o "povo desenrascado"
Pode bem dizer que não!
Por cada trabalhador
Pode nascer um grevista
Que dará tudo por tudo
Pr`a calar qualquer traidor
Que ande pr`aí e que insista
Em pôr o país de luto!
Não está muito fácil manter a ligação, Poeta.. mas amanhã não há CJ e eu tenho de dar esse "tudo por tudo" agora mesmo...
Abraço grande!
GREVE MAS SEM TIROS
ResponderEliminarSonetilho em contraponto a um do Pedro «Greve»
Na TV, já ouvi eu
Em linguajar retórico:
-Hoje é o dia Europeu,
Nem mais, do antibiótico.
E ouvi, é anedótico
Que Portugal mereceu
Aquele lugar pódico
De quem mais drogas comeu…
E apesar de engolir
Anti-vírus, sem parar
Ele não para de tossir…
Se é assim tão forte o vírus
Teremos que o isolar
Com greves, mas não com tiros.
Eduardo
Não sei bem do que se trata...
EliminarSerá um vírus real?
Se a gripe não sai barata,
O outro também faz mal...
O computador não espirra,
Não tosse nem se lamenta...
Mais parece fazer birra
E a ligação fica lenta...
Mas seja que vírus seja
Vou preparando as defesas
Para o que der e vier!
Pelo menos que eu o veja
Antes que me crave as presas
E eu fique toda a tremer... :))
Estou a brincar amigo Eduardo mas acho que o bichinho é dos vivos e já cá anda há uns tempos... continuo febril e tenho atribuído os espirros à minha condição alérgica...
Um grande abraço para si e esposa!
M. João
Pena que os estudantes não tiveram direito a greve, pelo menos os da minha escola não :/
ResponderEliminarComo te sentes hoje Maria?
Espero que estejas melhor :)
Olá, Paper! :) Que pena não teres ido... foi a associação académica que decidiu não aderir à greve?
EliminarEu ia perto de um grupo de jovens investigadores e gostei de estar perto deles, apesar de velhota :))
Estou mais para menos do que para mais mas mantenho alguma força anímica... apesar de estar fartíssima desta ligação maluca que está sempre a falhar...
Os meus dois velhotes doentes continuam isso tudo... velhotes e doentes. O Kico já não deixa de ser cardíaco antes de morrer e o Beethoven não deixa de ter leucose... mas cá vão andando com as mazelas e contratempos do costume. Os outros estão a aguentar o frio como podem. Até eu estou a ficar que nem uma bola de tanta roupa que tenho vestida... e só não visto mais porque não cabe mesmo! :))
Abraço grande!
“Fados”
ResponderEliminarO fado de Coimbra ecoa
Do Choupal até à Lapa
Escuta o fado de Lisboa
Do Rossio à Madragoa
Um vem de capa e batina
Presenteia com a serenata
Uma jovem e bela menina
No outro a guitarra trina
Há quem lhe chame castiço
Mas eu não me meto nisso
Prefiro o fado experimental
Por isso não me levem a mal
Os que preferem fado bailado
E há quem só prefira o fado.
Tenho as palavras cansadas
EliminarDe tanto... palavrear
E as ideias desgastadas...
Já nem sei o que inventar! :))
"Do Choupal até à Lapa",
Um verso do meu avô
Que, à sombra da sua capa,
Escreveu o que ela ditou...
Vejo, no fado, as raízes
Do meu povo português
Mas nem só nele me revejo
Pois, por conta destas crises,
Só me desfaço em porquês,
Mal cuido de quem protejo...
Olá, Poeta! Esta ligação está terrível! Vamos a ver se consigo dizer-lhe mais umas palavrinhas...
Esse fado de que citou um verso, "Do Choupal até à Lapa", tem letra da autoria do meu avô, lembro-me dele desde muito pequenina!
Também já ouvi uma ou outra peça do chamado fado experimental e gostei...
Caso não me tenha entendido no último verso deste sonetilho apressado e maluco :)), "quem protejo" são os meus bichinhos velhotes a quem não tenho dado tanta atenção quanto gostaria. Vou ter de ir agora lá abaixo com o Kico que está a olhar para mim com ar de mártir...
Abraço grande!