MAIS UM NATAL...


MAIS UM NATAL
*



Natal! Como se o Céu pudesse, agora,


Modificar de um sopro a Terra inteira,


Reconstruindo o Mundo de maneira


A decidir quem nasce e a que hora...
*


Como se o Sol, que a todos revigora,


Fosse o supremo fim desta canseira


E a luz que dele emana, a derradeira


Tábua de salvação de quem cá mora...
*



Natal! Como se as águas não jorrassem,


Como se as terras virgens não pulsassem


Na floração selvagem dos seus lírios,
*


 


Como se as pedras se desmoronassem


E as chamas, a tremer, não se apagassem


Já frias nos pavios dos velhos círios...
*


 


Maria João Brito de Sousa
*


18.12.2011 – 15.17h



Comentários

  1. Olá minha amiga, vim fazer uma visita e fiquei muito contente por ver que a sua inspiração está de boa saúde. Como sempre gostei de ler o seu soneto de Natal.
    Um grande abraço e um feliz Natal

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    1. Olá, amiga Idalina! É um poema muito pouco "típico" do Natal, mas é um soneto de Natal, sem dúvida... talvez porque este Natal também esteja muito mais cinzento do que o costume... ou mais cinzento do que nunca, para muitos, muitos portugueses.
      Um enorme abraço e muito obrigada pela sua visita!

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  2. “Radiografia do mundo”

    O mundo vai deprimir
    Como deprimiu outrora
    Não vai ser muita a demora
    Muitas vozes se vão ouvir

    Muitas vozes se vão calar
    O mundo não vai decidir
    O mundo até se vai rir
    O mundo pode esperar

    Nós é que já não esperamos
    Nós somos os que choramos
    Atrás de nós outros virão

    Será diferente a situação
    Este império vai desmoronar
    Boa sorte para quem ficar.

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    1. Há sempre "ascensão e queda"
      Quando se fala de impérios...
      Este, daqui não arreda
      Nem desvenda os seus mistérios...

      Tenciono ficar por cá
      Enquanto o Tempo de Vida
      Me quiser viva e não há
      Vivência mais conseguida...

      Nem mais nem menos doente,
      Nem menos nem mais cansada,
      Só mais tarde sorrirei,

      Só no tempo de outra gente,
      Só no tempo de outra estrada,
      Só num tempo que eu cá sei...


      Poeta, abraço grande!
      As suas radiografias estão muito completas... a osteoporose é mais que evidente e só resta saber exactamente aonde se dará a primeira fractura...

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  3. “Um país viável”

    O secretário de estado
    Já o tinha mencionado
    Nosso primeiro danado
    Por não terem escutado

    Veio reforçar a afirmação
    Convido-vos à emigração
    Para resolver a situação
    Zona de conforto é que não

    Se não nos prestam atenção
    Repetiremos mais vezes
    Nem sempre de forma afável

    Vocês não são a solução
    E Portugal sem portugueses
    Tornar-se-á um país viável.

    Prof Eta

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    1. E, já agora, os mais velhos
      E os menos capacitados...
      Estaremos nós de joelhos
      Perante os rumos apontados?

      Eu quero morrer por cá,
      Nesta terra onde nasci
      E em que sou! Tanto me dá
      Que me escorracem daqui!

      A quem me imponha a vontade
      De deixar este cantinho
      Em que se me cumpre a vida

      Direi, em boa verdade
      E nem sempre de mansinho,
      Que estou quase de partida...


      Olá, Poeta! Este já me saiu a custo. Continuo menos bem e a febre sobe-me sempre à noite. A infecção está cá e já começa a provocar-me dores a sério. Acho que vou mesmo de ter de ir ao hospital ou para o hospital se for mais uma daquelas que só são sensíveis a antibióticos de uso exclusivo das unidades de internamento, como a última.
      Abraço grande e desculpe mas não consigo tentar responder ao outro sonetilho. Estou mesmo atrapalhadota.


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  4. “Humanidade fracturada”

    Radiografias estão tiradas
    Mostram-nos as debilidades
    Articulações desconjuntadas
    Entre outras contrariedades

    Uma osteoporose acentuada
    Faz parte desta realidade dura
    Quem diz que não vê nada
    Será surpreendido pela fractura

    A fractura será generalizada
    Porque esta maleita é global
    E mesmo toda fracturada

    Humanidade aposta decidida
    Em tudo aquilo que é letal
    Porque o lucro comanda a vida.

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  5. “São Julião”

    Foi no forte de São Julião
    Nos arredores da cidade
    Que encontraram a solução
    Só pode ser a austeridade

    Por isso já sabes, aguenta
    Ou recorre à caridade
    Senão o estado rebenta
    Por não ter capacidade

    Em estádios somos primeiro
    E auto-estradas igualmente
    Nas bombas só topo de gama

    São Julião, santo padroeiro
    Afastai a austeridade da gente
    Quem não chora não mama.

    Prof Eta

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  6. “Não roubarás”

    Já sabes o estado mata
    Toma com moderação
    Foge antes que te abata
    Ou morres do coração

    Já sabes não é universal
    Qualquer direito à vida
    Não é declaração cordial
    É a esperança dissolvida

    Tu és mero contribuinte
    Para esta triste realidade
    Em breve serás um pedinte

    A deambular pela cidade
    Ou viverás no alto requinte
    De quem conduz a sociedade.

    Prof Eta

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  7. “Inferno mais feliz”

    Afinal ainda há esperança
    Pois decidiram emigrar
    Os da nossa governança
    Vão o inferno governar

    Até fizeram a promessa
    De um inferno mais feliz
    À espera qu’a gente esqueça
    Aquilo que um político diz

    O demo é que não gostou
    De ver seu espaço invadido
    Mas por fim lá concordou

    Em ceder o seu pedestal
    Por lhe terem prometido
    Baixar a conta do gás natural.

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    1. Poeta, eu bem tentei... não dá mesmo. Ainda me sinto muito mal disposta e não consigo a mínima concentração necessária...
      Um enorme abraço!

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    2. O importante são as suas melhoras.
      Beijos e até amanhã.

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  8. Querida amiga! Achei um absurdo aquela dos trabalhos domesticos, ele há cada uma!!!! Vai ao Ligeirinha, preciso de ti..... Beijinhos grands!

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    1. Não haveria problema nenhum... se eu estivesse cheia de saúde, claro! É um trabalho digno como qualquer outro... eu é que há muito deixei de estar capaz para o fazer!
      Minha Ligeirinha, vou a "correro"... não estou em grandes condições e, daqui a bocado, vou outra vez ao hospital fazer o controlo do INR... no centro de saúde só com marcação de consulta e teria de me deslocar lá várias vezes... bjo!

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  9. Desde que haja saúde e se tenha a família reunida, da minha parte não peço mais nada neste Natal :)

    Ahah, sim... outra das minhas paixões é o desenho :D
    Desejo-te um feliz Natal Maria, junto de quem mais gostas :')

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    1. Olá, Paper. Desculpa a demora mas não tenho estado mesmo nada bem. Já estou no terceiro dia de antibioterapia e continuo sem me sentir melhor. Venho desejar um Feliz Natal e tentar responder aos comments porque não me sinto capaz de estar muito tempo sentada ao computador, a concentrar-me... para o Face e para responder aos sonetilhos, não dá mesmo...
      FELIZ NATAL e que tenhas tudo o que mais desejas!

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  10. “Pira-te”

    Não nos podem desiludir
    Os políticos portugueses
    Só nos conseguem iludir
    Como fazem todas as vezes

    Não são minhas as palavras
    São do nosso presidente
    Mas então o que esperavas
    Ao teres que aturar esta gente

    Pira-te para o estrangeiro
    Há portugueses em excesso
    Uma agência vamos criar

    Que o cidadão está primeiro
    Só queremos o teu progresso
    E tudo faremos para te ajudar.

    Prof Eta

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    1. Por mais que tente... não dá
      Pr`a conseguir responder...
      Inspiração, já não há
      E já mal dá pr`a escrever...

      Tento, tento e nada sai
      Que possa ser publicado!
      Nem uma letra me cai
      No poema mal esboçado...

      O Beethoven foi-se embora
      Pr`a ser eutanasiado...
      Cá por dentro... tudo chora

      Nesta noite de Natal
      Saiu-me o presente errado
      E ainda me sinto mal...


      Acabou por sair... penso que porque o Beethoven acaba de sair. Vieram buscá-lo porque ele já estava a sofrer muito, coitadinho... assim é anestesiado e... pronto, escusa de estar ali naquela aflição enorme.
      Meu querido e terno amigo de 17 anos! Desculpe este desabafo mas saiu... vou sentir muitas, muitas saudades dele.
      Espero que vocês tenham uma noite feliz e sem nenhum dos contratempos que, este Natal, vieram cair-me no sapatinho...
      Enorme abraço e muito, muito obrigada!

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  11. “Adeus Portugal”

    Um povo empreendedor
    Suas naus ao mar lançou
    Império foi prometedor
    Até que se desmembrou

    De país em construção
    Até ao país sem esperança
    Que promete a emigração
    Está a fé cega na finança

    Vai muito além da troika
    Alimenta muito parasita
    Aos outros já não seduz

    O que foi nação heróica
    É agora pátria maldita
    Último a sair apague a luz.

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    1. Poeta, acabei por responder a mais um sonetilho mas a net "fugiu-me" e perdi o poema... só agora voltou...
      Abraço grande!

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  12. “Adamastor”

    O Cabo da Boa Esperança
    Conseguimos um dia alcançar
    Cabo das Tormentas avança
    Será pr’a nos atormentar

    À espreita está o Adamastor
    Pr’a toda a esperança afundar
    Com seu aspecto assustador
    Nenhum de nós vai poupar

    Por fim surgem as sereias
    Com a doçura do seu cantar
    Ao abismo nos vão atrair

    Última esperança é Eneias
    E Afrodite para nos salvar
    Se Aquiles não nos trair.

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    1. Aquiles nunca trairá
      - mas vai ser atraiçoado... -
      O que esta vida nos dá
      E por nós foi conquistado

      Eneias já se cansou
      E Afrodite adormeceu
      Pois, de manhã, acordou
      Mal o sol no céu nasceu...

      Se o Adamastor vier
      Nós haveremos de dar-lhe
      Muito, muito que fazer!

      Mas se, mesmo assim, quiser...
      Podemos todos mostrar-lhe
      Que sabemos combater...

      Olá, Poeta! Não me sinto nada bem para continuar a responder-lhe mas ainda consegui este sonetilho. Também publiquei um soneto mas levei muito tempo a conseguir dizer exactamente o que queria... não é de interpretação imediata, é um daqueles que "pede" que o entendam... mas isso foi propositado. Acredito que "fazer pensar" é outra das grandes funções da poesia.
      Este levou-me umas boas horas a construir e teve de ser muito bem "burilado" porque o meu lado espontaneísta fica sempre muito reduzido quando estou pior.
      Um abraço muito, muito grande para todos vós!

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    2. Viva, até que enfim, eu sabia, o silêncio não ia durar para sempre, good as allways. Os meus pais gostaram muito da Natália Correia. O meu pai gosta mais dos seus sonetos do que dos dela. Bolas que isto já parece uma daquelas redacções dos meninos da 4ª classe.
      Beijos de todos.

      Eliminar
    3. :) Caramba, Poeta! Tenho a caixa de correio tão desarrumada que me tinha escapado este comentário... Beijo enorme para todos! :)) Não, não parece nada uma redacção da 4ª classe!
      Essa da Natália deve ser para me animar :)))
      Beijinho!

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    4. Verdade acredite o meu pai foi espontâneo no que disse.

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    5. O seu pai estava a brincar consigo... :))
      Hoje fui à farmácia e fiquei "de gatas"... mas, amanhã, terei de ir pagar uma conta que se vence... a ver vamos se eu consigo ir...
      Agora só prometo tentar responder ao sonetilho que o seu pai me enviou. Custa-me estar sentada... olhe, custa-me estar de qualquer maneira se não for por um curto lapso de tempo...
      Abraço grande!

      Eliminar
  13. Da Maria Luísa,

    M.Luísa Adães a 23 de Dezembro de 2011 às 17:57
    Poeta amigo

    Longe de todos e do meu Portugal. Tem sido uma luta pela saúde!
    Cada um tem a sua luta...esta tem sido a minha e nao é fácil...

    Tudo muito complicado...

    Obrigada pelos comments.

    Beijos à M. Joao e Feliz Natal !

    E para ti, o meu carinho e Um Bom Ano.

    Abraço grande

    Até sempre, M.L.

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    1. Um enorme abraço também para ti, Maria Luísa!
      A minha saúde também se tem vindo a deteriorar muito nestas últimas semanas... mas continuamos sempre enquanto em nós houver um sopro de vida.
      Um abraço grande e que possas melhorar rapidamente!

      M. João

      Eliminar
  14. Cara amiga,
    Há muitos anos que os meus Natais são tristes (já devia ter escrito a história no Livro).
    Vim desejar-lhe os Feliz Natal na companhia da sua família e amigos, incluindo os de quatro paras.
    Grande abraço.

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    1. Amigo Artesão, não querendo fazer deste Natal um mar de lágrimas, é-me completamente impossível sentir-me muito contente enquanto um desses meus amigos de quatro patas agoniza -embora muito queninho e com uma botijinha de água quente- na casa de banho, para estar afastado do Kico e dos outros gatos. É o Beethoven que está mesmo, mesmo a despedir-se da vida e, embora sabendo que isto estava para acontecer mais dia menos dia, continuo a achar que não é o mais agradável dos presentes de Natal...
      Desejo que o seu Natal seja, pelo menos, um pouco mais alegre que o meu e que tenha muita e muita inspiração para continuar a escrever nos seus blogs.
      Muito obrigada pela sua visita e um abraço fraterno!

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  15. "Roubar"

    Dizem que roubar é errado
    Mas eu descobri que não
    Quando roubas um bocado
    Ao teu próprio coração

    Coração assim roubado
    Pode ajudar-te a crescer
    Pois andas por muito lado
    E a outros podes oferecer

    Ofereces um simples gesto
    Quantas vezes um sorriso
    Podes pensar, é modesto

    Mas p’ra aquele a quem dás
    Será tudo o que é preciso
    Para lhe devolveres a paz.

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    1. Poeta, tive uma noite atribulada com imensas cãibras nas pernas, fui pagar aquelas contas de que falei ontem - a D. Isa levou-me - e agora estou com tantas cãibras nas mãos que nem me atrevo a responder mais do que o estrictamente necessário.
      Abraço grande!

      PS -Estou com o cabelo curtinho... a D. Isa deu-me uma tesourada e... pronto, teve de ser... :))

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    2. Quero ver o novo visual, deve estar good looking.

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    3. As fotos ficaram horríveis... como vai sendo costume :)) mas vou ao correio e tento enviar-lhe uma ou duas! Até já!

      Eliminar
  16. Cara Maria João sei que o Natal não tem sido o melhor mas vou continuar a insistir porque apesar de tudo a vida continua, espero as rápidas melhoras e que os desgostos em breve se transformem em saudades.

    Boas festas.

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    Respostas
    1. Continue, Poeta! Eu espero conseguir responder a alguns, assim que melhorar de todas estas coisas... neste momento, das cãibras. Já fiz a medicação com magnésio mas não passam com nada...

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  17. “Feliz Natal Portugal”

    Hoje ao país vou falar
    É a mensagem de Natal
    Façam favor de escutar
    Gentes do meu Portugal

    O que tenho pr’a dizer
    Não é aquilo que direi
    Gentes fiquem a saber
    Que nunca vos enganei

    A verdade não será dita
    Pois seria muito cruel
    A mentira também não

    Prefiro manter-me fiel
    Ao discurso por omissão
    Em breve sentirão na pele.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Já nem sei o que pensar
      Dos discursos ao país...
      O que se está a passar
      Não fará ninguém feliz

      E, no entanto, as promessas
      Continuam, como dantes,
      A fluir, sem quaisquer pressas,
      Em frases muito confiantes...

      Ninguém parece saber
      Do efeito cumulativo
      Desta recessão social

      Ou, então... tentam esconder,
      Pensam que "basta estar vivo"...
      Isto não é bom sinal!

      Até já! :)

      Eliminar
  18. “Tempo”

    Passa sempre depressa
    O tempo que já passou
    Por isso não tenhas pressa
    Vive o tempo que sobrou

    Num compasso sereno
    Mas de forma decidida
    Chegará teu fim terreno
    A morte não acaba a vida

    É um tempo sem tempo
    As almas são soberanas
    O compasso a eternidade

    Por isso vive o momento
    Aprecia coisas mundanas
    Não recuses a felicidade.

    ResponderEliminar
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    1. ... mas se o tempo não passasse
      Em dias, horas, minutos,
      Se um segundo nem contasse
      E se imóveis, impolutos,

      Se cristalizassem todos
      Os momentos que passaram...
      De que jeito ou de que modos
      Coisas que se renovaram

      Poderiam ter nascido?
      Sem "antes" e sem "depois",
      Como haveria "durante"?

      Quisera nem ter vivido,
      Sem estrelas, luas nem sóis...
      [nunca quis ser diamante!]

      Até já, Poeta!

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  19. ADEUS A PORTUGAL (em contraponto a um do Pedro com o mesmo título)

    Aquela néscia alcateia
    Que gasta os passos perdidos,
    Simulacro de Assembleia,
    Organizada em partidos

    Que usa sapatos polidos,
    Em São Bento serpenteia
    E, em inflamados sustenidos,
    Rosna, de volta e meia,

    Apregoa a austeridade
    Com os bolsos a abarrotar
    Confrange de falsidade.

    Tal coro miniatural
    Só lhe resta emigrar
    Com um adeus a Portugal.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Eduardo,

      Só lhe respondo amanhã porque ainda não me sinto nada melhor e já me esforcei demasiado para publicar um soneto, hoje. Corro o risco de ficar aqui até às tantas sem conseguir uma rima... é estranho, mas garanto-lhe que o meu "lado espontaneísta" é o que fica mais "avariado" quando estou mais doente...
      Deixo-lhe um enorme abraço, que estendo à sua esposa, e um bem-haja por mais este magnífico sonetilho!

      Maria João

      Eliminar
    2. Quando fala em alcateias
      Não consigo imaginar
      Simulacros de assembleias
      Com alguns a discursar...

      Lobos, pr`a mim, são amigos,
      Companheiros de jornada
      Que, comigo, entre mil perigos,
      Caminham na longa estrada...

      Mas sei bem compreender
      O que me quer transmitir,
      O que me tenta dizer...

      Muitos são, tal qual descreve,
      Tecnocratas pr`a servir
      O que o capital nos deve...


      Meu amigo Eduardo,

      Desculpe-me a "desinspiração" deste sonetilho. Está a ser difícil estar sentada ao computador... mas penso que posso tentar explicar-lhe aquela aparente incoerência das primeiras estrofes; sempre tive dificuldade - isto dura desde a minha infância - em associar os erros humanos a comportamentos animais... talvez seja por ter lidado com eles toda a minha vida, talvez sejam vestígios indeléveis que me ficaram do Torga e do Rudyard Kipling... sei, sem sombra de dúvida, que os animais podem ser de uma dedicação tão completa que nós, humanos, dificilmente os conseguimos igualar... mas entendo muito bem a imagem que fez passar.
      Um abraço grande para si e esposa.

      PS - A minha caixa de correio está demasiado desarrumada para eu poder encontrar seja o que for mas penso que a Maria Vitória não estará em condições de me responder... vá-me, por favor, dando algumas notícias através do Pedro. Muito obrigada!

      Eliminar
  20. Cara amiga,
    Só agora respondo porque o meu Natal foi um bocado atribulado.
    A sorte do Beethoven já esta decidida?
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já, meu amigo. O Beethoven partiu na noite de Natal, mas estará bem vivo, no meu coração, enquanto eu viver.
      Um abraço e muito obrigada por se recordar daquele meu amiguinho de veludo negro e olhos doirados.

      Eliminar

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