O IMENSO MAR DOS SONHOS POR TECER (metáforas e duplos sentidos)


Relembro as velhas asas  que não uso


 


Sobrevoando os medos que não tenho


 


Nesse eixo imaginário em que desenho


 


Rotas possíveis para o que eu recuso


 


 


 


E, de asas presas, no sonho difuso


 


Em que penso subir, mas me detenho,


 


Das amarras me solto, se as desdenho


 


E admito que voar seria abuso,


 


 


 


Pois quanto mais voar, mais vou rasando


 


Um chão que me captura, aprisionando


 


A terra em que me sou - sem nunca o ser... -


 


 


 


E tão mais alto irei, quão mais voando


 


Decida, lá do alto, ir mergulhando


 


No vasto mar que um sonho irá tecer…


 


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 05.01.2012 -13.13h 


 


 


 

Comentários

  1. Não tenhas medo de voar Maria... abre as asas e voa :D
    É bom deixar a mente voar de vez em quando ^^

    Eu ainda estou constipada, mas estou um pouco melhor...e tu, como estás? E essa passagem de ano, como foi? :D

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    1. :) Que bom estares melhor, Paper!
      Eu, nem por isso. Aliás, tencionava ir hoje ao CJ e um dos meus sintomas - a dor funda e fina no lado direito da parte superior do tórax - agravou-se de tal maneira que acabei por não conseguir ir a lado nenhum... bem, fui com o Kico à rua e, há bocadinho, fui ao café buscar umas coisas que um amigo fez o favor de me oferecer... mas olha que me passou pela cabeça ir ao hospital. Mas vou ver se aguento até ao dia 10. Já tenho a consulta marcada.
      Passei o ano por aqui e não foi nada mau :)
      Andei a saltitar por aqui e por ali, tentando ler o que me ia aparecendo e deixar o voto de bom ano ao maior número de amigos possível... mas eu nunca fui de grandes "forrós" :)) e, agora que já tenho evidentes limitações em termos físicos, ainda o sou menos...
      Obrigada pela tua visita! Como é que vai o teu projecto de encontrar uma voz para o teu poema? Caramba, há tanto português com boa voz que o que deve custar mais deve ser a escolha dos candidatos :))
      Beijinho!

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    2. Se isso piorar se calhar o melhor é ires mesmo ao hospital :/
      Encontrar uma voz está difícil :/
      Há muito boas vozes, é verdade, mas encontrar uma está complicado :P

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    3. Nunca imaginei que fosse difícil! Ah, claro que não se pode aceitar tudo... imagino que muitos pensam que têm boa voz e... mas pensei que te "chovessem" candidatos na caixa de correio...
      Esta porcaria de dor nunca mais passa. Estou a "deixar andar" porque tenho consulta no dia 10 mas a verdade é que me está a limitar ainda mais...
      Agora vou ter de ir. Vou ver se consigo chegar ao CJ :)
      Bjo!

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  2. “A luta ah...ah...ah...”

    A luta continua
    Álvaro pr’á rua
    Mas só no verão
    Pr’apanhar insolação

    A luta está no adro
    Gaspar vai ao quadro
    Mostrar o resultado
    De um país empenhado

    A luta não faz sentido
    Que o país está falido
    Por nunca termos sabido

    Resolver a equação
    Que punha fim à corrupção
    E no cárcere o ladrão.

    Prof Eta

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    1. Fui ao seu blog, li o sonetilho e fiquei sem pe sem palavras... acho que foi porque me lembrei do Pedro Osório... eu ando a ficar repetidamente sem palavras e hoje nem consegui ir ao CJ porque esta estúpida dor no peito está a piorar.
      Só lhe respondo amanhã... estou mesmo cansada.
      Abraço grande!

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    2. Foi a variável tempo
      Que chegou muito atrasada
      Dando, às outras, o talento
      Sem terem que "penar" nada!

      Eu, porém, não sou "bruxinha"
      E não sei de que outra forma
      Lidar c`o que se avizinha
      E que tanto excede a norma...

      Pôr no cárcere o ladrão
      É, decerto, indispensável
      Pr`achar uma solução

      Mas esta estranha equação
      Só tem solução provável
      Se todos dissermos: - NÃO!!!

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  3. “Crónica da última sinfonia”

    São tocadores de piano
    Na mesma tecla martelam
    Pr’ó concerto deste ano
    Ouvintes nem interpelam

    Os ouvintes ensurdeceram
    Tal não foi a cacofonia
    E quando à rua desceram
    Terminara a sinfonia

    A rua já não existia
    Só o caminho pr’ó inferno
    Da mais longa desilusão

    O tocador que insistia
    Morreu no último inverno
    Só ficou a recordação.

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    1. Que estranha cacofonia
      Se, monocordicamente,
      Insistem na sinfonia
      Que ensurdece tanta gente!

      Afinal há tantos sons,
      Tantas teclas por tocar
      E eles, pensando que são bons,
      Estão sempre a desafinar!

      Venham novas melodias,
      Mil acordes musicais
      E outras mil novas cantigas

      Pois é bom que, em novos dias,
      Surjam mudanças gerais
      Sobre imposições antigas...

      Poeta, vou lá abaixo. Depois lhe levo este sonetilho.
      Abraço grande!

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  4. Esse Soneto, amiga, revela o voo de uma ave rara, que não é a poetisa, mas sua arte. Os ares percorridos por esse pássaro são um presente para todos aqueles que têm no coração o amor. Que Deus ainda mais te ilumine neste ano de 2012 para que produzas e divulgues mais amor, sensibilidade e candura em teus versos!
    Feliz 2012, com muita saúde, paz e amor!

    Adílio Belmonte

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    1. Muito obrigada, Poeta Adílio Belmonte!
      Que o novo ano possa trazer-lhe, também, muita paz, saúde e inspiração poética!
      Abraço grande!

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  5. “Europa unida”

    O grego é um feiticeiro
    Já não pede mais esmola
    Não pagará o dinheiro
    Tirou coelho da cartola

    O tuga é um sapateiro
    Deve voltar pr’á escola
    Onde aprenderá primeiro
    Como pagar a meia sola

    É uma Europa unida
    Em torno da fragmentação
    Não mando eu nem tu

    Alguns estão de partida
    E depois da globalização
    O rei passou a andar nu.

    Prof Eta

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    1. Mas, connosco, cedo ou tarde
      O mesmo se há-de passar...
      Sem querer fazer grande alarde,
      Não vamos poder pagar...

      Nunca fui economista,
      Mas não sou burra de todo...
      Por mais que o governo insista,
      Este orçamento é um lodo!

      O pior é que esta gente,
      Ao ver a nudez do rei,
      Fica calada e consente!

      Põem um arzinho ausente
      E mesmo eu, que pouco sei,
      Sei bem que isso é evidente...


      :) Um abraço grande!


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  6. “[R]evolução”

    À loja Mozart vais comprar
    Um piano de cauda a estrear
    Podes também influenciar
    Quem pensa estar a mandar

    Pensa mas não manda nada
    Podia a loja ser fechada
    Convém manter a fachada
    Em estado novo e caiada

    Estado novo é novo estado
    Neste tempo de evolução
    Em que o “r” foi retirado

    Compra um piano restaurado
    Um saxofone e um violão
    E compõe a tua revolução.

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    1. :))

      Poeta, eu não compro nada,
      Nada de coisa nenhuma
      Nos dias que estão por vir,
      Nem na loja boicotada
      Aqui tão perto que, em suma,
      Me dá um jeitão lá ir...

      A outro sítio, não posso...
      Já nem o lixo dos gatos
      Posso pôr nos contentores!
      É como se houvesse um fosso
      Sob a sola dos sapatos
      Que nem usam "protectores"... :))


      Ai, Poeta, agora voltei a rir-me com esta confusão de lojas de música e de lojas de bens essenciais.
      Abraço grande e até já!

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  7. “Não vou”

    Estilo de todos os poetas
    Nenhum consigo decifrar
    Poemas pr’a mim são ofertas
    Que vêm e vão a cantar

    Cantam e contam a mágoa
    Exteriorizam sentimentos
    Vai correndo muita água
    Lágrimas de vários lamentos

    Meu estilo não tenho
    Nem sequer poeta sou
    Estou aqui e intervenho

    Porque voz interior ecoou
    Mesmo com todo o empenho
    Além do que sou não vou.

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    1. Se não era, é-o agora!
      E é exactamente assim
      Que eles nascem, a toda a hora,
      Vindos de si e de mim...

      Intervenção também é
      Motivo pr`a poetar
      Durante o dia e até
      Depois da noite chegar...

      Garanto que até admiro
      O seu estilo pessoal
      Tão alheio à melodia,

      E o acho até muito giro,
      Muito fora do normal
      Mas, contudo... POESIA!!!

      Poeta, para quem diz não o ser, está a fazer um trabalho que brada aos céus! É certo que, em termos rítmicos e melódicos, os seus poemas são muito pouco "obedientes" ao formalismo poético... mas a verdade é que eu desafio qualquer poeta dos consagrados - incluindo-me a mim que não sou consagrada mas tenho imensa prática - a conseguir fazer tantos sonetilhos sem o "apoio" da melodia e da sonoridade! O Poeta tem uma poesia não-melódica mas muitíssimo curiosa. Para mim, é original e é praticamente impossível tentar igualá-lo... acredite que eu já tentei fazer poemas como os seus e não consegui...
      Abraço grande! :)

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  8. “2012”

    2012 é ano de preparação
    Então vamo-nos preparar
    Dizem os chefes da nação
    Os que a ajudam a afundar

    2012 é o fim do mundo
    Então vamo-nos findar
    Que isto aqui está imundo
    Vamos ter que nos mudar

    Preparados vamos partir
    Com uma certeza porém
    Um dia iremos regressar

    Regressaremos a sorrir
    Não tratamos com desdém
    Quem nos anda a maltratar.

    Prof Eta

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    1. Enquanto estiver por cá,
      Não desisto de tentar
      Perceber o que em nós há
      Que tanto nos faz lutar...

      Não é mera teimosia
      Que assim nos empurra em frente
      Quando outro qualquer fugia,
      Como foge tanta gente...

      Não creio no fim do mundo
      - pelo menos para já... -
      E, estas coisas, não confundo;

      Quando não puder marchar,
      Falarei do que há por cá
      E, assim, tentarei lutar...


      :) Abraço GRANDE para todos vós!!!

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  9. “Não sou”

    O poeta que não sou
    Recebeu grande elogio
    Além do que sou não vou
    Mas é motivo de brio

    Vindo da amiga poetisa
    Também a grande mulher
    Que é Maria sem camisa
    E poeta porque Deus quer

    E se eu fôr mais além
    Na curta existência terrena
    Não sou eu já vos digo

    São muitos outros também
    Os comandantes da pena
    Que usa este vosso amigo.

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    1. :)) Pronto, pronto...

      Vamos a ver como isto me sai hoje... :)

      Sem nenhuma inspiração
      Mas feliz por vê-lo aqui,
      Ponderei dizer que não
      Mas, depois, não consegui...

      Da Maria Sem Camisa
      Só não tenho essa nudez
      Que o nome lhe preconiza
      Quando escrito em português

      Mas tenho a mesma pobreza
      E uma certa rebeldia
      Que nem mesmo sei explicar

      E, às vezes, sinto a beleza
      Que faz dela essa Maria
      Dos cabelos de luar...

      Abraço grande, Poeta! :)

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  10. CRÓNICA da ÚLTIMA SINFONIA (Escreveu-a o Pedro, em sonetilho)

    SINFONIA INCOMPLETA (eu contrapus)

    Foi sinfonia incompleta
    Como a oitava sinfonia
    O pianista insistia
    Mas não alcançava a meta

    Não atingia a mestria
    Da harmonia dilecta
    Numa só tecla batia
    O pianista era asceta

    O si menor, talvez dó
    Seria a nota escolhida
    Samba duma nota só

    Que aquele Jobim inventou
    Era o samba duma vida
    Que mal nasceu, terminou.

    Eduardo

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    1. Tenho saudades das asas
      Dos mil anjos que pintei
      Quando, menina pequena,
      "Decorava" a velha casa
      Com as cenas que criei
      Na ponta da antiga pena...

      Que saudades de pintar
      Com essa espontaneidade,
      Com a força que então tinha...
      O demais, pode aguardar
      Pois não tenho a veleidade
      De ser rica, em vida minha...

      Muito obrigada, amigo Eduardo! :)
      Escrevo-lhe sempre a correr... mas, desta vez, tenho alguma justificação; acabo de chegar do hospital e estou no CJ onde terei de preencher a inscrição para uma acção de formação.
      Espero que esteja bem e que traga boas notícias sobre a nossa amiga comum, a Maria Vitória. Será que os médicos já descobriram o que se passa com ela?
      Mas será melhor enviar-lhe mensagem privada.
      Um enorme abraço para todos vós!

      Maria João


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  11. “Tolerância e diversidade”

    Eu estou em bicos de pés
    Tolerância venho ensinar
    Acabo às vinte pr’ás dez
    Façam favor de se calar

    Eu sou muito tolerante
    E respeito a diversidade
    Já sabem daqui em diante
    O que eu disser é a verdade

    Querida chefe foi de férias
    Não há quem mereça mais
    Que viva a chefe querida

    Dizer o contrário são lérias
    Chefe pertence aos imortais
    Uma estátua verá erguida.

    Prof Eta

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    1. Não sei quem seja a patroa
      Que tantos louvores mereça
      Mas deve ser muito boa...
      Ou então... é boa "peça"...

      Eu, pr`aqui, correndo à toa,
      Faço tudo numa pressa,
      Não teço nenhuma loa
      A patroa como essa...

      Só me sobram uns minutos
      Enquanto trato e não trato
      Dos meus amigos de pêlo

      Não tenho tempo pr`a lutos
      Ou pr`a lembrar-me do gato...
      [quem dera tornar a vê-lo!]


      Olá, Poeta! Só deixo este sonetilho feito à pressa. Saio de casa dentro de pouco tempo e ainda não acabei de tratar as pombas.
      Abraço grande!


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    2. Quem sabe, Poeta? Eu já vou visitá-la! Agora vou desabafar mesmo consigo! Acredita que tenho, em casa, um recipiente cheínho de sopa e não tenho nem força para o abrir? Ah, que frustração!!! Ao mesmo tempo até me dá vontade de rir... mas, pronto! Não quero que fique a pensar que estou pior do que o que estou! O que não tenho é força muscular absolutamente nenhuma e as mãos ficam com cãibras mal fazem um esforçozinho qualquer... até já e um abraço grande!

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  12. “A solução”

    Solução foi encontrada
    Mas o problema fugiu
    É uma solução frustrada
    O objectivo não atingiu

    Pobre e triste da solução
    Que sem o problema raiz
    Vê recusada a sua paixão
    Pois o problema não a quis

    Alguém lhe disse, ò querida
    Não estejas triste e abandonada
    Há tanto problema a resolver

    Se foste uma solução preterida
    Podes ser solução reciclada
    E ainda nos poderás valer.

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    1. Poeta, estou de saída
      Mas quero deixar-lhe aqui
      Uma palavra sentida
      Por estas que agora li;

      Se a solução residir
      Na extrema simplicidade
      De uma ervinha tão espontânea,

      Estarei pronta a consentir!
      Só não sei se isso é verdade...
      Mas, se o for, estou consentânea!

      Abraço grande, Poeta! :)

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    2. Peço desculpa, Poeta! Acabo de reparar que lhe respondi com um sonetilho que o não é... se não pela intenção... já vi que as minhas pressas dão sempre um péssimo resultado... :(


      Poeta, estou de saída
      Mas quero deixar-lhe aqui
      Uma palavra sentida
      Por estas que agora li;

      Nunca fui de por de parte
      Coisas de segunda escolha
      Mas que possuam a arte
      Dum caule e raiz, com folha...


      Se a solução residir
      Na extrema simplicidade
      De uma ervinha tão espontânea,

      Estarei pronta a consentir!
      Só não sei se isso é verdade...
      Mas, se o for, estou consentânea!


      Pronto... já está! :)

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  13. “Sociedade secreta”

    A minha sociedade secreta
    Não anda nas bocas do povo
    Usa a administração directa
    O que não é nada de novo

    Dinheiro público é gerido
    Com colossal seriedade
    E sem um grande alarido
    Pois é secreta a sociedade

    Está isenta de corrupção
    Aqui ninguém causa dano
    Nem existe culpabilização

    O primeiro artigo dos estatutos
    “Sabemos que roubar é humano,
    só aceitamos membros astutos”.

    Prof Eta

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    1. Ai, Poeta... estou acordada desde antes das 5 da manhã e a tentar ouvir a Rádio Horizontes... estou mesmo sem cabeça para gerir o sono, a febre, os poemas da rádio e um sonetilho... hoje acho que não consigo...
      Amanhã, está bem? Eu nem sei como ainda consigo estar mais ou menos acordada...
      Beijinho!

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    2. Mas muito se fala agora
      De sociedades secretas!
      Pouco sei delas e a hora
      Pede mais coisas concretas,

      Pede mais luta e mudança
      - no verdadeiro sentido! -
      E o fim da extrema abastança
      Em que alguns têm vivido!

      Não desprezemos a astúcia,
      Mas só a dedicação
      Àquilo em que acreditamos

      Traz, ao trabalho, a minúcia
      Que virá a por travão
      À prepotência dos "amos"...

      Desculpe-me por lhe não ter respondido ontem, Poeta... estava a cair de sono e, hoje, voltei a ter de me levantar mais cedo para conseguir trazer o recipiente - que não cheguei a conseguir abrir... - ao centro paroquial, a tempo de ser reutilizado no serviço de almoços.
      Na próxima terça feira terei de voltar ao hospital para reavaliação desta infecção que ainda por cá está... já estou, de novo, a fazer antibiótico e, sinceramente, sinto-me, fisicamente, de rastos...
      Abraço grande!



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  14. “Ervinha”

    D’ervinha tão espontânea
    Não brotará uma solução
    Mas uma sua sucedânea
    Pode indicar a direcção

    Em fino pó branco moída
    E inalado com brusquidão
    Vai pôr-te à roda na vida
    Dominas qualquer situação

    Sentirás a efémera glória
    Vais ser o herói lá da rua
    Até que acabe a alucinação

    Vive pr’a contar a estória
    Conta outra que não a tua
    Ou serás o herói desilusão.

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    1. Deste, então, nem sei como conseguir... eu não gosto mesmo nada dessas coisas, embora confesse a minha ignorância em relação à dita cuja... pareceu-me uma simples erva moirinha, daquelas que nascem nos intervalos das pedras da calçada. Detesto toda a espécie de substâncias que interfiram com a inteligência de cada um... sobretudo com a minha, que muito prezo... ainda e apesar de estar a ficar velhota e estar mesmo doente, consigo escrever muito bem sem nenhuma dessas porcarias que causam tanta dependência. Não gosto mesmo nada disso... já a ervinha me parece uma magnífica sobrevivente que podiam e deviam deixar em paz... acho essas ervas lindíssimas. O que elas fazem à cabeça de alguns, deixa-me um pouco triste. Não acredito nessa coisa das viagens químicas e alucinogénicas... ou acredito, no pior dos sentidos. Se assim fosse, porque não aparecem "génios"... pelo menos ao nível da escrita?

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    2. Aquela era essa ervinha que diz, mas a sua resposta levou-me a esta, sabe-se lá porquê, que estas coisas não têm porquês. Também pouco sei do assnto mas escrevi isto com o apoio até da Wikipédia para não cometer grandes imprecisões.

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    3. Caramba, Poeta! Desculpe! Acho que fui muito rude nesta resposta... mas é um daqueles assuntos que me deixam "de pêlo eriçado"... evito tocar nele, exactamente porque tenho algum receio de me exceder e tornar-me "brutinha"... mas, olhe, estão a surgir outros temas que também já me estão a fazer "estalar o verniz", como todas as injustiças sociais a que vamos assistindo.
      Vou tentar publicar isto mas não garanto nada... a net está pior do que má!

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  15. Olá, minha querida amiga!
    Foi um alívio e um prazer revisitá-la, e verificar que não perdeu a vitalidade e a inspiração límpida nos seus sonetos. Recordar é viver, e acho que lembrar dos outros também. Lembrei-me de si, e vivi um pouco mais ao voltar a ler os seus sonetos.

    espero que esteja bem e de saúde, aproveitando para lhe desejar um óptimo ano

    António

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    1. É um prazer vê-lo por cá, amigo António!
      Já fui conhecer o seu esplêndido blog dos fados mas, no CJ, não tenho som e, em casa, ainda não consegui um bocadinho livre.
      Os meus dias não estão fáceis em termos de saúde, meu amigo.
      Abraço grande!

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  16. “O animal”

    O facebook na verdade
    Não transforma ninguém
    É o espelho da sociedade
    Cada um sabe ao que vem

    É uma realidade virtual
    Mas não tapa os humanos
    São os seus gestos tal qual
    Que não haja desenganos

    Virtual não gera o mal
    Nem o bem vem do real
    Ambos nascem no animal

    Que se considera racional
    E numa atitude visceral
    Se transforma em irracional.

    Prof Eta

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    1. Mais ou menos racional,
      Mais ou menos criativo,
      O humano é animal
      Como outro qualquer ser vivo!

      Quanto mais nós conhecermos
      Dessa bio-condição,
      Tanto mais ricos seremos...
      Cada bicho é meu irmão!

      Não é fácil - mesmo nada! -
      Reconhecer que os direitos
      Devem ser tão repartidos

      Mas aprendi, nesta estrada,
      Que não somos mais perfeitos
      Ou, sequer, mais comedidos... :)

      Gostei de escrever este sonetilho, Poeta! Gostei mesmo muito! Está a ver? Este, em compensação, é um daqueles assuntos em que eu consigo sempre argumentar com muito prazer e com a certeza de estar a dizer alguma coisa útil :)
      Acho que é hoje que a TV se vai apagar de vez. Pelo menos é hoje que desligam o emissor digital daqui, do litoral...
      Abraço grande!
      PS - Parece que a net já se aquietou um bocadinho :)

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  17. “Útero da eternidade”

    Minh’alma é pequena
    Pr’abarcar tanto grito
    Meu coração gangrena
    Ao ver tanto irmão aflito

    Mundo não tem conserto
    Ignora toda esta aflição
    Far-se-á o que está certo
    Não mais haverá salvação

    Próxima geração decerto
    Continuará em gestação
    No útero da eternidade

    Pois sente o fim por perto
    E prefere essa protecção
    A fazer parte da humanidade.

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    1. Não perdi, ainda, a fé
      Em toda esta humanidade...
      Cada um é como é,
      Mas há solidariedade

      E se até os animais
      Nos ensinam a lição,
      Sejamos tão fraternais
      Como qualquer bom irmão!

      Estou no fim da caminhada
      Mas quero que fique, aqui,
      A partida preparada;

      Irei, como toda a gente
      Que viveu, como eu vivi,
      De face erguida e decente...

      Abraço, Poeta! A net está péssima e mal consigo escrever...


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  18. “Hiena”

    Não há almoços grátis
    E saúde também não
    Não julgues quem o diz
    A senhora não fala em vão

    Quis parar a democracia
    Por seis mesitos apenas
    Mas penso que ela queria
    Voltar ao tempo das hienas

    Com maxilares poderosos
    Devoram as suas presas
    Sem dó nem piedade sentir

    Almoços grátis são numerosos
    Nós pagamos as despesas
    E as hienas terminam a rir.

    Prof Eta

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    1. Poeta, queria responder-lhe... passou-me, mesmo, pela cabeça, "saltar" em defesa das hienas que não fazem mais do que sobreviver e procriar segundo aquilo que a própria vida preconiza e com os meios que têm para o fazer... queria. Queria não estar com mais febre e a sentir-me estúpida que nem uma couve... sem ofensa para as couves que também são exactamente aquilo que devem ser... acho que este antibiótico não me está a fazer rigorosamente efeito nenhum... acho que, hoje, abusei um bocadinho e forcei-me a andar um pouco mais... acho que não consigo rimar nada com nada e que é melhor deixar para amanhã, se a febre resolver ir-se embora.
      Aquilo de que está a falar é realmente atroz. Inominável! Merece uma resposta minimamente de acordo, não do disparate qualquer que eu escreveria se tentasse responder agora.
      Abraço grande para si... para todos vós!

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    2. Já sabia que não lhe ia agradar, mas foi assim que me nasceu!

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    3. Poeta, antes de ir para a cama ainda quero deixar claro que sou eu que "vejo" certas metáforas de uma forma que a maioria não "vê"... mas tenho consciência disso! Também ao nível da simbologia me tenho visto um tanto ou quanto atrapalhada para tentar entender os outros... olhe, por exemplo, os cogumelos são habitualmente tidos como símbolos de veneno, má língua... eu só os associo a beleza pura! Claro que não os comeria, mas não consigo que eles me façam evocar o corrente para a maioria... e defrontei-me com este tipo de obstáculos desde pequena, até na literatura - sobretudo nela... - mas nunca perdi as conotações originais. É quase como ser-se "bilingue" ao nível do simbólico... mas isso não me angustia mesmo nadinha. O que me chateia é estar neste estado imprestável e apetecer-me escrever qualquer coisa mais decente... sem o conseguir.
      Agora é que vou mesmo para a cama. A porcaria da febre está a subir! Bjo!

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    4. Estamos todos a assistir
      À destruição total
      Da saúde e do porvir
      De tudo o que é "social"!

      Não vêem - não lhes convém! -
      Quantas vidas destruídas
      Vão penar, nesse desdém
      Por coisas já conseguidas?

      Quem tem dinheiro e saúde
      Consegue sobreviver
      A esta "mudança" toda

      Mas o resto não se ilude!
      Quanta gente irá morrer
      Enquanto a "mudança" roda?


      Abraço grande, Poeta!

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  19. “O seu reino”

    Rei das coisas pequenas
    Raio de sol é seu reinado
    Que ilumina as açucenas
    Com que está ornamentado

    Canto dos rouxinóis ecoa
    No seu palácio de colmo
    A decoração não destoa
    Tapete de luz é um assombro

    Tem arco-íris como portal
    Dão boas-vindas as estrelas
    Oferecem-te esta inscrição

    Bem-vindo se não vem por mal
    É seu o reino das coisas belas
    Rainha é a contemplação.

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    1. :) Também este sonetilho me merece uma boa resposta. Vou tentar dá-la amanhã... hoje estou mesmo uma desgraça!
      Abraço gde!

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    2. Obrigado pelo respeito que lhe merece este meu hobby e também pela sua dedicação, as melhoras.

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    3. Claro que merece, Poeta! Eu estou é a desrespeitar a minha febre... vou já para a cama...
      Bjo!

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    4. Gosto das coisas pequenas
      E dos tapetes de luz,
      Do colmo, das açucenas,
      De quanto aqui reproduz... :)

      Quereria estar melhor
      Pr`a melhor lhe responder,
      Mas esta febre, esta dor,
      Nunca me inspira a escrever...

      O momento é de combate
      E não sei dispor de mim...
      Espero que este disparate

      Das novas leis da saúde
      Não determinem o fim
      Do que sou... [fiz o que pude...] :)


      Ao menos tentei e... sorri mais do que uma vez. Mas vou ter de voltar ao mundo real e, esse, desde ontem, tem estado a empurrar-me para a desistência de tudo e mais alguma coisa.
      Não é fácil entender... nem para mim mesma, mas a verdade é que eu leio um simples formulário de um pedido de isenção, releio,volto a reler e... é como se estivesse a ler chinês! Há qualquer coisinha que deixa de funcionar na tal "inteligência" que, até há pouquíssimo tempo, eu me ia gabando de ter...
      e garanto que não fui às ervinhas :))) Isto deve ser bom! Já me ri a sério... mas deve ser porque voltei a sair do mundo real...
      Abraço grande! :)

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  20. “Pastel”

    Exportar pastéis de nata
    É o futuro desta nação
    Pr’ó paladar uma serenata
    No estrangeiro apreciarão

    E nós o país dos pastéis
    E dos brilhantes idiotas
    Também temos moscatéis
    Temos porcos e bolotas

    Temos a melhor alfarroba
    Doce de figo conventual
    Já não falo do pão de rala

    Vamos exportar um’arroba
    Sr. ministro não leve a mal
    Mas porque não se cala?

    Prof Eta

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    1. :))) O problema não está nos pastéis de nata! O problema está na forma como eles foram apresentados, como se deles dependesse a salvação do país!!!
      Eu sei muito bem que a vida não pára mesmo quando vemos tudo a ruir à nossa volta... mas há coisas que, no contexto actual, se tornam hilariantes... mesmo que, lá no fundo, sejam trágicas... bem, vamos a isto!


      Montando um pastel de nata
      Surge, ao fundo, um cavaleiro,
      Todo coberto de lata,
      Pr`a salvar... o mundo inteiro!

      Ao longe, o franguito assado,
      Peão de grande coragem,
      Espera, na volta ao passado,
      Conseguir ganhar vantagem...

      Ele há génios, n`Assembleia,
      De ideias inovadoras,
      Mas que ninguém reconhece!!!

      [e eu j´estou a ficar cheia
      de ver passarem-se as horas
      vendo que nada acontece...]


      Bem, lá saiu! :) Abraço grande!

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  21. “Aluga-se”

    A barriga de aluguer
    Só para quem a merece
    Não é para quem quer
    A mim não me apetece

    Prefiro uma barriga ter
    Quem ainda me aquece
    Mesmo depois de nascer
    E de mim não se esquece

    A vida não se negoceia
    Tudo é negócio na vida
    Se teu ventre é transição

    Com o fruto que escasseia
    Os olhinhos na despedida
    Também vão dizer não.

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    1. :)) Ah, Poeta... estou sem cabeça para um tema tão delicado... eu, no meu tempo fértil, jamais seria capaz de ser "barriga de aluguer", mas não sou daquelas pessoas que "obriga" toda a gente a reger-se pelos seus padrões e convicções. Anda-me a confrontar com alguns dos poucos assuntos que giro muito mal :)) e, ainda por cima, numa altura em que as coisas andam muito mazinhas, do ponto de vista da saúde.
      As pessoas - até os técnicos de saúde! - associam sempre as queixas físicas a algum tipo de disfunção emocional, mas tendem a esquecer que o contrário também é verdadeiro. A doença física tem um tremendo poder, no que toca a "castrar" a capacidade criativa e a fluência da escrita. Tenho sido uma atenta observadora desse tipo de interacções... e não só a nível pessoal.
      Mas eu vou tentar "digerir" o assunto e já cá volto :)

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    2. As rimas que me não surgem
      Quando a vontade mo pede
      E que, às vezes, tanto urgem,
      São a força que me mede...

      É nos silêncios que eu digo,
      Tanto ou mais do que falando,
      Das metas que aqui persigo
      Mas jamais saberei quando...

      Nesse tempo que passou
      Fui fruto do que escolhi
      E o que essa escolha entregou

      Foi por mim mesma criado
      Como a obra traz em si
      O seu profundo legado...


      Poeta, não consegui uma análise objectiva... só falei de mim e da minha própria experiência... não dá -ainda... - para ser muito isenta acerca deste tema...
      Bjo!

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  22. SOCIEDADE SECRETA (em resposta ao sonetilho do Pedro com este título)

    No escuro do meu ser
    Do ser besta e do humano
    Do ser ermo e do urbano
    Estou sempre a esconder

    O sagrado e o profano
    Tudo escondo até ver
    E que sei vou esquecer
    Dia a dia, ano a ano.

    Guardo e deixo a sós
    Meu ser frívolo e o asceta
    Tudo ao que não dou voz

    E assim crio até ao fim
    A sociedade secreta
    Que guardo dentro de mim.

    Eduardo

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    1. Boa noite, amigo Eduardo!


      Quanto a mim, pelo contrário,
      Tenho tendência a falar,
      A escrever-me e a contar,
      Sem esqueletos no armário...

      Só esqueço o que não convém
      Que eu esqueça, de forma alguma,
      E nunca encontro nenhuma
      Coisa que eu faça tão bem

      Pois mal me tento lembrar
      Dum nome ou mesmo dum rosto,
      Nunca o consigo encontrar

      E por mais que use a memória,
      Para meu grande desgosto,
      Pouco me fica da história...


      Jà nem sei como pedir-lhe desculpa por estes meus improvisos, amigo Eduardo!
      O seu sonetilho parece-me bem mais sério do que esta minha resposta brincalhona, mas verdadeira... tenho, efectivamente, uma memória estranhíssima e sou a pessoa mais distraída que possa imaginar. No tempo em que ia mais vezes ao café - agora só vou quando alguém me telefona e convida... e nem sempre... - cheguei a estar sentada ao lado de uma das minhas amigas de mesa, sem a ver. Nem vale a pena insistir em mudar... já o tentei - em tempos que lá vão - e não serviu de nada.
      Um abraço para si e para toda a família e amigos!

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  23. “Génios d’Assembleia”

    Vendo que nada acontece
    Eu proponho uma solução
    Se luz dos génios enfraquece
    Que se faça a transformação

    São novamente colocados
    Nas lâmpadas do Aladino
    N’areia do deserto enterrados
    Não sendo este o seu destino

    É uma segunda oportunidade
    Pois aí terão a possibilidade
    De meditar sem perturbação

    Que a grande responsabilidade
    De conduzir a nossa sociedade
    Exige uma outra motivação.

    Prof Eta

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    1. :))) !!!

      Pobre daquele que tropece
      Numa lâmpada que tal!
      O génio ainda lhe oferece
      Uma ida ao hospital!!! :))

      Mas dá-lhe, em compensação,
      Um "natinha" com canela
      E, mesmo que ele diga: - Não!
      Vai ter de levar com ela...

      Estou-me a rir só de pensar
      Nos génios engarrafados
      À espera de alguém que passe

      E, então, os possa salvar,
      Prestar-lhes alguns cuidados,
      Dizer-lhes que têm classe... :)))


      :)) Abração!

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    2. Dizer-lhes que têm classe
      É coisa que eu não faria
      Nem que a burra zurrasse
      Daí abaixo eu não caia

      Que fiquem engarrafados
      É sorte mais que a pedida
      Que nós pr’aqui ignorados
      Somos seu seguro de vida

      Mas pr’a eles somos fardo
      Não mostram a sagacidade
      Desta apólice preservar

      Somos tal qual aquele bardo
      Expressava sua musicalidade
      Pr’a nas trombas sempre levar.

      Eliminar
    3. Pois, quanto a mim, faço o mesmo
      E, se algum génio encontrar,
      Andarei léguas a esmo
      Só pr`a nele não tropeçar...

      Não creio nas suas prendas
      Nem nessa genialidade
      Balofa e cheia de rendas,
      Mas sem solidariedade...

      Agora, pr`a ser sincera,
      Vou levar o Kico à rua
      Antes que haja inundação...

      Pobre dele que fica à espera
      Da amiga, sempre "na lua",
      Que se esqueceu do seu cão... :)))


      Bjo!

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  24. “À velocidade do pensamento”

    Sim, não foi a Maria João
    Já que de casa não saiu não
    Também não foi o Lapalice
    Sim que isso seria tontice

    Terá sido o Fernando Pessoa
    Não, o pensamento dele voa
    Só posso ter sido eu então
    Agradeço-lhe a conclusão

    À velocidade do pensamento
    Nunca tinha pensado assim
    Fez o favor de mo mostrar

    Tem o meu reconhecimento
    Já que a essa velocidade enfim
    Descubro que escrevo sem pensar.

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    1. :))

      Mas é realmente assim
      Que, as mais das vezes, escrevemos!
      Só depois, chegando ao fim,
      Pensamos no que fizemos...

      A febre já me subiu
      Mas continuo a escrever...
      Estou vermelha, tenho frio
      E estou pr`aqui a tremer

      Mas quero ainda deixar
      A resposta a estes versos
      E se a febre não baixar

      Vou, a seguir, pr`á caminha
      Porque estes frios são-me adversos...
      Caramba! Que sorte a minha!!!


      ;) Muito obrigada!

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  25. Oi Maria
    Feliz ano pra vc.
    Quanto ao teu soneto...
    Já voei e já senti presa, achei que voando pudesse ter liberdade; e foi... foi tanto que minha mente voou mesmo deixando-me sem chão e foi aí que mais uma vez viajei nas minha ilusões. Foram poucas as viagens reais.
    Agora estou bem novamente e sob medicação, e com estes a inspiração não me vem para poetar.

    Abraço e melhoras

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    1. :D Olá, Vera! Sim, eu também tenho essa impressão... nem sequer entendo muito bem como certos escritores, músicos e pintores deixaram o testemunho de conseguirem trabalhar melhor com qualquer tipo de psicotrópicos. Eu penso que eles são tremendamente castradores da verdadeira criatividade. Mas suponho que a tua medicação seja um recurso necessário e temporário. Terás muito tempo para voltar a sentir-te inspirada quando estiveres bem de saúde :)
      Que tenhas rápidas melhoras e que possas, ainda este ano, voltar a sentir-te inspirada! :)
      A produção poética, a mim, nunca me levou a paragens de difícil retorno... sou uma sortuda, nesse aspecto :) Voo bem longe, mas volto sempre ao pedacinho de chão a que pertenço.
      Enorme abraço, amiga!

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  26. “Os bardos”

    Dizer-lhes que têm classe
    É coisa que eu não faria
    Nem que a burra zurrasse
    Daí abaixo eu não caia

    Que fiquem engarrafados
    É sorte mais que a pedida
    Que nós pr’aqui ignorados
    Somos seu seguro de vida

    Mas pr’a eles somos fardo
    Não mostram a sagacidade
    Desta apólice preservar

    Somos tal qual aquele bardo
    Expressava sua musicalidade
    Pr’a nas trombas sempre levar.

    Prof Eta

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    1. Poeta... eu respondi-lhe, ontem, a este... foi antes de ir à rua com o Kico, acho eu...
      Já estou toda perdida e, com os enjoos e vómitos, então, já nem sei o que faço. Mas sei que respondi a este seu sonetilho! Vou à procura pois posso não lho ter levado...

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    2. Acho que, afinal, não respondi a este... caramba! Nem poderia... só o publicou hoje! O que é certo é que eu estava convencida de já ter lido este seu sonetilho... devo estar bem pior do que o que imagino...

      Completamente impotentes
      - e pensando ter razão -
      Querem convencer a gente
      A jamais lhes dizer "Não"...

      Abrindo este enorme fosso
      Entre pobreza e riqueza,
      Podendo mais do que eu posso,
      Mas sem ter qualquer certeza,

      Não será fácil vencer
      A classe dominadora
      Com seus "truques" financeiros,

      Mas não estão a perceber
      Que está a chegar a hora
      De sermos nós os primeiros!


      Olhe, Poeta, este foi mesmo quase sem saber o que estava a escrever... bem, falta o quase ;)
      estas rimas expressam as minhas opiniões pessoais... mas não estou nada bem. Estou mesmo a fazer um grande esforço para escrever seja o que for. Sei que devia comer nem que fossem umas bolachitas mas... acho que ainda ficava pior do que já estou.
      Abraço grande!

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    3. Sim respondeu só que eu não o tinha publicado porque foi uma resposta rápida a uma sua resposta, por isso voltei a repeti-lo.

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  27. “Naquela aldeia”

    Da cidade não vou falar
    Seu apelo não me seduz
    Aldeia pode-me embalar
    Encanta-me um raio de luz

    E à tardinha no ribeiro
    Da pele suada me liberto
    Estendo a toalha no lameiro
    Raios de sol mostram afecto

    E na lareira à noitinha
    Crepita um lume amigo
    Aquece o tacho do jantar

    E com muita pena minha
    Chega a hora e não consigo
    Apelo da manta de lã recusar.

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    1. Lindo, Poeta!

      Quanto a mim, estou dividida
      Entre a aldeia e a cidade;
      Se com uma sonho em vida,
      Na outra vivo, em verdade...

      Numa aldeia proibida
      Por uma alheia vontade
      - há muito tempo perdida -
      Deixei ficar a saudade...

      Por isso sei... e não sei
      Se essa escolha é pertinente
      Ou se vale ainda a pena...

      Poucos mais passos darei
      Na contagem decrescente
      Desta vivência serena... :)


      Ficou tristonho, mas só reparei nisso depois de o reler... a ideia era explicar que vivi um pouco dividida entre os ambientes citadinos e o campo. Costumava dizer, por altura dos meus vinte anos, que iria sempre mudando para zonas mais afastadas das urbanizações, exactamente porque gostava de estar em contacto com zonas "selvagens" :)) Quando morei em Linda-a-Velha - entre Algés e Linda a Velha, numa urbanização que estava mesmo no seu início - ia todos os dias passar umas horas, sozinha, para as matas do Estádio Nacional... adorava andar por lá a observar as pequenas formas de vida. Tinha uma enorme admiração pelas formigas que ali construíam os seus ninhos - ninhos altos, alguns com mais de um metro de altura - e era capaz de ficar tempos infinitos a observá-las... mas também gostava muito dos lagartos, das anguinhas, dos gafanhotos... :)) ai, que discursão!!!
      Abraço grande!

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  28. BARRIGA EMPRESTADA

    Se houver um planeta
    Ou um qualquer asteróide
    Nesse Universo imenso,
    Onde o espermatozóide
    Fecunde numa proveta,
    Esse mundo, eu dispenso,
    Aí recuso nascer…
    Para ter que crescer
    Numa barriga emprestada,
    Obrigado pelo auxílio…
    Então prefiro ser nada
    A ser feto no exílio.
    P´ra ter que chegar cá fora,
    Em boa ou em má hora
    Sem ter à espera o conforto
    De beijos de pai e mãe
    Ai antes não ser ninguém…
    Antes ser um nado morto.

    Eduardo

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    1. Olá, amigo Eduardo!


      Eu não sei o que faria
      Se acaso me acontecesse
      Nascer em tal situação...
      Algo me aconteceria,
      Quer quisesse, ou não quisesse,
      Mas não diria que não...
      Há tais coisas nesta vida,
      Tão improváveis, tão estranhas,
      Irreais, quase impossíveis,
      Que assim, sem estar prevenida
      E sem usar artimanhas,
      Considero mesmo incríveis!
      Mas recusar-me a viver...
      Pode crer, nunca o faria!
      Não é próprio do ser vivo
      - antes de amadurecer -
      Recusar essa ousadia
      De existir... mesmo cativo.


      Meu amigo, foi o que me saiu e nem sei como porque, hoje, ainda por cima, estou imensamente agoniada. Já tinha a febrezinha e as outras coisas todas... só me faltava agora este enjoo horrível! Ainda não consegui comer hoje... nem vou conseguir. Acho que já tenho muita sorte se não começar a vomitar... mas não devo estar a incomodá-lo com estas minhas "maleitas" todas.
      Um abraço grande para si e para toda a família!

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  29. Amiga Maria João de Sousa




    Mais do que tudo desejamos que a saúde da nossa Amiga, volte em pleno e depressa se sinta mais aliviada. O marido da Maria Vitória melhorou bastante e ela vai sentindo mais alívio. Agora tem fortes dores nos pés o que quase a priva da locomoção, mas também está a sentir melhoras com os tratamentos de fisioterapia.
    Quanto às nossas divergências de opinião , no que à proveta diz respeito e a tal processo de reprodução da vida animal, elas hoje já não estarão tão distantes, pois, da minha parte, não existe o mesmo radicalismo. Aquele poema foi escrito há muitos anos, quando o assunto era quase novidade e eu ainda vivia o entusiasmo do nascimento recente de meus filhos, a cujos partos assisti, enlevado. Isso talvez justifique a intolerância poética, que acaba por ser e apenas, isso mesmo. E o poeta, como muito bem sabe, nem sempre revela com justeza o que lhe vai lá dentro, por isso ele é «um fingidor», segundo um ilustre Pessoa.
    Não a vou incomodar mais com divagações. Da minha parte e da de minha esposa um abraço de amizade.

    Eduardo.

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    1. Amigo Eduardo,

      Por favor, não me faça ficar envergonhada! Não incomoda nada e é sempre muitíssimo bem-vindo! Agradeço-lhe muito as novidades acerca da nossa amiga e, já agora, friso um ponto curioso de que ainda não tinha falado... nem sei como. E não sei como porque eu sou visivelmente "desavergonhada" no que toca a queixas :) Mas o curioso, apesar de doloroso e muito redutor em termos de autonomia, é que também eu tenho imensas dores nos pés...
      No que diz respeito às aparentes divergências, meu amigo, também compreendo muitíssimo bem a sua opinião de jovem pai. As minhas "sextilhas mancas" saíram demasiado depressa para eu poder fingir fosse o que fosse. No meu caso, baseio-me unicamente naquilo que vou conhecendo da vida em geral. Sempre fui uma atenta observadora da vida sob todas as suas formas e tenho-a visto lutar de uma forma que até a mim me espanta. O meu cãozito, por exemplo, serve bem para o ilustrar a ideia que eu queria fazer passar. A Vida, em si mesma, recusa-se obstinadamente a deixar de o ser. Não tenho a menor dúvida de que os afectos e todo o tipo de cuidados, físicos ou não, são determinantes na duração desse período que medeia entre vida e morte mas, de uma maneira geral, a vida quer viver, não desiste por "dá cá aquela palha". Poderia ter-me citado a mim mesma porque também eu, em determinado momento da minha vida, me vi nessa situação... mas o meu cãozito está aqui, à minha beira e eu achei por bem trazê-lo à conversa...
      E agora, meu amigo, sou eu quem lhe pede desculpa por todas estas divagações. Um enorme abraço para si e para sua esposa.

      Maria João

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  30. “EDP Eletlecidade de Poltugal”

    A paltil de Janeilo
    Passa a sel a tua vez
    De pagal em dinheilo
    Na loja do chinês

    Posto de coblança
    Da eletlecidade gasta
    China entla na dança
    Que a gente não se basta

    Obligado amigo chino
    Podes tel olhos em bico
    Podes sel pequenino

    Mas aos teus milhões
    Eu não sou alélgico
    Manda mais uns camiões.

    Prof Eta

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    1. :) Espere lá, Poeta que eu já cá volto... não sei se consigo poetar sem os "erres" mas achei uma delícia!
      Agora tenho mesmo de esquecer a febre - continua... - e ir lá abaixo com o Kico. Até já!

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    2. :)) !

      Eu já comprei, no chinês,
      Tudo o que há para comprar;
      Óculos, pó para os pés
      E espuma pr`a depilar...

      Ir lá pr`a "pagar a luz",
      Isso nunca imaginei
      Mas, se a conta se reduz...
      [não diga nada, eu já sei!]

      Venha o sol dar-me o consolo
      Dos seus dias mais quentinhos,
      Mais azuis e iluminados!

      Eu daqui já não "descolo",
      Nem para dar uns "passinhos"
      Nuns alegres "verdes prados"...

      Bem me pareceu que não valia a pena tentar abdicar de uma "rolante" de que tanto gosto :))

      Abraço gde!



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  31. “Os boys e o antílopes”

    Naquela imensa pradaria
    Uma longa cerca a dividia
    Dum lado abundância havia
    Do outro pouco se comia

    Dum lado luzidios boys a comer
    Do outro os antílopes a sofrer
    Selvagens tentavam sobreviver
    Mas um dia quem havia de dizer

    Acabou na pradaria a abundância
    Pr’a comer era preciso labutar
    Boys acabaram por definhar

    Antílopes sem qualquer relutância
    Magros e selvagens mas a lutar
    Ainda hoje por lá devem andar.

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    1. Para lá caminharemos
      Se o nosso povo o deixar
      E a nossa Europa veremos
      Reduzida ao que sobrar...

      Em nome não-sei-de-quem
      E não sei por que razão
      O "jogo" foi muito além
      E já ninguém nele tem mão

      E ao deixar aos nossos filhos
      Uma tão injusta herança
      E uma tão negra miséria

      Só deixaremos sarilhos
      Em nome dessa tal "esperança"
      Numa gente pouco séria!

      Abraço grande, Poeta! Este levou muito tempo porque tive de andar à procura do Sigmund que estava "desaparecido"...

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  32. O sonho comanda a vida
    Junto a esperança enternecida
    Justo ao juiso final
    Ambos vão ao fim da meta
    Cala-se a voz do poeta
    Mas nunca a de Portugal

    Beijos,tudo,que faz é maravilhosooo

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  33. "Mar de sonhos por tecer..."
    Deixa a porta aberta para tudo.
    Abraço grande

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    1. Boa noite... madrugada, amigo Artesão.
      Vou até aí... até já! :)

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