ESSE LOUCO GALOPE DO CORCEL DAS PALAVRAS...

 



 


Prenúncio da vontade em gesto vago,


Vai-me descendo a mão sobre o papel


E sinto que me invade o tal corcel


Da singular magia desse afago!


 


Dele me nasce a palavra; o resto, trago


Dentro de mim, gravado com cinzel,


Por baixo desta minha humana pele


Onde o tempo, ao passar, fez tanto estrago


 


Mas que me importa a mim que o tempo passe


Se dele surge a palavra, irrompe a frase


Que justifica o esforço da corrida?


 


Não fosse esse o corcel que eu cavalgasse


E – quem sabe? -  o poema me ignorasse


E eu perdesse o sentido à própria vida.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 23.02.2012 – 18.47h


 


 


Imagem retirada da net, via Google

Comentários

  1. “Dona banca”

    Das tristezas alegrias
    E das tripas coração
    Assim vão nossos dias
    Embora digam que não

    Os milhões são p’rá banca
    Para nós são os centavos
    Que saudades da D.Branca
    Não ficava p’los alinhavos

    Era a banqueira do povo
    Com uns juros à maneira
    Nunca se viu noutro lado

    Agora no tempo novo
    Vai-t’embora ó banqueira
    Povo quer-se amedrontado.

    Prof Eta

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    1. O truque dela era o mesmo
      E eu vi muito boa gente
      Empatar dinheiro a esmo
      E ficar muito contente...

      Mas, deste sono que tenho,
      Não sairão grandes versos...
      Estou quase a "serrar o lenho"
      Sobre os caracteres dispersos

      Num teclado que mal vejo,
      Sentada em madeira pura
      Só por pura teimosia...

      Talvez não caia... fraquejo!
      A cadeira, embora dura,
      Já de cama serviria!


      Não estou muito segura de ainda conseguir responder ao próximo, Poeta... esta descrição "sonetilhal" - de neologismos, gosto muito! - foi muitíssimo fiel à minha pontual realidade... :)

      Abraço grande!




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  2. “25”

    Maior que o pensamento
    Maior que tod’a saudade
    25 anos foi um momento
    Mas pareceu a eternidade

    Traz outro amigo também
    Para escutar sábia melodia
    Venha quem vier por bem
    Num e noutro e noutro dia

    Tod’a primazia à palavra
    Que o nobre ideal traduz
    Seja lei a fraternidade

    Consigamos nesta lavra
    Sementeira que não reduz
    Cada irmão à obscuridade.

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    1. Tão maior que o pensamento
      Que, tanto quanto senti,
      Ontem à noite, sustento,
      Ele estava connosco, aqui!

      Renasceu em todos nós
      E, por momentos, garanto
      Que,através da sua voz,
      Vibrava, ao vivo, o seu canto!

      Assim, dessa estranha forma
      Que não consigo explicar,
      Venceu, da morte, a tal lei

      E, já liberto da norma,
      Continua a militar
      Mais do que eu conseguirei!


      Poeta, o Zeca é, para muitos, muitos portugueses, um cantautor que nunca morrerá!
      Eu que, nessas coisas, até sou bastante pragmática, tive a nítida sensação de o estar a ouvir ao vivo. Foi uma coisa espantosa, pelo menos para mim...
      Abraço grande, Poeta! Zeca, sempre!

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  3. Respostas
    1. Aceito sim, Poeta! :)
      Estou é novamente atrasada... mas também gosto do chá frio... :))

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  4. Linda imagem deste grupo de corcel
    E o soneto... lindo!

    Como está, td bem?

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    1. Olá, Vera! :)
      Se eu te responder que me sinto fisicamente bem, vou estar a mentir... e muito! Acho que apanhei uma gripe em cima das "mazelas" crónicas do costume... mas como vais tu? Eu tenho sido muito mal comportada nestas coisas de visitar os amigos, eu sei! Aqui há tempos, passei pelo teu blog e ele estava privado... também é verdade... :)
      Espero que estejas bem!
      A foto foi "roubada" da net... eu nem sequer tenho memória no meu telemóvel para tirar mais fotografias... e é um telelé velhote, com o teclado todo encravado. Muito menos me ando a passear por aí, amiga... as coisas, por cá, vão mazitas...
      Um abraço grande!

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    2. Agora estou melhor.
      Já estive pior com a morte de minha mãe, às vezes ainda choro muito de saudades.
      Depois disso tive um surto como aquele que tive em Portugal, aliás não sei se é surto, delírio, mas tive também novamente premonição e esta foi sobre minha mãe que ia falecer. Foi muito difícil pra mim pq fiquei calada sem dizer nada pra ninguém, só mesmo depois que aconteceu. Agora, ainda estou sob medicação. Se Deus quiser vou melhorar e pretendo fazer novamente outra viagem à Portugal no mês de julho.

      Um abraço
      Espero que tenha dado tudo certo com você.

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    3. Eu sei bem como custa, amiga. Ainda me vou lembrando muito da minha e até, cada vez mais, do meu pai que já partiu há 25 anos! Cada vez avalio melhor a riqueza que foi ter um pai tão virado para a ciência e para as letras... um homem com os seus defeitos, como todos nós, mas extraordinário no que tocava a transmitir conhecimento sem impor coisa nenhuma.
      Tenho a certeza de que vais sentir-te melhor com a passagem do tempo. Nós não agradecemos ao Tempo mas ele é um grande amigo no que toca a sarar as feridas da alma.
      Hoje estou contente porque veio cá um técnico do Oeiras Está Lá! - um serviço prestado pela Câmara de Oeiras aos munícipes idosos, pobres ou doentes - e ele lá conseguiu por-me a televisão a funcionar, com uma antena interior. Para quem estava em casa, sem qualquer contacto, sabe muito bem! E olha que eu nunca fui uma daquelas pessoas que estão sempre agarradas à televisão. Mas gostava de ver o telejornal, um ou outro programa e um filme, de vez em quando...
      Beijinho, Vera!

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  5. “Mimos na escuridão”

    O barco é um e um só
    O mal que me reservas
    De ti também tenho dó
    Pelo que terás nas trevas

    Se me queres asfixiar
    Toma lá muito cuidado
    Não possa faltar-te o ar
    Por estar contaminado

    Quem te avisa é amigo
    Vêm tempos de escuridão
    Começa já a preparar-te

    Que eu cá não consigo
    Depois estender-te a mão
    Estando a pontapear-te.

    Prof Eta

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    1. O meu barco não mudou
      Nem se curva o timoneiro
      Porque a borrasca abalou
      O seu casco, todo inteiro!

      Sei que as ondas se revolvem
      Em torno de que quem naufraga,
      Que em mil perigos se dissolvem
      Anseios de alcançar "plaga"

      Porém se a tripulação
      Foi lançada à sua sorte
      Sem esperança de sobrevida,

      Que mais quer o capitão
      Senão segui-los na morte
      Que a ele lhe for concedida?

      Até já, Poeta... ainda fiz este...




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  6. “Revolução em torno do eixo”

    Mundo em transformação
    Às voltas do eixo a rodar
    Não chegou à revolução
    Só porque roda devagar

    Mas dá muitas revoluções
    Deixando-nos cá a pensar
    Se são apenas rotações
    Como se irá transformar?

    Não sabemos a resposta
    Mas a terra no-la irá dar
    Porque esta insatisfação

    Não se fica pela proposta
    Algo vai ter que mudar
    Chegue a revolução ou não.

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    1. Todo o seu significado
      Se encontra na explicação
      Do Poeta ter contado
      O que é a Revolução

      Porque, de tudo que diz,
      Nos surgem revoluções
      E, às vezes, um aprendiz
      Desconhece outras razões...

      Por isso, a verdade é esta;
      O que irá sair daqui
      Ninguém nos sabe dizer

      E outra coisa nos não resta
      Senão esperar que ela, em si,
      Nos queira, então, receber...


      Este saiu nem sei como, Poeta. Não me sinto nada bem e estou com febre, apesar do paracetamol. Suponho que seja uma simples virose mas, em cima do resto, faz mossa...
      O Kico também voltou a sujar-se todo e eu não garanto que consiga responder a mais algum sonetilho...
      Abraço grande!

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  7. Parece que desta vamos conseguir concretizar, da outra vez não havia tempo.

    De poetazarolho a 24 de Fevereiro de 2012 às 22:34

    Perdão era toalha pintada. Será chá a três em que todos aparecem ? Esteve quase para acontecer, combinaremos data, hora e local e se houver comum acordo bebemos e cavaqueamos !?

    De M.Luísa Adães a 25 de Fevereiro de 2012 às 09:49

    Vamos combinar dia e hora e seremos três.

    Abraço,

    Mª. Luísa

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    1. Estou quase com 40º de febre... é melhor não fazerem planos de curto prazo para mim.
      abraço.

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    2. Não há ainda e terei sempre que falar consigo antes da combinar, a seu tempo.

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    3. Cheguei agora do Centro de Saúde. A médica do hospital só disse que era infecção grave mas a do CS disse que é mesmo broncopneumonia bilateral. Estou que não me aguento.
      Abraço. Mal consigo escrever.

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  8. Espero que esse corcel continue a cavalgar,
    Pois enquanto assim for
    Continuarei a ler e a adorar
    O que escreves com tanto amor ;)

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    1. Por agora estou "de molho", Paper. Cheia, cheia de febre.
      Bjo!

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    2. Isso está mesmo mau :/
      As melhoras Maria... Se precisares de alguma coisa, no que eu puder ajudar, conta comigo :)

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  9. Amiga Maria João de Sousa


    Não lhe peço desculpa pela insistência neste longo fabulário, uma vez que manifestou agrado pelo tratamento que eu lhe dei.
    Se esse agrado corresponder a uma percentagem ínfima do meu apreço pelos seus sublimes sonetos, sentir-me-ei bem compensado.
    Só hoje lhe dei notícias nossas porque temos estado em Alcácer do Sal, ao serviço dos nossos netos e lá não temos Internet. Desisti dela para fazer face à medidas de contensão impostas por um «coelho». Esta fábula não lhe agrada, segundo creio. A mim também não.
    Eu e minha esposa desejamos-lhe um fim de semana tão bom quanto possível. Um abraço de amizade
    Eduardo.

    A raposa e o corvo

    O negro corvo, cansado,
    Por um dia de trabalho
    Lamentava-se irado,
    Lá do alto do seu galho.
    Porfiou e só achou
    Belo queijo reluzente
    Que nem sequer provou
    Por ser comida de gente

    Mas ao ver vir a raposa
    Que tinha ido caçar
    Apesar de ser manhosa
    Pensou logo em a lograr…

    - Olhe lá, comadrezinha
    P´ra este belo manjar
    Se quiser posso trocar
    Por um galo ou uma galinha.-

    A raposa nem pensou
    No que o corvo propusera
    Pacóvio como ele era…
    É claro que aceitou.

    Só quando foi p´ra partir
    A bola aborrachada
    E ouviu o outro a rir
    É que se viu enganada...

    Zangada, com ar sisudo,
    Foi logo ter com o gato
    E para não perder tudo,
    Trocou o queijo por um rato

    Eduardo

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    1. Meu amigo Eduardo, vim à procura de qualquer coisa que a memória - nebulosíssima, nestes últimos tempos! - teimava em sussurrar-me ao ouvido que tinha ficado para trás... e deparo-me com esta maravilha! Adoro este seu fabulário! Adoro tanto mais quanto me sinto perfeitamente incapaz de fazer qualquer coisa semelhante! Que maravilha! Olhe que estou a ser sincera, do fundo do coração! Que sorte a dos seus netos! Estes seus poemas devem fazer as delícias dos dois mais velhinhos! Lá chegará o tempo do Henrique que ainda é muito pequenino para se deixar encantar por palavras.
      Agradeço-lhe, mais uma vez, por se lembrar de mim e envio o meu abraço - ainda febril... - extensivo à sua esposa.

      Maria João

      PS - Penso que já saiba que estou a braços com uma broncopneumonia bilateral, razão que me levou a nem sequer conseguir ler muitos dos sonetilhos que o seu Pedro me enviou. Eu bem tentava, mas parece que a minha pouca inteligência "mirra" com a febre e não conseguia descodificar nada do que estava a ler... é assustador, acredite! E só agora começo a conseguir "enfrentar" a poesia porque nos textos mais complexos de prosa ainda continuo a dispersar-me e a perder-me ao longo dos raciocínios...

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  10. “Portão arrombado”

    O portão foi encerrado
    Velha crise fica lá fora
    Compadrio foi erradicado
    Nomeado vai-te embora

    Gestão danosa terminou
    Já não trafico influências
    Ficamos a saber que sobrou
    Doutoramento em ciências

    São as ciências da ilusão
    De catedra vão governar
    Num país mal amado

    Combatem a corrupção
    Sem nunca a erradicar
    O portão foi arrombado.

    Prof Eta

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  11. “Imaginação”

    Vós que lá do alto falais
    Nós escutamos com atenção
    Vós bem que vos explicais
    Tentamos perceber, mas não

    Nós imaginamos a evidência
    O que evidencia imaginação
    Falais bem, com clarividência
    Tentamos imaginar, mas não

    Descei cá abaixo amigos
    Falai aqui a esta multidão
    Descestes ou falastes? Não

    Abandonados como mendigos
    São milhares que aqui estão
    Conseguis ver ou imaginar? Não.

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    1. Se eles o sabem, não entendem
      Ou não querem entender
      Porque as tretas que "nos vendem"
      Só servem para entreter

      Quem tenta, em boa verdade,
      Lutar contra o que lá vem
      E alcançar a liberdade
      Por mal, se não for por bem...

      Todos vamos percebendo
      Que alguns de nós não desistem
      De gritar tanta injustiça

      Dentre os que vão perecendo
      Sobram sempre os que resistem
      E se vão fazendo à liça!


      Descobri este, perdidito... e lá me saiu a resposta, apesar de não me estar a sentir nada bem. Vou ver se descubro onde pertence...



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  12. Respostas
    1. Poeta, os parâmetros das minhas análises e rx estão muito, muito maus. É infecção bacteriana e não viral. Continuo com muita febre, estou desidratada e não consigo comer nada de nada. Nem consigo escrever, desculpe. A febre é muit e cheguei agora do hospital.
      Abraço grande!

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    2. É preciso é que melhore, vou suspender a publicação de sonetilhos por 2 ou 3 dias ou até que me diga que se sente melhor. Melhoras rápidas.

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  13. No corcel que ganha força
    na força da corrida
    corrida a galope nesta vida

    O galope deve abrandar
    para poder apreciar
    a grandeza do momento

    Momentos de ternura,
    momentos de brandura,
    momentos de mudança
    e momentos onde o que engrandece é a esperança!

    LMaria

    Obrigada pela partilha de suas palavras =)

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    1. Poeta, estou completamente incapaz de escrever. A radiografia e as análises deram parâmetros de infecção muito, muito forte, não viral mas bacteriana. A minha febre chega a rondar os 40º e também estou desidratada... e o pior é que não consigo comer mesmo nada de nada porque tenho vómitos quando tento comer.
      Um abraço grande e desculpe mas não dá mesmo.

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    2. Olá! Não sei se o comentário era para mim, uma vez que me chamou poeta!
      Gostei, aliás adorei, mas não sou poeta =)

      Espero que melhore rápido, e descanse muito pois deve estar a precisar. Esperamos pelo seu retorno e em forma.
      Um beijinho LMaria ou Golimix

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    3. Desculpe, Golimix. Eu já nem sei bem o que faço. Não me parece que este antibiótico esteja a dar grande resultado pois cada vez estou mais prostrada e tenho mesmo que tratar os animais. Vim só avisar que é broncopneumonia. Obrigada. bjo.

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  14. Nem acredito... escrevi o mesmo duas vezes seguidas e custa-me tanto escrever...

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    1. É preciso é que melhore, vou suspender a publicação de sonetilhos por 2 ou 3 dias ou até que me diga que se sente melhor. Melhoras rápidas.

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    2. A infecção é das graves e eu sinto-me muito mal mas vou ter de ir hoje ao Centro de saúde porque, embora tivesse sido bem observada, a médica esqueceu-se de ver o INR... e ele altera-se muito por situações metabólicas, como febre e parâmetros de infecção. Já nem me aguento, continuo sem conseguir comer, agora surgiu diarreia... nem sei.
      Abraço!

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    3. M. João

      Dá noticias, se possível! Me inquietas com essa febre. Parece uma crise!

      Mº. Luísa

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    4. Amiga, é mas é uma broncopneumonia dupla e eu não me sinto nada bem. É com muito esforço que escrevo e mal percebo o que leio. Vou ter de ir aos correios e nem sei como.
      Beijinho grande.

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    5. Amiga,

      Vai ao hospital e se ficasses lá, por uns dias, seria o ideal.

      Não podes andar na rua! Pede ajuda à Igreja
      e reconhece em ti que precisas dessa ajuda.

      "Possa Deus voltar O Seu Rosto para ti"...

      Mª. Luísa

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    6. Amiga, voltei aqui com sacrifício. Até entender o que leio se torna um esforço imenso... já fui ao hospital, no Domingo, e foi lá que eu fiquei a saber que tinha uma infecção grave porque me fizeram rx e análises. Não é gripe, é mesmo broncopneumonia bacteriana.
      Eu reconheço que uma ajuda me faz falta mas, da última vez que estive sem poder andar, disseram-me que para me virem trazer o almoço ou fazer qualquer coisa, teriam de me cobrar uma prestação financeira e eu cada vez vejo desaparecer mais rapidamente os poucos euros que recebo por mês. Mal dão para metade das contas fixas e os alimentos dos animais.
      Quanto ao internamento hospitalar, neste estado, mesmo tendo horror a internamentos, até acredito e sinto que seria o ideal para mim, mas parece-me que eles só estão a internar quem está mesmo "mais lá do que cá" e tem um suporte familiar que garanta uma saída rápida. Tens a noção da quantidade de pessoas que têm morrido este ano nos hospitais? Tem sido uma verdadeira razia que já se expressa nas estatísticas como nunca antes aconteceu... mas isto que eu tenho não é gripe, minha querida amiga. É mesmo infecção bacteriana com neutrofilia, linfopenia e uma pcr de 13! Mais; estava desidratada e nem sequer aproveitaram para gastar um balãozito de soro no cateter que me deixaram quando me tiraram sangue. Claro que me foi recomendado que bebesse muitos líquidos, mas isso já eu sei muito bem.
      O antibiótico também não seria o que eu recomendaria a alguém, diante de um quadro clínico tão exuberante, mas penso que a Amoxicilina com Ácido clavulânico faz parte da "chapa 4" das urgências hospitalares... mais a mais porque a diarreia, em qualquer pessoa, acaba por reduzir a absorsão dos antibióticos "per os". Eu, que não sou médica, teria ponderado todos esses factores perante uma infecção tão grave... mas isso sou eu que, não sendo médica, tenho um profundo respeito por todas as vidas e me estou nas tintas para as restricções que estão a ser impostas na admissão de doentes em regime de internamento e nas moléculas activas prescritas nos receituários. E garanto que nem sei como consegui escrever tanto... até mexer um dedo me é doloroso. Mas acaba de me bater à porta uma vizinha que me trouxe leite, pão, um bolinho, dois yogurths e margarina. Ontem, outra vizinha, trouxe-me uma panelinha de sopa. Um outro senhor que é coronel, também me ajudou muito no primeiro dia e acabou por me levar ontem ao centro de saúde. O filho da vizinha que me trouxe a sopa, também me levou ao hospital... sinto-me muito grata a todos mas quase me vejo como um "mal repartido por muitas aldeias"...
      As minhas duas amigas de café também adoeceram em simultâneo, imagina!
      A prostração em que estou só me permite uns passinhos à custa de um esforço de vontade que me deixa capaz de sucumbir de exaustão.
      E já foi muito, muito o que aqui te deixei escrito.
      Obrigada por te preocupares comigo e um enorme abraço.

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    7. Amiga

      Eu não posso fazer visitas e andar de automóvel e hoje já escrevi demais e meu
      ombro está a dar sinal. Desculpa

      M.L.

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    8. Deixa estar, amiga! Não te esforces mais porque eu sei bem que não podes.
      Vou ter de me deitar. Já não aguento este esforço de ler seja o que for. Beijinho.

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  15. M. João

    Lindo o teu Corcel das Palavras.

    E também venho saber de ti. Hoje não te encontrei e me admirei. Que se passa?

    Maria Luísa

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    Respostas
    1. Amiga, estou com broncopneumonia dupla. Não me sinto nada bem, tenho muita febre e quase nem consigo entender o que leio... desculpa mas não consigo estar aqui.
      Espero que o teu pé já esteja bom. Abraço grande.

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  16. “A morte sem máscara”

    Realidade não aceita máscara
    Porque é real e descarada
    Não esconde a nossa cara
    Nem nossa alma asfixiada

    Asfixiada pelo cheiro a morte
    Dos nossos irmãos tombados
    Por não terem melhor sorte
    Ao fim do mês uns trocados

    Não foi a fome, foi o vírus
    Circula com maior intensidade
    Nem foi falta de medicação

    Temos que arranjar antivírus
    Para combater a insensibilidade
    Que reside no nosso coração.

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  17. Respostas
    1. Poeta, eu estou mesmo muito burra... não entendo nada do que leio, mas acho que esta troika somos nós os três, não é? Eu, o Poeta e a Maria Luísa...

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    2. Desculpe... acho que esta pneumonia me deixou atrasada mental... mesmo. sinto-me estranhíssima...

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  18. “Mamocas”

    Das mamas à governação
    Vai um lapso momentâneo
    Que o diga Bernardo Bairrão
    Teve um lapso consentâneo

    No governo quase a entrar
    Olhando pr’as mamas da Rita
    Com vontade de as apalpar
    Só o músculo se lhe arrebita

    Mas sem mamas e sem tacho
    Com o olhar se contentou
    Sabem o que é que eu acho

    Que as mamas não apalpou
    Ficou com outro mamarracho
    Mas do tacho algo sobrou.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Fui ao Blog Not a ver se entendia de quem eram as tais mamocas... mas continuo sem forças nem coordenação para escrever seja o que for.
      Abraço grande, Poeta.

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    2. Querida poeta, como estás?
      Estou tão preocupada por estares aí sozinha....
      Quem te dá o almoço , jantar?
      Quem te compra os remedios?
      Quem? Quem?
      Quereria ser um cavalo alado para te ajudar!beijinhos e as melhoras!

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    3. Minha Ligeirinha, o pior são os meus velhotes animais que andam muito descurados e me vão deixando o chão num estado... enfim... há duas senhoras, cá do prédio, que me têm trazido sopa, leite, pão, bolo, margarina, bolachinhas... senhoras a quem fico muitíssimo grata e cuja amabilidade nunca poderei pagar. As minhas duas amigas de café também adoeceram em simultâneo, imagina... nem sei se já te disse isto porque a minha cabeça está a condizer como o corpo e eu mal consigo escrever ou perceber o que está escrito porque me perco ao longo do sentido das frases...
      Vou ver se telefono à minha filha do meio para ela me ajudar com as areias dos gatos e com os detergentes mais pesados. Para além da broncopneumonia, há uma ... duas! razões de peso para eu não conseguir mexer-me quase nada; tenho duas belas hérnias discais na coluna cervical e daí a dificuldade em mexer braços e pernas.... acho que já não presto mesmo para nada... neste momento, nem sequer para escrever. Umas palavrinhas e parece que fiz um esforço de horas e horas de escrita... mas não te preocupes que, pelo menos a bactéria, eu hei-de vencer! Põe-te tu boa depressa! Beijo grande que eu tenho mesmo de me voltar a deitar.

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  19. Mª. João

    Sei que o problema continua, só não sei se te estás a tratar.

    Precisas de mim? Diz com sinceridade!

    Melhoras e se possível, tu ou alguém que escreva por ti,

    Mª. Luísa

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    1. Amiga, estou medicada e a fazer pela vida contra esta bactéria maluca. Pedi a uma das minhas filhas que me desse uma ajuda com as areias dos gatos - não posso nem nunca mais poderei carregá-las, mesmo com o carrinho - e com alguns detergentes que me estão a fazer mais falta e também com alguma medicação que já não me sinto com forças para ir buscar. Agradeço-te do fundo do coração, mas penso que ainda sobrevivo a mais esta. Há pouco cheguei mesmo a publicar no http://contra-sensual.blogs.sapo.pt/ , num impulso... nem sei como o consegui fazer porque tudo me deixa numa prostração imensa, mas lá o publiquei...
      Muito obrigada e um enorme abraço!

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    2. Obrigada amiga por te ser possível dar notícias e eu fico mais descansada.

      Um abraço e as melhoras

      Mª. Luísa

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    1. Para mim, vai ser chá do meio dia... mas que mal que me estou a sentir, caramba! Agora até tenho vómitos!
      Mas eu vou lá!

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  21. “Novos pobres”

    Os novos-ricos criámos
    Endinheirados pela CEE
    Mas os fundos esgotámos
    Para verem como isto é

    Há agora os “novos pobres”
    Com certificado presidencial
    Que nunca chegarão a nobres
    E cujos filhos passam mal

    Não aguentam a austeridade
    Mas muita mais aí vem
    Com certificado internacional

    Não sejas piegas nem alarde
    Senão consegues passar bem
    Faz favor de passar mal.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Poeta, hoje estou um bocadinho pior do que ontem. A barriga está uma desgraça e a tosse piorou bastante. Eu bem queria começar a poetar mas tenho a impressão de o meu raciocínio está cada vez mais "nebuloso"... vou tentar, mas acho que me vou arrepender...

      Eu, ceifeira de poemas
      E operária de rimas mil,
      Confrontada com problemas,
      Quase me sinto senil...

      Se ontem me senti melhor,
      Hoje torno a piorar
      E, neste febril torpor,
      Mal consigo protestar...

      Mas gostaria de ver
      Nosso "primeiro" a passar
      Metade do que eu passei...

      Era só pr`a perceber
      Se é homem pr`a s`aguentar
      Como eu, mulher, m`aguentei!

      Bem... lá saiu, mas garanto-lhe que estou pior do que ontem. Talvez seja porque está mais frio... bjo!

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  22. Obrigada pelas tuas noticias,foram anteriores ao meu telefonema. Agora as de hoje não são lá muito boas, com vomitos....será do antibiotico? A tua filha já aí foi? Desculpa lá , mas não é só de areia para os gatos que tu precisas....precisas de mais , que cuidem de ti!!!! Pede-lhe!!!! quando puderes vai ao Ligeirinha pois eu sem ti não sou nada.... Beijinhos e as melhoras!

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    Respostas
    1. Tadinha!!! Esqueci-me de ir ao teu cantinho!!! Não leves a mal porque eu acho que a minha cabeça - que já é meia distraída - deixa de funcionar quando estou mais doente.
      Beijo grande!

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  23. Respostas
    1. Vou já, já, Poeta! Por aqui já parou a chuvinha... e faz tanta falta!

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  24. “Das cinzas renascido”

    Governação dos falidos
    Executada por agiotas
    Não têm entes queridos
    Consideram-nos idiotas

    A quem tudo podem sacar
    O que parece ser verdade
    Não se importam de matar
    Em nome da austeridade

    Única verdade salvadora
    Dum povo que foi tentado
    Por tanto prazer proibido

    Mas não perdem pl’a demora
    Que um povo assim humilhado
    Das cinzas surgirá renascido.

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    Respostas
    1. Em nome d`austeridade,
      Muita gente já morreu
      Mas, pr`a dizer a verdade,
      Ela ainda não venceu!

      Todos juntos somos tanto,
      Conjugamos tal poder
      Que no nosso humano canto
      Havemos de os convencer

      De sermos merecedores
      De um destino bem maior
      Do que aquele que nos preparam!

      Hão-de ouvir-se os mil clamores
      Das gargantas que ao estertor
      Dos cutelos, se negaram!


      Isto ainda vai muito manquito, mas já vai saindo qualquer coisita...
      Abraço grande! :)

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  25. Respostas
    1. Serve, Poeta! Está a condizer com o estado geral do país... e do mundo...

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  26. “Para lá do arco-íris”

    Vejo o grande capital
    Com flores e o arco-íris
    São flores do vil metal
    Do pote de ouro são júris

    Todo o espectro de côr
    Fica cinzento de avareza
    Um bilião com tanta dor
    Uma dezena com riqueza

    Era uma vez um planeta
    Que apregoava mil ideais
    Mas nenhum curava as dores

    Acabou tudo na sarjeta
    E não se ouviu falar mais
    Nem de arco-íris nem flores.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Lá vai o capitalismo
      Pelas ruas da amargura,
      De mão dada c`o fascismo
      Enquanto a "cegada" dura...

      Consumiu todo um planeta
      Mas faltou-lhe um bocadinho
      E agora, no fim da recta,
      Descobre que está sozinho...

      Já tem os dias contados
      E quer-nos levar com ele
      Mas não há-de conseguir

      Porque alguns, bem acordados,
      Hão-de pendurar-lhe a pele
      Num cabide a descobrir...


      Sinto a agonia de todo o sistema capitalista. Acho que não é da pneumonia... há sinais evidentes do colapso. Acredito que muitos lhe irão sobreviver, muito embora saiba muito bem que ele irá "fugir para a frente" até rebentar pelas costuras! Tentará levar consigo todo o planeta, se possível for, mas eu acredito que o não conseguirá!
      Abraço grande, Poeta!

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  27. “Longa noite”

    Fogo que arde sem se ver
    Na fogueira da indiferença
    Podemos estar a perecer
    Mas isso não faz diferença

    É nos tempos de bonança
    Que se prevê a tempestade
    Mas só se encheu a pança
    Prometendo a modernidade

    Agora recuamos mil anos
    Após a invenção da roda
    Vejo a revolução industrial

    Mil promessas mil enganos
    Mas agora já ninguém acorda
    Desta longa noite ditatorial.

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    Respostas
    1. Muitos irão sucumbir,
      Outros, sobreviverão
      Cerrando o punho ao porvir,
      Não querendo ser escravos, não!

      Desses tantos - de momento
      Sei lá eu quantos vão ser... -
      Ressurgirá novo advento
      Para o que der e vier

      E, daquilo que fizerem
      Surgirão novas raízes,
      Novos troncos, novas folhas...

      Pr`àqueles que sobreviverem,
      Mil versos de mil matizes
      E um nunca acabar de escolhas!


      Estou com muitas dores de coluna, já para nem lhe falar do resto que continua mauzito... não sei se vou conseguir outro sonetilho, Poeta... mas vou ver o nosso chá a três :)

      Eliminar
  28. Cara Amiga Maria João de Sousa

    É sempre um prazer ter notícias suas. Paradoxalmente, preferia que elas chegassem mais retardadas e fossem diferentes no que se reporta à sua saúde. Espero que quando acusar a recepção de mais esta peça do meu fabulário de reabilitação, desta vez da Dona Lebre, já nos diga que o mau tempo passou. Até lá , espero contribuir para alguns momentos diferentes que a sua benevolência vai retirando destas pobres rimas.
    Com um abraço de amizade, também de minha esposa, que lhe deseja melhoras.
    Eduardo

    A lebre e a tartaruga

    Tartaruga vagarosa
    Para andar, tem pouco jeito.
    Tem ainda outro defeito:
    Mais que tudo, é invejosa.

    Tem um sólido abrigo
    Para o corpo resguardar
    Para a livrar do perigo
    Mas vive a resmungar…

    Inveja os desgraçados
    Que andam ao sol e ao frio,
    Sempre mal agasalhados
    Seja inverno ou estio

    E toda esta aflição
    E despeito permanente
    Por ser um pouco diferente
    Por andar com lentidão.

    A lebre, que é de bom trato,
    Mas vítima da maldizente,
    P´ra ela ficar contente
    Foi propor-lhe um contrato:

    -Oiça, tartaruga querida,
    Não viva assim agastada
    Olhe que se for treinada
    Até me vence à corrida.

    A outra ligou o radar
    Que aponta da carapaça
    E quis logo experimentar
    Se era verdade ou trapaça…

    A lebre, lá viu partir
    A tartaruga apressada
    E sem lhe dizer mais nada
    Fingiu que estava a dormir.

    Quando ela ia a chegar
    À meta pré combinada
    A lebre foi devagar
    E deixou chegar à frente
    A tartaruga cansada
    Que apesar de enganada
    Passou a viver contente!

    Eduardo

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    Respostas
    1. :)) Já li esta peça do seu Fabulário no meu próprio correio, por isso já venho a sorrir! Está outra delícia! E, caramba! é uma perfeita metáfora para muito boa gente! Acho que até serve perfeitamente para descrever uma boa parte do que está a acontecer com os povos da Europa! Isto pode ser a minha imaginação galopante a deitar as asinhas cá para fora, mas olhe que não me parece, de todo, que esteja muito enganada naquilo que digo...
      Quanto ao que vai restando da minha saúde, não me sinto nada melhor, meu amigo. Claro está que já vou conseguindo alinhar umas frases e já não estou com os famigerados 40º, mas a barriga continua muitíssimo avariada, a febre não desapareceu de todo e as dores no corpo parecem ter vindo para ficar...
      Enfim, mais uns dias "de molho" - trago esta expressão carinhosamente desde o meu pai, que a adorava! - e pode ser que eu volte a conseguir passear o Kico sem parecer uma ET, toda encapuçada e a tremelicar de frio...
      Muito obrigada por mais este momento de saudável entretenimento e excelente poesia!
      Abraço grande para todos vós! :)

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    2. A ALTERNÂNCIA

      Se a este nobre povo
      Chamam de acomodado
      Fico eu desconsolado,
      De tristeza me comovo…

      À beira mar plantado
      Na esperança dum mundo novo
      Deste ocidental covo
      Ele partiu p´ra todo o lado.

      Agora aqui encolhido,
      Por tanto constrangimento
      Não fazer muito sentido

      Já arranjou soluções:
      Alterna bosta e excremento
      Em constantes eleições.

      Eduardo

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    3. Navegar era preciso
      Mas vai sendo necessário
      Fazer desse paraíso
      Um mundo novo, ao contrário...

      Porque do outro "admirável"
      Que o velho Russel escreveu
      Basta o eco abominável
      Que a memória não esqueceu...

      Estou num dos meus dias maus;
      Terá de me perdoar
      A pobreza destes versos

      Não rimo "pedras" com "paus"
      - já nem sei se sei rimar
      nestes dias mais adversos...


      Desculpe-me a pobreza das rimas, amigo Eduardo.
      Reconheci o seu ritmo logo na primeira estrofe. E não estava à espera porque já tinha "conversado" consigo hoje...
      Um abraço muito grato!

      Maria João

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  29. SERÁ QUE É POR PREGUIÇA?

    SONETILHO (em contraponto ao do Pedro «Das cinzas renascido»)

    Já foi grande a demora
    Deste povo humilhado
    Mostrar que está cansado
    Não creio que chegue a hora

    De dizer não ao malvado
    Que com canção redentora
    E arenga enganadora
    Vai pisando o espezinhado.

    Tem o povo o que merece,
    Não vai ter melhor justiça…
    Vendo bem, até parece

    Que provou e que gostou.
    Ou será que é por preguiça
    Qu´inda não se libertou?

    Eduardo

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    Respostas
    1. Olá, meu amigo Eduardo! :)
      Talvez seja por preguiça ou porque alguns ainda imaginam que têm alguma coisa a perder... imaginam muito mal, mas enfim... privilegiam aquilo que ainda vão tendo e são incapazes de entender que o mundo deve continuar para além das suas próprias existências...

      Há, porém, tantos que acordam
      E que, vendo o precipício,
      Vão tremendo mas concordam
      Que a vida é só sacrifício...

      E lá vão sendo empurrados
      Sem saberem que fazer
      Como tantos desditados,
      Sem questionar o Poder...

      Maldizem a estranha sorte
      Que lhes traz tão triste fim
      De forma tão camuflada...

      Sabem-se à beira da morte
      Mas vão dizendo que sim
      E não fazem mesmo nada...


      Um abraço para si e toda a família, meu amigo!

      PS - O meu abraço "familiar" é sempre extensivo à D. Laura e à poetisa Maria Vitória, claro! :)

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  30. Respostas
    1. Mas tem de ser quentinho que eu tenho, outra vez, a malvada febre a subir...

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  31. “Expansão da mente”

    Uma nova ideia na mente
    Provoca a sua expansão
    Einstein não se apoquente
    Que a malta também não

    A malta anda demente
    No meio desta confusão
    E de forma permanente
    Tem a mente em contracção

    Que de tanto a mente abrir
    Às novas ideias aprovadas
    Mente acaba por se confundir

    E o corpo só leva porradas
    Tantas que acaba por expandir
    Mente expande é com pauladas.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. :))

      Não me parece que a mente
      Possa expandir-se à paulada...
      Vejo até, contrariamente,
      Que está muito atrofiada

      E se quem cala consente,
      Eu cá não fico calada
      Porque a mente só nos mente
      Se for bem manipulada...

      Eu gosto mais de "sentir"
      Mas não nego o pensamento
      Na sua imensa amplitude

      E quanto à mente "mentir"...
      Só por falta de alimento
      Ou por excesso de virtude... :))


      Olá, Poeta! Com mais febre mas ainda a escrever...
      Até já!

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  32. “Relativamente”

    Ergo a taça ao Alberto
    Que lá na sua cidade
    Com seu espírito aberto
    Fez nascer a relatividade

    Viu a velocidade da luz
    Ao quadrado vezes massa
    Que uma energia produz
    Na qual o tempo não passa

    Não envelheces portanto
    Se com o Alberto viajares
    Embarcarás na fissão nuclear

    Não faças esse ar d’espanto
    Bastará para o comprovares
    Que olhes o espelho ao chegar.

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    Respostas
    1. Também lhe ergo a canequinha
      Sem me espantar mesmo nada;
      Conheço a fórmulazinha
      Da minha época doirada

      Pois era muito pequena
      Quando o meu pai ma explicou...
      Olhe que valeu a pena
      Ser o pai de quem eu sou! :))

      Isto da luz e da massa
      Tem muito que se lhe diga
      E é, decerto, fascinante...

      Mesmo quando o tempo passa
      A memória mais antiga
      Mostra o que é mais importante!


      :)) Coitado do meu pai que já se foi há tantos anos... mas foi um excelente pai, sabe? Para uma gaiata estranha como eu sempre fui, era uma maravilha! Ficávamos os dois dias inteirinhos a conversar destas coisas... se eu fosse mais vulgar, talvez nunca o tivesse sabido compreender... mas tivemos sorte os dois...

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  33. Respostas
    1. Haja alguma coisa diferente, Poeta! Eu continuo muito "xôxa"... nunca mais me passa esta porcaria!

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  34. “Neoliberalismo”

    Houve óbitos excessivos
    Embora ninguém ajuíze
    Se é porque estavam vivos
    Ou se é por causa da crise

    Um dia virá a estatística
    Fazer uma profunda análise
    Que a realidade não belisca
    Alguns faziam hemodiálise

    Outros contraíram infecções
    E uma virose atacou forte
    Não chegaram as injecções

    Pr’acorrer a tanta morte
    E sem cair em contradições
    Pr’alguns foi falta de sorte.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas se essa "falta de sorte"
      Pudesse ter-se evitado,
      Se fosse adiada a morte,
      Bom seria o resultado...

      Digo eu e diz qualquer um
      Com dois dedinhos de testa
      Que a mortandade incomum
      Já vai sendo o que nos resta!

      Um já deixou de tomar
      O anti-hipertensor
      Que não podia comprar;

      Esta coisa da tensão
      Pode não causar-lhe dor...
      Mas logo o leva ao caixão!


      Poeta, só os técnicos de saúde que estejam completamente alheados - e alienados! - do que é viver com 200 ou 300 euros por mês - não falo de mim que nem a 200 chego - é que não confirmarão que muitíssimos doentes deixaram, há meses, de tomar as medicações que lhes permitiam sobreviver às patologias crónicas que tinham. E às agudas, também! Se eu não tivesse recebido o meu vale na 2ª feira, acha que eu poderia ter comprado os antibióticos, a acetilcisteína e o paracetamol? Ora eu não sou a única mortal portuguesa que está a viver muitíssimo abaixo do limiar da pobreza... além do mais, já vi - seria perfeitamente espantoso que mais ninguém tivesse visto! - doentes, nas farmácias, a fazerem contas ao pouquíssimo que poderiam comprar de medicamentos que eu estou perfeitamente consciente de serem indispensáveis à sua sobrevivência. Muitos deles nem sequer saberiam distinguir o que lhes seria mais vital, mas eu tenho o azar de estar consciente destas coisas... por isso já estava mesmo, mesmo a ver que, mais tarde ou mais cedo, haveria um Boom de mortalidade entre os doentes crónicos... tudo isto tem a ver com o tal "efeito cumulativo" de que eu ando há muito a falar. O período que medeia entre a supressão da medicação, somada à alimentação deficiente e ao frio, e a morte, é muitíssimo mais curto nos idosos que, na sua quase totalidade, têm patologias crónicas de variável gravidade... sendo que todos - TODOS - os casos de hipertensão são graves e a supressão da toma dos anti hipertensores faz desenvolver, num curtíssimo período de tempo, um aumento da TA que é fatal na esmagadora maioria das crises que não são atempadamente socorridas. E este "atempadamente" pressupõe um amparo e um cuidado constantes a que muitos, muitos idosos e doentes crónicos não têm acesso. E este é apenas um exemplo porque ao nível das dislipidémias, por exemplo, o resultado virá a ser o mesmo, embora com um período de latência bastante mais prolongado.
      Abraço e até já!

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  35. “Sociedade nossa”

    Sociedade em que vivemos
    É a sociedade que criamos
    É aquela em que morremos
    Em que os cifrões adoramos

    Venha a nós o vosso dinheiro
    Que estou muito necessitado
    Por esse deus sou o primeiro
    A colocar o amor de lado

    Na sociedade sem amor
    Tudo funciona sem defeito
    Não há pinga de ansiedade

    És um número e vou supor
    Que andas muito satisfeito
    Três vivas à nossa sociedade.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Nunca adorei os cifrões
      - nem eles me adoram a mim :)) -
      Nem quis saber de milhões
      Ou de outros luxos assim...

      Se estou nesta posição
      De tanto denunciar
      Não será pelo cifrão
      Que jamais irei ganhar

      Mas sim porque a consciência
      Me não deixaria em paz
      Se eu, vendo, não me opusesse

      A esta humana indecência
      De um capital incapaz
      De dar pão a quem merece!


      Ah, Poeta... até me deixei empolgar por este... bem... pelo outro também :))
      Abraço grande! :)

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