ESSE LOUCO GALOPE DO CORCEL DAS PALAVRAS...
Prenúncio da vontade em gesto vago,
Vai-me descendo a mão sobre o papel
E sinto que me invade o tal corcel
Da singular magia desse afago!
Dele me nasce a palavra; o resto, trago
Dentro de mim, gravado com cinzel,
Por baixo desta minha humana pele
Onde o tempo, ao passar, fez tanto estrago
Mas que me importa a mim que o tempo passe
Se dele surge a palavra, irrompe a frase
Que justifica o esforço da corrida?
Não fosse esse o corcel que eu cavalgasse
E – quem sabe? - o poema me ignorasse
E eu perdesse o sentido à própria vida.
Maria João Brito de Sousa – 23.02.2012 – 18.47h
Imagem retirada da net, via Google
“Dona banca”
ResponderEliminarDas tristezas alegrias
E das tripas coração
Assim vão nossos dias
Embora digam que não
Os milhões são p’rá banca
Para nós são os centavos
Que saudades da D.Branca
Não ficava p’los alinhavos
Era a banqueira do povo
Com uns juros à maneira
Nunca se viu noutro lado
Agora no tempo novo
Vai-t’embora ó banqueira
Povo quer-se amedrontado.
Prof Eta
O truque dela era o mesmo
EliminarE eu vi muito boa gente
Empatar dinheiro a esmo
E ficar muito contente...
Mas, deste sono que tenho,
Não sairão grandes versos...
Estou quase a "serrar o lenho"
Sobre os caracteres dispersos
Num teclado que mal vejo,
Sentada em madeira pura
Só por pura teimosia...
Talvez não caia... fraquejo!
A cadeira, embora dura,
Já de cama serviria!
Não estou muito segura de ainda conseguir responder ao próximo, Poeta... esta descrição "sonetilhal" - de neologismos, gosto muito! - foi muitíssimo fiel à minha pontual realidade... :)
Abraço grande!
“25”
ResponderEliminarMaior que o pensamento
Maior que tod’a saudade
25 anos foi um momento
Mas pareceu a eternidade
Traz outro amigo também
Para escutar sábia melodia
Venha quem vier por bem
Num e noutro e noutro dia
Tod’a primazia à palavra
Que o nobre ideal traduz
Seja lei a fraternidade
Consigamos nesta lavra
Sementeira que não reduz
Cada irmão à obscuridade.
Tão maior que o pensamento
EliminarQue, tanto quanto senti,
Ontem à noite, sustento,
Ele estava connosco, aqui!
Renasceu em todos nós
E, por momentos, garanto
Que,através da sua voz,
Vibrava, ao vivo, o seu canto!
Assim, dessa estranha forma
Que não consigo explicar,
Venceu, da morte, a tal lei
E, já liberto da norma,
Continua a militar
Mais do que eu conseguirei!
Poeta, o Zeca é, para muitos, muitos portugueses, um cantautor que nunca morrerá!
Eu que, nessas coisas, até sou bastante pragmática, tive a nítida sensação de o estar a ouvir ao vivo. Foi uma coisa espantosa, pelo menos para mim...
Abraço grande, Poeta! Zeca, sempre!
Temos chá a três., aceita?
ResponderEliminarAceito sim, Poeta! :)
EliminarEstou é novamente atrasada... mas também gosto do chá frio... :))
Linda imagem deste grupo de corcel
ResponderEliminarE o soneto... lindo!
Como está, td bem?
Olá, Vera! :)
EliminarSe eu te responder que me sinto fisicamente bem, vou estar a mentir... e muito! Acho que apanhei uma gripe em cima das "mazelas" crónicas do costume... mas como vais tu? Eu tenho sido muito mal comportada nestas coisas de visitar os amigos, eu sei! Aqui há tempos, passei pelo teu blog e ele estava privado... também é verdade... :)
Espero que estejas bem!
A foto foi "roubada" da net... eu nem sequer tenho memória no meu telemóvel para tirar mais fotografias... e é um telelé velhote, com o teclado todo encravado. Muito menos me ando a passear por aí, amiga... as coisas, por cá, vão mazitas...
Um abraço grande!
Agora estou melhor.
EliminarJá estive pior com a morte de minha mãe, às vezes ainda choro muito de saudades.
Depois disso tive um surto como aquele que tive em Portugal, aliás não sei se é surto, delírio, mas tive também novamente premonição e esta foi sobre minha mãe que ia falecer. Foi muito difícil pra mim pq fiquei calada sem dizer nada pra ninguém, só mesmo depois que aconteceu. Agora, ainda estou sob medicação. Se Deus quiser vou melhorar e pretendo fazer novamente outra viagem à Portugal no mês de julho.
Um abraço
Espero que tenha dado tudo certo com você.
Eu sei bem como custa, amiga. Ainda me vou lembrando muito da minha e até, cada vez mais, do meu pai que já partiu há 25 anos! Cada vez avalio melhor a riqueza que foi ter um pai tão virado para a ciência e para as letras... um homem com os seus defeitos, como todos nós, mas extraordinário no que tocava a transmitir conhecimento sem impor coisa nenhuma.
EliminarTenho a certeza de que vais sentir-te melhor com a passagem do tempo. Nós não agradecemos ao Tempo mas ele é um grande amigo no que toca a sarar as feridas da alma.
Hoje estou contente porque veio cá um técnico do Oeiras Está Lá! - um serviço prestado pela Câmara de Oeiras aos munícipes idosos, pobres ou doentes - e ele lá conseguiu por-me a televisão a funcionar, com uma antena interior. Para quem estava em casa, sem qualquer contacto, sabe muito bem! E olha que eu nunca fui uma daquelas pessoas que estão sempre agarradas à televisão. Mas gostava de ver o telejornal, um ou outro programa e um filme, de vez em quando...
Beijinho, Vera!
Cházinho frio está servido.
ResponderEliminarJá lá estive... mas hoje não pode ser muito frio. Toda eu "tremelico" de febre... :(
EliminarEntão aqueça-o bem e vá-se agasalhar, boa noite e as melhoras.
EliminarAté amanhã, Poeta!
Eliminar“Mimos na escuridão”
ResponderEliminarO barco é um e um só
O mal que me reservas
De ti também tenho dó
Pelo que terás nas trevas
Se me queres asfixiar
Toma lá muito cuidado
Não possa faltar-te o ar
Por estar contaminado
Quem te avisa é amigo
Vêm tempos de escuridão
Começa já a preparar-te
Que eu cá não consigo
Depois estender-te a mão
Estando a pontapear-te.
Prof Eta
O meu barco não mudou
EliminarNem se curva o timoneiro
Porque a borrasca abalou
O seu casco, todo inteiro!
Sei que as ondas se revolvem
Em torno de que quem naufraga,
Que em mil perigos se dissolvem
Anseios de alcançar "plaga"
Porém se a tripulação
Foi lançada à sua sorte
Sem esperança de sobrevida,
Que mais quer o capitão
Senão segui-los na morte
Que a ele lhe for concedida?
Até já, Poeta... ainda fiz este...
“Revolução em torno do eixo”
ResponderEliminarMundo em transformação
Às voltas do eixo a rodar
Não chegou à revolução
Só porque roda devagar
Mas dá muitas revoluções
Deixando-nos cá a pensar
Se são apenas rotações
Como se irá transformar?
Não sabemos a resposta
Mas a terra no-la irá dar
Porque esta insatisfação
Não se fica pela proposta
Algo vai ter que mudar
Chegue a revolução ou não.
Todo o seu significado
EliminarSe encontra na explicação
Do Poeta ter contado
O que é a Revolução
Porque, de tudo que diz,
Nos surgem revoluções
E, às vezes, um aprendiz
Desconhece outras razões...
Por isso, a verdade é esta;
O que irá sair daqui
Ninguém nos sabe dizer
E outra coisa nos não resta
Senão esperar que ela, em si,
Nos queira, então, receber...
Este saiu nem sei como, Poeta. Não me sinto nada bem e estou com febre, apesar do paracetamol. Suponho que seja uma simples virose mas, em cima do resto, faz mossa...
O Kico também voltou a sujar-se todo e eu não garanto que consiga responder a mais algum sonetilho...
Abraço grande!
Parece que desta vamos conseguir concretizar, da outra vez não havia tempo.
ResponderEliminarDe poetazarolho a 24 de Fevereiro de 2012 às 22:34
Perdão era toalha pintada. Será chá a três em que todos aparecem ? Esteve quase para acontecer, combinaremos data, hora e local e se houver comum acordo bebemos e cavaqueamos !?
De M.Luísa Adães a 25 de Fevereiro de 2012 às 09:49
Vamos combinar dia e hora e seremos três.
Abraço,
Mª. Luísa
Estou quase com 40º de febre... é melhor não fazerem planos de curto prazo para mim.
Eliminarabraço.
Não há ainda e terei sempre que falar consigo antes da combinar, a seu tempo.
EliminarCheguei agora do Centro de Saúde. A médica do hospital só disse que era infecção grave mas a do CS disse que é mesmo broncopneumonia bilateral. Estou que não me aguento.
EliminarAbraço. Mal consigo escrever.
O chá a três hoje é às três.
ResponderEliminarEspero que esse corcel continue a cavalgar,
ResponderEliminarPois enquanto assim for
Continuarei a ler e a adorar
O que escreves com tanto amor ;)
Por agora estou "de molho", Paper. Cheia, cheia de febre.
EliminarBjo!
Isso está mesmo mau :/
EliminarAs melhoras Maria... Se precisares de alguma coisa, no que eu puder ajudar, conta comigo :)
Amiga Maria João de Sousa
ResponderEliminarNão lhe peço desculpa pela insistência neste longo fabulário, uma vez que manifestou agrado pelo tratamento que eu lhe dei.
Se esse agrado corresponder a uma percentagem ínfima do meu apreço pelos seus sublimes sonetos, sentir-me-ei bem compensado.
Só hoje lhe dei notícias nossas porque temos estado em Alcácer do Sal, ao serviço dos nossos netos e lá não temos Internet. Desisti dela para fazer face à medidas de contensão impostas por um «coelho». Esta fábula não lhe agrada, segundo creio. A mim também não.
Eu e minha esposa desejamos-lhe um fim de semana tão bom quanto possível. Um abraço de amizade
Eduardo.
A raposa e o corvo
O negro corvo, cansado,
Por um dia de trabalho
Lamentava-se irado,
Lá do alto do seu galho.
Porfiou e só achou
Belo queijo reluzente
Que nem sequer provou
Por ser comida de gente
Mas ao ver vir a raposa
Que tinha ido caçar
Apesar de ser manhosa
Pensou logo em a lograr…
- Olhe lá, comadrezinha
P´ra este belo manjar
Se quiser posso trocar
Por um galo ou uma galinha.-
A raposa nem pensou
No que o corvo propusera
Pacóvio como ele era…
É claro que aceitou.
Só quando foi p´ra partir
A bola aborrachada
E ouviu o outro a rir
É que se viu enganada...
Zangada, com ar sisudo,
Foi logo ter com o gato
E para não perder tudo,
Trocou o queijo por um rato
Eduardo
Meu amigo Eduardo, vim à procura de qualquer coisa que a memória - nebulosíssima, nestes últimos tempos! - teimava em sussurrar-me ao ouvido que tinha ficado para trás... e deparo-me com esta maravilha! Adoro este seu fabulário! Adoro tanto mais quanto me sinto perfeitamente incapaz de fazer qualquer coisa semelhante! Que maravilha! Olhe que estou a ser sincera, do fundo do coração! Que sorte a dos seus netos! Estes seus poemas devem fazer as delícias dos dois mais velhinhos! Lá chegará o tempo do Henrique que ainda é muito pequenino para se deixar encantar por palavras.
EliminarAgradeço-lhe, mais uma vez, por se lembrar de mim e envio o meu abraço - ainda febril... - extensivo à sua esposa.
Maria João
PS - Penso que já saiba que estou a braços com uma broncopneumonia bilateral, razão que me levou a nem sequer conseguir ler muitos dos sonetilhos que o seu Pedro me enviou. Eu bem tentava, mas parece que a minha pouca inteligência "mirra" com a febre e não conseguia descodificar nada do que estava a ler... é assustador, acredite! E só agora começo a conseguir "enfrentar" a poesia porque nos textos mais complexos de prosa ainda continuo a dispersar-me e a perder-me ao longo dos raciocínios...
“Portão arrombado”
ResponderEliminarO portão foi encerrado
Velha crise fica lá fora
Compadrio foi erradicado
Nomeado vai-te embora
Gestão danosa terminou
Já não trafico influências
Ficamos a saber que sobrou
Doutoramento em ciências
São as ciências da ilusão
De catedra vão governar
Num país mal amado
Combatem a corrupção
Sem nunca a erradicar
O portão foi arrombado.
Prof Eta
“Imaginação”
ResponderEliminarVós que lá do alto falais
Nós escutamos com atenção
Vós bem que vos explicais
Tentamos perceber, mas não
Nós imaginamos a evidência
O que evidencia imaginação
Falais bem, com clarividência
Tentamos imaginar, mas não
Descei cá abaixo amigos
Falai aqui a esta multidão
Descestes ou falastes? Não
Abandonados como mendigos
São milhares que aqui estão
Conseguis ver ou imaginar? Não.
Se eles o sabem, não entendem
EliminarOu não querem entender
Porque as tretas que "nos vendem"
Só servem para entreter
Quem tenta, em boa verdade,
Lutar contra o que lá vem
E alcançar a liberdade
Por mal, se não for por bem...
Todos vamos percebendo
Que alguns de nós não desistem
De gritar tanta injustiça
Dentre os que vão perecendo
Sobram sempre os que resistem
E se vão fazendo à liça!
Descobri este, perdidito... e lá me saiu a resposta, apesar de não me estar a sentir nada bem. Vou ver se descubro onde pertence...
Hoje o chá é mais longe por isso informo mais cedo.
ResponderEliminarhttp://cha_a_tres.blogs.sapo.pt/
Poeta, os parâmetros das minhas análises e rx estão muito, muito maus. É infecção bacteriana e não viral. Continuo com muita febre, estou desidratada e não consigo comer nada de nada. Nem consigo escrever, desculpe. A febre é muit e cheguei agora do hospital.
EliminarAbraço grande!
É preciso é que melhore, vou suspender a publicação de sonetilhos por 2 ou 3 dias ou até que me diga que se sente melhor. Melhoras rápidas.
EliminarNo corcel que ganha força
ResponderEliminarna força da corrida
corrida a galope nesta vida
O galope deve abrandar
para poder apreciar
a grandeza do momento
Momentos de ternura,
momentos de brandura,
momentos de mudança
e momentos onde o que engrandece é a esperança!
LMaria
Obrigada pela partilha de suas palavras =)
Poeta, estou completamente incapaz de escrever. A radiografia e as análises deram parâmetros de infecção muito, muito forte, não viral mas bacteriana. A minha febre chega a rondar os 40º e também estou desidratada... e o pior é que não consigo comer mesmo nada de nada porque tenho vómitos quando tento comer.
EliminarUm abraço grande e desculpe mas não dá mesmo.
Olá! Não sei se o comentário era para mim, uma vez que me chamou poeta!
EliminarGostei, aliás adorei, mas não sou poeta =)
Espero que melhore rápido, e descanse muito pois deve estar a precisar. Esperamos pelo seu retorno e em forma.
Um beijinho LMaria ou Golimix
Desculpe, Golimix. Eu já nem sei bem o que faço. Não me parece que este antibiótico esteja a dar grande resultado pois cada vez estou mais prostrada e tenho mesmo que tratar os animais. Vim só avisar que é broncopneumonia. Obrigada. bjo.
EliminarNem acredito... escrevi o mesmo duas vezes seguidas e custa-me tanto escrever...
ResponderEliminarÉ preciso é que melhore, vou suspender a publicação de sonetilhos por 2 ou 3 dias ou até que me diga que se sente melhor. Melhoras rápidas.
EliminarA infecção é das graves e eu sinto-me muito mal mas vou ter de ir hoje ao Centro de saúde porque, embora tivesse sido bem observada, a médica esqueceu-se de ver o INR... e ele altera-se muito por situações metabólicas, como febre e parâmetros de infecção. Já nem me aguento, continuo sem conseguir comer, agora surgiu diarreia... nem sei.
EliminarAbraço!
M. João
EliminarDá noticias, se possível! Me inquietas com essa febre. Parece uma crise!
Mº. Luísa
Amiga, é mas é uma broncopneumonia dupla e eu não me sinto nada bem. É com muito esforço que escrevo e mal percebo o que leio. Vou ter de ir aos correios e nem sei como.
EliminarBeijinho grande.
Amiga,
EliminarVai ao hospital e se ficasses lá, por uns dias, seria o ideal.
Não podes andar na rua! Pede ajuda à Igreja
e reconhece em ti que precisas dessa ajuda.
"Possa Deus voltar O Seu Rosto para ti"...
Mª. Luísa
Amiga, voltei aqui com sacrifício. Até entender o que leio se torna um esforço imenso... já fui ao hospital, no Domingo, e foi lá que eu fiquei a saber que tinha uma infecção grave porque me fizeram rx e análises. Não é gripe, é mesmo broncopneumonia bacteriana.
EliminarEu reconheço que uma ajuda me faz falta mas, da última vez que estive sem poder andar, disseram-me que para me virem trazer o almoço ou fazer qualquer coisa, teriam de me cobrar uma prestação financeira e eu cada vez vejo desaparecer mais rapidamente os poucos euros que recebo por mês. Mal dão para metade das contas fixas e os alimentos dos animais.
Quanto ao internamento hospitalar, neste estado, mesmo tendo horror a internamentos, até acredito e sinto que seria o ideal para mim, mas parece-me que eles só estão a internar quem está mesmo "mais lá do que cá" e tem um suporte familiar que garanta uma saída rápida. Tens a noção da quantidade de pessoas que têm morrido este ano nos hospitais? Tem sido uma verdadeira razia que já se expressa nas estatísticas como nunca antes aconteceu... mas isto que eu tenho não é gripe, minha querida amiga. É mesmo infecção bacteriana com neutrofilia, linfopenia e uma pcr de 13! Mais; estava desidratada e nem sequer aproveitaram para gastar um balãozito de soro no cateter que me deixaram quando me tiraram sangue. Claro que me foi recomendado que bebesse muitos líquidos, mas isso já eu sei muito bem.
O antibiótico também não seria o que eu recomendaria a alguém, diante de um quadro clínico tão exuberante, mas penso que a Amoxicilina com Ácido clavulânico faz parte da "chapa 4" das urgências hospitalares... mais a mais porque a diarreia, em qualquer pessoa, acaba por reduzir a absorsão dos antibióticos "per os". Eu, que não sou médica, teria ponderado todos esses factores perante uma infecção tão grave... mas isso sou eu que, não sendo médica, tenho um profundo respeito por todas as vidas e me estou nas tintas para as restricções que estão a ser impostas na admissão de doentes em regime de internamento e nas moléculas activas prescritas nos receituários. E garanto que nem sei como consegui escrever tanto... até mexer um dedo me é doloroso. Mas acaba de me bater à porta uma vizinha que me trouxe leite, pão, um bolinho, dois yogurths e margarina. Ontem, outra vizinha, trouxe-me uma panelinha de sopa. Um outro senhor que é coronel, também me ajudou muito no primeiro dia e acabou por me levar ontem ao centro de saúde. O filho da vizinha que me trouxe a sopa, também me levou ao hospital... sinto-me muito grata a todos mas quase me vejo como um "mal repartido por muitas aldeias"...
As minhas duas amigas de café também adoeceram em simultâneo, imagina!
A prostração em que estou só me permite uns passinhos à custa de um esforço de vontade que me deixa capaz de sucumbir de exaustão.
E já foi muito, muito o que aqui te deixei escrito.
Obrigada por te preocupares comigo e um enorme abraço.
Amiga
EliminarEu não posso fazer visitas e andar de automóvel e hoje já escrevi demais e meu
ombro está a dar sinal. Desculpa
M.L.
Deixa estar, amiga! Não te esforces mais porque eu sei bem que não podes.
EliminarVou ter de me deitar. Já não aguento este esforço de ler seja o que for. Beijinho.
Agora só sirvo chá. Melhoras.
ResponderEliminarM. João
ResponderEliminarLindo o teu Corcel das Palavras.
E também venho saber de ti. Hoje não te encontrei e me admirei. Que se passa?
Maria Luísa
Amiga, estou com broncopneumonia dupla. Não me sinto nada bem, tenho muita febre e quase nem consigo entender o que leio... desculpa mas não consigo estar aqui.
EliminarEspero que o teu pé já esteja bom. Abraço grande.
Um chá com o Dr.Honoris Causa.
ResponderEliminar“A morte sem máscara”
ResponderEliminarRealidade não aceita máscara
Porque é real e descarada
Não esconde a nossa cara
Nem nossa alma asfixiada
Asfixiada pelo cheiro a morte
Dos nossos irmãos tombados
Por não terem melhor sorte
Ao fim do mês uns trocados
Não foi a fome, foi o vírus
Circula com maior intensidade
Nem foi falta de medicação
Temos que arranjar antivírus
Para combater a insensibilidade
Que reside no nosso coração.
A troika abalou sem tomar chá.
ResponderEliminarPoeta, eu estou mesmo muito burra... não entendo nada do que leio, mas acho que esta troika somos nós os três, não é? Eu, o Poeta e a Maria Luísa...
EliminarA troika está no blog,
Eliminarhttp://cha_a_tres.blogs.sapo.pt/
Nós somos outra troika.
Desculpe... acho que esta pneumonia me deixou atrasada mental... mesmo. sinto-me estranhíssima...
Eliminar“Mamocas”
ResponderEliminarDas mamas à governação
Vai um lapso momentâneo
Que o diga Bernardo Bairrão
Teve um lapso consentâneo
No governo quase a entrar
Olhando pr’as mamas da Rita
Com vontade de as apalpar
Só o músculo se lhe arrebita
Mas sem mamas e sem tacho
Com o olhar se contentou
Sabem o que é que eu acho
Que as mamas não apalpou
Ficou com outro mamarracho
Mas do tacho algo sobrou.
Prof Eta
Fui ao Blog Not a ver se entendia de quem eram as tais mamocas... mas continuo sem forças nem coordenação para escrever seja o que for.
EliminarAbraço grande, Poeta.
Querida poeta, como estás?
EliminarEstou tão preocupada por estares aí sozinha....
Quem te dá o almoço , jantar?
Quem te compra os remedios?
Quem? Quem?
Quereria ser um cavalo alado para te ajudar!beijinhos e as melhoras!
Minha Ligeirinha, o pior são os meus velhotes animais que andam muito descurados e me vão deixando o chão num estado... enfim... há duas senhoras, cá do prédio, que me têm trazido sopa, leite, pão, bolo, margarina, bolachinhas... senhoras a quem fico muitíssimo grata e cuja amabilidade nunca poderei pagar. As minhas duas amigas de café também adoeceram em simultâneo, imagina... nem sei se já te disse isto porque a minha cabeça está a condizer como o corpo e eu mal consigo escrever ou perceber o que está escrito porque me perco ao longo do sentido das frases...
EliminarVou ver se telefono à minha filha do meio para ela me ajudar com as areias dos gatos e com os detergentes mais pesados. Para além da broncopneumonia, há uma ... duas! razões de peso para eu não conseguir mexer-me quase nada; tenho duas belas hérnias discais na coluna cervical e daí a dificuldade em mexer braços e pernas.... acho que já não presto mesmo para nada... neste momento, nem sequer para escrever. Umas palavrinhas e parece que fiz um esforço de horas e horas de escrita... mas não te preocupes que, pelo menos a bactéria, eu hei-de vencer! Põe-te tu boa depressa! Beijo grande que eu tenho mesmo de me voltar a deitar.
Mª. João
ResponderEliminarSei que o problema continua, só não sei se te estás a tratar.
Precisas de mim? Diz com sinceridade!
Melhoras e se possível, tu ou alguém que escreva por ti,
Mª. Luísa
Amiga, estou medicada e a fazer pela vida contra esta bactéria maluca. Pedi a uma das minhas filhas que me desse uma ajuda com as areias dos gatos - não posso nem nunca mais poderei carregá-las, mesmo com o carrinho - e com alguns detergentes que me estão a fazer mais falta e também com alguma medicação que já não me sinto com forças para ir buscar. Agradeço-te do fundo do coração, mas penso que ainda sobrevivo a mais esta. Há pouco cheguei mesmo a publicar no http://contra-sensual.blogs.sapo.pt/ , num impulso... nem sei como o consegui fazer porque tudo me deixa numa prostração imensa, mas lá o publiquei...
EliminarMuito obrigada e um enorme abraço!
Obrigada amiga por te ser possível dar notícias e eu fico mais descansada.
EliminarUm abraço e as melhoras
Mª. Luísa
Hoje é chá da meia-noite.
ResponderEliminarPara mim, vai ser chá do meio dia... mas que mal que me estou a sentir, caramba! Agora até tenho vómitos!
EliminarMas eu vou lá!
“Novos pobres”
ResponderEliminarOs novos-ricos criámos
Endinheirados pela CEE
Mas os fundos esgotámos
Para verem como isto é
Há agora os “novos pobres”
Com certificado presidencial
Que nunca chegarão a nobres
E cujos filhos passam mal
Não aguentam a austeridade
Mas muita mais aí vem
Com certificado internacional
Não sejas piegas nem alarde
Senão consegues passar bem
Faz favor de passar mal.
Prof Eta
Poeta, hoje estou um bocadinho pior do que ontem. A barriga está uma desgraça e a tosse piorou bastante. Eu bem queria começar a poetar mas tenho a impressão de o meu raciocínio está cada vez mais "nebuloso"... vou tentar, mas acho que me vou arrepender...
EliminarEu, ceifeira de poemas
E operária de rimas mil,
Confrontada com problemas,
Quase me sinto senil...
Se ontem me senti melhor,
Hoje torno a piorar
E, neste febril torpor,
Mal consigo protestar...
Mas gostaria de ver
Nosso "primeiro" a passar
Metade do que eu passei...
Era só pr`a perceber
Se é homem pr`a s`aguentar
Como eu, mulher, m`aguentei!
Bem... lá saiu, mas garanto-lhe que estou pior do que ontem. Talvez seja porque está mais frio... bjo!
Obrigada pelas tuas noticias,foram anteriores ao meu telefonema. Agora as de hoje não são lá muito boas, com vomitos....será do antibiotico? A tua filha já aí foi? Desculpa lá , mas não é só de areia para os gatos que tu precisas....precisas de mais , que cuidem de ti!!!! Pede-lhe!!!! quando puderes vai ao Ligeirinha pois eu sem ti não sou nada.... Beijinhos e as melhoras!
ResponderEliminarTadinha!!! Esqueci-me de ir ao teu cantinho!!! Não leves a mal porque eu acho que a minha cabeça - que já é meia distraída - deixa de funcionar quando estou mais doente.
EliminarBeijo grande!
O chá hoje é molhado.
ResponderEliminarVou já, já, Poeta! Por aqui já parou a chuvinha... e faz tanta falta!
Eliminar“Das cinzas renascido”
ResponderEliminarGovernação dos falidos
Executada por agiotas
Não têm entes queridos
Consideram-nos idiotas
A quem tudo podem sacar
O que parece ser verdade
Não se importam de matar
Em nome da austeridade
Única verdade salvadora
Dum povo que foi tentado
Por tanto prazer proibido
Mas não perdem pl’a demora
Que um povo assim humilhado
Das cinzas surgirá renascido.
Em nome d`austeridade,
EliminarMuita gente já morreu
Mas, pr`a dizer a verdade,
Ela ainda não venceu!
Todos juntos somos tanto,
Conjugamos tal poder
Que no nosso humano canto
Havemos de os convencer
De sermos merecedores
De um destino bem maior
Do que aquele que nos preparam!
Hão-de ouvir-se os mil clamores
Das gargantas que ao estertor
Dos cutelos, se negaram!
Isto ainda vai muito manquito, mas já vai saindo qualquer coisita...
Abraço grande! :)
Hoje o chá está uma loucura.
ResponderEliminarServe, Poeta! Está a condizer com o estado geral do país... e do mundo...
Eliminar“Para lá do arco-íris”
ResponderEliminarVejo o grande capital
Com flores e o arco-íris
São flores do vil metal
Do pote de ouro são júris
Todo o espectro de côr
Fica cinzento de avareza
Um bilião com tanta dor
Uma dezena com riqueza
Era uma vez um planeta
Que apregoava mil ideais
Mas nenhum curava as dores
Acabou tudo na sarjeta
E não se ouviu falar mais
Nem de arco-íris nem flores.
Prof Eta
Lá vai o capitalismo
EliminarPelas ruas da amargura,
De mão dada c`o fascismo
Enquanto a "cegada" dura...
Consumiu todo um planeta
Mas faltou-lhe um bocadinho
E agora, no fim da recta,
Descobre que está sozinho...
Já tem os dias contados
E quer-nos levar com ele
Mas não há-de conseguir
Porque alguns, bem acordados,
Hão-de pendurar-lhe a pele
Num cabide a descobrir...
Sinto a agonia de todo o sistema capitalista. Acho que não é da pneumonia... há sinais evidentes do colapso. Acredito que muitos lhe irão sobreviver, muito embora saiba muito bem que ele irá "fugir para a frente" até rebentar pelas costuras! Tentará levar consigo todo o planeta, se possível for, mas eu acredito que o não conseguirá!
Abraço grande, Poeta!
“Longa noite”
ResponderEliminarFogo que arde sem se ver
Na fogueira da indiferença
Podemos estar a perecer
Mas isso não faz diferença
É nos tempos de bonança
Que se prevê a tempestade
Mas só se encheu a pança
Prometendo a modernidade
Agora recuamos mil anos
Após a invenção da roda
Vejo a revolução industrial
Mil promessas mil enganos
Mas agora já ninguém acorda
Desta longa noite ditatorial.
Muitos irão sucumbir,
EliminarOutros, sobreviverão
Cerrando o punho ao porvir,
Não querendo ser escravos, não!
Desses tantos - de momento
Sei lá eu quantos vão ser... -
Ressurgirá novo advento
Para o que der e vier
E, daquilo que fizerem
Surgirão novas raízes,
Novos troncos, novas folhas...
Pr`àqueles que sobreviverem,
Mil versos de mil matizes
E um nunca acabar de escolhas!
Estou com muitas dores de coluna, já para nem lhe falar do resto que continua mauzito... não sei se vou conseguir outro sonetilho, Poeta... mas vou ver o nosso chá a três :)
Cara Amiga Maria João de Sousa
ResponderEliminarÉ sempre um prazer ter notícias suas. Paradoxalmente, preferia que elas chegassem mais retardadas e fossem diferentes no que se reporta à sua saúde. Espero que quando acusar a recepção de mais esta peça do meu fabulário de reabilitação, desta vez da Dona Lebre, já nos diga que o mau tempo passou. Até lá , espero contribuir para alguns momentos diferentes que a sua benevolência vai retirando destas pobres rimas.
Com um abraço de amizade, também de minha esposa, que lhe deseja melhoras.
Eduardo
A lebre e a tartaruga
Tartaruga vagarosa
Para andar, tem pouco jeito.
Tem ainda outro defeito:
Mais que tudo, é invejosa.
Tem um sólido abrigo
Para o corpo resguardar
Para a livrar do perigo
Mas vive a resmungar…
Inveja os desgraçados
Que andam ao sol e ao frio,
Sempre mal agasalhados
Seja inverno ou estio
E toda esta aflição
E despeito permanente
Por ser um pouco diferente
Por andar com lentidão.
A lebre, que é de bom trato,
Mas vítima da maldizente,
P´ra ela ficar contente
Foi propor-lhe um contrato:
-Oiça, tartaruga querida,
Não viva assim agastada
Olhe que se for treinada
Até me vence à corrida.
A outra ligou o radar
Que aponta da carapaça
E quis logo experimentar
Se era verdade ou trapaça…
A lebre, lá viu partir
A tartaruga apressada
E sem lhe dizer mais nada
Fingiu que estava a dormir.
Quando ela ia a chegar
À meta pré combinada
A lebre foi devagar
E deixou chegar à frente
A tartaruga cansada
Que apesar de enganada
Passou a viver contente!
Eduardo
:)) Já li esta peça do seu Fabulário no meu próprio correio, por isso já venho a sorrir! Está outra delícia! E, caramba! é uma perfeita metáfora para muito boa gente! Acho que até serve perfeitamente para descrever uma boa parte do que está a acontecer com os povos da Europa! Isto pode ser a minha imaginação galopante a deitar as asinhas cá para fora, mas olhe que não me parece, de todo, que esteja muito enganada naquilo que digo...
EliminarQuanto ao que vai restando da minha saúde, não me sinto nada melhor, meu amigo. Claro está que já vou conseguindo alinhar umas frases e já não estou com os famigerados 40º, mas a barriga continua muitíssimo avariada, a febre não desapareceu de todo e as dores no corpo parecem ter vindo para ficar...
Enfim, mais uns dias "de molho" - trago esta expressão carinhosamente desde o meu pai, que a adorava! - e pode ser que eu volte a conseguir passear o Kico sem parecer uma ET, toda encapuçada e a tremelicar de frio...
Muito obrigada por mais este momento de saudável entretenimento e excelente poesia!
Abraço grande para todos vós! :)
A ALTERNÂNCIA
EliminarSe a este nobre povo
Chamam de acomodado
Fico eu desconsolado,
De tristeza me comovo…
À beira mar plantado
Na esperança dum mundo novo
Deste ocidental covo
Ele partiu p´ra todo o lado.
Agora aqui encolhido,
Por tanto constrangimento
Não fazer muito sentido
Já arranjou soluções:
Alterna bosta e excremento
Em constantes eleições.
Eduardo
Navegar era preciso
EliminarMas vai sendo necessário
Fazer desse paraíso
Um mundo novo, ao contrário...
Porque do outro "admirável"
Que o velho Russel escreveu
Basta o eco abominável
Que a memória não esqueceu...
Estou num dos meus dias maus;
Terá de me perdoar
A pobreza destes versos
Não rimo "pedras" com "paus"
- já nem sei se sei rimar
nestes dias mais adversos...
Desculpe-me a pobreza das rimas, amigo Eduardo.
Reconheci o seu ritmo logo na primeira estrofe. E não estava à espera porque já tinha "conversado" consigo hoje...
Um abraço muito grato!
Maria João
SERÁ QUE É POR PREGUIÇA?
ResponderEliminarSONETILHO (em contraponto ao do Pedro «Das cinzas renascido»)
Já foi grande a demora
Deste povo humilhado
Mostrar que está cansado
Não creio que chegue a hora
De dizer não ao malvado
Que com canção redentora
E arenga enganadora
Vai pisando o espezinhado.
Tem o povo o que merece,
Não vai ter melhor justiça…
Vendo bem, até parece
Que provou e que gostou.
Ou será que é por preguiça
Qu´inda não se libertou?
Eduardo
Olá, meu amigo Eduardo! :)
EliminarTalvez seja por preguiça ou porque alguns ainda imaginam que têm alguma coisa a perder... imaginam muito mal, mas enfim... privilegiam aquilo que ainda vão tendo e são incapazes de entender que o mundo deve continuar para além das suas próprias existências...
Há, porém, tantos que acordam
E que, vendo o precipício,
Vão tremendo mas concordam
Que a vida é só sacrifício...
E lá vão sendo empurrados
Sem saberem que fazer
Como tantos desditados,
Sem questionar o Poder...
Maldizem a estranha sorte
Que lhes traz tão triste fim
De forma tão camuflada...
Sabem-se à beira da morte
Mas vão dizendo que sim
E não fazem mesmo nada...
Um abraço para si e toda a família, meu amigo!
PS - O meu abraço "familiar" é sempre extensivo à D. Laura e à poetisa Maria Vitória, claro! :)
Hoje o chazinho lava a alma.
ResponderEliminarMas tem de ser quentinho que eu tenho, outra vez, a malvada febre a subir...
Eliminar“Expansão da mente”
ResponderEliminarUma nova ideia na mente
Provoca a sua expansão
Einstein não se apoquente
Que a malta também não
A malta anda demente
No meio desta confusão
E de forma permanente
Tem a mente em contracção
Que de tanto a mente abrir
Às novas ideias aprovadas
Mente acaba por se confundir
E o corpo só leva porradas
Tantas que acaba por expandir
Mente expande é com pauladas.
Prof Eta
:))
EliminarNão me parece que a mente
Possa expandir-se à paulada...
Vejo até, contrariamente,
Que está muito atrofiada
E se quem cala consente,
Eu cá não fico calada
Porque a mente só nos mente
Se for bem manipulada...
Eu gosto mais de "sentir"
Mas não nego o pensamento
Na sua imensa amplitude
E quanto à mente "mentir"...
Só por falta de alimento
Ou por excesso de virtude... :))
Olá, Poeta! Com mais febre mas ainda a escrever...
Até já!
“Relativamente”
ResponderEliminarErgo a taça ao Alberto
Que lá na sua cidade
Com seu espírito aberto
Fez nascer a relatividade
Viu a velocidade da luz
Ao quadrado vezes massa
Que uma energia produz
Na qual o tempo não passa
Não envelheces portanto
Se com o Alberto viajares
Embarcarás na fissão nuclear
Não faças esse ar d’espanto
Bastará para o comprovares
Que olhes o espelho ao chegar.
Também lhe ergo a canequinha
EliminarSem me espantar mesmo nada;
Conheço a fórmulazinha
Da minha época doirada
Pois era muito pequena
Quando o meu pai ma explicou...
Olhe que valeu a pena
Ser o pai de quem eu sou! :))
Isto da luz e da massa
Tem muito que se lhe diga
E é, decerto, fascinante...
Mesmo quando o tempo passa
A memória mais antiga
Mostra o que é mais importante!
:)) Coitado do meu pai que já se foi há tantos anos... mas foi um excelente pai, sabe? Para uma gaiata estranha como eu sempre fui, era uma maravilha! Ficávamos os dois dias inteirinhos a conversar destas coisas... se eu fosse mais vulgar, talvez nunca o tivesse sabido compreender... mas tivemos sorte os dois...
Hoje o chá está diferente.
ResponderEliminarHaja alguma coisa diferente, Poeta! Eu continuo muito "xôxa"... nunca mais me passa esta porcaria!
Eliminar“Neoliberalismo”
ResponderEliminarHouve óbitos excessivos
Embora ninguém ajuíze
Se é porque estavam vivos
Ou se é por causa da crise
Um dia virá a estatística
Fazer uma profunda análise
Que a realidade não belisca
Alguns faziam hemodiálise
Outros contraíram infecções
E uma virose atacou forte
Não chegaram as injecções
Pr’acorrer a tanta morte
E sem cair em contradições
Pr’alguns foi falta de sorte.
Mas se essa "falta de sorte"
EliminarPudesse ter-se evitado,
Se fosse adiada a morte,
Bom seria o resultado...
Digo eu e diz qualquer um
Com dois dedinhos de testa
Que a mortandade incomum
Já vai sendo o que nos resta!
Um já deixou de tomar
O anti-hipertensor
Que não podia comprar;
Esta coisa da tensão
Pode não causar-lhe dor...
Mas logo o leva ao caixão!
Poeta, só os técnicos de saúde que estejam completamente alheados - e alienados! - do que é viver com 200 ou 300 euros por mês - não falo de mim que nem a 200 chego - é que não confirmarão que muitíssimos doentes deixaram, há meses, de tomar as medicações que lhes permitiam sobreviver às patologias crónicas que tinham. E às agudas, também! Se eu não tivesse recebido o meu vale na 2ª feira, acha que eu poderia ter comprado os antibióticos, a acetilcisteína e o paracetamol? Ora eu não sou a única mortal portuguesa que está a viver muitíssimo abaixo do limiar da pobreza... além do mais, já vi - seria perfeitamente espantoso que mais ninguém tivesse visto! - doentes, nas farmácias, a fazerem contas ao pouquíssimo que poderiam comprar de medicamentos que eu estou perfeitamente consciente de serem indispensáveis à sua sobrevivência. Muitos deles nem sequer saberiam distinguir o que lhes seria mais vital, mas eu tenho o azar de estar consciente destas coisas... por isso já estava mesmo, mesmo a ver que, mais tarde ou mais cedo, haveria um Boom de mortalidade entre os doentes crónicos... tudo isto tem a ver com o tal "efeito cumulativo" de que eu ando há muito a falar. O período que medeia entre a supressão da medicação, somada à alimentação deficiente e ao frio, e a morte, é muitíssimo mais curto nos idosos que, na sua quase totalidade, têm patologias crónicas de variável gravidade... sendo que todos - TODOS - os casos de hipertensão são graves e a supressão da toma dos anti hipertensores faz desenvolver, num curtíssimo período de tempo, um aumento da TA que é fatal na esmagadora maioria das crises que não são atempadamente socorridas. E este "atempadamente" pressupõe um amparo e um cuidado constantes a que muitos, muitos idosos e doentes crónicos não têm acesso. E este é apenas um exemplo porque ao nível das dislipidémias, por exemplo, o resultado virá a ser o mesmo, embora com um período de latência bastante mais prolongado.
Abraço e até já!
“Sociedade nossa”
ResponderEliminarSociedade em que vivemos
É a sociedade que criamos
É aquela em que morremos
Em que os cifrões adoramos
Venha a nós o vosso dinheiro
Que estou muito necessitado
Por esse deus sou o primeiro
A colocar o amor de lado
Na sociedade sem amor
Tudo funciona sem defeito
Não há pinga de ansiedade
És um número e vou supor
Que andas muito satisfeito
Três vivas à nossa sociedade.
Prof Eta
Nunca adorei os cifrões
Eliminar- nem eles me adoram a mim :)) -
Nem quis saber de milhões
Ou de outros luxos assim...
Se estou nesta posição
De tanto denunciar
Não será pelo cifrão
Que jamais irei ganhar
Mas sim porque a consciência
Me não deixaria em paz
Se eu, vendo, não me opusesse
A esta humana indecência
De um capital incapaz
De dar pão a quem merece!
Ah, Poeta... até me deixei empolgar por este... bem... pelo outro também :))
Abraço grande! :)