O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER [também...] OPINIÕES


 


Como hei-de interpretar tão estranho gesto


De clara discordância e suspeição


Se, no que me respeita, é sempre honesto


Este acto de vos dar - ou não... - razão?


 


Tudo o que vos disser terá, de resto,


A mesma garantia de isenção;


- De quanta opinião guardar no cesto,


Construirei, mais tarde, opinião...


 


Se o tempo escassear, duplicarei


Em vontade o que falte às aptidões,


Em perda o que me for escapando em ganho


 


Mas, enquanto viver, eu escolherei;


Irei sempre arquivando opiniões,


Sem antes lhes medir força ou tamanho...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h

Comentários

  1. “Memorial além troika”

    Austeridade além troika
    É um desígnio nacional
    Torna forte nação heróica
    De seu nome Portugal

    Os oito séculos d’história
    Foram engolidos afinal
    De tal feito não há memória
    Erga-se então um memorial

    Na base e como suporte
    Um povo sempre esquecido
    Apoiado numa justiça forte

    Governo da maior confiança
    Navegadores que temos sido
    Naveguemos na alta finança.

    Prof Eta

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    1. Navegar n`alta finança?
      Prefiro acabar com ela!
      Conduz-nos, sempre, à matança
      Ou, então, traz-nos à trela!

      Com sentido ou sem sentido
      Nós cá vamos poetando...
      Mesmo mal compreendido,
      Escrevendo, vamos lutando!

      Nem só jogos financeiros
      Fazem de nós cidadãos
      Dignos de ser portugueses

      Nem nós queremos ser parceiros
      Desses encómios malsãos
      Que são próprios dos burgueses...

      Até já, Poeta!

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  2. “Ideias sem ideias”

    Vou desistir da realidade
    Já nada me prende aqui
    Não por causa de insanidade
    Mas tanto insano nunca vi

    Serei o único que está mal
    Todos parecem em sintonia
    Sintonia demasiado racional
    Que gera grande harmonia

    Harmonia de ideias feitas
    Ideias novas sem contestação
    Ideias vazias em gestação

    Ideias sem ideias são perfeitas
    E mais se trazem apelo do cifrão
    A esta realidade eu digo não.

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    1. Dizer não sem recuar
      É estar disposto a morrer
      Naquilo em que acreditar,
      Doa lá a quem doer...

      Mas desistir do real
      Não me parece sensato...
      Eu combaterei o "mal"
      Tal como faz qualquer gato...

      Impõe-se a sobrevivência
      E alguns hão-de conseguir
      Ultrapassar "este tempo"

      Mas a velha desistência
      Há-de incitar a fugir
      Quem não tem força e talento...


      Bom dia, Poeta!

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  3. É graças a diferentes opiniões que crescemos e aprendemos :) (desde que sejam construtivas claro)

    Como estás Maria? Melhor espero ^^

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    1. Desculpa o atraso, Paper... :(
      Já estou no 2008 mas tinha tanta coisa por fazer no Face que só agora vim até cá...
      Vou ao teu blog! :)

      Abraço grande!

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  4. “Bloody mary”

    A resposta adequada
    Não são greves nem nada
    Não virá de madrugada
    Nem chegará disfarçada

    Ela já está em marcha
    P’ra fogueira não é acha
    Nem sequer é vai ou racha
    Não há manif nem faixa

    Ela está a ser plantada
    Em breve vai desabrochar
    Queira ou não o poder

    Não será uma intifada
    Nem será para assustar
    Como será não vou dizer.

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    1. Não digo porque não sei
      Como é, exactamente,
      Mas virá - não duvidei! -
      Do que é agora semente!

      Virá pois trará consigo
      Tal força e tão forte abraço
      Que não terá inimigo
      Que lhe provoque cansaço...

      Virá destas nossas mãos,
      Destes nossos corações
      Tão unidos quanto irmãos

      É força que ninguém pára
      Sobre os povos das nações
      Como a luz da manhã clara...


      Abraço grande, Poeta! Obrigada! :)

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  5. “O exemplo”

    O exemplo donde parte
    Vem de cima ou de baixo
    Em cima está quem reparte
    E onde fica logo o tacho

    E é aqui que está a arte
    De repartir que é antiga
    Quem o faz não se farte
    Encha dez vezes a barriga

    Em baixo é dar o exemplo
    De trabalhar para comer
    E o tacho chega rapado

    Eu cá de baixo contemplo
    Mas não chego a perceber
    Lá de cima o exemplo dado.

    Prof Eta

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    1. Mas de que exemplo falamos?
      Desse exemplo "de fachada"
      Que não queremos e a que vamos
      Renegar dentro de um nada?

      Ou de um exemplo de amor,
      No partilhar consciente,
      Por gentes de toda a cor,
      De uma liberdade urgente?

      Sei bem que fácil não é
      - nunca o foi, nunca o será... -
      Mas há que mudar de vez,

      Derrubar, com toda a fé,
      Um poder que nada dá
      A quem nasceu português!


      Continuo demasiado "embalada"... :) ainda não tenho o aparelho a funcionar... o meu sobrinho desculpou-se com o frio...
      Pode ser que venha amanhã...
      Abraço grande para todos vós!

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  6. “Darwinismo social”

    Há muita gente sem nada
    Existe uma solução apenas
    Há muito que foi estudada
    Aplicada outrora em Atenas

    Dos fracos não rez’a história
    Tão pouco dos pobrezinhos
    Temos que apagar da memória
    Todos estes desgraçadinhos

    Na teoria da evolução social
    Os mais fortes vão sobreviver
    Isso permite-nos apurar a raça

    Darwin era um tipo bestial
    E pessoalmente estou em crer
    Que do abismo não se passa.

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    1. Aqui, a cair de sono - a culpa é toda minha porque nunca mais aprendo que não consigo aprender tudo num dia... - nem tenho tempo para "chamar a poesia" antes de lhe responder... eu sou Darwinista desde pequenina... pelo menos do que sempre me lembro de ter aprendido, graças ao meu pai e ao meu avô que eram homens interessadíssimos pelo evolucionismo, mas não é os naturalmente fracos - pelo menos não é só a eles - que o sistema revela não ter pejo em eliminar... todos os "fracos", mas do ponto de vista financeiro... é tremendo, mas parece que é o que nos está a acontecer. Não terão qualquer pejo em eliminar os que sejam mais dotados, se eles não se mostrarem servos subservientes... a natureza é dura, mas é sábia... o sistema capitalista é apenas interesseiro. Falta-lhe a inteligência, falta-lhe a sensibilidade... acho que venho demasiado "embalada"... :)

      Vou "chamar" a poesia :)

      É preciso desgastá-los
      Ou eles hão-de desgastar-nos
      - como se faz aos cavalos -
      Até nós os entalarmos...

      Fraco é quem trai um irmão
      Ou quem o deita a perder!
      Haverá melhor razão
      Pr`a desdenhar o "poder"?

      De fortes não têm nada,
      - a não ser os bolsos cheios
      e as barriguinhas rotundas -

      E a força da própria enxada
      Os encherá de receios
      E de olheiras muito fundas!


      Eu estou do lado dos verdadeiramente "imprestáveis", Poeta. Não tenho força física para coisa nenhuma, mas ainda consigo teclar... sendo mais do que verdade que isso, na perspectiva do sistema, não me valeria de coisa nenhuma porque jamais me curvaria diante deles... mas enquanto puder teclar e respirar, aqui estarei. Não tenciono calar-me.
      Até já e tenha paciência com a excessiva velocidade com que senti/ pensei/escrevi, sem me lembrar da poesia...

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  7. “Espelho da morte”

    Vida é o espelho da morte
    Podes olhar-te e reflectir
    Terás em vida melhor sorte
    Ou tê-la-ás depois de partir?

    Se em primeira classe viajas
    Levas ouro, prata e brilhantes
    Não importa como em vida ajas
    Terás um lugar entre gigantes

    Se foste um pobre coitado
    Da classe dos indigentes
    Atrás do prejuízo deves correr

    Se foste um remediado
    Então as coisas são diferentes
    Tens de pagar antes de morrer.

    Prof Eta

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    1. Todo aquele que nasce, um dia
      Vai acabar por morrer...
      Nenhuma filosofia
      Pode isto contradizer

      Mas, da vida, eu colheria
      Quanto pudesse colher
      E, depois, cá deixaria
      Novas formas de se ser...

      Já houve tanta excepção
      À tal regra da riqueza
      Que a morte não é razão

      Pr`a se ter pão sobre a mesa...
      Mas viver e comer pão,
      Essa é razão, com certeza!


      Olá, Poeta! :) Lembrei-me do Mestre Aleixo, quando li o seu sonetilho... este grande poeta foi paupérrimo e, no entanto, parece estar a libertar-se da lei do esquecimento a que os pobres são votados... mas melhor seria ele não ter tido de passar tanta fome. Nunca desistirei de acreditar num mundo em que os bens essenciais estejam justamente repartidos. Nunca!
      O meu sobrinho, hoje, nem sequer respondeu ao meu sms e também não vi o filho da minha vizinha... mas pode ser que o veja amanhã porque costumo encontrar a senhora durante os dias de semana.
      Abraço grande!

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  8. Andamos todos inspirados pelo mesmo motivo, talvez :)
    Olha, precisava da tua ajuda para uma coisa. Como eu sei que andas dentro do assunto, queria saber se conheces alguma instituição animal sem fins lucrativos, como aquelas que pedem voluntariado e assim :)

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    1. Olá, Paper! Conheço pois! Conheço a ANIMAL.ORG ! Conheço outras mais, mas a ANIMAL é muito abrangente e transversal em todos os campos da luta pelos direitos dos animais. No tempo em que eu ainda me conseguia ir mexendo um bocadinho, cheguei a ir a manifestações muitíssimo bem organizadas!
      Acho que se fores a http://www.animal.org/ estás lá! Mas não estou assim tão segura do endereço... a minha memória não é famosa em muitas coisas. Mas vai ao Google e procura "associação animal" ou, então, procura na caixinha de busca da tua página do Face. A ANIMAL tem uma boa página no Face, adere e faz-te sócia. Depois enviam-te os updates para o teu endereço postal electrónico. Se quiseres uma acção mais específica, eles saberão encaminhar-te!

      Fico muito contente por te saber vocacionada para o trabalho voluntário!
      Abraço grande! :)

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  9. “Austeridades carnavalescas”

    Acabou-se o carnaval
    E eu até não acho mal
    Não havia pão afinal
    E tu como um mortal

    Austeridade espiritual
    Praticavas como ritual
    Agora é comportamental
    E a seguir conventual

    Abrigas-te no convento
    Sob a forma de oração
    Dás voz ao teu lamento

    O espírito não quer pão
    Fica barato o sustento
    Mais caro é ser folião.

    Prof Eta

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    1. caramba, Poeta! Já tinha feito o meu sonetilho quando a net se foi abaixo... acho que não consigo repeti-lo... vai outro...

      Mais bem ou mais mal vestidos,
      Com mascarilha ou sem ela
      O que eles são é uns bandidos
      De florzinha na lapela...

      Não gosto do Carnaval
      E, bem sabe, é-me indiferente
      Mas pr`ó povo, no geral,
      Vai doer a muita gente...

      O que mais hão-de tirar
      A quem quase nada tem
      E só quer descontrair?

      A luz do sol? respirar?
      Querem-lhe a vida também?
      [isso vem logo a seguir...]


      Nem sequer é parecido com o outro, mas não deu para tentar reproduzir porque o outro "saiu" muito depressa...
      Até já e um abraço grande! :)

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    2. A vida não vão levá-la
      Porque nos querem a ganir
      À galinha vão depená-la
      Nós ficamos p’ra contribuir

      Pois que sem contribuição
      Vão andar todos ao estalo
      De pintos não passarão
      Esses que cantam de galo

      Não há rei na capoeira
      Do nosso descontentamento
      Poucos ficam com o tesouro

      P’ra muitos sobra a poeira
      São os que por um momento
      Põe os ovos de ouro.

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    3. Ah, só agora vi este! E tenho o Kico aflito! Eu já volto!

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    4. Pudesse eu contribuir
      C`um ovinho só, que fosse,
      E em vez de me por a rir,
      Escrever qualquer coisa doce...

      Mas quando fala em penosas
      Só sei rir... que hei-de fazer?
      E já dei duas gostosas
      Risadas... puro prazer!

      O tema não é piada
      Mas não sei o que me deu
      Por causa dos ovos de oiro...

      Escrevi não dizendo nada
      Sobre um tema que era seu
      E que é quase imorredoiro...


      Este sonetilho saiu sem gracinha nenhuma ... e eu, de cada vez que o Poeta fala em galinhas e ovos de oiro, lembro-me daquela dos "ovos de lata" e rio-me mesmo que esteja muito aflita... mas vê como a minha memória é esquisita? Dessa acho que nunca mais me esqueço...
      Abraço grande!

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  10. “Evolução animal”

    Ser humano é tal e qual
    Seu antepassado animal
    A diferença fundamental
    É o dinheiro, fez-lhe mal

    Já não trata seus filhos
    Com o carinho fraternal
    Paga p’ra não ter sarilhos
    Uma educação excepcional

    E desta forma educados
    Seus filhos criam os netos
    Perpetuam os predicados

    Com que brindarão bisnetos
    Por mim tenho afilhados
    Só o animal esbanja afectos.

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    1. Quando eu era pequenina,
      Antes de saber escrever,
      Aprendi que ser menina
      Me obrigaria a crescer...

      Aprendi coisas das plantas,
      Das pedras, dos animais
      Coisas belas, coisas tantas
      Qu`inda quis aprender mais!

      Uma coisa eu aprendi
      Que jamais irei esquecer,
      Que nunca será esquecida;

      Desse muito que então li,
      Dei prioridade ao SER
      E o resto... é tudo VIDA!


      É enquanto animal-humano que lhe respondo, Poeta. A vida é uma maravilha - mesmo quando é cruel - e eu sempre a respeitarei sob todas as suas formas. Vi os meus gatos serem pais adoptivos de crias que lhes não pertenciam biologicamente. Tive um cão que, sem ter sido ensinado, sabia tomar conta de crianças, evitar que fossem para a estrada, impedir que se aproximassem de estranhos, prever um tremor de terra e avisar de todas as formas possíveis - e impossíveis! - que eu deveria levar para a rua as duas filhas que tinha na altura... e, antes de rematar, ainda lhe explico como; foi buscar duas bonecas, uma de cada uma, trouxe-as à cozinha, pousou-as e puxou-me pelas calças até à cama de cada uma delas e, logo a seguir, levou-me à porta da rua que se pôs a arranhar com toda a força... perante tudo isto, Poeta, como poderia eu ser tão estúpida, tão ignorante que pudesse pensar que lhes era superior?
      Para acabar esta estória - bem verdadeira, por incrível que pareça - quando eu, finalmente percebi que deveria pegar-lhes e levá-las para a rua, deu-se o tremor de terra. Não foi muito grande, mas o Ferrugem também não era nenhum sismógrafo... foi suficientemente forte para abrir uma rachadela no tecto da cozinha... mas ele tinha feito o que podia para me avisar do perigo. Nunca me cansarei de afirmar que os animais com que lido me têm dado importantíssimas lições de vida.

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  11. “A capoeira”

    A vida não vão levá-la
    Porque nos querem a ganir
    À galinha vão depená-la
    Nós ficamos p’ra contribuir

    Pois que sem contribuição
    Vão andar todos ao estalo
    De pintos não passarão
    Esses que cantam de galo

    Não há rei na capoeira
    Do nosso descontentamento
    Poucos ficam com o tesouro

    P’ra muitos sobra a poeira
    São os que por um momento
    Põem os ovos de ouro.

    Prof Eta

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    1. Caramba! Eu sei que respondi a este poema!!! Lembro-me até que me fartei de rir porque me lembrei da outra vez, dos ovos de lata...

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    2. Respondeu ontem mas só hoje o publiquei no Blog Not.

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    3. :D Obrigada, Poeta! Já vi os ultimatos mas não posso responder já porque estou cheia de pressa para ir almoçar ao CP - não posso chegar atrasada... - e o Garfield acaba de fazer fora do wc... para não dizer que ainda nem tive tempo para me vestir. Estou tão "empenada" que levo imenso tempo a vestir as camisolas todas... são seis! :))
      Depois, se a D. Isa me puder dar boleia, vou tentar ir levantar estes últimos exames que fiz.
      Abraço grande!

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  12. “Fraco rei”

    Para que se construiu Abril
    Estamos como em Janeiro
    Só que agora há vozes mil
    No covil quem é primeiro?

    Instrução aos mais capazes
    Lugar aos mais competentes
    O trabalho com capatazes
    E o poleiro p’rós dementes

    Gritam-nos “vem aí o lobo”
    E que a todos vai deglutir
    Mas o pior está p’ra vir

    Não será o estado novo
    Será o que nos querem servir
    Já não tem força este povo.

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    1. Não tem força e, no entanto,
      Há-de acordar, há-de erguer
      A voz num imenso canto
      Ao invés de se render!

      Povo do meu Portugal,
      Não deixes que assim te humilhem!
      Desprezar-te é querer-te mal
      E deixar que outros te pilhem!

      Venham lobos! Antes lobos
      Que bandidos disfarçados
      De democratas-honestos,

      Transformando homens em bobos,
      Cidadãos em deportados,
      O país, inteiro, em restos!


      Olá, Poeta! :) Estou com aquele problema de estar aqui e no Rádio Horizontes... um pedacinho aqui e outro lá...
      Abraço grande!



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  13. Ultimatum
    Álvaro de Campos

    Mandado de despejo aos mandarins do mundo
    Fora tu reles esnobe plebeu
    E fora tu, imperialista das sucatas
    Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.
    Ultimatum a todos eles e a todos que sejam como eles todos.
    Monte de tijolos com pretensões a casa
    Inútil luxo, megalomania triunfante
    E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir.
    Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
    Que confundis tudo!
    Vós anarquistas deveras sinceros
    Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.
    Sim, todos vos que representais o mundo, homens altos passai por baixo do meu desprezo
    Passai, aristocratas de tanga de ouro,
    Passai frouxos
    Passai radicais do pouco!
    Quem acredita neles?
    Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas
    Fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
    Sufoco de ter só isso a minha volta.
    Deixem-me respirar!
    Abram todas as janelas
    Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
    Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão!
    E o mundo quer a inteligência nova
    O mundo tem sede de que se crie
    O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.
    O que aí está não pode durar porque não é nada.
    Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
    Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
    Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico
    e saudando abstratamente o infinito.

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    Respostas
    1. Não tenho dúvidas de que o mundo quer a "inteligência nova" e tem "sede de que se crie". Nunca as tive :)
      Obrigada, Poeta!

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  14. Respostas
    1. Obrigada, Poeta! Este vai ter de ficar para logo porque estou no CJ, à espera de uma hipotética boleia da D. Isa e, aqui, não há som...

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  15. NACIONALIZAÇÕES?... Só das redes

    Ontem, na televisão,
    Vimos um homem seguro
    Que ao pensar no futuro
    Que deseja p´ra Nação

    Acha que todas as redes
    Deviam ser nacionais.
    Do resto, não disse mais
    Pese, embora, o que aí vedes.

    Podia mais ambição
    Mostrar o cavalheiro
    Que até é da oposição…

    Eu vou jogar p´lo Seguro.
    Guardo a rede do palheiro
    E deixo fugir o burro.

    Eduardo

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    1. Boa noite, amigo Eduardo!
      Muito obrigada por mais este belo sonetilho que, ainda por cima, me mantém um pouco mais actualizada. Aqui vai;

      Eu não vi nada de nada
      Porque este estranho aparelho
      Ou tem a pilha estragada,
      Ou, então, deve estar velho...

      Já chamei o meu sobrinho
      Mas ele nem me respondeu...
      Talvez se julgue fraquinho
      Ou que o defeito é só meu...

      Mas... cá tenho opinião
      Sobre a estória dos canais
      Da nova televisão;

      Mais alguns podiam ser,
      Que não seriam demais,
      Nem se ficava a perder...


      Amigo, espero que tudo esteja bem consigo e com a sua esposa.
      Mal tenho conseguido manter as minhas caixas de correio desentupidas e só me recordo de ter conseguido enviar dois mails, ambos para amigos que não se encontram bem de saúde e que se encontram internados no hospital. Parto do princípio que o meu desempenho, na net, seja tão lento quanto o meu caminhar na vida real... mas não consigo mesmo fazer mais.
      Deixo-lhe um grande abraço extensivo, claro, à sua esposa.

      Maria João

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  16. “Folk the Banks”

    Just Folk the Banks
    Nasceu um dia na City
    E contagiou os Yankyees
    Que ocuparam Wall Street

    Antes do lucro a humanidade
    After that save the Queen
    Gritou-se lá nessa cidade
    Um pouco de dignidade sim

    O contágio é progressivo
    No mundo em transformação
    Nesse dia eram centenas

    Sem um cariz agressivo
    Hoje em dia quantos são?
    Talvez uns milhares apenas.

    Prof Eta

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    1. Nacionalize-se, então,
      Que este "jogo" é decadente
      E já vai faltando o pão
      Pr`alimentar tanta gente!

      São poucos? Sejamos mais!
      Gritemos com mais vigor;
      Que nem hoje, nem jamais,
      Reneguemos nossa cor!

      Que, em cada um, um herói
      Bem capaz de mil conquistas,
      Dessas, nunca conseguidas!

      Se, num momento, nos dói,
      No outro temos em vistas
      Estas nossas próprias vidas!


      Até já, Poeta!

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  17. “Povo deles”

    Custe o que custar meu povo
    Vejam lá não sejam piegas
    Que isto não é nada de novo
    Um dia disse-o Mário Viegas

    “Não me peçam sorrisos”
    Um povo assim humilhado
    Não se leva com tais avisos
    E de todos vós vive cansado

    Nós que construímos caminho
    Sem reconhecimento nem glória
    Cansados à tarde após a labuta

    Dispensamos o vosso carinho
    Não partilhamos da vossa vitória
    Guardai p’ra vós os louros dessa luta.

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    1. De nós, não-reconhecidos,
      Poderão sempre esperar
      Não ficarmos condoídos
      De assim vos ouvir falar

      Mas podem crer que a revolta
      Vai crescendo e, de repente,
      Há-de ver-se o povo à solta
      Dando "a volta" a muita gente!

      E se o "custe o que custar"
      Se impuser, tomado à letra,
      Quem falou, há-de invocar

      O perdão de todos nós!
      [que a palavra é uma treta
      se a convicção falta à voz...]


      Abraço grande, Poeta! :)

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  18. Cara amiga,
    Há sempre que possua a verdade, como coisa sagrada.
    Ha saúde como está?
    Um abraço

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    Respostas
    1. Peço desculpa, amigo Artesão!
      Vi agora o seu comentário e recordei-me de uma pergunta perfeitamente tonta que lhe fiz, na caixa de mensagens do Facebook... mas penso que já lhe expliquei que foi uma falha de compreensão... já as vou tendo...
      Fui hoje levantar exames e, osteoporose à parte, a minha cervical está um verdadeiro desastre. Ao nível da coluna lombar, há aquilo que eu já sabia... uma escoliose sinistro-convexa de grande raio. Penso que isto contribui muitíssimo para o facto de eu ter tantos espasmos nas mãos e nas pernas e para a minha, cada vez maior, lentidão.
      Espero, sinceramente, que a sua saúde tenha melhorado desde a última vez que "conversámos".
      Um abraço e muito obrigada pela sua visita!

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    2. Cara amiga,
      Comparativamente com os seus exames , eu «vendo» saúde... mas tenho dores.
      Neste momento o que mais me aflige é o frio: fico paralisado e os meus neurónios devem começar a xcongelar.
      Esperemos que a Primavera não demore.
      Grande abraço.

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    3. Amigo Artesão, o frio, para mim, é desastroso... congelo eu inteira e os neurónios vão atrás :)
      Não pode imaginar a quantidade de camisolas que eu trago vestidas! Ninguém acreditaria que alguém pudesse usar tanta roupa de uma só vez...
      Hoje faço-lhe uma curta visita!
      Um abraço!

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    4. Cara amiga,
      Finalmente, parece que o frio vai abrandar.
      Fico gelado e paralisado até aos ossos.
      Abraço

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    5. Também eu fico, amigo Artesão... quase não me consigo mexer com a quantidade de roupa que visto para tentar minimizar - em vão... - os efeitos do frio. Mas já falta pouco para a Primavera, animemo-nos! :)
      Um abraço!

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    6. O frio seberiano está a chegar ao fim. O nosso clima ameno está quase a chegar.
      Ãbraço

      Eliminar
  19. Cântico negro

    José Régio

    "Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
    Estendendo-me os braços, e seguros
    De que seria bom que eu os ouvisse
    Quando me dizem: "vem por aqui!"
    Eu olho-os com olhos lassos,
    (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
    E cruzo os braços,
    E nunca vou por ali...
    A minha glória é esta:
    Criar desumanidades!
    Não acompanhar ninguém.
    — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
    Com que rasguei o ventre à minha mãe
    Não, não vou por aí! Só vou por onde
    Me levam meus próprios passos...
    Se ao que busco saber nenhum de vós responde
    Por que me repetis: "vem por aqui!"?

    Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
    Redemoinhar aos ventos,
    Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
    A ir por aí...
    Se vim ao mundo, foi
    Só para desflorar florestas virgens,
    E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
    O mais que faço não vale nada.

    Como, pois, sereis vós
    Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
    Para eu derrubar os meus obstáculos?...
    Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
    E vós amais o que é fácil!
    Eu amo o Longe e a Miragem,
    Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

    Ide! Tendes estradas,
    Tendes jardins, tendes canteiros,
    Tendes pátria, tendes tetos,
    E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
    Eu tenho a minha Loucura !
    Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
    E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
    Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
    Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
    Mas eu, que nunca principio nem acabo,
    Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

    Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
    Ninguém me peça definições!
    Ninguém me diga: "vem por aqui"!
    A minha vida é um vendaval que se soltou,
    É uma onda que se alevantou,
    É um átomo a mais que se animou...
    Não sei por onde vou,
    Não sei para onde vou
    Sei que não vou por aí!

    http://www.youtube.com/watch?v=XV_iXZFPBCk&feature=related

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    Respostas
    1. :) Muito obrigada, Poeta!

      Tenho, guardado num dos meus baús, este poema do J. Régio, do Poemas de Deus e do Diabo, em primeira edição e dedicado ao meu bisavô António Joaquim, aquele de quem lhe enviei alguns dados... acho que é uma verdadeira obra prima!
      Peço-lhe desculpa mas já não vou responder hoje ao seu último sonetilho... estou tão, tão cansada... acho que já não consigo fazer rimar coisa nenhuma.
      Deixo-lhe um abraço grande, grande. Para si, para a sua Maria João e para os meninos. Espero que esteja tudo bem convosco... está! :) De certeza! :)

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