O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER [também...] OPINIÕES
Como hei-de interpretar tão estranho gesto
De clara discordância e suspeição
Se, no que me respeita, é sempre honesto
Este acto de vos dar - ou não... - razão?
Tudo o que vos disser terá, de resto,
A mesma garantia de isenção;
- De quanta opinião guardar no cesto,
Construirei, mais tarde, opinião...
Se o tempo escassear, duplicarei
Em vontade o que falte às aptidões,
Em perda o que me for escapando em ganho
Mas, enquanto viver, eu escolherei;
Irei sempre arquivando opiniões,
Sem antes lhes medir força ou tamanho...
Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h
“Memorial além troika”
ResponderEliminarAusteridade além troika
É um desígnio nacional
Torna forte nação heróica
De seu nome Portugal
Os oito séculos d’história
Foram engolidos afinal
De tal feito não há memória
Erga-se então um memorial
Na base e como suporte
Um povo sempre esquecido
Apoiado numa justiça forte
Governo da maior confiança
Navegadores que temos sido
Naveguemos na alta finança.
Prof Eta
Navegar n`alta finança?
EliminarPrefiro acabar com ela!
Conduz-nos, sempre, à matança
Ou, então, traz-nos à trela!
Com sentido ou sem sentido
Nós cá vamos poetando...
Mesmo mal compreendido,
Escrevendo, vamos lutando!
Nem só jogos financeiros
Fazem de nós cidadãos
Dignos de ser portugueses
Nem nós queremos ser parceiros
Desses encómios malsãos
Que são próprios dos burgueses...
Até já, Poeta!
“Ideias sem ideias”
ResponderEliminarVou desistir da realidade
Já nada me prende aqui
Não por causa de insanidade
Mas tanto insano nunca vi
Serei o único que está mal
Todos parecem em sintonia
Sintonia demasiado racional
Que gera grande harmonia
Harmonia de ideias feitas
Ideias novas sem contestação
Ideias vazias em gestação
Ideias sem ideias são perfeitas
E mais se trazem apelo do cifrão
A esta realidade eu digo não.
Dizer não sem recuar
EliminarÉ estar disposto a morrer
Naquilo em que acreditar,
Doa lá a quem doer...
Mas desistir do real
Não me parece sensato...
Eu combaterei o "mal"
Tal como faz qualquer gato...
Impõe-se a sobrevivência
E alguns hão-de conseguir
Ultrapassar "este tempo"
Mas a velha desistência
Há-de incitar a fugir
Quem não tem força e talento...
Bom dia, Poeta!
É graças a diferentes opiniões que crescemos e aprendemos :) (desde que sejam construtivas claro)
ResponderEliminarComo estás Maria? Melhor espero ^^
Desculpa o atraso, Paper... :(
EliminarJá estou no 2008 mas tinha tanta coisa por fazer no Face que só agora vim até cá...
Vou ao teu blog! :)
Abraço grande!
“Bloody mary”
ResponderEliminarA resposta adequada
Não são greves nem nada
Não virá de madrugada
Nem chegará disfarçada
Ela já está em marcha
P’ra fogueira não é acha
Nem sequer é vai ou racha
Não há manif nem faixa
Ela está a ser plantada
Em breve vai desabrochar
Queira ou não o poder
Não será uma intifada
Nem será para assustar
Como será não vou dizer.
Não digo porque não sei
EliminarComo é, exactamente,
Mas virá - não duvidei! -
Do que é agora semente!
Virá pois trará consigo
Tal força e tão forte abraço
Que não terá inimigo
Que lhe provoque cansaço...
Virá destas nossas mãos,
Destes nossos corações
Tão unidos quanto irmãos
É força que ninguém pára
Sobre os povos das nações
Como a luz da manhã clara...
Abraço grande, Poeta! Obrigada! :)
“O exemplo”
ResponderEliminarO exemplo donde parte
Vem de cima ou de baixo
Em cima está quem reparte
E onde fica logo o tacho
E é aqui que está a arte
De repartir que é antiga
Quem o faz não se farte
Encha dez vezes a barriga
Em baixo é dar o exemplo
De trabalhar para comer
E o tacho chega rapado
Eu cá de baixo contemplo
Mas não chego a perceber
Lá de cima o exemplo dado.
Prof Eta
Mas de que exemplo falamos?
EliminarDesse exemplo "de fachada"
Que não queremos e a que vamos
Renegar dentro de um nada?
Ou de um exemplo de amor,
No partilhar consciente,
Por gentes de toda a cor,
De uma liberdade urgente?
Sei bem que fácil não é
- nunca o foi, nunca o será... -
Mas há que mudar de vez,
Derrubar, com toda a fé,
Um poder que nada dá
A quem nasceu português!
Continuo demasiado "embalada"... :) ainda não tenho o aparelho a funcionar... o meu sobrinho desculpou-se com o frio...
Pode ser que venha amanhã...
Abraço grande para todos vós!
“Darwinismo social”
ResponderEliminarHá muita gente sem nada
Existe uma solução apenas
Há muito que foi estudada
Aplicada outrora em Atenas
Dos fracos não rez’a história
Tão pouco dos pobrezinhos
Temos que apagar da memória
Todos estes desgraçadinhos
Na teoria da evolução social
Os mais fortes vão sobreviver
Isso permite-nos apurar a raça
Darwin era um tipo bestial
E pessoalmente estou em crer
Que do abismo não se passa.
Aqui, a cair de sono - a culpa é toda minha porque nunca mais aprendo que não consigo aprender tudo num dia... - nem tenho tempo para "chamar a poesia" antes de lhe responder... eu sou Darwinista desde pequenina... pelo menos do que sempre me lembro de ter aprendido, graças ao meu pai e ao meu avô que eram homens interessadíssimos pelo evolucionismo, mas não é os naturalmente fracos - pelo menos não é só a eles - que o sistema revela não ter pejo em eliminar... todos os "fracos", mas do ponto de vista financeiro... é tremendo, mas parece que é o que nos está a acontecer. Não terão qualquer pejo em eliminar os que sejam mais dotados, se eles não se mostrarem servos subservientes... a natureza é dura, mas é sábia... o sistema capitalista é apenas interesseiro. Falta-lhe a inteligência, falta-lhe a sensibilidade... acho que venho demasiado "embalada"... :)
EliminarVou "chamar" a poesia :)
É preciso desgastá-los
Ou eles hão-de desgastar-nos
- como se faz aos cavalos -
Até nós os entalarmos...
Fraco é quem trai um irmão
Ou quem o deita a perder!
Haverá melhor razão
Pr`a desdenhar o "poder"?
De fortes não têm nada,
- a não ser os bolsos cheios
e as barriguinhas rotundas -
E a força da própria enxada
Os encherá de receios
E de olheiras muito fundas!
Eu estou do lado dos verdadeiramente "imprestáveis", Poeta. Não tenho força física para coisa nenhuma, mas ainda consigo teclar... sendo mais do que verdade que isso, na perspectiva do sistema, não me valeria de coisa nenhuma porque jamais me curvaria diante deles... mas enquanto puder teclar e respirar, aqui estarei. Não tenciono calar-me.
Até já e tenha paciência com a excessiva velocidade com que senti/ pensei/escrevi, sem me lembrar da poesia...
“Espelho da morte”
ResponderEliminarVida é o espelho da morte
Podes olhar-te e reflectir
Terás em vida melhor sorte
Ou tê-la-ás depois de partir?
Se em primeira classe viajas
Levas ouro, prata e brilhantes
Não importa como em vida ajas
Terás um lugar entre gigantes
Se foste um pobre coitado
Da classe dos indigentes
Atrás do prejuízo deves correr
Se foste um remediado
Então as coisas são diferentes
Tens de pagar antes de morrer.
Prof Eta
Todo aquele que nasce, um dia
EliminarVai acabar por morrer...
Nenhuma filosofia
Pode isto contradizer
Mas, da vida, eu colheria
Quanto pudesse colher
E, depois, cá deixaria
Novas formas de se ser...
Já houve tanta excepção
À tal regra da riqueza
Que a morte não é razão
Pr`a se ter pão sobre a mesa...
Mas viver e comer pão,
Essa é razão, com certeza!
Olá, Poeta! :) Lembrei-me do Mestre Aleixo, quando li o seu sonetilho... este grande poeta foi paupérrimo e, no entanto, parece estar a libertar-se da lei do esquecimento a que os pobres são votados... mas melhor seria ele não ter tido de passar tanta fome. Nunca desistirei de acreditar num mundo em que os bens essenciais estejam justamente repartidos. Nunca!
O meu sobrinho, hoje, nem sequer respondeu ao meu sms e também não vi o filho da minha vizinha... mas pode ser que o veja amanhã porque costumo encontrar a senhora durante os dias de semana.
Abraço grande!
Andamos todos inspirados pelo mesmo motivo, talvez :)
ResponderEliminarOlha, precisava da tua ajuda para uma coisa. Como eu sei que andas dentro do assunto, queria saber se conheces alguma instituição animal sem fins lucrativos, como aquelas que pedem voluntariado e assim :)
Olá, Paper! Conheço pois! Conheço a ANIMAL.ORG ! Conheço outras mais, mas a ANIMAL é muito abrangente e transversal em todos os campos da luta pelos direitos dos animais. No tempo em que eu ainda me conseguia ir mexendo um bocadinho, cheguei a ir a manifestações muitíssimo bem organizadas!
EliminarAcho que se fores a http://www.animal.org/ estás lá! Mas não estou assim tão segura do endereço... a minha memória não é famosa em muitas coisas. Mas vai ao Google e procura "associação animal" ou, então, procura na caixinha de busca da tua página do Face. A ANIMAL tem uma boa página no Face, adere e faz-te sócia. Depois enviam-te os updates para o teu endereço postal electrónico. Se quiseres uma acção mais específica, eles saberão encaminhar-te!
Fico muito contente por te saber vocacionada para o trabalho voluntário!
Abraço grande! :)
“Austeridades carnavalescas”
ResponderEliminarAcabou-se o carnaval
E eu até não acho mal
Não havia pão afinal
E tu como um mortal
Austeridade espiritual
Praticavas como ritual
Agora é comportamental
E a seguir conventual
Abrigas-te no convento
Sob a forma de oração
Dás voz ao teu lamento
O espírito não quer pão
Fica barato o sustento
Mais caro é ser folião.
Prof Eta
caramba, Poeta! Já tinha feito o meu sonetilho quando a net se foi abaixo... acho que não consigo repeti-lo... vai outro...
EliminarMais bem ou mais mal vestidos,
Com mascarilha ou sem ela
O que eles são é uns bandidos
De florzinha na lapela...
Não gosto do Carnaval
E, bem sabe, é-me indiferente
Mas pr`ó povo, no geral,
Vai doer a muita gente...
O que mais hão-de tirar
A quem quase nada tem
E só quer descontrair?
A luz do sol? respirar?
Querem-lhe a vida também?
[isso vem logo a seguir...]
Nem sequer é parecido com o outro, mas não deu para tentar reproduzir porque o outro "saiu" muito depressa...
Até já e um abraço grande! :)
A vida não vão levá-la
EliminarPorque nos querem a ganir
À galinha vão depená-la
Nós ficamos p’ra contribuir
Pois que sem contribuição
Vão andar todos ao estalo
De pintos não passarão
Esses que cantam de galo
Não há rei na capoeira
Do nosso descontentamento
Poucos ficam com o tesouro
P’ra muitos sobra a poeira
São os que por um momento
Põe os ovos de ouro.
Põem os ovos de ouro.
EliminarAh, só agora vi este! E tenho o Kico aflito! Eu já volto!
EliminarPudesse eu contribuir
EliminarC`um ovinho só, que fosse,
E em vez de me por a rir,
Escrever qualquer coisa doce...
Mas quando fala em penosas
Só sei rir... que hei-de fazer?
E já dei duas gostosas
Risadas... puro prazer!
O tema não é piada
Mas não sei o que me deu
Por causa dos ovos de oiro...
Escrevi não dizendo nada
Sobre um tema que era seu
E que é quase imorredoiro...
Este sonetilho saiu sem gracinha nenhuma ... e eu, de cada vez que o Poeta fala em galinhas e ovos de oiro, lembro-me daquela dos "ovos de lata" e rio-me mesmo que esteja muito aflita... mas vê como a minha memória é esquisita? Dessa acho que nunca mais me esqueço...
Abraço grande!
“Evolução animal”
ResponderEliminarSer humano é tal e qual
Seu antepassado animal
A diferença fundamental
É o dinheiro, fez-lhe mal
Já não trata seus filhos
Com o carinho fraternal
Paga p’ra não ter sarilhos
Uma educação excepcional
E desta forma educados
Seus filhos criam os netos
Perpetuam os predicados
Com que brindarão bisnetos
Por mim tenho afilhados
Só o animal esbanja afectos.
Quando eu era pequenina,
EliminarAntes de saber escrever,
Aprendi que ser menina
Me obrigaria a crescer...
Aprendi coisas das plantas,
Das pedras, dos animais
Coisas belas, coisas tantas
Qu`inda quis aprender mais!
Uma coisa eu aprendi
Que jamais irei esquecer,
Que nunca será esquecida;
Desse muito que então li,
Dei prioridade ao SER
E o resto... é tudo VIDA!
É enquanto animal-humano que lhe respondo, Poeta. A vida é uma maravilha - mesmo quando é cruel - e eu sempre a respeitarei sob todas as suas formas. Vi os meus gatos serem pais adoptivos de crias que lhes não pertenciam biologicamente. Tive um cão que, sem ter sido ensinado, sabia tomar conta de crianças, evitar que fossem para a estrada, impedir que se aproximassem de estranhos, prever um tremor de terra e avisar de todas as formas possíveis - e impossíveis! - que eu deveria levar para a rua as duas filhas que tinha na altura... e, antes de rematar, ainda lhe explico como; foi buscar duas bonecas, uma de cada uma, trouxe-as à cozinha, pousou-as e puxou-me pelas calças até à cama de cada uma delas e, logo a seguir, levou-me à porta da rua que se pôs a arranhar com toda a força... perante tudo isto, Poeta, como poderia eu ser tão estúpida, tão ignorante que pudesse pensar que lhes era superior?
Para acabar esta estória - bem verdadeira, por incrível que pareça - quando eu, finalmente percebi que deveria pegar-lhes e levá-las para a rua, deu-se o tremor de terra. Não foi muito grande, mas o Ferrugem também não era nenhum sismógrafo... foi suficientemente forte para abrir uma rachadela no tecto da cozinha... mas ele tinha feito o que podia para me avisar do perigo. Nunca me cansarei de afirmar que os animais com que lido me têm dado importantíssimas lições de vida.
“A capoeira”
ResponderEliminarA vida não vão levá-la
Porque nos querem a ganir
À galinha vão depená-la
Nós ficamos p’ra contribuir
Pois que sem contribuição
Vão andar todos ao estalo
De pintos não passarão
Esses que cantam de galo
Não há rei na capoeira
Do nosso descontentamento
Poucos ficam com o tesouro
P’ra muitos sobra a poeira
São os que por um momento
Põem os ovos de ouro.
Prof Eta
Caramba! Eu sei que respondi a este poema!!! Lembro-me até que me fartei de rir porque me lembrei da outra vez, dos ovos de lata...
EliminarRespondeu ontem mas só hoje o publiquei no Blog Not.
Eliminar:D Obrigada, Poeta! Já vi os ultimatos mas não posso responder já porque estou cheia de pressa para ir almoçar ao CP - não posso chegar atrasada... - e o Garfield acaba de fazer fora do wc... para não dizer que ainda nem tive tempo para me vestir. Estou tão "empenada" que levo imenso tempo a vestir as camisolas todas... são seis! :))
EliminarDepois, se a D. Isa me puder dar boleia, vou tentar ir levantar estes últimos exames que fiz.
Abraço grande!
“Fraco rei”
ResponderEliminarPara que se construiu Abril
Estamos como em Janeiro
Só que agora há vozes mil
No covil quem é primeiro?
Instrução aos mais capazes
Lugar aos mais competentes
O trabalho com capatazes
E o poleiro p’rós dementes
Gritam-nos “vem aí o lobo”
E que a todos vai deglutir
Mas o pior está p’ra vir
Não será o estado novo
Será o que nos querem servir
Já não tem força este povo.
Não tem força e, no entanto,
EliminarHá-de acordar, há-de erguer
A voz num imenso canto
Ao invés de se render!
Povo do meu Portugal,
Não deixes que assim te humilhem!
Desprezar-te é querer-te mal
E deixar que outros te pilhem!
Venham lobos! Antes lobos
Que bandidos disfarçados
De democratas-honestos,
Transformando homens em bobos,
Cidadãos em deportados,
O país, inteiro, em restos!
Olá, Poeta! :) Estou com aquele problema de estar aqui e no Rádio Horizontes... um pedacinho aqui e outro lá...
Abraço grande!
Maria Bethânia declama Fernando Pessoa e cantando O doce mistério da vida
ResponderEliminarhttp://www.youtube.com/watch?v=lG0Rn9SWK74&feature=related
Ultimatum
ResponderEliminarÁlvaro de Campos
Mandado de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu reles esnobe plebeu
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.
Ultimatum a todos eles e a todos que sejam como eles todos.
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir.
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo!
Vós anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.
Sim, todos vos que representais o mundo, homens altos passai por baixo do meu desprezo
Passai, aristocratas de tanga de ouro,
Passai frouxos
Passai radicais do pouco!
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas
Fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
Sufoco de ter só isso a minha volta.
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão!
E o mundo quer a inteligência nova
O mundo tem sede de que se crie
O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.
O que aí está não pode durar porque não é nada.
Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico
e saudando abstratamente o infinito.
Não tenho dúvidas de que o mundo quer a "inteligência nova" e tem "sede de que se crie". Nunca as tive :)
EliminarObrigada, Poeta!
Maria Bethania - Texto Ultimatum - Fernando Pessoa
ResponderEliminarhttp://www.youtube.com/watch?v=gl-UL6cm7Us
Obrigada, Poeta! Este vai ter de ficar para logo porque estou no CJ, à espera de uma hipotética boleia da D. Isa e, aqui, não há som...
EliminarNACIONALIZAÇÕES?... Só das redes
ResponderEliminarOntem, na televisão,
Vimos um homem seguro
Que ao pensar no futuro
Que deseja p´ra Nação
Acha que todas as redes
Deviam ser nacionais.
Do resto, não disse mais
Pese, embora, o que aí vedes.
Podia mais ambição
Mostrar o cavalheiro
Que até é da oposição…
Eu vou jogar p´lo Seguro.
Guardo a rede do palheiro
E deixo fugir o burro.
Eduardo
Boa noite, amigo Eduardo!
EliminarMuito obrigada por mais este belo sonetilho que, ainda por cima, me mantém um pouco mais actualizada. Aqui vai;
Eu não vi nada de nada
Porque este estranho aparelho
Ou tem a pilha estragada,
Ou, então, deve estar velho...
Já chamei o meu sobrinho
Mas ele nem me respondeu...
Talvez se julgue fraquinho
Ou que o defeito é só meu...
Mas... cá tenho opinião
Sobre a estória dos canais
Da nova televisão;
Mais alguns podiam ser,
Que não seriam demais,
Nem se ficava a perder...
Amigo, espero que tudo esteja bem consigo e com a sua esposa.
Mal tenho conseguido manter as minhas caixas de correio desentupidas e só me recordo de ter conseguido enviar dois mails, ambos para amigos que não se encontram bem de saúde e que se encontram internados no hospital. Parto do princípio que o meu desempenho, na net, seja tão lento quanto o meu caminhar na vida real... mas não consigo mesmo fazer mais.
Deixo-lhe um grande abraço extensivo, claro, à sua esposa.
Maria João
“Folk the Banks”
ResponderEliminarJust Folk the Banks
Nasceu um dia na City
E contagiou os Yankyees
Que ocuparam Wall Street
Antes do lucro a humanidade
After that save the Queen
Gritou-se lá nessa cidade
Um pouco de dignidade sim
O contágio é progressivo
No mundo em transformação
Nesse dia eram centenas
Sem um cariz agressivo
Hoje em dia quantos são?
Talvez uns milhares apenas.
Prof Eta
Nacionalize-se, então,
EliminarQue este "jogo" é decadente
E já vai faltando o pão
Pr`alimentar tanta gente!
São poucos? Sejamos mais!
Gritemos com mais vigor;
Que nem hoje, nem jamais,
Reneguemos nossa cor!
Que, em cada um, um herói
Bem capaz de mil conquistas,
Dessas, nunca conseguidas!
Se, num momento, nos dói,
No outro temos em vistas
Estas nossas próprias vidas!
Até já, Poeta!
“Povo deles”
ResponderEliminarCuste o que custar meu povo
Vejam lá não sejam piegas
Que isto não é nada de novo
Um dia disse-o Mário Viegas
“Não me peçam sorrisos”
Um povo assim humilhado
Não se leva com tais avisos
E de todos vós vive cansado
Nós que construímos caminho
Sem reconhecimento nem glória
Cansados à tarde após a labuta
Dispensamos o vosso carinho
Não partilhamos da vossa vitória
Guardai p’ra vós os louros dessa luta.
De nós, não-reconhecidos,
EliminarPoderão sempre esperar
Não ficarmos condoídos
De assim vos ouvir falar
Mas podem crer que a revolta
Vai crescendo e, de repente,
Há-de ver-se o povo à solta
Dando "a volta" a muita gente!
E se o "custe o que custar"
Se impuser, tomado à letra,
Quem falou, há-de invocar
O perdão de todos nós!
[que a palavra é uma treta
se a convicção falta à voz...]
Abraço grande, Poeta! :)
Cara amiga,
ResponderEliminarHá sempre que possua a verdade, como coisa sagrada.
Ha saúde como está?
Um abraço
Peço desculpa, amigo Artesão!
EliminarVi agora o seu comentário e recordei-me de uma pergunta perfeitamente tonta que lhe fiz, na caixa de mensagens do Facebook... mas penso que já lhe expliquei que foi uma falha de compreensão... já as vou tendo...
Fui hoje levantar exames e, osteoporose à parte, a minha cervical está um verdadeiro desastre. Ao nível da coluna lombar, há aquilo que eu já sabia... uma escoliose sinistro-convexa de grande raio. Penso que isto contribui muitíssimo para o facto de eu ter tantos espasmos nas mãos e nas pernas e para a minha, cada vez maior, lentidão.
Espero, sinceramente, que a sua saúde tenha melhorado desde a última vez que "conversámos".
Um abraço e muito obrigada pela sua visita!
Cara amiga,
EliminarComparativamente com os seus exames , eu «vendo» saúde... mas tenho dores.
Neste momento o que mais me aflige é o frio: fico paralisado e os meus neurónios devem começar a xcongelar.
Esperemos que a Primavera não demore.
Grande abraço.
Amigo Artesão, o frio, para mim, é desastroso... congelo eu inteira e os neurónios vão atrás :)
EliminarNão pode imaginar a quantidade de camisolas que eu trago vestidas! Ninguém acreditaria que alguém pudesse usar tanta roupa de uma só vez...
Hoje faço-lhe uma curta visita!
Um abraço!
Cara amiga,
EliminarFinalmente, parece que o frio vai abrandar.
Fico gelado e paralisado até aos ossos.
Abraço
Também eu fico, amigo Artesão... quase não me consigo mexer com a quantidade de roupa que visto para tentar minimizar - em vão... - os efeitos do frio. Mas já falta pouco para a Primavera, animemo-nos! :)
EliminarUm abraço!
O frio seberiano está a chegar ao fim. O nosso clima ameno está quase a chegar.
EliminarÃbraço
Cântico negro
ResponderEliminarJosé Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
http://www.youtube.com/watch?v=XV_iXZFPBCk&feature=related
:) Muito obrigada, Poeta!
EliminarTenho, guardado num dos meus baús, este poema do J. Régio, do Poemas de Deus e do Diabo, em primeira edição e dedicado ao meu bisavô António Joaquim, aquele de quem lhe enviei alguns dados... acho que é uma verdadeira obra prima!
Peço-lhe desculpa mas já não vou responder hoje ao seu último sonetilho... estou tão, tão cansada... acho que já não consigo fazer rimar coisa nenhuma.
Deixo-lhe um abraço grande, grande. Para si, para a sua Maria João e para os meninos. Espero que esteja tudo bem convosco... está! :) De certeza! :)