DECEPANDO A PESADA MÃO DO CAPITAL
Na mão capitalista o esbulho adorna,
Bem preso, inalcançado, o repartível,
O que não chega a nós mas que é visível,
O que, ao ser-nos roubado, nunca torna,
O que ela nos levou, porque suborna
Fazendo acreditar não ser possível
Aquilo que, afinal, é tão tangível
Quanto a razão que cresce e nos transforma
Mas eis que o era nosso, cai, por fim
Da mão usurpadora que um motim
Decepa sem mostrar falsos pudores…
Portugal florirá como um jardim
Assim que a mão cair, porque é assim
Que morrem, sempre, as mãos dos ditadores!
Maria João Brito de Sousa – 09.03.2012 – 19.54h
Imagem retirada da internet, via Google
Hoje é um chá muito eficaz.
ResponderEliminarAmiga Maria João de Sousa
ResponderEliminarFiz um silêncio prolongado na remessa das peças da revisão do processo La Fontainne. A minha esposa também andou adoentada e, quando isso acontece as minhas preocupações e afazeres aumentam. Felizmente melhorou e tudo está a regressar à normalidade. Espero que a nossa amiga esteja, também, a recuperar.
Um abraço nosso, com o desejo de que assim seja.
Eduardo
O lobo e o cordeiro
Por tretas que ouviu contar
Amedrontou-se, o cordeiro
Ao ver o lobo chegar
À margem de um ribeiro.
Medo injustificado
Porque, do lobo valente,
aquele arrazoado
Eram histórias de gente.
Gentes que o comparavam
Havia já muitos anos
Aos usos de alguns humanos
Que criancinhas matavam…
Mas ele, um lobo decente,
E sem fome, até ordeiro,
Não ia ferrar o dente
Num indefeso cordeiro.
Até tinha tosquiado
Um petulante carneiro,
Num dia, ao sol nascer,
Por este o ter provocado
E lhe ter emporcalhado
As águas de um ribeiro
Onde ele ia beber…
Mas um cordeiro inocente,
Mesmo que apertasse a fome,
Ai isso nunca, isso não,
Em nenhuma ocasião
Crianças, o lobo come!
Eduardo
Que delícia, meu amigo Eduardo!
EliminarCada vez acredito mais que cada um de nós, poetas, é mais dotado para este ou aquele diferente tipo de poesia e este seu Fabulário é uma verdadeira maravilha! Tenho a certeza de que ainda vai publicar estes poemas temáticos com muitíssimo sucesso!
No meio deste meu entusiasmo, ia-me falhando que houve um motivo menos bom para ter parado a sua produção... felizmente a sua esposa está a melhorar.
Eu não estou completamente curada desta pneumonia, embora ontem já tivesse ido ao centro paroquial e ao centro de juventude... mas o pior, penso eu, é o acumular de problemas físicos. As duas hérnias discais da cervical, provocam-me dormência, falta de força e tremendas dificuldades na marcha, sobretudo no lado esquerdo do corpo, embora o direito também já esteja afectado. Semana a semana, vou sentindo mais e mais as dificuldades em tratar dos meus amiguinhos de quatro patas e em deslocar, nem que seja só para levar o cãozito à rua. Também, andei quatro ou cinco anos a queixar-me disso e das "cãibras" e só me davam magnésio e mais magnésio que, claro está, não adiantava nada... isto já vai soando a "pieguice", mas a verdade é que é muitíssimo limitador e frustrante, para além de muito doloroso e eu acredito que devo dizer a verdade quando me interrogam acerca do meu estado de saúde. Essa coisa de dizer que está tudo bem, quando está tudo tão mal, parece-me, além de ridículo, a melhor maneira de nos interpretarem mal e pensarem, por exemplo, que não saímos ou não convivemos mais por estarmos deprimidos ou por não nos querermos dar a esse trabalho... nem queira saber a facilidade com que o cidadão comum - incluindo assistentes sociais e técnicos de saúde - confundem essas coisas.
De qualquer forma, terei de ir fazer uma radiografia ao tórax, para ver até que ponto houve, ou não, recuperação do parênquima pulmonar. Eu teria pedido também exames analíticos de sangue, uma vez que os meus parâmetros estavam muito alterados na fase aguda... mas isso sou eu que nem sequer sou médica... também teria pedido uma TAC à coluna mas, lá está, não sou médica e, se o fosse, já teria arranjado grandes problemas pois trataria de forma exactamente igual todos os meus doentes, fossem, ou não, dos que pagam taxas moderadoras... ah, também já tenho uma ideia de que irei arranjar problemas com estas "maleitas" todas pois, segundo as mudanças na legislação, só os doentes com uma incapacidade igual ou superior a 60% terão direito ao regime de gratuitidade nos exames clínicos e taxas moderadoras de acesso às consultas... ora eu nem sei como me hei-de deslocar até lá, onde parece ser o local onde dizem que alguns de nós se terão de submeter à tal junta médica... niguém parece saber ao certo como as coisas se irão processar e eu, como não estava empregada, nem sequer tenho um processo coerente para apresentar por lá. Calculo que vá ser "tramada" neste confuso processo, mas já estou a começar a habituar-me a ser - como tantos outros portugueses - bode expiatório da confusão geral do sistema...
Agora peço-lhe desculpa por este extenso relato de maleitas e queixas e deixo-lhe o meu abraço muito agradecido por este divertido e belíssimo momento que me proporcionou com o seu "O lobo e o cordeiro".
Faço votos de que a sua esposa continue no seu rápido processo de recuperação e estendo, também a ela, este meu abraço.
Maria João
Um soneto bastante verídico Maria :)
ResponderEliminarAdorei ^^
Porque a nós, portugueses, ninguém nos cala!
Como te tens sentido? Espero que estejas melhor :)
Olá, Paper! :D
EliminarVim aqui de fugida porque tenho uma amiga que faz anos hoje - e eu pensava que era amanhã, vê lá! - e tenho de tratar a bicheza antes de ir ter com ela.
Estou melhor, mas há para aqui qualquer coisa que ainda não ficou boa... a febre baixa continua... mas o resto, a dificuldade em andar e em movimentar os braços, isso tem a ver com as duas hérnias da cervical e já não passa mesmo...
Beijinho e obrigada pela tua visita! :)
Este é um chá de morte.
ResponderEliminarCá em casa é um chá a cinco, fomos outra vez atacados pelo vírus, desta vez foi o Vicente que o trouxe.
Caramba! Passou-me isso pela cabeça, quando, ontem, notei a ausência do seu sonetilho... já estão melhor?
EliminarEu já vou ver esse chá viral...
“Impunidade”
ResponderEliminarP’rá história da democracia
Aqui à beira mar plantados
Por certo escreverão um dia
Como fomos enganados
Milhões p´rá convergência
Os que nos foram roubados
Por mais pura negligência
Pelo convir dos iluminados
Seus interesses acautelaram
Aqui à beira mar plantados
Triste herança nos deixaram
Entre eles andam zangados
Mas a lei nunca aplicaram
Nunca haverá condenados.
Prof Eta
Mas condenados, já há!
EliminarSó lhes falta a punição
Que eu não sei quando virá
A cumprir sua função...
Aquilo que se fará,
Posso dizer de antemão
Cabe a quem os julgará
Dentro da população...
De iluminação conheço
A que me vem dos poemas
E a que tenho acesa, em casa
Portanto nada mais peço
Porque tenho mais problemas
Do que o lume aceso, em brasa...
Até já, Poeta! :)
“Sem tema”
ResponderEliminarNão escrevo para o vento
Escrevo para o furacão
Não me ouvem o lamento
Mas ao menos sentirão
Vão tremer com o poema
Arremessado ao passar
Nem sei bem qual o tema
Nem quem o vai encontrar
Fica apenas a sensação
De pôr o dedo na ferida
E conseguir fazer-me ouvir
Mas é a simples ilusão
Duma vitória conseguida
Que fica por conseguir.
Escrevo pr`a todos os ventos;
EliminarOs que sopram loucamente
E os que parecem lamentos
Murmurando humildemente...
Escrevo pr`ó vento que passa
E pr`àquele que há-de passar
Prevendo, em cada desgraça,
O que a possa melhorar...
Escrevo sempre pr`ó futuro
Enquanto o presente avança
Rumo àquilo que há-de vir
E transformo um tempo duro
Noutro que a mão não me alcança
Mas que permita sorrir...
Olá, Poeta! Tudo bem por aí?
Hoje é um cházinho estratégico.
ResponderEliminarBem mereço um cházinho!
EliminarTenho estado, mesmo, a tentar fazer três coisas ao mesmo tempo e, no estado miserando a que cheguei, não faço nem uma com alguma decência...
Vou já! :)
“Heróis do mar”
ResponderEliminarAtravés do voto elege
O povo a representação
Em cada eleito emerge
O orgulho da nação
Que a todos representa
Com espírito de missão
E assim o povo aguenta
Sacrifícios sem imposição
Nosso eleito nosso orgulho
Tu és a nossa motivação
Nunca serás um estorvo
Nunca serás um engulho
P’ra sempre no coração
Deste agradecido povo.
Prof Eta
Será que esta burguesia
EliminarPermanece adormecida
Ou pensa que uma utopia
Não é meta para a vida?
Estou a querer dar atenção
Ao programa, em simultâneo
Ao sonetilho em questão
Mas `tou a "fundir o crânio"
Porque, afinal, já são três
As tarefas que me imponho
Por causa do velho gato
E fazê-lo, desta vez,
Parece mais do que um sonho
E pior que um desacato! :))
Até já, Poeta! Nem queira saber o que o Garfield se lembrou de ir fazer atrás do sofá...
O programa já não vejo
EliminarMinha gata está deitada
Por isso o meu ensejo
De não pensar em mais nada
Desce sobre mim a noite
Asim de mente desocupada
Pode ser que não me afoite
Por ora em nova jogada
Ouço agora na Antena um
Uma voz doce e sincopada
Que de vez me adormece
É o que nos mantem em jejum
Feito ministro da carneirada
Quem o ouve nunca esquece.
Já nem atenção lhe presto,
EliminarAcabei por desistir
De atirar "bolas ao cesto"
Que nunca irei atingir...
Alguém fala em pagamentos,
PPP`s e liquidez
E eu dedico estes momentos
A sonhar c`o fim do mês...
Fui e cheguei atrasada
Porque a música a soar
Mostrou-me que já passou
Esta cabeça azougada
Tem mas é de sossegar
Enquanto eu por aqui estou... :)
Já não fui a tempo... mas também já não posso ouvir este jovem secretário de estado que parece saído dos cafundós da década de 40 do século passado! Mesmo não lhe dando atenção, há sempre um "cliché" neoliberalista que me entra pelo ouvido adentro e me fere o tímpano da lucidez que vou mantendo... a duras penas.
Beijinho! :D
“Antes do fim”
ResponderEliminarO dia antes do fim
Não dá para explicar
Eu sei que será assim
Quando a vida acabar
Partiremos num cometa
Num dia de escuridão
Ou então numa lambreta
Quem sabe num avião
Aqui ficará a saudade
Mas ninguém para contar
A história da humanidade
Que não soube respeitar
A sua própria vontade
De ao próximo amar.
Não se irá a espécie inteira
EliminarDe uma forma assim tão breve
Mesmo tendo feito asneira
E merecendo o que teve...
Hoje nem a poesia
Me derruba o pragmatismo
De acreditar que seria
Execrável "revanchismo"
Acabar com todos nós
De uma forma tão completa,
Tão primária, tão total,
Mesmo que esta nossa voz
Escapasse nesse cometa
Rumo ao seu destino astral... :)
Como vão as coisas por aí, Poeta?
Eu não pude marcar os raios x porque houve um engano qualquer e foi-me entregue uma credencial com o nome de outra utente qualquer. terei de ir ao centro de saúde, depois de amanhã... nem sei como pois mal consigo andar... mas lá chegarei! :)
OS MAIS POBRES
ResponderEliminarOlho e vejo tantos pobres
Bem vestidos, a rigor…
Não digas que os não descobres,
É só olhar em redor.
Comem sempre do melhor
Frequentam salões nobres
Esbanjam sem ter pudor,
A rodos, milhares de cobres
Pagam bem ao motorista
E melhor ao jardineiro
De putas, têm uma lista
E a viver nesta pobreza
Só o que têm é dinheiro
Sua única riqueza.
Eduardo
Vejo pois! Conheço tantos
EliminarDesses mui "bem sucedidos"
Surgindo em todos os cantos
E, às vezes, comprometidos...
Envergam seus belos mantos
Que atordoam os sentidos,
Mas não são nem bons, nem santos
E não estão arrependidos...
Paguem bem ou paguem mal
Não lhes gabo a pele que vestem
Neste palco universal
Pois por mais anéis que ponham,
Por mais sobras que lhes restem,
Eles nunca sabem... "nem sonham"
Boa noite, amigo Eduardo!
Espero que já estejam todos bem.
Obrigada por este seu sonetilho!
LEVA DE MIM ESTE CÁLICE
ResponderEliminarSe a beber aguardente
Esquecesse a matilha
Que nos morde ferozmente
Até bebia tequila!..
Enquanto, pacientemente,
Bebermos desta vasilha
Serão eles, certamente,
Quem eternamente nos quilha.
Teremos que optar
Invertendo o paradigma…
Vamo-los embebedar
Com uma poção bem forte
Asquerosa e maligna
Que os ameace de morte.
Eduardo
Torná-los ineficazes
EliminarMostrando que nada valem,
Que de nada são capazes
Mesmo que agora se calem,
Fazer deles aves rapazes
Mesmo que berrem, que falem,
Quando alguns dos mais audazes
No seu poleiro se instalem?
Tudo se há-de conseguir
Desde que a nossa união
Se comece a conseguir
E depois... o recomeço
Desta humana condição
De que agora me despeço... :)
Até já, meu amigo! Houve por aqui um pequeno "acidente" com o Garfield... volto já!
Ok, o há está servido!
ResponderEliminar:D Já vi, já vi!
EliminarAbraço gde!
Bolas não é o há, é o chá...
ResponderEliminarO quê??? Bem, já vi que vou ter de procurar a origem desta correcção... :D
EliminarÉ um chá de possibilidades, obrigado por me ajudar a reformular.
ResponderEliminarHoje o chá não engorda.
ResponderEliminar:D Até podia engordar... eu estou a ficar meio para o transparente... :))
EliminarAté já, Poeta!
A mão capitalista emudece-me,
ResponderEliminartenta com toda a força emudecer-me
mas não conseguirá
porque esta aqui não se calará
=)
Hoje a minha inspiração anda de rastos... coisas que as mãos capitalistas às vezes conseguem
Espero que esteja melhor
Bjs
Olá, Golimix!
EliminarHoje, toda eu estou de rastos mas, enquanto um dedo conseguir ir batendo as teclas, também me não calarei.
Se digo que estou de rastos, podes crer que é porque mal consigo andar e até escrever se tornou uma tarefa exaustiva... e lenta, mas não me calo, nem aceito a mensagem que tentam fazer passar de que está tudo bem e de que Portugal, por este caminho, chega seja aonde for. Ainda tenho esse mínimo de lucidez que sempre me permitiu olhar muito além da minha situação pessoal e aquilo que vejo é um enorme embuste que nos está a ser imposto e que muitos, infelizmente, vão aceitando, habituados como estão a acreditar em tudo o que vem "de cima", daqueles que efectivamente foram eleitos, mas com promessas que nada têm a ver com a realidade que agora impõem.
Um abraço, amiga!
“Canção do bandido”
ResponderEliminarO programa já não vejo
Minha gata está deitada
Por isso o meu ensejo
De não pensar em mais nada
Desce sobre mim a noite
Assim de mente desocupada
Pode ser que não me afoite
Por ora em nova jogada
Ouço agora na Antena um
Uma voz doce e sincopada
Que de vez me adormece
É o que nos mantem em jejum
Feito ministro da carneirada
Quem o ouve nunca esquece.
Prof Eta
Mas eu já respondi, ontem, a este sonetilho! Tenho a certeza absoluta!
EliminarVou procurá-lo por aí...
“Inversos”
ResponderEliminarNo universo dos possíveis
Inversos podemos imaginar
E passarão a ser exequíveis
Se o impossível se recusar
Cada inverso é possibilidade
Que no horizonte desponta
E abre nova possibilidade
De combater cada afronta
Para a afronta da miséria
O inverso da desigualdade
Aguarda a concretização
Liberdade proposta séria
Utopia desta humanidade
Como inverso a humilhação.
Exacto! E pr`a conquistá-la
EliminarHá que trabalhar a sério;
Construí-la até sonhá-la
Sem a ver como um mistério
Que isso de ter medo dela
Só nos traz o que se vê;
Uns pastéis sem ter canela
E quanto pr`aí se lê...
Já não será para mim
Mas qu`importa? Ela virá
Quando estiver bem madura!
Por isso é que eu canto assim
Estes versos que em mim há
De uma forma tão segura... :))
Abraço grande, Poeta! Espero que já estejam todos a recuperar!
Hoje é um cházinho equilibrado.
ResponderEliminarBem bom :D
EliminarAté já!
“Ardil II”
ResponderEliminarVejo incompatibilidades
Não sendo incompatíveis
E nas impossibilidades
Não encontro impossíveis
Vejo todas as realidades
Tangíveis e intangíveis
E além de todas as verdades
Ainda utopias exequíveis
Vejo todas as limitações
Impossibilidades reais
E incompatibilidades mil
Resultado de limitações
Das redes neuroniais
De quem montou o ardil.
Prof Eta
:)) Mas está igualzinho ao Ardil I, Poeta! Ou a minha memória já não dura nem 10 minutinhos? :))
EliminarVou confirmar... bem, pelo menos já me ri a sério... e olhe que hoje... isto tem estado muito mauzito em termos daquilo que eu sempre tive de sobra; vontade de viver e dar algum sentido a este meu percurso...
Igual sim, as imagens e os links é que são diferentes, mas por aqui no meu PC não estão a funcionar, não sei bem porquê. Quanto à fase menos boa é apenas uma fase, nada mais e o percurso continua.
EliminarEu vi as imagens! Imensas imagens! Fui através do link no Blog Not :)
EliminarSim, mas era suposto cada link abrir um texto que corresponde a uma dessas imagem, mas não está a acontecer, talvez amanhã aconteça.
EliminarRealmente, só vi as imagens... mas vou ficar atenta! :)
Eliminar“Ardil I”
ResponderEliminarVejo incompatibilidades
Não sendo incompatíveis
E nas impossibilidades
Não encontro impossíveis
Vejo todas as realidades
Tangíveis e intangíveis
E além de todas as verdades
Ainda utopias exequíveis
Vejo todas as limitações
Impossibilidades reais
E incompatibilidades mil
Resultado de limitações
Das redes neuroniais
De quem montou o ardil.
Hoje não tenho vontade
EliminarDe fazer rimas e versos
Perante a contrariedade
Destes dias, tão adversos...
Fui à consulta e já tenho
Nova consulta marcada...
Vim de lá franzindo o cenho
E "pior do que estragada"
Pois tanto tempo esperei,
Tantas horinhas com dores
E sem me poder deitar,
Que muito pior fiquei
Da coluna e dos "humores",
Sem vontade de falar...
:( Agora terei de ir a um hospital ortopédico. Estou mesmo toda moídinha, Poeta... e penso que terei de ir a uma junta qualquer que me disseram funcionar em Paço de Arcos...
UMA TROCA, EM AMARELO
ResponderEliminarDos impérios amarelos,
Entram por aí, de mansinho,
Em silêncio, de chinelos
E levam a água ao moinho.
E o mais fraco dos elos,
Carente de dinheirinho,
Deixa ir o Henriquinho,
Sem agravos nem apelos.
Esperemos que os chineses
A abarrotar de dinheiro
Nos resolvam os revezes
E um a um, como benesse,
Corram com o governo inteiro
Em troca do seus interesse.
Eduardo
:)) Já me fez sorrir, meu amigo... e olhe que, hoje, não seria fácil!
EliminarEsse era o "perigo amarelo"
Da minha remota infância
Que reporia o modelo
Desta nação, toda em ânsia!
Lembro-me bem da Aurorinha,
Que era muito temerosa
E bastante atinadinha,
Falar disso em estranha prosa!
Mas não li nada de nada...
Que terá acontecido
Para nisto me falar?
Estive três horas sentada
Com a coluna "em sentido"
E sempre a querer-me deitar...
Amigo Eduardo, desculpe-me estes versos que só deixo aqui porque me posso desculpar com o facto de estar muito, muito cansada, dorida e a fazer uma muito má gestão desta minha realidade que me vai pondo obstáculos que me irão retirar a possibilidade de escrever qualquer coisita mais decente. Parece que a minha vida se vai começar a transformar numa sucessão de "saltinhos" entre hospitais, juntas e centros de emprego... nem quero pensar nisso porque, hoje, não consigo lidar com isso. Estou a começar a sentir-me farta da minha quase imobilidade e de todas as viagenzinhas - o meu pior pesadelo - que me esperam nos próximos tempos.
Desculpe, também, o desabafo! Hoje não me alivia muito, mas...
Um abraço,
Maria João
Hoje há um cházinho simples.
ResponderEliminarVou até lá de fugida... nada está a melhorar por aqui e estou sem tempo útil para nada...
EliminarAbraço!
“Verbo de encher”
ResponderEliminarPosso até estar enganado
Há muito verbo d’encher
No governo bem instalado
E que nos anda a comer
Comem um belo repasto
Por força da solenidade
P’ra nós o discurso gasto
O caminho é a austeridade
Mais tempo não queremos
Mais dinheiro também não
Aos mercados vamos voltar
Pode ser que nos afundemos
Mas sem qualquer contradição
Que o discurso veio p’ra ficar.
Prof Eta
Não imagina, Poeta,
EliminarO que me está a custar
Não chegar à velha meta
Que me propunha alcançar
Cada vez me mexo menos
E cada vez tento mais
Dar conta dos meus "pequenos"
- falo dos meus animais -
Se responderia, ou não,
Não o soube até chegar
O poema ao meu correio
Mas não tive em atenção
O que nele me quis narrar
Ou a razão por que ele veio...
Peço desculpa, Poeta. Não estou nada melhor e estava a pensar que nem sequer lhe conseguiria responder, pelo menos em sonetilho... lá surgiu este, meio manco e muito mais "piegas" do que eu pensava... mas foi o que me veio ao correr - já não é correr, é um martelar lento - das teclas.
Abraço grande!
“Aguarela”
ResponderEliminarNeste rio lavo a alma
O pôr do sol contemplo
Entardeço com a calma
De quem visita o templo
Três passos mais adiante
Na alegria duma aguarela
Vejo um rosto radiante
Que entardeceu na tela
Entardecer todo os dias
No templo ou n’aguarela
Ao som de lindas canções
Faz sentir todas as alegrias
Da vida que sendo tão bela
Nos preenche de emoções.
Escrevo, então, por essas vidas
EliminarQue virão depois de mim
Em aguarela esbatidas
Como que não tendo fim
Escrevo ainda... que me importa
Se isto faz, ou não, sentido,
Ou se é natureza morta
O que ali foi imprimido?
Escrevo em esforço e sem esforçar-me
Em saber do que lhe digo,
Em cuidar de uma mensagem,
Sem pensar, sequer, mudar-me...
Escrevo só porque o consigo.
Pr`a mais... não tenho coragem!
Um abraço e... vai mesmo ter de me desculpar. Tudo o que disse, no sonetilho, é verdade, neste momento. Talvez devesse substituir "coragem" por "força", mas não rimaria... e agora sorri mesmo! :)
O chá de hoje limpa qualquer um de culpas.
ResponderEliminarPoeta, culpas, culpas, não costumo sentir... posso dizer que a culpa é toda minha, num ou noutro episódio em que fui menos atenta com alguém, mas não as sinto mesmo nada no sentido punitivo do termo...
EliminarO que eu sinto é que estou a "não conseguir" tratar da bicharada porque há razões fisiológicas de sobra... fora as de que me ando a queixar há séculos e só agora foram redescobertas e encaminhadas para o hospital ortopédico. Mas, se eu conseguir chegar a ir ao HO - veio com um bom tempinho de atraso, a descoberta desta evidência gritante... - não sei até que ponto não precisaria, também, de estudo neurológico, porque a diminuição da sensibilidade e da força já se tornaram mesmo muito incapacitantes.... e a culpa, neste ponto, pode ser de muita gente mas, minha não é, de certeza. Eu até sou muitíssimo clara na exposição dos sintomas...
Vou ver do nosso chá, mas é muito provável que a minha actividade na net se venha a reduzir drasticamente, a par de todas as outras formas de actividade.
Até já!
“Cantoneiros”
ResponderEliminarQuando eu era pequenote
Estradas eram remendadas
Depois veio um fartote
E centenas de auto-estradas
Agora para meu espanto
Ao circular no meu carrão
Estradas estão num pranto
Nem lhes deitam alcatrão
Mas já vejo umas brigadas
Com algum equipamento
A remendar uns bueiros
No meu tempo com enxadas
E muito do seu sofrimento
Creio que eram cantoneiros.
Prof Eta
Eram mesmo os cantoneiros
EliminarQuem fazia esse serviço
Arranjando os tais bueiros
Sempre em grande rebuliço!
Não sabia que as estradas
Estavam tão mal como eu estou;
Tão velhas e esburacadas :))
Quanto um mal que não passou...
Estamos mesmo a andar pr`a trás
Porque, tanto quanto sei,
Deviam estar mais decentes!
Uma ou outra é bem capaz
De chorar, como eu chorei,
Quando tinha dor de dentes...
Desculpe a palermice, Poeta... estive com o sonetilho parado durante imenso tempo porque a rima nunca vem ter comigo quando estou mais "avariada"... e eu estou-o mesmo! Acabou por sair esta tonteira que rima, mas... enfim....
Abraço grande!
“Bairros altos”
ResponderEliminarCom Puccini no coração
Os okupas do Bairro Alto
Juntaram-se à multidão
La Bohème deu um salto
Saiu do Quartier Latin
Com todos os proletários
Encontrou por cá o afã
Destes tempos temerários
Houve festa e alegria
Muita música e poesia
Era grande a diversão
Mas a outra face havia
Desta moeda que falia
Trazendo a desilusão.
:) até tenho algum receio dessa tal desilusão final...
EliminarVenham também às Palmeiras
Mas sem a desilusão
Que eu passo as tardes inteiras
A tentar dizer-lhe "não!"
E se não estivesse, agora,
Bem mais morta do que viva
Ou se, mesmo indo-me embora,
Me sentisse mais activa
Também eu me juntaria
À festança musical
Pr`a cantar como soubesse!
Talvez volte a estar, um dia,
Um pouquinho menos mal
E a cantoria comece...
Abraço, Poeta! :)
Hoje o chá é antes de deitar.
ResponderEliminar:) Eu tomo-o a qualquer hora, Poeta!
EliminarAbraço grande!
De acordo
ResponderEliminarÉ assim que morrem os ditadores
e o país voltará a florir.
Utopia, talvez, mas não tira a beleza e a dignidade do soneto.
Maria Luísa
Obrigada, amiga!
EliminarEstás melhor? Por aqui não vejo forma de sair desta espiral de coisas por fazer... nem sequer consegui ir fazer, ontem, as radiografias porque não consigo mesmo andar e uma amiga que me costuma dar boleia nestas pequenas coisas, além de também não estar muito bem, tem o carro na oficina, para a revisão.
Abraço grande!
Já respondi nos "Prémios".
EliminarComo a tua amiga não pode ajudar, pede à tua filha...a humildade e o perdão é uma honra e uma glória para quem a usa sem temer.
Deixemos para trás a vaidade e o tal "amor próprio" que é apenas o orgulho de pessoas minusculas que se convenceram de ter vencido
a batalha. No orgulho, não há inteligência, nem sensibilidade...É uma ilusão mediocre!
Maria Luísa
Não... no meu caso não tem nada a ver com isso... repara que são exames radiográficos aqui, em Oeiras. Ela mora muito longe e tem o trabalho dela que, como todos, está a atravessar uma fase menos fácil. Fazê-la deslocar tantos quilómetros -horas de viagem, - pondo em risco o seu trabalho para me transportar a menos de 2 kms, parece-me uma tremenda maldade. È preferível esperar pelo carro dessa amiga que mora aqui perto. Ainda por cima, são apenas as radiografias de controlo da pneumonia... as outras deslocações maiores e mais demoradas estão todas para vir depois, quando eu conseguir marcar a consulta no hospital ortopédico... e nem sei quanto tempo ficarei na lista de espera...
EliminarBjo!
Maria J.
EliminarSendo assim, de acordo contigo.
Temos mais um poeta na "União Europeia"
Coloquei de novo os vossos nomes e mais um.
Mª. Luísa
Ia agora mesmo descansar - descansar, para mim, agora, significa ir limpar o que o Kico fez pela casa toda... - mas vou ver do nosso novo Poeta!
EliminarFiquei entusiasmada com a ideia!
Vai até ele que tem muito jeito para videos também. E descansa dessas canseiras!
EliminarEles estão mal entregues, tu estás doente, eu
também, mas o futuro pertence a DEUS.
Aproveitemos e nos tratemos, para prolongar esta vida, um pouco mais!
M.L.
Acredita que não tenho pressa nenhuma de me ir embora, mas a minha situação não me parece lá muito animadora...
EliminarEu não percebo nadinha de vídeos, amiga. Houve um tempo em que os sabia trazer para o blog mas, agora, nem isso... mas já estive no do Anjo da Esquina e vi uma belíssima fanfarra!
Beijo!
A minha também não é animadora!
EliminarTento tornar o caminho da escrita menos pesado. Escrevendo menos e tentado responder muito.
Não te incomodes com os vídeos.
Lê o pouco que ele escreve e baseia a resposta nesse pouco. Eu não posso ver os videos.Tenho de poupar forças.
Para ti, se torna mais fácil também e cuidas de tuas forças. Não podemos exagerar, apenas
ajudar, levemente para nós.
Assim sou e tenho de ser
Assim faço!
M. L.
Tem de ser... eu, estando bastante isolada, gostaria muito de fazer como dantes, quando estive mais de três anos a publicar um soneto por dia... mas já não é possível.
EliminarNão gosto de os forçar - aos sonetos - e eles não surgem quando o desconforto físico é muito intenso... uma vez por outra, lá quebram a regra e surgem mesmo assim, mas só muito excepcionalmente...
Um abraço muito grande!
ResponderEliminarDeixo uma flor
Com toda a cor...À poesia
Muito obrigada, Anjo da Esquina!
EliminarUm abraço!
Olá grande poetisa, como vai a vida???
ResponderEliminarAo fim dum grande interregno ainda voltei aqui, já li a sua produção, inspirada como sempre.
Daqui lhe mando um beijo desejando saúde e força para continuar nesta luta difícil e cega.
Tenho deixado os poemas de lado e ando pela prosa.Publiquei um livro , do qual curiosamente vendi muitos exemplares e ando á volta com outro.
Voltei aqui e a primeira impressão é que este site do sapo não tem melhorado grande coisa. É a primeira camarada que visito mas já dei uma volta. Desejo inspiração e a disposição suficiente para tratar de si e da companhia. A minha gata a que eu chamava ciciollina, morreu ao fim de dezassete anos e deixou-me saudades. Já teclava comigo, quase percebia de computadores e passava a vida dela a fazer-me companhia. É uma falta que se sente.Não era pessoa mas vida e eu agora , confesso, respeito a vida desde os seus mais pequenos testemunhos.
Quanto a este país, nem se fala!!!!!É deprimente demais para se levar a sério.
Votos de muita calma, a saúde possível e um beijinho de amizade.
:( Lamento, do fundo do coração, a partida da Cicciolina, Peter! O meu Beethoven também se foi na véspera de Natal e custou-me imenso.
EliminarNão tenho visitado o seu blog... aliás, não tenho visitado praticamente ninguém... estou cada vez mais "não presta" e a inspiração precisa de um "elã" físico que eu estou a perder rapidamente a cada dia que passa.
Agora, neste preciso momento, tenho um soneto na ponta do cursor :)). Não é grande coisa. Nem sequer é apropriado ao momento político que vivemos... acho que o facto de estar menos bem me deixou um bocadinho egoísta. Só falo de mim e não é com grandes expectativas... mas deixo-o assim que terminar esta resposta. Não estou num daqueles momentos em que já estive e me poderia ter dado ao luxo de escolher um pouco mais... já não fazia um soneto há uma semana... ou mais.
Bacini! :)