CAPITALISMO - Soneto de Onze Sílabas Métricas

 


Sobram-lhe as migalhas dessoutra fartura


Que o sistema cria, que o cinismo inventa,


Do pouco que fia mas que o não sustenta


Porque se alimenta só de “dita”… e “dura”,


 


Sobejam-lhe as rendas da falsa candura


Que, qual maré alta, num crescendo aumenta


Pr`adornar uns quantos, porque a “plebe” aguenta


Os desequilíbrios desta arquitectura.


 


 


Se contra mim falo porque uma injustiça


Tudo o que não calo foi trazendo à liça


E, pouco fazendo, tão pouco produzo,


 


Levanto o meu punho como se o fizesse!


Mais saudável fora, mais força eu tivesse,


Mais protestaria contra os tais que acuso!


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 02.08.2012 – 15.58h


 


 


 


IMAGEM -  Blind Man`s Meal - Pablo Picasso, 1903


 


Soneto hendecassilábico


 


 


 

Comentários

  1. hé hé hé
    assim é que é...gosto


    bela e feliz tarde

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    1. Olá, Anjo
      Acredita! Esta coisa da musicalidade e do ritmo dos versos tem cá uma força!
      Eu a querer conseguir as tónicas nos sítios correctos e elas a fugirem-me para as sílabas do costume... foi precisa muita teimosia para conseguir apanhar o ritmo do soneto de onze sílabas...
      Obrigada e uma feliz noite para ti

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    2. só quem sabe consegue...

      feliz manhã

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    3. Ah, Anjo... eu não digo que não seja feliz, mas foi uma manhã de dor de cabeça que nem te conto... começo a duvidar que estas picadelas todas sejam mesmo de mosquito... estou num estado lastimoso e de tanto spray anti mosquitos, repelente anti mosquitos e aparelhinho eléctrico anti mosquitos, qualquer dia quem morre envenenada sou eu... porque as "babas" continuam cá e cada vez são mais... mas... adiante!
      Vi-me mesmo aflita para largar o ritmo da poesia diária; decassílabo heróico e redondilha maior! É quase como se o nosso próprio coração batesse naquele compasso e, de repente, lho tentássemos mudar... só se consegue com uma tremenda concentração e uma enorme dose de força de vontade....
      Beijinho e uma tarde luminosa para ti

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    4. alguma alergia de Verão
      calor que faz suar....

      e o sentido sempre conseguido
      de um momento escrito

      só de quem sabe e não fica aflito...

      xoxo dos calhaus da Serra e feliz noite
      sossegada...

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    5. Pode ser, Anjo... mas sempre te digo que é uma alergia muito atípica!
      Beijinho por gostares do meu soneto de onze sílabas métricas (sem o baton... ) e que tenhas uma noite muito feliz

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    6. Sabes, eu acho graça a estes iconezinhos... acho que é aquela minha faceta mais infantil que me "tenta" a usá-los... claro que nem pensaria em usá-los em certos textos... mas gosto tanto de os ver nestas nossas pequeninas conversas...

      Noite feliz, Anjo!

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    7. Um belo e luminoso dia também para ti, Anjo

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  2. “De mãos dadas”

    O défice é escorregadio
    Tanto quanto a corrupção
    Parte dele é um desvio
    Que passa de mão em mão

    Alimenta quem sabe gerir
    A dívida do nosso estado
    Mas também sabe dividir
    Para prolongar o reinado

    Se o dinheiro não tem côr
    Dizem que é negra a fome
    Por muito que digam que não

    Ele há por aí muito doutor
    Que é do défice que come
    E que alimenta a má gestão.

    Prof Eta

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    1. Tudo anda de mão em mão...
      Do desvio à falcatrua
      Tudo toma a direcção
      Oposta a quem vai pr´á rua...

      É uma estranha atracção
      E este jogo continua
      Enquanto o doutor-patrão
      Assobia para a lua...

      Dinheiro tem sempre a cor
      Que poder lhe quiser dar
      Alegando as ninharias

      Que, sendo alheias à dor,
      Nem cuidam de preservar
      Direitos e regalias...


      Abraço grande, Poeta!

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  3. “Petrificou”

    Pensador tanto pensou
    Foi intenso o esforço
    Tanto que petrificou
    Com uma dor no pescoço

    Nunca viria a entender
    O pensar da humanidade
    Que para alcançar o poder
    Se prostituía com vaidade

    Em troca de uns tostões
    A dignidade hipotecava
    E ao sabor dos milhões

    Os interesses governava
    E sem outras ambições
    Petrificou e se fez escrava.

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    1. A maioria - é verdade... -,
      Julgando que está liberta,
      Prostitui-se - e nem o sabe... -
      Por quantia sempre incerta...

      O Pensador... faz pensar
      Que talvez pensando mais
      Alguém lhe ocupe o lugar
      Das dormências posturais

      Talvez se levante um dia
      Pr`a falar do que pensou,
      Do que, assim, foi concebendo

      Porque acreditou que havia
      De entender o que sonhou
      Enquanto o estava, ali, vendo...


      Cá está o que me ocorreu quando li o seu sonetilho, Poeta!

      PS - Qualquer dia ainda me chamam a poeta das "ocorrências"... mas é exactamente isso que eu quero dizer e eu sou uma daquelas pessoas que se prendem muito ao significado das palavras...



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  4. “Fundação”

    Vou criar uma fundação
    Que me irá contratar
    Para exercer a função
    Da fundação administrar

    Já preenchi o formulário
    Fundação num minuto
    Administrador tem salário
    Que é mais líquido que bruto

    Há lugar para estacionar
    O meu carro com motorista
    Está inscrito nos estatutos

    Que acabei de aprovar
    E p’ra qu’a fundação resista
    Vou pagar salários brutos.

    Prof Eta

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    1. Eheheh... Poeta, não lhe vou conseguir responder à letra hoje... achei graça ao sonetilho mas estou sem inspiração e com uma dor de cabeça maior que a do costume... fica para amanhã.

      Abraço grande!

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    2. Vou fundar a fundação
      Do soneto mal medido
      E tenho toda a razão
      Pois este foi atrevido!

      Neste meu último verso
      Do soneto publicado
      Nada emendo, mas confesso
      Que o "metro" nasceu errado...

      Tenho uma sílaba a mais,
      Não a consigo emendar,
      Vou deixá-la como está...

      Segundo as contas formais,
      Errei, devo confessar,
      E pior falta não há!

      Poeta, não consegui deixar de ir buscar esta falha no último verso deste soneto, CAPITALISMO.
      Há realmente uma sílaba métrica a mais, no último verso e eu vou ter de escrever um mail ao seu pai, ainda hoje... em termos melódicos, no entanto, e baseando-me na oralidade, parece-me muito bem conseguido e, como tal, deixo-o ficar, apesar de coxinho, rsrsrs... mas não me foi fácil admiti-lo ou mesmo compreendê-lo...
      Tudo isto pode parecer excessivo, mas olhe que não é. Quando se produz poesia clássica é imperioso que se sigam as regras e eu, aqui, quebrei-as. De modo inconsciente, é certo, mas quebrei-as e a solução que me foi proposta "Mais protestaria contra os que acuso!", estando correcta do ponto de vista métrico, obriga-me a uma longa série de sílabas mudas que me parece bastante cacofónica e que quebra a unidade melódica do poema.
      Mais logo também acrescentarei uma nota sob o soneto, dizendo mais ou menos estas mesmas palavras.
      Abraço grande!

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  5. “Adversário”

    Possuo um adversário
    Que vive dentro de mim
    É um pouco temerário
    Sente-se-lhe o frenesim

    Quando atinge um record
    Não se deixa convencer
    Procura outro melhor
    Estuda forma de o bater

    Muitos anos a pedalar
    Outros tantos aos pontapés
    Algum ski pr’a desfrutar

    A montanha a seus pés
    Leva já alguns a nadar
    E corre não chega a dez.

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    1. Poeta, julgo não ter
      Adversário semelhante...
      Eu mesma tento fazer
      O melhor, a cada instante...

      Mas, depressa fatigada,
      Logo tenho de parar
      E não faço quase nada
      De que me possa orgulhar...

      Só um ou outro soneto,
      Que me pareçam melhores,
      Julgo virem a ser úteis

      Mas... records já não prometo
      E até falho em pormenores!
      Estou num dos meus dias fúteis...


      Ai, Poeta, que sonetilho tão disparatado que me saiu este. Eu, sinceramente, nem me considero fútil... mas enfim... também não foi um dia produtivo, de maneira nenhuma. Ainda nem sequer escrevia nota a assumir o erro métrico... nem escrevi ao seu pai...
      Abraço grande!

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  6. Respostas
    1. Não me diga que eu deixei escapar um Chá de ontem? Eu já ando a cometer mais erros do que aqueles que consigo ir admitindo a mim mesma... vou ver!

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  7. “Prostituição”

    Os princípios violar
    Foi apenas o início
    Virgindade foi ao ar
    Caímos no precipício

    Mas imortal e valentes
    Aguentamos os activos
    Mesmo assim dormentes
    Vamos vivendo passivos

    Funda São sempre existiu
    E a garganta também
    Faz parte da prostituição

    A que sempre se assistiu
    Desde São Bento a Belém
    Na valente e imortal nação.

    Prof Eta

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    1. Não tenho a certeza, não,
      De alguma vez nos livrarmos
      Dessa tal prostituição
      Que anda pr`aí a minar-nos

      Pois se, na verdade há quem
      Prefira a morte à traição
      Sempre há-de surgir alguém
      A vender o coração...

      Do momento em que vivemos
      Até já ouvi dizer
      A um palerma qualquer

      Que não existe e se a vemos
      É só porque a queremos ver...
      (...e eu que o tentava entender!)

      Poeta, espero que esteja tudo bem convosco! Abraço grande!


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  8. O que está na ponte é revolucionário.

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  9. com ou sem erro
    é digno e de se tirar o chapéu...

    feliz e radiosa manhã pra ti

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  10. “Sem medalhas”

    Sem medalhas de esperança
    Nosso horizonte enegrece
    Lágrimas trazem bonança
    Que logo depois desvanece

    Irrompendo em tempestade
    Que nem o suor pode vencer
    Trazendo mais negra a verdade
    Pintada de vermelho a verter

    Confunde-se no imenso clarão
    É sangue do povo a escorrer
    A verdade sempre escondida

    Indisfarçável nesta situação
    Em que o povo pode morrer
    P’ra dar ao monstro nova vida.

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    1. Sem medalha e trabalhando,
      Ganhando pr`a seu sustento
      Com seu esforço e seu suor,
      Vai-se, ainda, aguentando...
      Mas perder todo este alento
      De povo trabalhador?!
      Sem trabalho, assim penando,
      Sem saúde e alimento...
      Haverá coisa pior?

      Foi o que me veio à ideia, Poeta... tenho tentado estar a par do MSE - Movimento Sem Emprego - embora o meu caso seja excepcional, assinei o Manifesto. Acho que foi por isso que me vieram estas sextilhas...
      Abraço grande!

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  11. Respostas
    1. Um senhor Chá sortudo
      Bom dia, Poeta! Hoje só por cá posso estar um bocadinho... tenho papeladas para entregar...

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  12. “Whitehouse phone call”

    Telefonema de Obama
    Já sabemos pr’onde foi
    Estaria deitado na cama
    Porsupuesto, si Rajoy

    Alô Hollande ça va bien
    Disse Obama em francês
    Estava a mulher em soutien
    E não era a primeira vez

    Arrivaderci Mário Monti
    Envia uma pizza napolitana
    Que eu pago cá no destino

    É p’ra comer cá no monte
    Com a vossa primeira dama
    Sim a Merkel, meu menino.

    Prof Eta

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    1. Ah, Poeta... essa sra. Merkel tem o condão de me deixar desinspirada...

      Entretanto, no "condado",
      Entra a Troika na conversa;
      - "Temos tudo controlado
      e a população dispersa..."

      Mas sobe um rumor da rua
      Que julgava controlada
      E o povo não compactua
      Com tamanha palhaçada

      Fica a Troika no convento
      Do Carmo, a tremer de medo
      E o povo, de punho erguido,

      Faz reviver esse tempo
      Como se fosse um segredo
      Num repente revivido...

      Boa noite, Poeta! Abraço grande!

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  13. Olá minha amiga, essa inspiração não tem férias?Gosto muito de ler as suas palavras e os seus esclarecimentos falando de coisas que eu ainda não entendo mas que gostava imenso de entender.
    Um grande abraço
    Está a ser difícil ir tomar o nosso café mas não estou esquecida , até porque tenho de lhe ir oferecer o meu livro. Até breve

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    1. Idalina! Como vai? Não me leve a mal esta ausência... olhe que é geral... o meu ritmo abrandou muitíssimo e já não consigo fazer visitas a ninguém... ou quase ninguém, porque o Poeta Zarolho faz parte de uma longa "maratona" de sonetilhos...
      Sabe que eu estou sempre por aqui e faço tenção de por cá continuar enquanto me conseguir aguentar aqui sentada, nesta incómoda posição...
      Fico à espera de que as coisas se lhe proporcionem!
      Enorme abraço, minha amiga!

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  14. Respostas
    1. As minhas manhãs são sempre iguais... eu gosto muito delas, nos dias em que estou menos dorida. Nos dias em que estou mais "empenada", são uma agonia...
      São sempre para os passeios e primeira refeição do Kico, limpeza dos wc`s dos gatos - também muuuuuito velhinhos -, e limpeza da gaiola das pombas. A uma delas, a Pitinha, tenho de dar de comer no bico porque, além de não voar, tem o pescoço torto e não consegue alimentar-se sozinha. Ah, e há que apanhar do chão tudo o que o Garfield lá deixou durante a noite... está senil, coitado, e raramente usa a caixinha dele... depois é a "dança do balde e da esfregona", eheheheh...
      Feliz tarde e até já!

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    2. grande fungágá tu tens por aí...

      joca dos calhaus

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    3. Podes crer! E já tive muitos mais... estes são os últimos sobreviventes. Depois destes amigos, se eu ainda por cá ficar, já não posso ter mais. Não tenho disponibilidade física nem financeira... mas, com estes, tenho de me aguentar até ao fim. Isto parece mais um asilo da bicharada, eheheh...
      E dão-se todos lindamente uns com os outros. É uma paz, esta casa...

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    4. é mesmo dedicação e coragem...

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    5. Mas vale a pena, Anjo! São uns grandes, grandes amigos!

      Noite feliz!

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    6. eu imagino que sim...


      a mais bela noite e feliz pra ti

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  15. “Tocar a mudança”

    Vem visitar nossa casa
    Essa pois, o mundo inteiro
    Onde a alegria extravasa
    E ouves soar o pandeiro

    Já se toca a mudança
    Um pouco por tod’o lado
    Mundo pula e avança
    Acompanha o bailado

    Este ritmo, a melodia
    Convite a entrar na dança
    Vem sentir esta alquimia

    Que não é uma esperança
    É este vento que assobia
    Da certeza e perseverança

    http://playingforchange.org/

    http://en.wikipedia.org/wiki/Playing_for_Change

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    1. Perseverança... é comigo!
      Estou sempre na corda bamba,
      Equilibrando-me, em perigo...
      Mas não desisto, caramba!

      Se poeto, é por mudança,
      Mas sinto na pele o risco
      De o Poder entrar na dança
      E tudo ir parar ao fisco...

      Não sei tocar... seja então,
      Cada poema que faço,
      Meu passo, minha canção,

      Pois a Vida sem paixão,
      Sem o toque de um abraço,
      Não é vida... é privação!

      Este sonetilho foi-me nascendo com muitos sorrisos pelo meio... até me ri quando cheguei ao "fisco"... mas diz bem aquilo que sinto, diz!
      Abraço grande, Poeta!

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  16. Respostas
    1. Ainda vou até à Ponte... espero não cair dela abaixo porque estou literalmente a dormir em pé

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  17. A DESCANSAR DO DESCANSO

    Na cama que tu fizeres
    Nela te hás-de deitar
    É um dos nossos dizeres
    Ou anexins populares

    E uns cansados descansados
    P´ra descansar dos lazeres
    Vão cansar os afazeres
    Na manta rota deitados

    À custa da barba longa
    Passam o ano lá por fora
    E depois fazem candonga…

    Parem com isso ou eu grito
    Está a chegar a hora
    De vos fazer o manguito.

    Eduardo

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    1. Meu amigo Eduardo, acredite que estou mesmo tão cansada que mal me aguento aqui... respondo-lhe amanhã porque, hoje, mal sei o que estou a dizer.
      Obrigada e um abraço grande!

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    2. Na Manta Rota deitados...
      Eu, que tenho as mantas rotas
      E as roupas quase em bocados,
      Qu`inda não "bati as botas"

      Graças aos vossos cuidados,
      Que ando a fazer rimas-soltas
      Em versos improvisados
      Sobre alegrias, revoltas,

      Bem desejaria vê-los
      Muito mais longe daqui,
      Com esquimós a recebê-los...

      Mas `tou a disparatar!
      Por acaso, nem os vi
      Mas decerto ouvi falar...

      Cá vai, amigo Eduardo, juntando um abraço grande para si e Maria dos Anjos!

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  18. Emenda,

    Cansados, p´ra descansar,
    No tempo de seus lazeres,
    Vão cansar os afazeres
    Na manta rota deitados

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  19. A ponte está Eufémia.

    (Isto sobrepõe-se a tudo.)

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    1. AH! Levou a Catarina Eufémia à Ponte! Tem razão! Vou ver antes de ir tomar o Chá!

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  20. Respostas
    1. Vou ao Chá! Ontem já nem via o computador...

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    2. Olá querida poeta1 "Perdi-te" há vários dias! Mas ainda bem que te vejo aqui , muito feliz com os chás e os os amigos!
      Estive no Marco, como viste pelas fotos com os meus netos, Vim arrazada, de lingua de fora.....Nem sentia as pernas de dores. Fui ao médico ortopedista, e depois de varios exames chegou á conclusão que tenho os meniscos calcificados e ...não há nada a fazer1 É poupá-los o mais que posso! Em repouso fico melhor , mas não tenho feitio nenhum para "repousar", como sabes. Tem sido um enorme sacrificio. De resto tudo na mesma, mas muito para o neura....Beijinhos!!!!

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    3. Caramba, Ligeirinha! Essa coisa dos meniscos calcificados parece-me mesmo atroz, que chatice! Sei que não tens feitio para estar parada... desculpa-me, parece que ainda estou a tornar a situação mais negra, mas... caramba! É por sentir que isso, para ti, não é nada fácil... não será bom para ninguém, claro, mas é sempre pior para as pessoas muito activas.
      Eu ainda nem estou muito segura do que será que me "empena" tanto as pernas, sobretudo a esquerda... a consulta de Junho, no hospital, foi adiada para Julho e, em Julho, veio uma carta do hospital a adiá-la, novamente, para 21 de Agosto... é que não é só a dor, é a falta de "obediência" da perna... o meu andar deixou de ser fluido, normal... tenho de "puxar" pela perna e concentrar-me nela para poder manter a marcha... de caracol.
      Mas foi muito bom teres estado no Marco com os pequeninos!
      Vou ao teu blog! Também ando por aqui de forma muito mais limitada... a posição tornou-se-me demasiado desconfortável e as hérnias da cervical andam bem "assanhadas"...

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    4. querida amiga! Sempre tão atenta! Adoro-te! Beijos grandes!!!!

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    5. Muitos, muitos, para ti também, Ligeirinha!

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  21. “Geronimo”

    Chegou a hora de apagar
    Cachimbo da paz com terra
    Está na hora de desenterrar
    O velho machado de guerra

    Desta forma homenagear
    O genocídio de um povo
    Que aconteceu além mar
    Não aconteça aqui de novo

    É que envolto em poeira
    Dele te tornaste devoto
    Genocídio em democracia

    Brilhante ideia pioneira
    Em que por troca dum voto
    Talvez vivas mais um dia.

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    1. Muito povo, muita gente,
      Já começou a sofrer
      E a penar inutilmente
      Sempre em nome do poder...

      Em nome dele se respira,
      Se pára de respirar
      E se oferece, àquele que aspira
      Maneira de o destroçar...

      Em nome duma eugenia
      Louca, empedernida, errada,
      Se dizimou muita vida

      Que absurda filosofia,
      Não valendo mesmo nada,
      Nos foi sendo transmitida...

      Um abraço, Poeta!

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  22. Prosa em verso e verso em prosa. Tudo mostra o talento dessa grande poetisa, cujo estro ainda ganhará grandes tributos da humanidade.
    Só os grandes poetas reconhecem seus clássicos erros de métrica.

    Adilio Belmonte
    Belém-Pará - BRASIL


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    1. Muito obrigada pelas suas palavras, caríssimo Adílio Belmonte.
      Neste momento tudo o que eu possa dizer virá misturado com a apreensão que estou a sentir pois o meu querido e velho gato adoeceu e ainda estou a tentar perceber se a dor é abdominal ou articular. Todos os animais são tratados por igual, nesta minha casa, mas devo confessar que este meu amigo de 18 anos é o meu favorito; o mais presente e o mais devotado de todos os gatos com que tive o privilégio de coabitar. Sei que, sendo muito idoso, me terei de preparar para o pior mas, neste preciso momento, sinto-me desarmada. Não estou preparada para ficar sem ele e muito menos para o ver sofrer... peço desculpa pelo desabafo. O seu amável comentário chegou num momento de grande fragilidade emocional...

      Muito obrigada e um enorme abraço.

      Maria João

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  23. “Estupidez”

    Houve um primeiro passo
    Que foi extinguir a cultura
    Alguém disse, erro crasso
    Assim a estupidez perdura

    Viva a estupidez humana
    Alguém disse ser infinita
    Pois quem a arte profana
    Julga a cultura maldita

    Infinito o universo seria
    Sobre isso não há certeza
    Como já alguém dizia

    Ficou apenas provado
    Da estupidez a grandeza
    Enquanto o resto é estudado.

    Prof Eta

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    1. Estou sem ânimo para lhe responder, Poeta... muita coisa menos boa aconteceu hoje. Espero consegui-lo amanhã.
      Abraço grande!

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    2. Esta extinção da cultura
      Mostra desprezo ao Saber,
      Mas convém porque procura
      Gente que mal saiba... VER

      E só não falo em leitura
      Porque pode acontecer
      Esconder-se na noite escura,
      Outra forma de o fazer...

      Se de ler "politiquices"
      Anda o povo "deformado"
      Por intrigas e crendices!

      Há Cultura, isso é verdade,
      Mas não pode ser só Fado,
      Só paixões e só saudade...


      Olhe, Poeta, foi o que me saiu, assim, de repente... isto, hoje, não está bom para nada...


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  24. “Bomba genética”

    Há a bomba de neutrões
    P’ra deixar tudo de pé
    Só te estraga as feições
    Não sabias mas assim é

    Tudo permanece intacto
    A alma é a excepção
    É com o diabo o pacto
    Na vitória da destruição

    Que sem bombas avança
    Mas a humanidade tritura
    Com este ritmo frenético

    É um plano de vingança
    Faz parte da arquitectura
    Do nosso código genético.

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    1. Ah, mas eu sabia, sim,
      Das "bombinhas" de neutrões
      Que à Vida podem dar fim
      Sem estragar as construções...

      Não faz parte de nós todos
      Essa sede de Poder!
      Há quem tente, de outros modos,
      Criar, crescer, aprender...

      Geneticamente somos
      Animais e sonhadores
      De futuros bem melhores

      Ou laranja de mil gomos
      Onde alguns gomos, piores,
      Se apelidam de "senhores"...


      Enfim... metafórico demais... mas é assim que vejo o ser humano, agora, neste momento histórico... e desde sempre, também é verdade...
      Por aqui, mesmo sem bombas, as coisas não estão nada brilhantes... mas a minha visão do ser humano não parece ter sido muito "tocada" pela série de pequeninos desastres...
      Quanto à vingança... aqui está outro conceito que considero tão primário que ainda me custa a "digerir"... mas existe, sim. Sem dúvida. Nos momentos M e transposto para as multidões, é quase impossível detê-lo...
      Um abraço, Poeta!

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  25. Respostas
    1. Só agora vou à Ponte, Poeta... ontem estava exausta de todo, nem consegui levar-lhe aquele sonetilho que me saiu a correr...

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  26. “Secreto de menos”

    Houve um encontro secreto
    Por isso vem nos jornais
    Foi tudo muito discreto
    Mas devia ter sido mais

    Entre portas e travessas
    Agenda ficou conhecida
    E até algumas peripécias
    O local e a ementa servida

    Mais secreto é impossível
    Como aqui ficou provado
    E assim se constrói o futuro

    Duma nação imprevisível
    Que chegará a algum lado
    Mesmo que não tenha seguro.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Algum "ar condicionado"
      Deu com a língua nos dentes
      E logo foi comprovado
      Que há segredos... transparentes...

      Com tão grande transparência
      E eu sem saber do que fala...
      Não li o jornal... paciência!
      Nos versos ninguém me cala!

      Se for secreto, é preciso
      Que alguém desvende os meandros
      Duma coisa tão escondida

      Pr`a que não dê prejuízo
      Inventam-se alguns quejandos,
      Fica a coisa resolvida!

      Coxinho, coxinho... que nem eu, Poeta
      Abraço grande!

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  27. FÁBULAS do ESCOPRO e da MARLÉNE

    A FÁBULA do ROEDOR EMPROADO

    Um coelho, muito emproado,
    Enquanto tudo roía,
    Consolava-se e dizia:
    - Que sítio tão sossegado!

    A gente do povoado,
    Reparava mas queria
    Acertar a pontaria
    Sem deixar tudo estragado.

    Agora o bicho, coitado
    Já pouco abre a boca,
    Deixa estragar o relvado,

    Não se vê em nenhum lado,
    Raramente sai da toca,
    É um coelho assustado!

    Eduardo

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    Respostas
    1. Garanto que assustadiça
      Também eu iria estar
      Se tivesse de agradar
      À tal senhora roliça

      Que nos traz o euro à liça,
      Que jura não perdoar
      Quando a "pagança" faltar
      E à qual respondo; - Chiça,

      Que mania das grandezas!
      Já chega a ser doentio!
      Já nos basta de certezas,

      D`austeridades, pobrezas...
      Anda tudo em rodopio
      Pr`agradar a tais altezas!


      Boa noite, amigo Eduardo!
      Acho que não consigo "fabular" como o meu amigo... nem pouco mais ou menos! Foi isto, o que me saiu assim que li o seu sonetilho que muito lhe agradeço.
      Um grande abraço para si e Maria dos Anjos!

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  28. “Portões do inferno”

    Acredito que entramos
    Aos portões do inferno
    Nesta vida que levamos
    Antes mesmo do inverno

    Não, não vejo alternativa
    Nem uma vida mais pura
    Só esta actual missiva
    Qu’oferece vida mais dura

    Pr’a viver tens de pagar
    Uma taxa p’ra respirar
    Ou então sufocarás

    É pois hora de entrar
    E nossas almas entregar
    Aos cuidados de satanás.

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    Respostas
    1. Só agora abro este sonetilho... ontem não o vi... sabia que havia outro, pelos comments na cx de correio, mas não o abri... mas não vai ser fácil... ou levo isto para a metáfora ou será o mesmo que sonetilhar sobre o Pai Natal ou o Coelhinho da Páscoa... parto, então, do principio que este inferno é o momento histórico que vivemos e que Satanás é o grande poder capitalista...

      Não será fácil, pois não...
      Eu, no entanto, acredito
      Que acharemos solução
      Para o nosso mundo aflito...

      A ganância nunca abdica
      Dos mil bens que conquistou
      E o planeta inteiro fica
      Nas mãos de quem o matou...

      Mas... alguns nunca se rendem,
      E a vitória, cedo ou tarde,
      Há-de ser dos humilhados

      E nunca daqueles que vendem
      Um coração - que nem arde... -
      Pr`a glória duns abastados!

      Aqui está, Poeta! É o que penso e sinto. Lamento não poder ser mais específica... não saberia sê-lo, estaria a conjecturar... mas, nisto, acredito!




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  29. Respostas
    1. Vou ver, Poeta!
      Já percebi que tenho sonetilhos para responder...
      Agora vou só até à Ponte porque ainda tenho de ir tratar dos animais antes de voltar até ao computador... mas volto!

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  30. AGORA SÓ DE CANOA

    Tanto mar nós fomos ver
    Decerto foi p´ra mostrar
    O modo de estagnar,
    A arte de empobrecer…

    Um povo deve pugnar
    P´lo lugar onde nascer
    Sem pensar em explorar
    Quem livre deve crescer

    Nós fomos de caravela
    De cruz pintada na vela
    Mas voltámos a Lisboa

    Não ensinámos ninguém
    Pouco aprendemos também
    E chegámos de Canoa.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Que delícia de sonetilho, amigo Eduardo!
      Não sei se lhe vou conseguir responder... a ligação está tão má que não consigo "soltar" a inspiração... estou sempre a ver se ela cai e nem sequer está a ser muito fácil abrir as janelinhas e escrever... mas vou tentar...

      Decerto fomos em glória
      E com "boas" intenções
      Mas a verdade é que a História
      Nos mostra as contradições...

      A história das descobertas
      Tem as suas ambições
      De ocupação, escravatura...
      Houve trocas, houve ofertas,
      Houve algumas ligações
      Cujo fruto ìnda nos dura
      Mas, apesar disso tudo,
      Nas relações de poder
      Mil coisas foram forçadas,
      Por isso já não me iludo...
      Ao impor-lhes um saber
      Fizemos coisas erradas...
      Levámos tecnologias
      E outras formas de pensar
      - tão longe de ser melhores... -,
      Mas também epidemias
      Que não soubemos curar
      Ìnda que tendo "doutores"...
      Fomos impor a cultura,
      Mas não gostando de impérios,
      Detestando ocupações,
      Vi imposta a escravatura,
      Pelo pão, pelos minérios,
      A muitos, muitos milhões...


      Estará ainda mais "empenado" do que eu, mas foi o que me saiu, amigo Eduardo.
      Abraço para si e Maria dos Anjos!


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