SONETO PARA UM AMIGO QUE PARTIU NO NATAL PASSADO


É claro… a vida muda, o tempo passa…


Amores? Estes que tenho e que bendigo,


Aos quais voto amizade e dei abrigo


Sem sequer distinguir qual fosse a raça


*


 


Sorrio ao relembrar quanta era a graça


Deste meu negro e carinhoso amigo


(ama-se um gato sem correr-se o p`rigo


de que esse amor se canse e se desfaça…)



Os únicos "senãos" – eu sei-o bem! –


São os limites que esta vida tem


E que, um dia, nos lançam num desnorte


*


 


Quando, chegado o tempo da partida,


Percebemos que o tal final de vida


Depôs tão grande amor nas mãos da morte.


 *


 


 


Maria João Brito de Sousa – 26.10.2012 – 02.04h


 

Comentários

  1. grandes verdades
    nesse toque pessoal só teu...bonito

    feliz dia

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    1. Obrigada, Anjo

      Agora não chove e o sol vai sorrindo timidamente... mas não está lá muito seguro, este sorriso solar...

      Feliz dia, com ou sem chuvinha

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    2. uma grande feliz tarde
      que aqui
      é chuvinha de engrossar o ruido das ribeiras...

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    3. Por aqui o céu está a ficar ameaçador... uns cinzentos escuros que prometem muita chuvinha...

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    4. e eu nos destilantes ....aqui do Académico...

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    5. Ai, os destilantes! achei uma graça ao nome que tu lhes dás... nem imaginas! Vê lá, não abuses, eheheh...

      Alegre noite, Anjo!

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    6. um bom dia e
      uns destilantes com regra
      sabem bem...

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    7. Boa tarde, Anjo!
      Solzinho do bom, neste momento, por aqui. Mas já chuviscou...

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    8. frio o sol...nada mal por cá...
      feliz tarde

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    9. O solzinho também continua a sorrir por aqui...

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    10. eu já bebi uns copinhos
      filmei
      e agora aguardo a hora de ir embora...TM da Covilhã...

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    11. Já???? Pensei que fosse demorar muito tempo...

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    12. hé hé hé

      eu não sou grande fá de Lares...
      mais logo irei...

      feliz noite

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    13. Ahahahah... tudo bem. Penso que percebi. Desculpa mas imaginava-te nalguma festa da UBI...

      Feliz noite, Anjo!

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    14. um grande e feliz domingo
      que eu tô meio destilado...

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  2. esqueci dizer que publiquei
    algo de mim também...

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    1. só pequenos momentos...
      que a minha mais que nunca, matraqueia...hé hé he

      feliz noite

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    2. eheheheh... pequenos bons momentos, Anjo... tudo isso é importante e faz bem a tudo

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    3. passá-los o melhor possivel...

      um bom dia

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    4. Claro! Para mim o mais importante é um bom poema... e esses já só vêm de vez em quando... mas fico muito contente quando consigo fazer um...

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    5. a leitura já não será como era
      mas bem, há que resistir...

      feliz tarde

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    6. Olá, se há! Vivemos um momento em que é mesmo obrigatório resistir!

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    7. ... e vivam os resistentes, Anjo! Brindo com chá porque é a única coisa que tenho...

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    8. resistamos sempre...

      feliz domingo

      que eu até me doi o corpo todo...

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    9. Sempre, Anjo!

      Olha que a mim também me dói o corpo todo e não bebi nem meio destilante... isto está tão mau que quase nem consigo andar e tenho o lado esquerdo do corpo todo dormente...

      Está muito frio, por aqui, mas brilha um solzinho radioso!

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    10. E estou com ânimo, apesar de tudo... conseguisse eu mexer-me bem, Anjo e garanto-te que seria muito mais participativa em reuniões, reivindicações, manifestações... em tudo!

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    11. fica a gente nova para tal...

      feliz noite que tá um frio....brrrrrr

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    12. A quem vens tu dizer que está frio, Anjo...

      brrrr... mas que tenhas uma feliz e agasalhada noite

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    13. está a ser esgotante... e esgotei-me nas coisas do dia a dia... mas não estou infeliz, Anjo!

      Feliz tarde para ti!

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  3. “Repetição”

    Repetição do passado
    Nos futuros que virão
    Tão certos com’os fados
    Da nossa melhor tradição

    Assim como a saudade
    Não ficará do presente
    Dum tempo d’insanidade
    Povoado de gente demente

    Há esperança que não morre
    Mas é certo ficará insana
    Com tantas desilusões

    Vendo esta gente que corre
    Contra a sua raça humana
    Num futuro com repetições.

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    1. Foi-se dando um passo atrás
      E outro, sem se perceber
      Que há quem seja bem capaz
      De tudo, pelo poder!

      Mas, andar pr`a trás, não quero
      Que o tempo era um tempo injusto
      E, às vezes, mal me tolero
      Se lhe evoco, enorme, o custo...

      Esperança, enquanto esperança for,
      Deita a mão a qualquer tempo,
      Dá-lhe a volta e, logo mais,

      Germinando, irá impor
      A sua força, ao lamento,
      E o seu brado, aos velhos "ais"...


      Abraço grande, Poeta!


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    1. Chá natural... adivinhou que eu fiquei sem açúcar, Poeta? Eheheheh...

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  5. A MARATONA DO GASPAR

    Andava o Ministro assaz agastado
    Para lá e p´ra cá, sempre numa fona
    E, assim, terminar a tal maratona
    Sem ela, ao menos, haver começado.

    Com um tal percurso, tão apoquentado
    E mais com a crise torpe e comilona,
    Julgando seus males já ter mitigado
    Pôs-se a repousar, enfim, de poltrona.

    Mas ele distraído, ou por seu intento
    Esqueceu a regras duma tal corrida…
    Não se correm milhas, sem ter alimento

    E com os contendores mortos de canseira
    E outros tombando, na pista, sem vida
    Finou-se o prélio da pior maneira.

    Eduardo

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    1. Venha o Gaspar dizer que o povo é grande,
      Que somos pacifistas muito honrados...
      Podemos ser assim mas, de zangados,
      Já não há elogio que a fúria abrande!

      Assim, não há nem mão que nos comande,
      Corrente que nos prenda agrilhoados
      Ao estatuto de escravos e calados
      Pois gritamos: - A troika que desande!

      Provámos, de injustiças, mais de mil,
      Vimos do mal que fazem, das loucuras
      Contra as conquistas desse nosso Abril!

      Sabemos das mil coisas que nos doem
      E, a bem de umas elites ditas "puras",
      Do roubo dum futuro... que destroem!


      Maria João

      Muito obrigada por mais este soneto, amigo Eduardo!
      Abraço grande para si e Maria dos Anjos!



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  6. “Gritaria não”

    Vinte meses apenas
    P’rá linha de chegada
    Mortos são às dezenas
    Ao longo da caminhada

    Representam o sacrifício
    Desta longa maratona
    São os ossos do ofício
    Relvas não nos abandona

    Procura dar-nos alento
    Só não quer é gritaria
    Que incomode majestade

    Paguemos o seu sustento
    Pois essa é a única via
    P’ra não sentir austeridade.

    Prof Eta

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    1. Não sei que corrida é essa
      Que inclui o Relvas e tudo
      Nem que incumprida promessa
      Surge desse apelo mudo...

      É a corrida ao poder?
      Mas no poder já eles estão
      E assim fico sem saber
      Até da "refundação"...

      Se é pr`á chegada de alguém
      Estou pronta pr`ás "boas-vindas"
      Mesmo que não possa andar

      Pois não hei-de ficar sem
      Dizer-lhe as palavras lindas
      Que agora estou a lembrar...


      Abraço grande, Poeta!




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  7. A NOSSA MARATONA

    Maratona dos horrores
    Não teve abastecimentos
    Para os débeis corredores
    Privados de alimentos

    Dois terços de estertores,
    De tropeções e lamentos
    Falta um terço de suores
    P´ra vencer os maus momentos.

    Quem irá chegar à meta
    Da corrida sem esperança?
    Apenas um atleta

    Que por não ter sentimentos
    Sempre foi enchendo a pança
    Usurpando os mantimentos,

    Eduardo

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    1. Será que a grande corrida
      De que agora vai falando
      Começou mal à partida
      Por falta de um bom comando?

      Será que fala da vida,
      Das coisas que vão faltando,
      Desta fome indesmentida
      Que, entre nós, já vai grassando?

      Será sobre o céu cinzento
      Que sobre nós se agiganta
      Pr`a privar-nos do sustento?

      De outras lacunas quaisquer
      Ou deste povo que as canta
      Por saber que irá vencer?

      Mais uma vez obrigada pela sua contribuição, amigo Eduardo! Abraço!






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  8. Respostas
    1. Uma verdadeira maratona tem sido o meu dia de hoje, Poeta... se o Chá estiver tão cansado quanto eu, sugiro-lhe umas horas de repouso, eheheh

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  9. “Refundidos”

    É tempo de refundar
    Três vivas à refundação
    Antes mesmo de afundar
    Esta belíssima nação

    E eu que vos proponho
    Este brinde vigoroso
    Estarão comigo suponho
    Em momento valoroso

    Refundados nós teremos
    Outro futuro, outra vida
    Mais além chegaremos

    Pátria de novo nascida
    Refundados nós seremos
    Viva a pátria refundida.

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    1. Não faltam neologismos
      Pr`a tapar as grandes falhas
      Que mais me parecem sismos
      Ou disfarce de umas gralhas...

      Não estou com quem quer reformas
      De um sistema já... estragado!
      Lamento, mas uso normas
      Mesmo que seja pecado!

      Pegar no "mal", "refundá-lo",
      Querer transformá-lo num bem,
      Impingi-lo, sustentá-lo,

      Dar-lhe uma volta, enfeitá-lo
      Só para agradar a alguém...
      PESSOAL; É PR`AFUNDÁ-LO!!!

      Cá vai, com o meu cansadíssimo abraço, Poeta!



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  10. “Reafundar”

    Refundação terminada
    Venha já o orçamento
    Ou então não sobra nada
    P’ra dar ao salazarento

    O povo aguenta mais
    Já apregoa o banqueiro
    E eu vejo disso sinais
    Os que faz o timoneiro

    Duma nau já sem rumo
    Ao sabor desta tormenta
    Remem todos com vontade

    É dado certo, não presumo
    Este é um povo que aguenta
    Com todo a austeridade.

    Prof Eta

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    1. Não remam, não! Já cansados
      De aturar tais disparates,
      Levantam-se, amotinados,
      Mandam a nau pr`ó... Eufrates!

      Mudemos de timoneiros
      Que, a estes, ninguém os quer
      E o mar é dos marinheiros,
      Não se verga ao deus-poder!

      Já com tanta austeridade
      Se afunda a nau das promessas
      Que prometem sem verdade

      Que antecedem tal motim
      E os tripulantes, sem pressas,
      Pegam no timão por fim!


      Abraço grande, Poeta!

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  11. vim só desejar uma boa tarde
    e que tudo vá bem...

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    1. Olá, Anjo!

      Estou com uma gripe daquelas que parecem pesar uma tonelada... já andava com as febrezinhas e agora estou com uma febrezona... só com muito esforço me vou conseguindo manter sentada no bando de sumapau...tirito de frio!

      Feliz resto de tarde para ti!

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    2. ... já nem sei o que escrevo... queria dizer BANCO e escrevi bando... é que o banco onde estou sentada ´é de tábua corrida...

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    3. agasalhar é necessário MJ...

      eu tou paralisado do lado direito
      ombro, omoplata, braço e uma cervical...

      prá semana vamos ver o veredicto...

      um feliz dia pra ti

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    4. Pois... também tenho duas hérnias - logo duas... - na cervical... não é pera-doce, não, Anjo... as tuas melhoras

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  12. “Dia das bruxas”

    Halloween muito feliz
    Nossa antiga tradição
    Pelo menos assim se diz
    A mim parece-me que não

    Com abóboras iluminadas
    E um sorriso recortado
    Abóboras parlamentadas
    E o orçamento votado

    Sentido de dever cumprido
    Para este país refundar
    Com gostosura ou travessura

    Parece que está decidido
    Isto é mesmo pr’afundar
    Não é das bruxas a loucura.

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    Respostas
    1. Eu respondi a este sonetilho! Vinha agora buscá-lo para o levar... ai, quer ver que não ficou publicado...?

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    2. Halloween parlamentar,
      Foi aquilo que entendi...
      Não vos queria chatear
      Com quanto por lá ouvi,

      Mas fiquei quase a chorar
      E garanto que perdi
      O poder de controlar
      Toda a fúria que senti

      As abóboras fugiram
      E a multidão foi crescendo,
      Mas o OGE passou

      E, deste lado, surgiram
      Certezas a que me prendo
      Nesta tristeza em que estou...


      O outro nem sequer era parecido, mas foi-se, Poeta... de qualquer forma tenho sempre muita dificuldade em escrever quando estou com febre...
      Abraço grande!



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  13. Respostas
    1. Há músicas que não escolhem dia, porque são de todos os dias, assim a ponte hoje voltou a ecoar.

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    2. E ecoou à maravilha, Poeta!
      Foi a segunda vez, hoje, em que fiquei com as lágrimas nos olhos... e a primeira foi com a leitura da frase "o povo unido nunca mais será vencido", logo a seguir à votação daquele OGE criminoso...

      Muito obrigada e um abraço grande!

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  14. “Troika nossa”

    Vai dizendo a troika nossa
    Iremos sempre mais além
    Sem que culpa seja vossa
    Contribuam como convém

    Não sabemos se causa mossa
    Mas se estão vivos, estão bem
    Aguentam austeridade grossa
    E o plano B já lá vem

    Assim vamos esvaziando
    Todo o vosso rendimento
    Mas sempre a bem da nação

    Cá nos vamos apaparicando
    Na cantina do parlamento
    Mas só com ovas de esturjão.

    Prof Eta

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    1. Eles que vão comer caviar
      Para um planeta qualquer
      De outro sistema estelar
      Porque, aqui, ninguém os quer!

      Nem a eles nem aos vendidos
      Que andam a apaparicá-los
      Ou que estão tão distraídos
      Que nem sabem criticá-los!

      Já não temos soberania,
      Nem temos coisa nenhuma...
      Mal nos resta a "imparidade"

      De ir criando a mais-valia
      Pr`a todo aquele que avoluma
      Esta absurda austeridade...


      Abraço grande, Poeta!


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  15. “Ai povo”

    Ai povo unido
    Cabelo comprido
    Charuto mordido
    Sem Abril cumprido

    Na teia do partido
    P’la corrupção engolido
    Eu te faço um pedido
    Afasta esse prurido

    Faz-te mesmo união
    Sem qualquer pretensão
    A não ser cada irmão

    Sentindo o seu coração
    E cada mão na mão
    Construa essa união.

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    1. Ah, Poeta... está bem bonito, este sonetilho! Só me parece que revela algum desconhecimento do ideal comunista do qual eu nem sequer posso fazer parte, a não ser através do suporte que vou tentando dar online... é que, neste Partido que eu apoio e com o qual sinto ter tantas afinidades, não existe mesmo corrupção... mas estou tão ensonada e cansada de andar a tentar entrar no Face sem o conseguir... desta vez penso que é mesmo uma avaria...
      Vou deixar a resposta para amanhã... hoje só sairia disparate se eu tentasse poetar... hoje a febre está mesmo a fazer das suas...

      Abraço grande!

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    2. Nos partidos não há corrupção, ela há é nos homens. e se os partidos têm homens então está tudo dito, assim como as regras podem ser excepção, também as excepções podem ser regra, portanto tudo existe em todo o lado, poderia ralatar factos, mas que nunca seriam factos, pois sem haver provas nunca passariam de meras histórias, é sempre assim que se constroi a nossa história, por isso não há só uma, há tantas quanto se queira. E só para terminar quando escrevi partido não me referia a nenhum em concreto, mas há capacidade que o homem tem que ter para sair desses casulos e ver cada irmão como um semelhante para poder de facto unir-se, porque ao encasular-se de alguma maneira o homem o que promove é desunião. Tudo assim dito é utopia eu sei, mas pode ser que um dia as utopias deixem de o ser, por uma quaquer razão que agora ainda não vislumbro.

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    3. Vê que eu errei naquilo que bem temia? A febre minou-me o discernimento e vi o sonetilho como uma mensagem pessoal... e é errado, eu sei - e sempre tenho mantido essa posição - abordar um poema como se ele nos fosse pessoalmente dirigido. Além do mais, estou farta de saber que é uma forma redutora de abordar a poesia... ms hoje não estou melhor do que estava ontem... bem pelo contrário... apenas posso dizer-lhe que, no partido a que me refiro, até pode entrar um ou outro membro com maior tendência para se deixar corromper, mas depressa desiste da militância uma vez que esta, nesse partido, lhe exige um despojamento total em relação aos bens materiais e às ambições "carreiristas"... é assim que as coisas funcionam na prática, segundo os estatutos e em prol dos objectivos que incansavelmente perseguimos.
      Não vejo os partidos - sobretudo este partido - como casulos. O grande capital está organizado e só organizados o poderemos combater, Poeta. Os partidos foram uma conquista da Revolução de Abril e eu não quereria perder nem uma dessas conquistas... não tenho dúvidas de que esse seria um dos interesses do grande capital. E não estamos minimamente preparados para enfrentar o golpe que o poder financeiro nos prepara neste exacto momento. Não estamos nem estaremos enquanto nos não soubermos organizar, enquanto muitos de nós não se sentirem capazes de dar a vida pelo futuro de todos em igualdade, como dezenas e dezenas de comunistas o fizeram durante o Estado Novo. Por isso tornei tão pública a minha posição política, mesmo sabendo que o meu trabalho seria ínfimo e, muito provavelmente, desajeitado devido às dificuldades em locomover-me e participar nas reuniões e sessões de esclarecimento. Não me arrependo nem por um segundo. Lá, como em nenhum outro sítio que eu tenha conhecido, se aprende que cada um dos que nos rodeiam é um irmão.

      Mas vou tentar poetar agora, uma resposta ao seu sonetilho de ontem.
      Abraço grande!

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    4. Pouco a pouco há-de cumprir-se
      Quanto Abril nos prometeu
      C`o a "riqueza" a despedir-se
      Das "diferenças" que acendeu...

      Muitos de nós não desistem,
      Muitos de nós sabem bem
      Que há ideais que resistem
      Ao tempo e à morte também...

      Ninguém tenha a veleidade
      De dizer, neste momento,
      Que existe a neutralidade

      Pois, amigo, na verdade,
      Não merece esquecimento
      Quem lutou por liberdade...


      Saiu um bocadinho desafinado porque eu não estou - como lhe disse - nada melhor desta gripalhada e não há nada pior para a "inspiração poética" do que a mistura da febre com dor de cabeça intensa e mal estar generalizado... tudo somadinho às limitações e desafinações físicas do costume...

      Abraço grande, Poeta!

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  16. Respostas
    1. Lá vou, Poeta! Acho que estou com mais febre... mal me aguento sentada...

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  17. MEMORANDO DO MAU PAI

    Anda por perto o credor,
    Problema que me consome
    Mas tenho outro maior,
    Os filhos cheios de fome…

    Não quero ser devedor,
    Quero salvar o bom-nome
    Aguentem, ninguém come
    Eu não serei um traidor.

    Irei ficar na História,
    Os filhos deixo morrer,
    Morrem em nome da glória…

    Pago juros, capital
    Mas não lhes dou de comer.
    Morrer de fome é vital!

    Eduardo

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    1. Nunca foi tão desumana
      Quanto agora está a ser
      Esta invenção do poder
      E de quanto dele emana...

      Transmutado em coisa insana
      Deitar-nos-á a perder
      Mas, quando o povo quiser,
      Bem depressa o desengana...

      Simplesmente... não paguemos
      E veremos até quando
      Cobram quanto não devemos!

      Todos juntos... sobraremos
      Pr`ó "grupelho do comando"
      Que nos leva quanto temos!


      Desculpe, meu amigo Eduardo, mas não estou mesmo nada inspirada... hoje a febre está mesmo a tirar-me a inspiração toda. O seu está muitíssimo bom, como sempre. Agradeço muito e deixo o meu abraço para si e Maria dos Anjos.

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  18. “Insolvência moral”

    O FMI vem ajudar
    Para a despesa cortar
    Não sabemos governar
    Vamos ter que pagar

    Juros até à morte
    Por esta assessoria
    País pobre e sem sorte
    Escolheu a sua via

    A austeridade brutal
    Espécie de opressão
    A dependência total

    Que não é solução
    A insolvência moral
    Levou a esta decisão.

    Prof Eta

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    1. A corja do capital
      Hipotecou-nos a Terra!
      Vêm ver se Portugal
      Está submisso... ou lhes dá guerra!

      Se à custa de um povo inteiro
      Alguns se mostram servis,
      Já o povo é justiceiro,
      Não verga tanto a cerviz!

      Para nada trabalhamos,
      Em vão nos sacrificamos,
      Por esta conta impagável,

      Porque, pagar... não pagamos
      Por mais que, afinal, queiramos...
      Isto é mesmo insustentável!


      Abraço grande, Poeta!

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  19. NOVO ACORDO DE ORTOGRAPHIA

    Vindos nós de novo a as medievas eras
    Mai-la o negrume da crua escravidão
    Acordados inda doutras primaveras
    E agora falidos em tal servidão

    Tomemos asinha esta tentação
    De a fala e escrita salvar de quimeras
    Amostrando audazes nossa erudição
    Vamos arrimar acordo deveras

    Já que a as arrecuas voltamos agora
    A os tempos de perca de a independência
    Com fervor de Celtas vamos lançar fora

    Arengada insana de estilo sem cura
    Espelho que amostra a nossa falência
    Se tudo vendemos queremos fala pura.

    Eduardo

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    1. Senhor, a febre subiu,
      O mal estar não melhorou
      E até a tosse agravou
      A gripe que me atingiu...

      Já a tez se me tingiu
      Do rubor que a matizou
      E o corpo tremelicou
      Torturado pelo frio...

      A tosse subiu de tom
      E eu bem sei que nunca é bom
      Sentir-se alguém neste estado...

      Posso estar muito doente
      Mas ficarei firmemente
      Contra este Acordo malvado!


      Não vai em decassílabo porque, brincando, brincando, estou exactamente conforme descrevo... as minhas rimas podem ter alguma força mas são muito frágeis na sua condição de "flores campestres", rsrsrsrs
      A verdade é que o mal estar físico me retira toda a inspiração, amigo Eduardo, sobretudo quando acompanhado por febre. Muito grata por mais este seu aguerrido soneto!

      Maria João

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  20. “Casulo”

    Homem não é união
    Mas sim a desunião
    Homem não é evolução
    Mas sim a desagregação

    Promove confrontação
    Bom motivo de discussão
    Mas também de destruição
    Sempre por uma boa razão

    Mas no dia em que a utopia
    Tenha deixado de o ser
    Pode o homem destruir

    Esse casulo que impedia
    A cada homem o homem ver
    E já pode a união construir.

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    Respostas
    1. Nem por oito... nem oitenta!
      Não somos seres tão malvados
      Quanto o que pr`aí se inventa...
      Estamos só... mal acabados...

      Somos capazes do bem,
      Somos capazes do mal...
      Somos, quando nos convém,
      Como qualquer animal

      E apenas a razão
      De criar complexamente
      Discrimina a nossa acção,

      Não teremos intenção
      De sermos apenas gente...
      Mas é essa a conclusão!


      Abraço grande, Poeta! Estou num dos meus dias de cepticismo... alguma irracionalidade e muito cepticismo, nem eu sei porquê!
      Não digo que é da febre porque ela tem sido o bode expiatório de todos os meus defeitozinhos, mas...
      Beijinho para a Maria e para os pequeninos!

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