VIVER ATÉ AO FIM


 


(Soneto em decassílabo heróico)


 


Mal se te apague esse último embondeiro


Em horizonte incerto, agonizando,


Entenderás que a morte foi tomando


Tudo o que a vida te ofereceu primeiro


 


Sem que te concedesse um só roteiro,


Sinopse ou mera guia de comando


Do tempo incerto que em te foi gastando


Sem dar-te contas de um tal cativeiro.


 


Só sabes que há-de vir, que a todos calha


A hora de, envergando uma mortalha,


Voltar ao barro cru que tanto amaste


 


Mas, por cada segundo em que ela falha,


Aproveita! Inda é vida a mão que espalha


Sementes sobre um chão que antes lavraste.


 


Maria João Brito de Sousa – 09.06.2013- 15.18h

Comentários

  1. Sá bias palavras...

    Uma muito feliz noite

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    1. Serão, Anjo... mas... mal de mim quando sinto tudo isto e nem me lembro de falar de outra coisa... é a minha última publicação.

      Um feliz Dia de Portugal e de Camões!

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  2. “The woman in red”

    O símbolo do protesto
    É a mulher de vermelho
    O polícia com seu gesto
    É do poder o espelho

    Sentiu a séria ameaça
    Da mocinha aperaltada
    E antes qu’ela o desfaça
    Vai daí não faz mais nada

    Utiliza todo o poder
    Como o poder lhe ordena
    Em nome da democracia

    Que para se proteger
    Ao povo inflige a pena
    Como a lei sentencia.

    Prof Eta

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    1. Ainda volto para lhe responder, Poeta! De momento estou mesmo desinspirada de todo! Abraço!

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  3. AVENIDAS NOVAS

    Por tais ruas, eu, não vou…
    Prefiro passar de lado.
    Muito justo lá entrou
    E foi, sempre, atropelado!

    Apesar disso, tentou
    Voltar por tal empedrado.
    Só agora reparou
    Que sempre foi enganado.

    Eu vou P´la nova avenida
    Que pouco a pouco trilhada
    Há-de ser a mais comprida

    E onde, em fraternidade,
    Seguiremos de mão dada
    Até encher a cidade!

    Eduardo

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    1. Amigo Eduardo, ainda não tinha tido a oportunidade de lhe responder a este seu sonetilho às Avenidas Novas... mas a verdade é que já o li, antes de sair, esta tarde e essa leitura acabou por me suscitar um poema com estrofes de doze versos... é mauzinho, eu sei, mas estou completamente desinspirada e fazer este já foi bastante incomum...ocorreu-me, essencialmente, o primeiro verso do seu sonetilho "Por tais ruas, eu não vou..."

      Chamei-lhe

      AVENIDAS NOVAS EM... "DUODÉCIMAS"


      Sempre foi muito atraente
      Fazer como toda a gente,
      Escolher grandes avenidas
      Onde os passos sejam fáceis
      E os passeios, sendo gráceis,
      Exibam, bem construídas,
      Moradias, portões altos,
      E montras bem decoradas
      Quais armadilhas montadas
      N`antevisão dos assaltos
      Quase sempre inevitáveis
      Nessas ruas mais… “notáveis”

      Mas, verdade seja dita!
      Apesar de muito aflita
      Do tecido muscular,
      Prefiro ir, devagarinho,
      Escolhendo, eu própria, o caminho
      Que os meus pés irão pisar
      Pois só assim satisfaço
      Meu propósito de vida
      Sem que me sinta vencida
      Pelo auge do cansaço
      E outras coisitas menores
      A que é comum chamar dores…

      Caminhando e construindo,
      É assim que vou seguindo
      Até que, a dado momento,
      Surja o final da tal estrada
      Que andei, passada a passada,
      Sem males de arrependimento
      E, por ser muito teimosa,
      Deixo a rua mais “vistosa”
      Pr`ós que nem saibam viver,
      Porque esta é tão mais serena
      Que só me resta ter pena
      De quem “a outra” escolher…

      Se há caminho pré-traçado,
      Fica já posto de lado
      Pois mulher-em-construção
      Cria o seu próprio caminho;
      Voe alto ou voe baixinho,
      Nunca segue a multidão
      E assim que a escolha for feita,
      Sem recuar, nunca aceita
      Caminhos pré-fabricados!
      A avenida, estreita ou larga,
      Fica pr`ós burros-de-carga
      Com sonhos mal albardados…


      Maria João Brito de Sousa


      Um grande, grande abraço para si e Maria dos Anjos!



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  4. Amiga poetisa,
    Não concordo com seus presságios, pois, por pior que seja a situação, a vida não nos pertence. A vida é divina! A poesia é divina! E de tudo isso cuida Deus, que ama a tudo. Aliás, poetas não precisam preocupar-se com o fim da vida corpórea, pois já ganharam a eternidade. Vivem ainda Camões, Dante e Shakespeare . Por que Maria João ser pessimista.?
    Ainda precisamos muito de sua poesia.
    Eu mesmo lhe enviei pobres versos para revisão, inclusive um em sua homenagem. Que Deus te ilumine, te dê saúde, amor e muita inspiração!

    ADILIO BELMONTE
    Belém-Pará-Brasil

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    1. Não sou mesmo nada pessimista, amigo Adílio! Apenas estou farta da falta de privacidade em tudo o que é programa, caixa de correio ou plataforma ligados a este computador e aos meus endereços electrónicos... não esqueçamos nunca que a poesia não pode nem deve ser condicionada desta forma... nem sequer por Deus, meu caro amigo!
      Recebi os seus poemas e farei o possível por lê-los, assim que tenha um pouco mais de tempo livre. Ainda só consegui abrir uma meia dúzia deles... os programas têm estado a instalar-se e desinstalar-se à revelia de mim e a ligação esteve inacessível durante um bom tempo... terá de ter alguma paciência.


      Um grande abraço e muito obrigada!


      Maria João

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  5. “10 de Junho agrícola”

    Portugal república de bem
    Tem uma missão estóica
    Já prepara como convém
    Aquele que é o pós-troika

    Apostar na agricultura
    Deste seu vasto território
    É mensagem que perdura
    Associado a fim meritório

    Teremos a fundo perdido
    Subsídio pr’ó fogo preso
    Será grande o alarido

    Na tomada de decisão
    Mas se acaba tudo teso
    O pós-troika é a extinção.

    Prof Eta

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    1. Cheguei há pouco do laboratório, Poeta. Não me sinto muito bem e a "desinspiração" é total... mas tentarei voltar ainda hoje a este seu sonetilho... mas sempre lhe digo que me parece que esse pós-troika é só "para português ver"... e não falo muito mais por agora... venho zangada... pelo menos, menos bem disposta e nada "tolerante"... o que é bom, em relação às troikas, mas não me traz inspiração nenhuma...

      Obrigada e até já, Poeta!

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  6. Respostas
    1. Poeta, peço desculpa mas não terei tempo de ir à Ponte... pelo menos para já. Tentarei ler o seu sonetilho ainda hoje e darei um pulinho até ao vídeo assim que regressar de uma tarefa urgente, inadiável...

      Abraço grande!

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  7. “Estatística”

    Se há milhões de pobres
    Poderá existir um rico
    Se proliferam os torpes
    Mais honesto eu fico

    É a distribuição normal
    Pl’a estatística explicada
    Pr’a existir um animal
    Tem que existir a manada

    Antes pobre e honesto
    Assim já sei que não presto
    Estatisticamente falando

    Pois há muitos que aí estão
    Por terem mais dum milhão
    Também não estão prestando.

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    1. "Estatisticando"...

      Nem pobreza miserável,
      Nem o luxo da riqueza
      São uma forma saudável
      De imitar a natureza,

      Mas é tudo uma questão
      De alterar mentalidades
      Nesta humana condição
      Cheia de arbitrariedades...

      Do que os números disserem,
      No que a mim me diz respeito
      Quanto à minha própria vida,

      Não farei o que quiserem
      Pois bem sei que o não aceito!
      Vencida... não convencida!


      M. João


      Aqui vai, atrasado, mas com o abraço grande do costume!


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  8. “Santinhos”

    S.Hollande nos valha
    Diz que a crise acabou
    Este santinho não falha
    Tanto a gente o desejou

    Eis agora o salvador
    Quando tudo desvanecia
    Afirmou-se esta voz maior
    E resolveu tudo num dia

    E eis que ouço outra voz
    Esta é cá do nossa terra
    Um desafio veio lançar

    Diz que é pr’a todos nós
    O desporto está na berra
    Não esqueçam de praticar.

    Prof Eta

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    1. "Santinhos e... fingidores..."

      ... mas quem pode acreditar
      Se com dois dedos de testa
      Qualquer um vai constatar
      Que mal começou a "festa"?

      Permaneçamos unidos,
      Mais que nunca organizados,
      Coerentes, resolvidos
      A não sermos derrotados!

      Quem quiser ser aldrabão,
      Pode sê-lo em qualquer parte,
      Não tem de ir para o Japão

      Fazer discursos em vão
      E, sem engenho nem arte,
      Armar-se em Sebastião...


      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o meu abraço!

      PS - Ainda não consegui ir ler o sonetilho de ontem...


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    1. Haver futuro, há... há é que agarrá-lo já, com força... e claro que não estou a falar do meu, eheheheh... mas vou à Ponte!

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  10. Respostas
    1. Pode ser bom... ou mau... é tudo uma questão de perspectiva

      Vou vê-lo, Poeta!

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  11. “O mais alto cume”

    Desde o mais alto cume
    Verás as nuvens pairar
    Mas não sintas azedume
    Respira puro esse ar

    Que a poluição persiste
    Consome-nos devagar
    Mas àquele que desiste
    Mais depressa irá matar

    Com a vida devagarinho
    Nesse passo apressado
    Não escolhendo caminho

    Chegarás a qualquer lado
    Mas o destino de dor
    Esse já está traçado.

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    1. No cume... das burocracias!


      Já vivo em câmara-lenta...
      De outra forma já não posso!
      Nem tempo se me acrescenta,
      Nem rindo, eu saio do "fosso"!

      Pairo entre as burocracias
      Dos balcões de atendimento
      E uso "palavras vazias"
      Pr`a pedir diferimento...

      Mais lento... não sei que seja!
      Depois... há sempre uma falha,
      Um errozito qualquer

      ("Gralhita" que mal se veja
      nunca deixou de ser gralha
      por estar sempre a acontecer...)


      Maria João


      Aqui vai, Poeta, profundamente embebido da "desinspirante" burocracia que me tem "envolvido" ultimamente... mas com o abraço do costume!



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  12. “Cobaias”

    Que o poder sitiado
    Do seu palácio não saia
    Pois o povo desgovernado
    Já só espera qu’ele caia

    Mas apenas tem cantado
    Ou emitido uma vaia
    Povo assim pacificado
    Só poderia ser cobaia

    Da austeridade asfixiante
    Que nos quiseram impor
    Pr’a levar ao crescimento

    Contra a mentira gigante
    Cantemos com todo o fulgor
    Um cantar mais violento.

    Prof Eta

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    1. Cobaias, não!

      Cobaias não queremos ser!
      Gente lúcida, actuante,
      Não se quererá rever
      Numa cobaia... gigante...

      Mas de tão "desinspirada"
      E alheia das "criações"
      Mais me vale não dizer nada,
      Quedar-me nas transcrições!

      Nestes anos - já são longos... -
      De perpétua criação
      Com tão forte intensidade,

      Vivi, sofri alguns "tombos",
      Desgastei-me "até mais não"...
      Ando em... "inatividade"!


      Maria João


      Aqui vai, Poeta, muito saído "a martelo"... mas estou mesmo muitíssimo "desinspirada" e muito "absorvida" por um trabalho de pesquisa e transcrição que, juntamente com a ocupação constante com a "bicheza", me preenche o tempo inteirinho. Abraço grande!




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  13. Respostas
    1. Vou ao Chá mas penso que não terei tempo - agora - para responder ao sonetilho, Poeta...

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  14. E EU QUE PENSAVA!...

    Pensava que era diferente
    De qualquer outro animal,
    Do melro do meu quintal
    Que por lá anda contente,

    Do chilreante pardal
    Que ouço continuamente,
    Do lobo ou do chacal,
    Do mosquito impertinente…

    Nisto andei eu a cismar,
    Pensando que eles não pensam
    E acabei a cogitar

    Que afinal, no seu bom senso,
    Eles pensam, vivem e dispensam
    Tudo aquilo em que eu penso.

    Eduardo

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    1. EU, NUNCA TAL PENSEI!


      Sempre, os que me rodeavam,
      Disseram não ser ser assim
      Pois sabiam que pensavam
      Os melros do meu jardim

      E até os gatos que andavam
      Por lá, fazendo um chinfrim,
      Nunca eu duvidei que amavam
      Porque gostavam de mim!

      Meu avô, meu pai, essoutra
      Mulher cultaa, esclarecida
      E acima de todos, douta

      Que era a mãe do meu paizinho,
      Tudo sabia da vida
      Que há em cada animalzinho...


      Maria João


      Eheheheh... tive a sorte de nascer no seio de duas famílias - paterna e materna - que eram "precursoras" no que respeita aos direitos dos animais... era "gente muito avançada" para a época, penso eu. Teorias sobre a inteligência e sensibilidade dos animais não humanos - sem dúvida realidades em que ninguém reparava... - que só nos dias de hoje começam a expressar-se mais abertamente, eram, para mim, "o pão nosso de cada dia", desde que me lembro de ser eu. Mas os animais nunca foram por nós "humanizados à força"... todos tínhamos uma saudável ideia do que era a "dignidade" de uma espécie... e também sabíamos respeitá-la.

      Obrigada por este delicioso sonetilho, amigo Eduardo!
      Abraço grande para si e Maria dos Anjos!


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  15. Respostas
    1. Lobos? Sei que lhes dão uma péssima conotação... mas tenho alguma dificuldade em "separar as águas"... além disso já nem me lembro quem, mas alguém cantava; "Mais vale ser um cão raivoso do que um carneiro..."

      Mas vou à Ponte!

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    2. Cão Raivoso
      Sérgio Godinho

      Mais vale ser um cão raivoso
      do que um carneiro
      a dizer que sim ao pastor
      o dia inteiro
      e a dar-lhe de lã e da carne e da vida
      e do traseiro
      mais vale ser diferente do carneiro
      um cão raivoso que sabe onde ferra
      olhos atentos e patas na terra.

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    3. Ahhhh! Obrigada, Poeta! É mesmo do Sérgio Godinho!

      "Mais vale ser um cão raivoso que uma sardinha/metida, entalada na lata, encolhidinha
      Que vai ser comida, digerida e c*******a..."

      O que eu cantava isto!

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  16. “Tempo novo”

    Deixem o tempo chover
    Deixem o tempo nevar
    É tempo de voltar a nascer
    Ele há tanto em que pensar

    Deixem o planeta viver
    Deixem o planeta rodar
    Deixem de se intrometer
    Ele há tanto a transformar

    Deixem o homem crescer
    Deixem o homem cantar
    E não o deixem morrer

    Pois é tempo de caminhar
    Com a certeza de poder
    Um tempo novo fundar.

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  17. “Maldito”

    Sem asas consigo voar
    Viajo no pensamento
    Também posso sonhar
    Sem dormir um momento

    Sonho um novo viver
    Que estou sobrevoando
    Vejo o mundo a nascer
    Sobreviverá até quando

    Ou será um nado morto
    Às mãos de gananciosos
    Onde sonhar é interdito

    E voar é um desporto
    Duma elite de ociosos
    Donos do mundo maldito.

    Prof Eta

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    1. BENDITO!


      Hoje não estou muito "mansa"
      E ando farta das "elites"
      Que, no "comando" da dança,
      Vão fazendo com que hesites

      Mas não vou recomendar-te
      Tão grande ausência de sono...
      Cuidado ou roubam-te a arte
      Pr`á deixar ao abandono!

      Sempre há-de haver quem resista,
      Quem da vida não desista,
      Quem não seja "subornável",

      Quem de vermelho se vista,
      Quem, erguendo-se, persista,
      E torne o mundo... viável!!!


      Maria João


      Com o meu abraço, Poeta!



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  18. “Compatível”

    Não posso explicar-me
    Pois não tenho explicação
    E não poderei evitar-me
    Enquanto bater o coração

    Irei eu reencontrar-me
    Numa outra dimensão
    Poderei então moldar-me
    Talvez sim, ou talvez não

    São viagens imperfeitas
    Cujo fim desconhecemos
    Há quem as pense prefeitas

    Não descuro a possibilidade
    Mas como nada dominamos
    Não aceito a incompatibilidade.

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    1. Eu, nestes dias que correm,
      Já nem sei o que lhe diga...
      Não há forças que me domem
      Mas sempre fui sua amiga!

      Não procuro dimensões;
      Lido - e estou sempre a aprender! -
      Com eternas situações
      E novas formas de as ver...

      Tampouco me hei-de ralar
      Com perfeições que outros vejam
      Onde as não puder achar

      E, se pelo sonho vou,
      Pelos sonhos - quantos sejam! -
      Serei tudo o que já sou...


      M. João


      Isto vai tão, tão, tão "coxinho" - e feito MESMO a martelo... -, que estive quase a apagar tudo... mas... aproveito porque ando a sentir-me completamente "vazia de rimas"...

      Abraço!

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    2. Eu como leitor leigo não atendo a esses aspectos, gosto principalmente da forma como descreve o caminho que trilhou e que valida. Sinceramente gostei.

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    3. Obrigada, Poeta! Mas olhe que é gentileza sua... normalmente os sonetilhos-resposta fluem rápida e facilmente... a este, coitado, dei mil e uma voltas e tive de me concentrar a sério para lhe encontrar as rimas... nada existe de mais "desinspirador" do que uma boa dose de burocracia, garanto-lhe!

      Abraço grande!

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  19. AS REFORMAS e os PALHAÇOS

    Com os médicos a emigrar
    Em enormes contingentes,
    P´ra socorrer os doentes,
    Foi preciso contratar,

    Para os casos mais prementes
    Palhaços para animar
    Os pobres dos pacientes
    Que estavam a definhar…

    Com esta iniciativa
    Se arranjou uma forma
    Duplamente criativa:

    Certos coleccionadores
    Vão juntar outra reforma
    Às reformas anteriores.

    Eduardo

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    1. Grata por mais este sonetilho, amigo Eduardo!


      EU, (AINDA) SEM REFORMA...


      Sem reforma e sem prestar
      Seja lá para o que for
      Estou aqui... só por cá estar,
      Já perdi todo o valor

      E se acaso "debitar"
      Uns versos feitos "de cor",
      Faço-o tão só pr` agradar,
      Sem sombra do velho ardor...

      De "palhaça", nada tenho,
      Mas - confesso! - não desdenho
      Uma reforma qualquer

      Coisa pouca! Uns tostõezitos
      Como garante d`aflitos
      Que tentem sobreviver...

      Maria João


      Só me ocorreu "falar" das peripécias deste meu dia, amigo Eduardo. ... e da minha pontual e enorme falta de inspiração. Mas o "tom" é chocarreiro... embora eu esteja mesmo desinspirada e tenha, efectivamente, acabado de escalar algumas "colinas" da burocracia.

      Abraço grande para si e Maria dos Anjos!

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  20. Viver, em princípio, é até ao fim!
    Há quem não pense assim...e é de lamentar e lamento!

    Também procurarei
    não descer até ao fim
    e fugir do chão ou da pira
    e subir com ajuda
    a um outro lugar
    melhor e altaneiro.

    E se pedir com Fé
    espero que Deus me ouça
    e mande alguém ajudar-me
    a não descer,
    mas sim subir!

    Descidas por cá, tenho eu muitas!...

    Te perdi?
    Sei que não!...

    Abraço e beijo ao poema e a quem o escreveu

    Mª. Luísa

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    1. Não, Maria Luísa! Não me perdeste de forma nenhuma... eu é que ando meia "perdida" no meio de burocracias da vida real e mal vou conseguindo tempo para vir a este espaço... mas também me decidi a não publicar mais nenhum inédito... penso que entrei em processo de "divórcio por mútuo consentimento" com o espaço virtual... mas tentarei responder ao Poeta Zarolho enquanto ele entender deixar os seus sonetilhos e irei ver-te ao Os 7Degraus sempre que me seja possível.

      Abraço e beijo para ti também!

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    2. Te divorciaste do mundo virtual? Isso me deixa sem palavras
      e não sei que vou fazer!

      Tantas coisas se estão a passar no meu mundo real, das quais não vou falar.

      Mas sinto saudades
      Antes da partida!

      Maria Luísa

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    3. Sim, Maria Luísa... pode-se dizer que é um divórcio... uma separação... embora, conforme te disse, continue a responder ao Poeta Zarolho, sempre que possível e possa ir partilhar, no Facebook, um ou outro artigo que me pareça mais interessante, sempre que isso não colida com as mais prementes imposições da vida real.

      Tentarei, ainda hoje, fazer-te uma visita!

      Abraço grande!

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  21. “Devir”

    É por vontade da Troika
    Que vivo nesta ansiedade
    Estou quase paranóica
    Com tamanha atrocidade

    Antevejo luta estóica
    Com perda d’identidade
    Desta nação heróica
    Óh triste realidade

    Após séculos de conquista
    E história de vidas mil
    Nas galerias da morte

    Já não há quem resista
    A este devir tão vil
    Entregue à sua sorte.

    Prof Eta

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    1. Eheheheheh


      Estava a tentar responder-lhe... mas vai ter de ficar para amanhã... "encalhei" na segunda estrofe e não me sai mais nada...

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    2. "Desentroikemos!!!"

      Ansiedade? Não a sinto,
      Mas sei bem que a maioria
      Sente aquilo que eu desminto
      Por culpa da ... "troikaria"!

      "Desentroikemos", portanto,
      Seja de que forma for!
      Que nos não tome o quebranto
      Que as ditas* querem impor!

      Ele há sempre uma saída
      Para impasses desta monta
      E invasões de tal jaez!

      Escolhamos, pois, entre a vida
      E a escravidão que ela** aponta;
      Sim ou não? Jamais "talvez"...!


      M. João

      * As ditas troikas - estrangeira e nacional! Ora prendam-me lá, também a mim!!!

      ** A troika, claro...




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  22. Respostas
    1. Eheheheh... pobre Chá... mas vou vê-lo, embora seja muito provável que não consiga responder-lhe ao sonetilho de ontem...

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  23. Será que tudo se perdeu? Estou tão mal assim!
    E meu mundu se destruiu
    por culpa de mim!

    Tudo é metafórico
    não há realidades concretas!

    Mª. Luísa

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    Respostas
    1. Eu acredito que há realidades, amiga! Muitas e muito concretas... só não entendo por que razão dizes que o teu mundo se destruiu... por tua culpa? Mas respeito o teu silêncio sobre o assunto, como é evidente.

      Abraço grande!

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    2. "Essa destruição do meu mundo" é metafórica!

      Mas não estou a entender-te...

      Tu deixas de escrever teus poemas e de nos acompanhares, antes de mim?
      Tu deixas o mundo virtual que dizias acompanhar enquanto deus te desse vida?

      Estou a perceber mal! Que se passa? Eu não entendo o que pretendes fazer e dizer...

      Me explica, por favor e torno a perguntar "que se passa?"

      Maria Luísa

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    3. Tentarei vir responder-vos, sempre que me seja possível, mas não publicarei mais nenhum inédito. Também não tenciono expor mais a minha vida privada. Peço-te desculpa, mas também isso mudou pois deixei de sentir, online ou offline, a privacidade absolutamente necessária à criação poética... e é uma realidade, não uma mera "impressão" minha. Apenas posso adiantar que havia muito tempo que eu pressentia que as minhas caixas de correio electrónico tinham perdido a privacidade mínima que deveria ser garantida a qualquer utilizador... agora tenho certezas e testemunhas... mas mesmo que as não tivesse, a minha capacidade de criar poesia "esfuma-se" perante o computador, acredita-me. O "processo criativo" é uma coisa muito íntima e delicada... se atentarem contra ele, mesmo que seja por mera ignorância ou até com "boas intenções", ele pura e simplesmente deixa de fluir. Há, como sabes, coisas que transcendem a nossa própria vontade.

      A tudo o que acabei de te descrever, vieram acrescentar-se variadíssimos problemas da vida real dos quais, repito, não voltarei a falar. Ainda te não "visitei" por isso mesmo... mal tenho tido tempo para vir ao computador.

      Abraço grande, Maria Luísa!

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    4. De acordo contigo!

      Mas sabes que lamento muito!

      Era uma situação que nunca esperei, mas se essa é a tua vontade, aceito!

      Estarei sempre a teu lado, poetisa amiga!

      Mª. Luísa

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    5. Amiga, já estás razoavelmente "por dentro" da situação... as nossas forças têm um limite e eu sempre excedi os meus próprios limites... até me aperceber de que corria o risco de não sobreviver à minha própria teimosia... quem puder - e quiser... - acreditar que a boa poesia se faz, publica e mantém "com uma perna às costas", não faz a menor ideia do que seja este "mundo online"... sei bem que tu sabes quanto se pode trabalhar por aqui... e quão difícil isso se pode tornar sob determinadas circunstâncias. De momento, é-me totalmente impossível conjugar as publicações com determinadas pressões da vida real.

      Um enorme abraço, Maria Luísa!

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    6. Tu tens razão!
      E eu noto o que dizes a cada passo que dou
      e é verdade!
      Eu sempre vi isso e continuo a ver! E reparo no que escrevo e que à maioria não interessa,
      mas se o povo é mesmo assim, tem a sorte que merece!
      No google englobo o mundo, o Planeta Terra!

      Me fazes falta! Mas não venhas por mim, nunca!

      Abraço,

      Maria luísa

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    7. Irei, sim! Hoje não o farei porque estou, desde ontem, a tentar acompanhar a Grande Greve Geral, mas, amanhã, far-te-ei uma visita!


      Abraço grande, Maria Luísa!

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  24. “Ser”

    Nada ou estado d’alma
    Que proposta aliciante
    Meditar com tod’a calma
    Num processo incessante

    Em busca da motivação
    Para a nossa existência
    No mundo em convulsão
    Lutando em permanência

    Pr’a evitar a exclusão
    Alcançar a sobrevivência
    E às críticas ir beber

    O tónico da evolução
    Diz quem sabe é a ciência
    Pr’a evoluir do nada ao ser.

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    Respostas
    1. SER


      Esta coisa fascinante
      Que, ao sermos, nos acontece,
      É bem mais aliciante
      Que o "destino" que nos tece...

      Para mim só faz sentido
      - no que a mim me diz respeito -
      Se SER nos for concedido
      Sem sombra de preconceito...

      Que não falte a fantasia
      Se a soubermos enquadrar
      Conhecendo-lhe os limites

      Ou esse SER... "avaria"
      E começa a debitar
      Os mais loucos dos "palpites"...


      M. João

      Aqui vai, Poeta! Abraço grande e um muito feliz fim de semana!


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  25. Respostas
    1. Vou ver essa rosa, Poeta... mas estou exausta. Provavelmente não poderei responder-lhe hoje...

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  26. “King size”

    Of your comfort zone
    Should never get away
    You might hit on a stone
    Not come back same way

    In a five star hotel
    Have a comfortable stay
    But the comfort you smell
    There you should pay

    If you believe not
    Go and see it well
    All the comfort ahead

    I know you´ll rest a lot
    And everybody you tell
    I love the king size bed.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. My bed is large enough for me and Sigmund, Poeta...

      Muito sinceramente, não estou a gostar nada do rumo que as coisas estão a tomar por aqui... mesmo nada!

      Não terá a ver consigo, mas eu garanto-lhe que nada tenho de masoquista... quando se torna muitíssimo evidente que me andam a utilizar as caixas de correio para utilizações que me não agradem, eu deixo de as utilizar de vez, Poeta!

      Tentei manter, pelo menos, as respostas aos seus sonetilhos mas já não prometo nada, se o meu espaço criativo continuar a ser violado por loucos e maníacos...

      Vejo-me forçada a dizer-lhe isto pois não sei até quando terei paciência para aturar certas coisas. As minhas decisões são sempre tão firmes quanto a minha poesia... e eu sei bem quanto ela vale. A qualquer momento poderei encerrar, de vez, o meu computador.

      Abraço grande!

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    2. Com muita pena minha, se vier a tomar essa decisão ficarei sem a interluctora de vários anos, mas cá me arranjarei.

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    3. Poeta, isto está tão complicado... e não posso - porque não tenho a menor privacidade... - explicar-me melhor... mas tentarei continuar a vir responder-lhe. Prometo!

      Abraço grande! Enorme!

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  27. A COTAÇÃO DO PAPEL

    Perante o juiz, pasmado,
    Um autarca de Portimão
    Engoliu a acusação
    Que lhe haviam imputado…

    E, assim, o acusado
    De alta corrupção,
    Com o ventre muito inchado,
    Resolve aquela questão.

    Os corruptos, de ora avante,
    Que infestam esta nação
    Farão acção semelhante…

    Tendo em conta este aranzel
    Vai subir a cotação
    Das indústrias de papel.

    Eduardo

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    1. Excelente sonetilho, amigo Eduardo!

      Não lhe responderei pois as coisas estão tão estranhas com a minha caixa de correio que nem sequer estou segura de voltar a este espaço... apenas lhe asseguro que me esforçarei por isso enquanto as coisas se mantiverem assim... se continuarem a incomodar-me com algumas discrepâncias que decerto desconhecerá, mas me têm dificultado a vida, não hesitarei em parar.

      Abraço para si e Maria dos Anjos!

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  28. “Convictamente”

    A vida numa correria
    Não permite assentar
    Mas a gente não partia
    Sem pensar em retornar

    Reencontro brevemente
    É com toda a emoção
    Este desejo insistente
    Não engana o coração

    Pois que mesmo ausente
    Sentimos esta ligação
    Por ser algo diferente

    Que nasceu sem explicação
    Esta verdade premente
    É a minha convicção.

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    Respostas
    1. Convictamente respondo
      Que é capaz de ter razão...
      Garanto que me não escondo,
      Nem receio ouvir um "não"!

      De momento mal consigo
      Gerir, no meu dia-a-dia,
      Coisas que guardo comigo,
      Que há muito tempo eu previa,

      Que penso quase insolúveis
      Mas que terei de enfrentar
      Mesmo em tempos tão volúveis

      Mas prefiro estar calada,
      No assunto não tocar,
      Nem dizer nada de nada...


      M. João

      Não está fácil "poetar", Poeta! A minha cabeça anda muito afastada das rimas...

      Abraço grande!

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  29. “Insanidade civilizacional”

    Esgotara-se a poesia
    Houve grande aflição
    Mas logo a seguir surgia
    Uma maior complicação

    Usurparam-nos a cultura
    Os espíritos definharam
    Voltava a noite escura
    Onde almas vaguearam

    Para sempre em suspenso
    Vazia espécie humana
    Sem valores foi sinistro

    Eu existo logo penso
    Nesta existência insana
    Ou eu penso logo existo?

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    Respostas
    1. "Civilização, Insana, ou Não..."

      Existe - e nunca pensou... -
      O pequeno grão de areia;
      Conta o conto - e nem falou... -
      Desse sonho que o norteia...

      Não se esgota a poesia,
      Mas o poeta, esse, é mortal
      E há-de esgotar-se um dia
      O seu tempo de animal

      Porém, não se rende a vida,
      Nem passa sem deixar marca
      Por muitos distribuída

      E, assim, estando insana, ou não,
      Se nos redesenha a barca
      Desta civilização...


      Maria João


      Aí vai com o meu abraço, Poeta!

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  30. Respostas
    1. Vou ver o Chá vitorioso assim que os scripts "encravados" mo permitirem, Poeta!

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  31. “Aconselhar ministros”

    Foi lá em Alcobaça
    Que o governo reuniu
    Afinal o que se passa
    Acho que ninguém ouviu

    Discutiram o passado
    Dois anos pr´á assinalar
    Para nós um mau bocado
    Pr´ó governo é festejar

    Pois já está delineado
    Um modo de regressar
    Com pujança ao mercado

    Vão o prazo alongar
    Se lhes fôr aconselhado
    Por quem está a aconselhar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. "Resposta..."

      Conselho atrás de conselho
      Pr`a, no fim, sair asneira...
      Este governo é um espelho
      Da nossa imensa canseira!

      Vai ao mercado, o Coelho,
      Mas o Zé não vai à feira
      E, se acaso o Zé for velho,
      Não vê eira, nem vê beira...

      Também eu não tenho visto
      Nem tido tempo pr`a ler
      Coisa de jeito, sobre isto,

      Porque ando aqui num "virote"
      Que não dá tempo, sequer,
      Pr`a cuidar bem da "mascote"*...

      M. João

      *O meu velho Kico...

      Abraço, Poeta!


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  32. “Liberdade moribunda”

    Do silêncio estridente
    Nasceu um grito mudo
    Da mudança permanente
    Nasceu a estagnação de tudo

    Já não roda este mundo
    Não sorriem as crianças
    Sente-se o golpe profundo
    Asfixiando as esperanças

    Nos princípios busquemos
    Essa esperança moribunda
    Reedifiquemos a humanidade

    Com essas forças suturemos
    Chaga aberta e profunda
    Que destrói a liberdade.

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  33. Respostas
    1. Estou a ver que ainda não é hoje que lhe consigo responder ao sonetilho... isto está complicado... mas vou ao Chá!

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  34. “Democracia final”

    No início da democracia
    Ainda o povo ordenava
    Político não se atrevia
    E assim não roubava

    Chegou a globalização
    E a vergonha faltou
    Chegou muito milhão
    E toda a gente roubou

    Foi o princípio do fim
    Deste sistema imperfeito
    Que a muitos seduziu

    Mas sem glória enfim
    Tudo deixou desfeito
    E esta miséria produziu.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Ai, Poeta... que "desinspirada" que eu estou...


      Demasiado se apostou
      Nessa globalização...
      Afinal, quem "se lixou"?
      Como sempre, o mexilhão!

      Mas o "mexilhão", "escaldado",
      Há-de sair da apatia
      Pondo o sistema de lado,
      Reunindo a maioria!

      A pirâmide, invertida,
      Traz-nos bem maior justiça
      Do que esta, aqui prometida,

      E eu, de tão "desinspirada",
      Já nem sei como ir à liça
      Nesta noite conturbada...



      Bom... estou a arranjar coragem para publicar este "traste" deste sonetilho-resposta... está horrível! Pareço ter perdido todo o meu "sentido da musicalidade"... mas... lá vai, com um abraço grande!

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  35. Respostas
    1. Pobre Ponte!... mas eu também ando "desafinadita", ando... sempre quero ver!

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  36. “exIsto”

    Consumo logo existo
    Que grande satisfação
    Até de pensar desisto
    Estou ligado à televisão

    Por cordão umbilical
    Mãe desta religião
    É profeta universal
    Fornece a poluição

    Que nos formata a mente
    E nos mostra a solução
    Sou ex-isto por opção

    Eu amava esta gente
    Eu usava o coração
    Eu pensava, agora não.

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    Respostas
    1. "Pois É..."


      Penso, sinto e mal consumo
      Ou assisto à televisão
      E desta forma me assumo
      Desde a "mente" ao "coração"...

      Alguns, criticam-me o "fumo"
      E eu nem respondo que não
      Pois, reconheço, o meu rumo
      Não passa por submissão...

      Também tenho qualidades!
      Levo a peito e até defendo
      As causas das liberdades

      Mas meço bem as vontades
      E, se com elas aprendo,
      Nunca me prendo a saudades...


      Maria João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço do costume!
      O Kico, ontem, deixou de conseguir andar. Foi uma noite "em branco", com muitos incidentes pelo meio porque ele não aceita nada bem a imobilidade. Hoje voltou a recuperar a capacidade de se locomover... mas foi por pouco tempo. Neste momento, dorme, exausto por ter estado a tentar desesperadamente levantar-se... sem o conseguir. Não sei como isto irá acabar... o meu prognóstico, numa situação destas, para um cãozito tão idoso, não é lá muito animador...

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  37. “Nós”

    A França em recessão
    O Brasil em convulsão
    A Europa na indecisão
    O mundo em rotação

    Aposta na rendição
    Aposta na perdição
    Ou aposta na inovação
    E numa nova geração

    Muitos dias passarão
    Sem haver conclusão
    Os jovens envelhecerão

    O sol enfraquecerá
    Muita estrela nascerá
    E nós não estaremos cá.

    Prof Eta

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  38. Mª. João

    Era eu que dizia, vou embora
    e tu garantias ficar até morrer para gerações
    futuras!

    Mas pertence ao tempo passado!

    Hoje, eu estou cansada como tu.
    Para escrever e receber, eu tenho de dar muito do meu esforço e não posso!

    Porque escrevo com a alma
    e não é qualquer coisa que me serve!

    E não é fácil! E até Facebook, vejo os melhores a desaparecer.

    Uma senhora hoje me disse que eu entristecia muito no escrever.Não mando versos para o Face, não interessa nada!

    Respondo a algumas coisas que leio e quando a tal senhora enaltece a vida, eu pensei
    "a vida é boa e má para todos" donde vem tamanha alegria?

    E aí ela achou que me conhecia e se enganou.

    Eu estou farta dela e da maioria!

    Os amigos como o Jabei só escreve se eu escrever primeiro e aí, não para mais!...

    Mas vai aprender a ser sincero e vai ser o 1º.
    a escrever, ou então eu não escrevo mais.

    Uma senhora brasileira leva meus versos para seu blogs (minha autorização) e recebe em "2" dias, 115 comments, mas as referências não são aos versos, mas sim à pessoa dela que tem muito jeito para escolher versos, mas dos versos ninguém fala...

    Eu escrevo no meu blogs os mesmos versos (e são meus) e recebo em "8" dias, 40 comments - quando recebo...

    E com não estou bem de saúde, tudo me confunde e aos poucos vou escrevendo menos
    e penso que depois nada!

    Tanto no google, como no Face...

    E acabo por dizer que tenho saudades de ti e de teu talento!

    Beijos e saudades,

    Maria Luísa

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    Respostas
    1. Maria Luísa... comove-me o facto de sentires saudades minhas, amiga... nem sei como responder-te! De algum talento que pudesse ter, até eu própria vou tendo saudades... mas "esgotei-me" demasiado em publicações sucessivas e tu bem sabes que também eu tenho problemas de saúde... tudo parece ter acontecido na conjugação de uma série de factores que acabaram por determinar o meu relativo afastamento dos blogs e a ausência de novas publicações.

      Quanto aos comentários, sempre te digo que desde cedo me apercebi da ausência de significado da maioria e do desfasamento entre a adjectivação utilizada e a qualidade (mensagem, linguagem, beleza) do poema. É natural que assim seja. A maioria dos portugueses não foi habituada a amar - ou sequer a entender... - a poesia. Passaremos, inevitavelmente, mas teremos cumprido briosamente a nossa função de poetas. Como diria a Natália acerca do meu avô, cumprimo-la sem nos deixarmos "atar ao compromisso de sermos esplêndidas".

      Um grande, grande abraço para ti!

      PS - Vou enviar-te por email uma belíssima colectânea poética. Sei que gostarás!

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    2. Eu ainda escrevo
      Éste poema é pequeno, mas me parece bom e escrever com sentimento e beleza, não é fácil!

      O povo não aprendeu a amar - tu o dizes -
      e eu acredito. Cumprimos a nossa missão e ainda não a dei por terminada...mas de ti eu não esperava...sinceramente e é uma contradição de todos os sonhos que sonhaste,
      mas aceito...a vida é isto mesmo!

      E o Pedro? Desapareceu? Gostava de o encontrar sem armas nem canhões, mas com um diálogo digno dele!

      Aguardemos o tempo a passar e paciência para a falta de amor!...

      Beijo,

      Mª. Luísa

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    3. O Pedro continua a comentar-me em sonetilhos, Maria Luísa... todos os dias o faz. Eu é que não lhe consegui responder ontem, nem hoje. Ando completamente exausta.

      Estive agora a ler o teu poema "Beijos" e deixei-te por lá o meu abraço. É um excelente poema!

      Tens toda a razão; escrever com sentimento e beleza, não é fácil... e eu não posso escrever de outra forma. Por isso deixei de escrever temporariamente, ou não... Não posso escrever "a sério" se não sentir o poema como uma compulsão... e a verdade é que o cansaço - o excesso de cansaço... - fez com que escrever, com a tal qualidade, com a urgência com que o fiz nos últimos cinco ou seis anos, se tornasse impossível. Não voltarei a escrever enquanto a poesia se me não impuser, como dantes.


      Um grande abraço, minha amiga!

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  39. “Demitidos”

    O Gaspar se demitiu
    E o Portas assistiu
    No dia seguinte saiu
    O governo não caiu

    Aguenta de pedra e cal
    A comandar Portugal
    Alta missão estatal
    Por mandato eleitoral

    Demitido pelo povo
    No Marquês de Pombal
    Gritou em manifestação

    Mas nada trouxe de novo
    Ao nosso país real
    Pois era tudo ficção.

    Prof Eta

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    Respostas


    1. Vamos lá tornar reais
      Tantas "doutas" demissões...
      Afinal queremos é mais!
      Já pr`ó largo de Camões!!!

      Não gosto de "embandeirar"
      Pois bem sei que a luta é dura
      Mas iremos desfilar
      Pr`acelerarmos a "cura"!

      Hoje, amanhã... sempre em frente!
      Sempre, enquanto necessário
      À completa demissão

      Do simulacro de gente
      Que suga o nosso salário
      E que come o nosso pão!!!


      Maria João


      Aqui vai, com o meu abraço grande, Poeta! Só lhe digo que, se tivesse forma de me deslocar, não deixaria de estar, daqui a pouco, no Largo de Camões!

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  40. “Tudo será”

    Um dia tudo será
    Se essa luta persistir
    Ou então tudo morrerá
    Se pensares em desistir

    A chama se extinguirá
    Verás o teu edifício ruir
    E alguém se ocupará
    De ao nada te reduzir

    Mas ao inferno não desças
    Não sigas esse caminho
    Que é de auto destruição

    Faz um trilho às avessas
    E pela estrada do carinho
    Caminha com determinação.

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    Respostas
    1. Tudo é...

      Arte não espera conselhos
      Nem mesmo os pode aceitar...
      São mistérios muito velhos
      Que poucos sabem explicar,

      Mas, sendo forte, é sensível
      E não pode andar de "trela"
      Ou deixa de ser possível
      Que essa Arte seja bela...

      Pode um "bem intencionado"
      Tentar mudar-lhe essa sorte
      E apontar novos caminhos

      Que ela, não tendo pecado,
      Mais depressa enfrenta a morte
      Mesmo coberta de espinhos...


      M. João


      Poeta, penso que me desapareceram alguns links da caixa do correio... encontrei este, por acaso... mas sei que há mais sonetilhos seus.
      Não estou a conseguir tempo útil para lhe responder... este saiu muito a propósito porque eu estava a reflectir um pouco sobre uma crítica muito positiva de um jornalista inglês a um poema do meu avô... só que ele, às tantas, diz um imenso disparate. Disparate, mesmo, e revelador de quão mal sabia o que era a Poesia... diz que António de Sousa "deveria levar-se a si mesmo mais a sério"... e isto, perante a realidade que é a obra que deixou e cuja riqueza, à distância, podemos bem avaliar, é mesmo NONSENSE! Um dos grandes ingredientes da obra dele é essa capacidade de ironizar sobre si próprio! É aquele amargo sarcasmo de que, por inteiro, está embebida a sua poética!

      Quanto à expressão artística, não pode ser "encaminhada", Poeta! Se o for, perderá o frémito criativo... tal como eu, de momento, o perdi. Poderia fazer poesia "a martelo", simples "recadinhos" sem qualidade nenhuma, uns "rebuçadinhos" de sabor tutti-fruti... mas não quero! A poesia, ou surge enquanto compulsão, frémito, grito, estertor... ou nem sequer vale a pena ser criada.

      Abraço grande!



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  41. Respostas
    1. Vou tentar ir à Ponte Poeta... hoje as coisas não estão fáceis...

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  42. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    FÁBULA DA VELHA RAPOSA E DO COELHO

    Quando a raposa velha
    Ao coelho se alia
    É certo que chega um dia
    Em que ele torce a orelha

    O que a raposa queria
    Ao procurar tal parelha
    Era atear a centelha
    P´ra ganhar a mais valia.

    Ele a tosar no couval
    Havia de ir engordando
    Tornar-se um belo animal

    Ela que ervas não come
    Ia o petisco guardando
    P´ra um dia matar a fome.

    Eduardo

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    1. Finalmente encontro este seu sonetilho, amigo Eduardo!

      Está uma delícia!!! Nem me atrevo a tentar responder-lhe... atendendo à falta de inspiração que por aqui tem reinado nestes últimos tempos, mais me vale nem insistir...

      Muito obrigada e um enorme abraço para si e Maria dos Anjos!

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    2. "SAI, COELHO DO COUVAL!"

      Coelhos, quando em couvais,
      Podem dar mau resultado
      E deixar tudo arrasado
      Pois comem couves demais...

      Contudo, amo os animais
      E, se deixo este recado,
      É dirigido ao "danado",
      Que tanto grita por mais...

      Outros, por aí rondando,
      Miram o belo couval
      Que tanto vão cobiçando

      Pois nunca se sabe quando
      Pode um sentir-se tão mal
      Que abandone o seu "comando"...


      Maria João Brito de Sousa


      Bom... falta-me a inspiração, mas ainda consegui reunir a teimosia suficiente para tentar responder à sua FÁBULA DA VELHA RAPOSA E DO COELHO.

      Aqui vai, com outro abraço!















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  43. Respostas
    1. Vou à Ponte, mas estou sem... olhe, Poeta, sem qualquer "coisa" que faz com que responda instantaneamente aos sonetilhos... tenho a cabeça demasiado cheia da urgência de outros estímulos... e de cansaço, também...

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    2. Não veja a coisa assim, veja como se de uma telenovela mexicana se tratasse, eu comecei por ver todos o episódios, depois um episódio por semana, finalmente um episódio por mês e depois dos acontecimentos recentes deixei pura e simplesmente de vê-la. NO MORE POLITICAL POLUTION.

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    3. Ahahahah! Ora bem!

      Mas as coisas, no meu caso, são plurifacetadas... se fosse só a "novela mexicana"... mas não é o suficiente para me deprimir, esteja descansado! Apenas suficiente para me afastar da produção poética.

      De resto, tenho sempre demasiadas coisas para fazer, não tenho tempo para estar deprimida... respondo-lhe ao sonetilho assim que sentir aquele "click" que deve surgir sempre antes de se fazer um poema. Se não houver uma quase necessidade de produzir, deve-se deixar passar o tempo até que essa necessidade ressurja naturalmente. Esta é uma das poucas regras que se devem aplicar a todas as formas de expressão artística. Todas!

      Abraço grande, Poeta!

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  44. Não Maria Luísa, não me parece que vá ficar depois de ti, pelo menos no sentido literal do termo. Também eu tenho graves problemas de saúde, não te esqueças... mas não posso saber qual de nós partirá primeiro...

    Vou ler a tua resposta no http://os7degraus.blogspot.com/


    Abraço grande!

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  45. No meu caso, Maria Luísa, não é bem a mesma coisa... tenho encontrado, por aí, blogs com excelente poesia e muito poucos comentários que não consigo revisitar por falta de tempo.

    Não posso associar a ausência de comentários à falta de qualidade... nem o contrário... e tu sabes como eu consigo ser profundamente racional nestas coisas... a partir do instante em que fiz esta constatação, os comentários passaram a ser encarados como uma expressão da afectividade de alguns amigos, virtuais ou não, e nunca enquanto pautas ou filtros de qualidade dos textos poéticos. Talvez por isso mesmo sempre acreditei que seria uma "poeta do futuro" e não uma poeta "com futuro" (pessoal...)
    Claro que para isso também contribuem muitíssimo as minha grandes dificuldades de locomoção, a penúria em que vivo e os animais que nunca abandonarei... mas prefiro que tenha sido assim... tenho a certeza de que se fosse mais "activa" e andasse a saltitar de evento em evento, acabaria por se ter rompido, muito mais cedo, este estranho "fio invisível" que me une à poesia... sobretudo ao decassílabo heróico e ao soneto em verso eneassilábico que só vim a conhecer neste espaço virtual, há relativamente pouco tempo, através do poeta Joaquim Sustelo... mas olha que, no que diz respeito a esta variante do soneto, foi "amor à primeira vista"... tem um ritmo aguerrido, combativo e muito apelativo, o verso eneassilábico! Já as outras formas, por muito que tenha de admitir que têm a sua beleza - repara que me refiro apenas às diversas formas do soneto! -, não me fascinam mesmo nada...

    Já vai longa a minha "conversa" mas não quero acabar sem te dar uma palavra de incentivo; por favor, vai publicando sempre que sintas a necessidade de criar um poema e a tua saúde o permita! Aqueles que gostam mesmo da tua poesia acabarão por voltar para te ler! Não tenho dúvidas quanto a isso! Muito embora possam nem sequer te comentar, serás lida. É essa a única e verdadeira missão do poeta.

    Eu tenho por aqui mais de mil sonetos que nem sequer sei se conseguirei, ou não, rever. Para já, não voltarei a publicar. Deixei de ter condições para isso.


    Abraço grande!


    Maria João

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  46. Não sabia da existência de um Portal Mágico dos Poetas, Maria Luísa... a não ser que estejas a usar o termo de forma metafórica, tal como Natália utilizou a expressão; "as algemas que atam os triunfantes ao compromisso de serem esplêndidos." Suponho que seja isso mesmo.

    Eu sou poeta, já o era quando criança, não tenho dúvidas quanto a isso, mas também te garanto que nunca pensei ou tentei qualquer espécie de grande privilégio em troca de o ser... o privilégio de me poder ir mantendo viva e manter vivos os meus animais, bastaria. O resto ficaria por conta dos meus poemas. E é assim mesmo que tem sido sempre... são quase sempre as obras, não os poetas, quem sobrevive no tempo.

    Penso que fui bem clara quanto às razões que me levaram a abandonar as publicações; a poesia tem de fluir, no meu entender. Tu sabe-lo perfeitamente. Acontece que ela precisa de um mínimo de tempo, disponibilidade e privacidade para fluir. Quando um desses "pilares" da criatividade é profundamente abalado - e, no meu caso, os três foram abalados - a poesia passa a ter de ser construída verso a verso, de forma artificial e perde o seu frémito criativo... o poema passará a não ser mais do que um bonito "bordado de palavras". Isso, não faço! Poderia - e fá-lo-ia! - gastar o tempo que me resta a tentar publicar boa poesia. Não posso, nem vou, gastar o tempo e as energias que me vão faltando a fazer poesia "artificial".

    Quanto aos poucos seguidores que vou tendo, também já não os consigo seguir a eles. Estamos em igualdade de circunstâncias, amiga... e nada mais posso fazer senão aquilo que faço; ir respondendo aos sonetilhos que o Poeta Zarolho me vai deixando nas caixas de comentários. Garanto-te que até nesses tenho de esforçar-me porque as rimas já não fluem naturalmente, tudo se tornou muito mais difícil. Também tentarei ir seguindo o teu http://os7degraus.blogspot.com/ e fá-lo-ei enquanto me puder manter online.


    Abraço grande, amiga!

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    1. Mª. João

      Faz-me um favor, elimina tudo quanto eu escrevi!

      Obrigada, Mª. Luísa

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  47. NÂO ME DEMITO

    É certo, não me demito
    Como é que eu podia!
    Era uma fantasia
    Já que afinal sou um mito.

    E um mito, já se sabia,
    Só isto eu admito,
    Dando o dito por não dito
    Ultrapassa a utopia.

    Uma sombra é visível
    Mesmo sem ter substância…
    Isso é indesmentível,

    Eu, sendo um ser palpável
    E visível à distância
    Governo o ingovernável.

    Eduardo

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    1. Nem acredito... fiz um sonetilho bastante razoável e acabp de o perder!!!

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    2. "ENRIQUECIMENTO VOCABULAR"

      O nosso vocabulário
      Foi decerto enriquecido
      Pelo tal demissionário
      Tão depressa arrependido!

      Só nos faltava esse erário
      Que não faz qualquer sentido!
      Mas… foi “acto” voluntário,
      Ou manobra de “partido”?

      Pela mentira sem nome
      Deste “golpe de cintura”
      Se “enrola” um povo com fome

      E eu só peço alguém que dome
      Tanto gesto de loucura
      Em que a pátria se nos some!

      Maria João Brito de Sousa



      Grata, amigo Eduardo! Segue resposta junto com um abraço para si e Maria dos Anjos!

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  48. Mª. João

    Faz-me um favor, elimina tudo quanto eu escrevi!

    Obrigada, Mª. Luísa

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    1. Tenho recebido tanta publicidade que este teu link já me tinha saído do campo visual... mas tinha ideia de, passando pelos sonetilhos do nosso amigo comum, ter visto este teu pedido. Este post final está por aqui há muito tempo e está cheio de comentários... não foi muito fácil, mas penso ter apagado tudo o que me pediste.

      Abraço grande, amiga!

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  49. “Aeroporto”

    Um governo de salvação
    Já não conseguirá salvar
    Esta tristíssima nação
    Que se está a afundar

    Ingovernável por definição
    Sempre soube achincalhar
    Desde longínqua fundação
    Quem a esteve a governar

    Resignados os portugueses
    Só terão uma única saída
    Alguns já fizeram uso dela

    Por cá ficarão os malteses
    Os outros fazem-se à vida
    Usando o aeroporto da Portela.

    Prof Eta

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    1. Apegos...


      Sou das que nunca partiram,
      Das que jamais partiriam,
      Das que não se renderiam
      E jamais desistiriam

      Mas, dentre os que desistiram,
      Quantos há que ficariam
      Se as razões que os perseguiram
      Não fossem as que não queriam?

      E, quantos dos que partindo
      Se foram contra vontade
      Deste berço calmo e lindo?

      Desses, a quantos vem vindo
      Esse amargo da saudade,
      Como um fado, retinindo?


      Maria João Brito de Sousa


      Poeta, tinha um sonetilho-resposta que até considerava "bonitinho", mas o computador, agora, apaga-se completamente e de nada serve fazer "copy" do texto... este é francamente medíocre. Foi feito à pressa e sem a menor inspiração... só espero que, pelo menos, fique...

      Abraço grande!

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  50. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    OS BONECOS ANIMADOS

    Os bonecos animados
    Dos meus tempos de criança
    Marcaram nossa lembrança
    Por serem indesejados

    E tantos anos passados
    Gorou se nossa esperança
    Em face da semelhança
    Com os de agora instalados

    Que só vêem seus umbigos,
    São corruptos, desonestos
    E traem até os amigos…

    Mais do que os dos tempos idos
    Seus desígnios são funestos
    E só servem seus partidos.

    Eduardo

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  51. Chá big.

    Vamos passar uns dias fora, cá dentro ( Porto Côvo ), vamos estar desligados, só ligados ao mar e ao surf, quando regressarmos daremos notícias. Beijos.

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    Respostas
    1. Boas férias, Poeta, Maria e poetinhas!!!
      Fazem muito bem em desligar-se durante uns tempos!

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  52. Tenho recebido tanta publicidade que este teu link já me tinha saído do campo visual... mas tinha ideia de, passando pelos sonetilhos do nosso amigo comum, ter visto este teu pedido. Este post final está por aqui há muito tempo e está cheio de comentários... não foi muito fácil, mas penso ter apagado tudo o que me pediste.

    Abraço grande, amiga!

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    1. M. João

      Me desculpa, mas me esqueci que era público!
      Os meus blogs no sapo são mais discretos.

      Terei mais cuidado no futuro! Um beijo e agradeço,

      Mª. Luísa

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  53. M. João

    Me desculpa, mas me esqueci que era público!
    Os meus blogs no sapo são mais discretos.

    Terei mais cuidado no futuro! Um beijo e agradeço,

    Mª. Luísa

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    Respostas
    1. Um beijo também para ti. Não tens de que pedir desculpa!

      Sei que este excessivo calor tem sido muito mau para a saúde da maioria. No meu caso, não será assim... os meus maiores problemas surgem em consequência do frio, não do calor... espero que te estejas a sentir melhor e vou, agora mesmo, ver se há novidades no http://os7degraus.blogspot.com/

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  54. Um beijo também para ti. Não tens de que pedir desculpa!

    Sei que este excessivo calor tem sido muito mau para a saúde da maioria. No meu caso, não será assim... os meus maiores problemas surgem em consequência do frio, não do calor... espero que te estejas a sentir melhor e vou, agora mesmo, ver se há novidades no http://os7degraus.blogspot.com/

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  55. Respostas
    1. Chá de "salvação"? Acho que andamos todos a levar um banho dele... mas vou ver. O Chá é muito frequentemente imprevisível...

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  56. “Valores perdidos”

    A verdade é radical
    E incomoda muita gente
    Nesta época especial
    De mentira deprimente

    Tudo é ruído infernal
    Repetido insistentemente
    Até a verdade essencial
    É ocultada precocemente

    Pelo que nos impingem
    E nos coloca no sarilho
    Em que estamos metidos

    Vamos voltar à origem
    Para redescobrir o trilho
    Desses valores perdidos.

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    Respostas
    1. ... e pratos de lentilhas...

      Se uma verdade incomoda,
      Dá-se, em troca, um rebuçado
      Pr`a garantir esta "moda"
      De andar contente e... calado

      E, por entre a confusão,
      Há-de sobrar sempre alguém
      Que confirme, por excepção,
      A regra de tanto "amén"

      Por ora, estou bem segura
      De, mesmo "desinspirada",
      Acreditar numa "cura"

      Da resistência futura
      À tal "maleita" malvada
      Que se diz breve... mas dura!


      M. João

      Continuo completamente "desinspirada", Poeta, e tento reservar a pouca criatividade que me vai restando para a revisão e reformulação da maioria dos meus sonetos mais antigos, com vista a enviá-los para publicação numa colectânea online (Fénix). É um trabalho bastante complexo e nem sempre consigo a disponibilidade e concentração necessárias para me dedicar a ele... mas lá vai avançando, a passo de caracol...


      Abraço grande!



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  57. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    O HOMEM DO APITO

    Até o irrevogável
    Poderá ser revogado
    Desde que bem compensado
    Quem revoga o revogável

    E quanto mais malvado
    For o pseudo notável
    Ele será considerado
    Parceiro indispensável

    Calmo, o homem do apito,
    Que já vê mal à distância
    Teima em não ouvir o grito

    Desta imensa bancada…
    E ou ensaia uma alternância
    Ou enfrenta a turba irada.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "EQUIPA" ENGANADA

      Isso é mesmo irrevogável
      E é certeza "mais que certa"!
      Fica agora a porta aberta
      Para um novo "inevitável"

      Pois perante essa turba instável
      Surge a grande descoberta
      De querer-se, a turba, liberta
      Duma "jogada" execrável!

      E se a turba se organiza,
      Se ela luta acreditando,
      Mesmo estando a "malta" lisa,

      Essa "jogada" desliza,
      Mas nunca se sabe quando
      Entra a "bola na baliza"!


      Maria João


      Pedindo desculpa pela visível "desinspiração", aqui vai, amigo Eduardo, com o meu grato abraço que lhe peço para tornar extensível à Maria dos Anjos!


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  58. “Matutar”

    Em que estou a pensar
    Se é que penso deveras
    Eu só estou a matutar
    Neste circo de feras

    Em que se está a tornar
    A vida do povo oprimido
    E que para tal olvidar
    Devo tomar o comprimido

    Já não é comparticipado
    E o futuro também não
    Mas regressar ao passado

    Tem viagens por tostão
    Se és pouco viajado
    Aproveita a ocasião.

    Prof Eta

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