ESPANTO


 


(Soneto em decassílabo heróico)


 


 


Meu espanto, como bicho degolado,


É este quase-nada, este destroço,


Que embora reduzido a pele e osso


Faz frente a quem o tenha encurralado,


 


É este não temer ser confrontado


Com força natural, fera ou colosso,


Que nega a frustração do “já não posso!”


E muda, à dura sorte, o resultado.


 


Meu espanto mora em mim, comigo vive,


Mas pode exacerbar-se onde eu nem estive


Se as asas dum poema o transportarem,


 


Porque traz quanta força eu jamais tive


Se enfrenta humilhação que o esgote ou prive


Da voz que os sonhos meus lhe não negarem.


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 30.10.2013 – 15,16h


 


 


Imagem retirada da página do Partido Comunista Português

Comentários

  1. “Próxima eternidade”

    É fruto da sociedade
    O resultado escolar
    Não nos deve espantar
    Essa falta de equidade

    Não havendo serenidade
    Tendência é pr’agravar
    A ferros iremos marcar
    A próxima eternidade

    Colégio produz doutores
    E a escola o nobre povo
    Todos da nação valente

    E neste país de favores
    Não vislumbro nada novo
    Nem vejo nada diferente.

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    1. Nesta Eternidade...


      Quanto tempo caberá
      No conceito "eternidade"?
      Quantos anos durará?
      É distância? É velocidade?

      Nunca ninguém poderá
      Dizê-lo em boa verdade
      E, se ainda estou por cá,
      Já cheguei àquela idade

      Que of` rece a clara noção
      Dessa relatividade
      Pois nunca faço questão

      De afirmar que tem razão
      Quem nos rouba a liberdade
      Da gratuita Educação...


      Maria João

      Coitado do meu sonetilho... vai muito pouco melódico... mas voltei a não estar grande coisa das minhas maleitas...

      Abraço, Poeta!

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  2. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    FABULÁRIO (à portuguesa)

    Respeitável cidadão
    Um Senhor de muito tino
    Foi mordido por um cão
    E mordido por um menino…

    Solta-se-lhe, lesta, a mão
    P´ra cara do pequenino,
    No que respeita ao canino,
    Não tem qualquer punição!

    Sendo o bicho um canzarrão
    Não levanta nem um dedo,
    Aquele audaz figurão…

    Segundo a sua razão
    Desculpa a quem mete medo
    P´ro fraco não há perdão.

    Eduardo

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    1. Obrigada, amigo Eduardo, por mais este engraçado e bem construído sonetilho que vem directamente do seu FABULÁRIO (à portuguesa) para o meu blog!

      O meu abraço para si e Maria dos Anjos!

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  3. “Fruto proibído”

    São os frutos proibídos
    Mercê do baixa salário
    E seguimos protegidos
    Pl’o sistema igualitário

    Uns serão mais iguais
    Outros menos um pouco
    Mas nunca será demais
    Se não ganho fico louco

    Não vislumbro evolução
    Com salários miseráveis
    Mas admito estar errado

    Pode ser que tenham razão
    Alternativas são infindáveis
    Não quero ser aumentado.

    Prof Eta

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    1. Sejamos inflexíveis!


      Nós, no campo social,
      Vamos sendo conduzidos
      Para um retrocesso tal
      Que afirmo; - Fomos traídos!

      Hora a hora armadilhados
      Por int`resses tão mesquinhos,
      Com "patranhas" castigados
      Por "tipos" tão comezinhos,

      Nós só na luta constante
      Poderemos fazer frente
      A tão dura situação

      Pois, capitalismo impante,
      Só se combate com gente
      Que engendre a revolução!


      Maria João


      Aqui vai com o abraço do costume, Poeta!

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  4. “Explosão”

    Próxima com cravos não
    Que nós não somos parvos
    Faça-se outra revolução
    Com tiros em vez de cravos

    Este povo tanto aguenta
    Às mãos da mediocridade
    Vai daí um dia rebenta
    Espalhando fel de verdade

    Será um veneno poderoso
    Que minará forte o regime
    E lá longe todos escutarão

    Grito do povo antes receoso
    Que alguém tanto comprime
    Fazendo eclodir a explosão.

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    1. Dois simbólicos cravos da Liberdade...

      Eu, se dos cravos falar,
      Não serei idealista
      Nem assim tão linear
      Que me torne oportunista...

      Falo, simbolicamente,
      Dos direitos conquistados
      Pela acção de muita gente
      E dos presos libertados...

      Mas, sem força inspiradora,
      Com ajuda da vontade
      E umas tantas "marteladas",

      Aí vão, poema afora,
      Dois cravos da liberdade
      Nas rimas mal sincopadas...


      M. João


      Aí vai, Poeta, com e o meu abraço!



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  5. Respostas
    1. ... isso é coisa que eu cada vez faço mais devagarinho, Poeta... vou ver o trabalho do Chá!

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  6. “Portugal...”

    ... de punho erguido
    Por sair da recessão
    Anda tudo deprimido
    Sem perceber a razão

    Tomando o comprimido
    Pr’a evitar a depressão
    Deviam ter-nos ouvido
    No cante da revolução

    Grândola vila morena
    Entoada na assembleia
    Como forma de protestar

    Agora temos muita pena
    Continuem a verborreia
    Que nós vamo-nos matar.

    Prof Eta

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  7. Quanta perfeição e qualidade artística num só soneto!

    Adílio Belmonte
    Belém-PARÁ -BRASIL

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  8. Algo sempre esperado
    é abandonar a nação
    e o povo desesperado
    por falta de direção.

    Adílio Belmonte,
    Belém-PARÁ-BRASIL

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  9. Isso parece o meu Brasil,
    c'a nação desesperada,
    que nem parece varonil,
    sendo tão mal governada.

    Adílio Belmonte,
    Belém-PARÁ-BRASIL

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    Respostas
    1. Sendo tão mal governada
      Por tão louco desgoverno
      Toda a Terra foi chamada
      A ser o seu próprio inferno!


      Maria João

      Abraço fraterno, poeta Adílio Belmonte!

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  10. “Factores”

    Na parede da minh’alma
    Vou mandar grafitar
    Inspirado em doce calma
    “Amar, criar, realizar,...”

    E se tal não conseguir
    Pelo menos vou tentar
    Outra dinâmica imprimir
    E realizar, amar, criar...

    Que a ordem dos factores
    Nesta complexa equação
    Não sendo de desprezar

    Deixá-la-ei aos doutores
    E escutando o coração
    Vou criar, realizar, amar...

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    1. Que belo sonetilho, Poeta!

      Criando se ama e transporta
      Tudo o que é realizado,
      Tudo o que um`alma comporta
      De quanto tenha sonhado

      Pois tudo quanto se exorta
      No que assim seja criado,
      Na criação se reporta
      Ao que seja partilhado

      E logo a matéria-sonho
      Se ergue do chão qual semente
      Que floresce em plenitude

      Onde um cinzento tristonho
      Deixava um rasto impudente
      De falsa humana virtude...


      Maria João


      Bom fim de semana, Poeta e família!!!

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  11. Não virei à net até Domingo. Bom fim de semana.

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    1. Bom descanso, Poeta! Obrigada pela gentileza do aviso!

      Bom fim de semana para toda a família!

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  12. “Não votarás”

    A aparente democracia
    Neste mundo de ilusão
    Sucumbiu à economia
    É quem toma a decisão

    Decide sobre a vida
    Com a morte a acenar
    Que a opção escolhida
    Pode ser mesmo matar

    Não interessa o sujeito
    Se não fôr mais valia
    Tem mais valor o preceito

    E o lucro associado
    Já está próximo o dia
    Em que o voto é eliminado.

    Prof Eta

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  13. “CR7”

    É enorme o abraço
    A todos em Portugal
    Lá vai mais um golaço
    Do capitão nacional

    El grande comandante
    Em tempos de incerteza
    Leva a selecção avante
    Faz esquecer a tristeza

    Em terras de Vera Cruz
    Também ele comandará
    Esta grande selecção

    Comandante CR7 seduz
    Esta é a resposta que dá
    Com trabalho e dedicação.

    Prof Eta

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    1. Foram três grandes "golaços",
      Três vitórias numa só!!!
      Ficaram-me uns vagos traços
      Dos outros, metendo dó...

      Não percebo quase nada
      Mas penso que Portugal
      Já se vai fazendo à estrada
      Pr`a ter um grande final...

      Hoje faço-lhe a vontade
      E até digo que gostei
      De ver o nosso "jogão"

      Porque foi mesmo verdade
      E penso que até verei
      Portugal ser campeão!


      Maria João


      Vai péssimo... mas...

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  14. PRIMEIRO de DEZEMBRO de 2072
    (e voltou a haver feriado)

    Sessenta anos passados
    Sobre a malvada falência,
    Desta vez sem conjurados,
    Restaurou-se a independência.

    Nos armários trancados
    Dos Paços da Impaciência
    Nem se esconderam os malvados,
    Temerosos da violência.

    Foi tudo com bonomia
    Como é habitual
    No país da nostalgia,

    Reino de costumes brandos
    E o aquecimento global
    Fez arder os memorandos.

    Eduardo

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  15. Respostas
    1. Conforme dizia o Quino, através da sua Mafaldinha; "Há muitos "problemólogos" e poucos "solucionólogos"... vou ver isso!

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  16. “Beber o mundo”

    Transforma-te em emoção
    Bebe o mundo devagar
    Procura um outro lugar
    Depois da transformação

    Aplica-te sem presunção
    Na arte de apreciar
    Sem ter pressa de mudar
    Aprende a desconstrucção

    Em emoção transformado
    Com o mundo desconstruído
    Inicia um novo mundo

    Onde não seja rejeitado
    E onde faça algum sentido
    Esse sentir mais profundo.

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  17. Respostas
    1. Essa, coitada, é que anda com um deficit de todo o tamanho... vou ver, Poeta!

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  18. “Asseadinhos”

    O medo contemporâneo
    É colorido e pomposo
    Pode parecer extemporâneo
    Mas chega a ser doloroso

    Não usamos adjectivos
    Das coisas como elas são
    Ficamos pelos substântivos
    Para se evitar a agressão

    Não há nomes para os bois
    É tudo muito correcto
    E muito asseadinho

    Fica tudo para depois
    E evita ser-se directo
    Assim não se faz caminho.

    Prof Eta

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    1. Asseados, mas com voz!

      Caminhos fazem-se andando,
      Sem pompa, mas com respeito,
      Passo a passo caminhando
      Por vocação, por direito!

      E, se os bois tiverem nome,
      Porque não gritar bem alto
      Que alguns de nós passam fome,
      Que anda o governo ao assalto?

      Há dif`renças, claro está,
      Nisto das mentalidades,
      Dos neurónios, da cultura...

      Mas talvez "a coisa" vá
      Se não faltarem vontades
      De acabar c`a ditadura!!!

      Maria João


      Com o abraço do costume, Poeta!

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  19. “Luxos”

    Já subi a escadaria
    Agora vou-me deitar
    Foi imensa a gritaria
    Tenho que ir trabalhar

    Lá dentro já se previa
    Continuaram a votar
    Pr’a causar a asfixia
    Não devemos respirar

    Que essa coisa de viver
    Já num luxo se tornou
    Ou até uma extravagância

    Chegado o tempo de morrer
    Sorte a de quem respirou
    Em tempos de abundância.

    Prof Eta

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    1. "... e misérias!"

      Essa abundância não falta
      Aos da grande oligarquia...
      O pior é para a "malta"
      Que não lucra c`o que cria,

      Que não colhe o que semeia,
      Que não usa o que fabrica,
      Cuja comida escasseia
      Quando sobra à gente rica...

      Há porém, carros de luxo,
      Moradias com piscina,
      Coisinhas "topo de gama"

      Dos que vão "enchendo o bucho"
      Quando a gente "pequenina"
      Já não tecto nem cama...


      M. João

      Vai horrível (tem dissonâncias métricas...) mas é o que hoje se pode arranjar. Abraço grande!


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  20. “Acorde profundo”

    Sem harpa nem acorde
    Cantei o amor profundo
    Lá onde o silêncio morde
    Com o nada me confundo

    Aquilo que não entendi
    A alma descodificou
    E com o coração senti
    Mas não sei onde vou

    Caminho a descobrir
    Essa é uma constante
    Da intensa caminhada

    Aceitar o que há de vir
    Embora sem acorde cante
    O amor a cada passada.

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    1. ACORDE do verbo ACORDAR!!!
      ("acordes" bem "profundos" são aqueles que nos estão a encaminhar para o afundamento da economia através da destruição dos meios de produção, da perda de direitos, de uma política de franca eugenia!!!!)

      "Aceitar" nem sempre está
      Na linha do mais correcto
      E.às vezes, até nos dá
      Direito a ficar sem tecto,

      Mas é muito "confortável"
      Esta coisa de pensar
      Que o rebelde é condenável
      E há um "céu" pr`ó que aceitar!

      Resistir será meu lema
      Do lado da barricada
      Daquele que soube acordar

      Quando o gene do problema,
      Encetando a caminhada,
      Deu sinais de despontar...


      Maria João


      O meu abraço, Poeta! Tenho análises, hoje... estar atento era um direito. Agora, passou a ser um dever!


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  21. “Seara velha”

    Estar atento era direito
    Mas agora é um dever
    Pois saíram com defeito
    Estes que fomos eleger

    As verdades eleitorais
    De mentiras foram feitas
    Mas isto há anos demais
    Mentiras foram eleitas

    Este país pobrezinho
    Sonhou ser rico um dia
    A produção abandonou

    Pescas, o pão e vinho
    O pouco que produzia
    E tudo o vento levou.

    Prof Eta

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  22. “Ser humano não”

    Nosso mundo evoluiu
    Mas o ser humano não
    E portanto destruiu
    Toda essa evolução

    Continuou primitivo
    E sobretudo egoísta
    De instinto destrutivo
    E espírito esclavagista

    Humanidade deprimente
    Que luta por deus dinheiro
    E o seu irmão maltrata

    Ouvi dizer recentemente
    Que esse deus é o primeiro
    E que a economia mata.

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    1. Não? Porquê?

      Não é num Conto de Fadas
      Que o ser humano evolui!
      Há, pela frente, mil estradas,
      Nunca a obra se conclui...

      É processo inacabado
      De um projecto em movimento
      Que, nunca estando parado,
      É, contudo, muito lento!

      Quantas, quantas - ninguém sabe! -
      Variáveis , circunstâncias
      E pequenas mutações

      Antes que o processo acabe
      C`o sistema das ganâncias
      E das grandes dissensões?

      Maria João


      Com o abraço do costume, Poeta! Para o seu pai, os meus parabéns... e o meu fraterno abraço!

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  23. Respostas
    1. Ah, Poeta! Um Chá musical é tentador! Vou ver se lhe dou um golinho antes que as dores de coluna preguem comigo na cama... isto, hoje, está infernal!

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  24. “O Nelson”

    O estado pode roubar
    Mas o Nelson é que não
    Por desempregado estar
    Dedique-se à meditação

    Pare agora de respirar
    E controle a pulsação
    Pr’assim poder poupar
    No processo de combustão

    As células deve dominar
    Impor ritmo ao coração
    Até conseguir vegetar

    E os açucares em circulação
    Possa também desprezar
    No processo d’alimentação.

    Prof Eta

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    1. Vocações...

      Se o governo meditar,
      Já cumpre alguma função
      Pr`além de desbaratar
      E vender-nos a nação

      E, quem sabe?, se calhar
      Tem muita mais vocação
      Pr`ó que o faça divagar
      Do que pr`á "governação"...

      Com tanta gente a passar
      Fome de cultura e pão
      E sabendo a quem culpar,

      Só nos resta protestar
      Pr`alcançar a solução
      Que à Nação visa salvar...


      Maria João


      Com o meu abraço, Poeta!






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  25. “Exportação”

    A salvação nacional
    Deve estar no horizonte
    Não é tarefa que nos afronte
    Defender nosso Portugal

    Por ventura o social
    Qu’ainda vemos defronte
    Antes qu’alguém o desmonte
    E lhe dê machadada final

    Os velhos são descartáveis
    Vão amputando a pensão
    E os novos exportáveis

    Por aqui não ficarão
    Não mais seremos saudáveis
    Com este estado da nação.

    Prof Eta

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    1. Exportação forçada

      Não somos "negociáveis"!
      Temos os nossos direitos
      Duramente conquistados
      - esses, sim! - irrevogáveis,
      - esses, sim! - justos conceitos
      Pelo povo reclamados!!!

      O direito à permanência
      Neste chão onde nascemos
      Não importa como ou quando,
      Nunca esta louca emergência
      De deixarmos quanto temos
      Porque, a nós, nos vão exportando...



      M. João


      Abraço... muito a correr, saiu em sextilhas mancas...

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  26. Respostas
    1. Ora ainda bem!!! haja qualquer coisinha capaz de evoluir!
      Os meus scripts, muito pelo contrário, estão cada vez mais doidinhos e reaccionários...

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  27. “Sem história”

    Fazendo a tua história
    Vais correndo devagar
    Fixa-te nessa memória
    Para que a possas contar

    Dos fracos ela não reza
    Será essa a triste sina
    A história menospreza
    Essa vida tão pequenina

    Mesmo sendo triturados
    Por outra história maior
    Nunca seremos lembrados

    Em todo o nosso labor
    Somos os esconjurados
    Filhos duma história menor.

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    1. A História é tão grande quanto os que RESISTEM!

      Não será "história menor"
      A que se ergue em Resistência,
      A que se escreve em redor
      Duma tão grande insurgência!!!

      Não será menos heróica,
      Menos digna de ser escrita,
      Nem menos bravia e estóica,
      Menos ousada e... bonita!!!!

      Só depende dos cronistas
      Terem sido, ou não, "compráveis",
      Quando o seu tempo chegar...

      Se fizerem "grossas vistas",
      Terão sido "abomináveis"
      Que melhor fora calar!!!


      Maria João

      Com o meu abraço GRANDE, Poeta!

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  28. Respostas
    1. Se a imprevisibilidade dos scripts mo permitir, vou ver esse Chá, Poeta!

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  29. “Nevoeiro”

    Que tipo de sociedade
    Temos nós em Portugal
    Por cotas é especialidade
    E roubá-la não faz mal

    Está na massa do sangue
    Deste povo bem latino
    Por isso que não se zangue
    Ao não passar de pequenino

    De pequenino e mesquinho
    Nos objectivos grandiosos
    Que estão todos no passado

    Nevoeiro faz o povo ceguinho
    Por actos e feitos valorosos
    Viva D.Sebastião regressado.

    Prof Eta

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  30. ORA FAZ LÁ CONTAS

    Os que não votam, anota
    E chama-lhe abstenção
    E a seguir, toma nota
    De quem engana a votação

    Dizendo, nem sim nem não…
    E, assim, verás que quem vota
    Disso fazendo menção
    É uma pequena quota.

    Divide, esses, então
    Por todo o concorrente
    À nossa governação…

    Quem governa esta nação
    Representa pouca gente…
    Uma pequena porção.

    Eduardo

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  31. “Derradeira jornada”

    Que possa haver luar
    Para essa caminhada
    Vá sobretudo iluminar
    Toda a imensa estrada

    E a quem acompanhar
    Essa derradeira jornada
    Em que nos vamos tornar
    Quando já não formos nada

    O deve e haver da vida
    Parece não ter terminado
    Mas essa é a única verdade

    Indizível e não decidida
    Será o livro desfolhado
    Nessa próxima eternidade.

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    1. Haja, embora ligeirinho,
      Luar que nos ilumine
      Tão castigado caminho
      Até que a noite se anime!

      Haja luar que nos guie,
      Que apontando Norte/Sul,
      Traga um vento que assobie
      Mal desponte o dia azul...

      Que nos dê cumplicidade,
      Que nos seja transparência
      Que nos faça prosseguir

      Nesta curta eternidade
      Da muito humana insolvência
      Deste difícil porvir...


      M. João


      Aqui vai com o meu abraço, Poeta! Tive mesmo de o fazer durante uma música do RHP...

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  32. Respostas
    1. Vou tentar vê-lo, Poeta! Os scripts não estão a ajudar nada o meu mal estar e a minha dor de coluna...

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  33. “O mundo acima”

    Ser humano com direito
    Foi uma coisa do passado
    Agora o humano perfeito
    E um humano triturado

    Esta nova imposição
    Da austeridade emana
    Sobe a conta um milhão
    Baixa a condição humana

    Baixa tanto que parece
    Vivermos no submundo
    Criado pelos mercados

    O mundo acima enaltece
    Com o seu sentir profundo
    Novos seres desumanizados.

    Prof Eta

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    1. Mundo em luta!

      Eu, excremento de mercado?
      Nós, poetas, tão castrados?
      Ponha-se a banca de lado,
      Que dela estamos cansados!!!

      Tranque-se, ela, a cadeado
      Porque nós, de revoltados,
      Faremos "caldo entornado"
      Dos "chiliques" dos mercados!!!

      Quando as ruas das cidades,
      Das vilórias, das aldeias,
      Se juntam neste protesto,

      Nada lhes cala as vontades,
      Ninguém lhes muda as ideias
      Conducentes ao seu gesto!!!


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!


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  34. Respostas
    1. Estou numa ligação - a que tenho... - mais do que instável, com scripts a encravarem e separadores tremelicantes... para além do antipático síndrome do ombro doloroso que se lembrou de vir juntar- se a todos os outros menos simpáticos sintomas... mas vou tentar chegar ao Chá, Poeta!

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  35. “Madiba”

    Combatente da liberdade
    Fez a longa caminhada
    Do cárcere na mocidade
    Até ao final da estrada

    Soube unir uma nação
    Sob as côres do firmamento
    Onde a côr era desunião
    Pintou um arco-íris de alento

    Por ninguém seja ignorado
    Na sua grandeza moral
    E que fique uma certeza

    Mesmo estando aprisionado
    O perdão foi o seu sinal
    Sua alma nunca esteve presa.

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    1. Madiba não morrerá!
      O seu sonho permanece
      E nunca se apagará
      Pois quem luta nunca o esquece!

      E fico por aqui, Poeta! Nada do que eu dissesse poderia fazer justiça ao Madiba e eu estou muito "vazia", hoje, desculpe-me. Estou particularmente cansada... desta vez, ao contrário do habitual, por dentro e por fora.

      Abraço grande!

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  36. “Pirataria”

    Faz barquinhos de papel
    Este país à deriva
    Porquê tanto escarcel
    Vem política restritiva

    Tão restritiva asfixia
    Até a construcção naval
    Que não voltará um dia
    A fazer-se em Portugal

    Mete água a embarcação
    Tem o casco perfurado
    Foi alvo de pirataria

    Atacaram a tripulação
    Sacaram-lhe o ordenado
    Foi um saque à luz do dia.

    Prof Eta

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    1. "Capitalismo"


      Tudo foi pirateado;
      O trabalho, a habitação
      E este povo assim explorado
      A quem roubam tecto e pão

      Está o povo organizado
      Pr`a pôr fim à exploração,
      Ou está bem amordaçado,
      Sem poder dizer que não?

      Acontece à luz do dia,
      Acontece a toda a hora,
      Acontece a toda a gente...

      Que absurda pirataria
      A que tanto ofende e explora
      E desta maneira mente!!!


      Maria João


      O meu abraço, Poeta!




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  37. Respostas
    1. Estes malvados scripts, sempre encravados, não estão a ajudar mesmo nada a minha já tão reduzida mobilidade e a minha desconfortável prestação online... mas vou tentar ir ao Chá.

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  38. “Sublinhar”

    Os livros sublinhar
    E sobretudo a vida
    Com amor para dar
    Duma forma decidida

    Ao sublinhar assumo
    Dia a dia sem descanso
    O construir do resumo
    Que em jeito de balanço

    Será um dia recordado
    Por alguém ao passar
    Na biblioteca perdida

    De resumos do passado
    Onde quem soube amar
    Deixou a marca devida.

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    1. Os sublinhados

      Pessoais, os sublinhados,
      Como impressões digitais,
      Lembram-nos tempos passados,
      Desses que não voltam mais

      Nos traços então deixados,
      Por quem parte, aos seus iguais,
      Estarão, embora velados,
      Ecos, dúvidas gerais,

      Dissensões, mas sobretudo
      Esse “não sei definir”
      Que se torna irrepetível

      Ao descobrirmos um estudo
      De onde nos cabe partir
      Para um ponto indefinível…


      Maria João


      Segue com o meu abraço do costume, Poeta!

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  39. Respostas
    1. Simplesmente infernal será lidar com estes scripts que não respondem e se encravam Mas vou ver o Chá!

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  40. “É agora”

    É agora Portugal
    Que nós vamos renascer
    Isto vai ser bestial
    Basta esperar pr’a ver

    Ideias são às centenas
    Para salvar a nação
    Das maiores às pequenas
    Todas elas contribuirão

    Pr’a nos tirar do buraco
    Que aqui se foi cavando
    Sei que não foi por mal

    Mandem depois ao Cavaco
    Esse vosso memorando
    Com os votos de Natal.

    Prof Eta

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    1. Dizem eles...

      Não é agora, não é!
      Mentira e pura "fachada"!
      Virão "tratos de polé"
      Pr`á luta ficar calada!

      Então não estamos a ver
      O estado que "isto chegou"?
      Ou julgarão convencer
      O que nunca se calou?

      São tudo extrapolações,
      Contracurvas e manobras
      Das teias do capital

      Que tem sempre explicações,
      Traiçoeiro como as cobras,
      Pr`a desgovernar tão mal!


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!

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  41. Respostas
    1. Coitado do meu Poetaporkedeusker (má hora, aquela em que, apressadamente, resolvi encher-lhe o título de kapas... ), está todo "anémico" quando o abro... depois, lá retoma, muito a custo, o seu azul escuro, mas... fica que tempos com um azulzinho tão desmaiado que mal dá para ler... vou tentar ir à Ponte, enquanto luto contra o meu cansaço e a teimosia dos scripts...

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  42. “It’s Time”

    Eu, a pessoa do ano
    Saio à noite em surdina
    Gesto simples e humano
    Despojado da batina

    Transbordando em amor
    Procuro o irmão sem nada
    Tento aliviar-lhe a dôr
    Indicar-lhe nova estrada

    Uma estrada milenar
    Para que se saia disto
    Deste estado de pobreza

    Que nos está a matar
    Procuro ser igual a Cristo
    Sem estar pleno de certeza.

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  43. NÃO VIRAM O BRILHO DA ESTRELA

    Todos dizem que é urgente
    Seguir o brilho da Estrela
    Mas sua obscura mente
    Nem alcança a luz da vela

    E a sua voz descrente
    Não tem som da vuvuzela
    Que saudava, imponente
    A passagem de Mandela…

    Desconhecem o perdão,
    Não há sonho que os coíba
    De trocar o sim p´lo não,

    Não conhecem a razão
    Por que era grande Madiba,
    O seu lema é a ambição.

    Eduardo

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    1. Grata, amigo Eduardo, por mais este excelente sonetilho!
      Não, não podem entender quão grande foi Madiba! Não podem mesmo!

      Fraterno abraço!


      Maria João

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  44. “Corrente de ar”

    O povo no parlamento
    Não lembra a satanás
    Fiquem-se pelo lamento
    Mas lá do lado de trás

    A casa da democracia
    É local muito honrado
    Já basta tanta porcaria
    Que fazem do vosso lado

    Se a porta não abrimos
    Não é pr’a impedir d’entrar
    Apenas não vos ouvimos

    Pois estávamos a trabalhar
    E porque assim impedimos
    As malditas correntes de ar.

    Prof Eta

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    1. Mas que falta vão fazendo
      As belas correntes d`ar!
      Sem elas, vão-se perdendo
      As razões pr`a legislar...

      Venham mais correntes dessas,
      Das que sopram deste povo
      Que lhes vai pedindo meças
      Do que fizeram de novo!

      Se estiverem abrigados,
      Ninguém se há-de constipar
      Renovam-se os pensamentos,

      Mas, não estando "vacinados",
      Podem, alguns del`s, ficar
      Um bocado bem mais atentos...


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!

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  45. “Rascunhos”

    A limpo não passamos
    Nossa alma rascunhada
    Mas com o tempo lidamos
    E o tempo não quer nada

    O carrilhão da memória
    Ressoa a vida passada
    O rascunho não é história
    Da vida sempre apressada

    O tempo sem nada querer
    Ficará dono da vida
    E dos rascunhos também

    Acabamos por nos perder
    Numa imensa avenida
    Onde se passeia ninguém.

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    1. Na avenida se passeia
      Gente de boa memória
      Que, em noites de lua cheia,
      Escreve, ainda, a sua história

      Que, embora sendo rascunho,
      Não deixa de ter sentido,
      Não é mero "gatafunho"
      Sem a função de ser lido

      Na falta de perspectiva
      Pode sempre procurá-la
      Pois é sempre o que se faz...

      Quando a sorte lhe for esquiva,
      Tenha a garra de enfrentá-la
      Pois vai ver que é bem capaz!


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!

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  46. Eles apertam a mão
    A quem, logo, irão ferir
    Sua verdade é mentir
    E mentir, sua oração
    Pensam só na humilhação
    De quem os possa servir,
    Para eles o porvir
    Tem raiz da usurpação…

    A sua imensidão
    É a que avistam da janela
    Em noite de escuridão
    Seus olhares torpes e vagos
    Jamais seguirão a Estrela…
    Não têm sina de Magos

    Eduardo

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    1. Nenhuma "sina de Magos", amigo Eduardo, nenhuma!

      Obrigada e um forte abraço para toda a família!


      Maria João

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  47. “Equidades”

    Futuro mais que imperfeito
    Desta nossa sociedade
    Constrói presente perfeito
    Sobre pilhas de equidade

    Onde uns são mais iguais
    Usufruindo os benefícios
    Enquanto sobre os demais
    Impendem os sacrifícios

    Estas são as contingências
    Da sociedade irracional
    Que soubemos construir

    Sem medir consequências
    Deste erro monumental
    Que nos está a destruir.

    Prof Eta

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    1. Não há futuro perfeito
      Que possa ser construído
      Enquanto tanto direito
      Estiver a ser ofendido!

      Tanto atraso, tanta dor,
      Emanam de todos nós
      C`o "governo" a sobrepor,
      Sempre, a sua à nossa voz...

      Sejamos reconstrutores
      Deste pequeno jardim
      E do mundo todo inteiro

      Nós, os simples portadores
      Da confiança sem fim
      Num amor mais verdadeiro!

      Maria João


      Abraço gde, Poeta!

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  48. “Aparenta”

    Se vives da aparência
    Acabarás por não ser
    Nem terás consciência
    Apenas queres parecer

    Assim vives ocupado
    Na tua não existência
    E acabarás destronado
    Pelo que julgas vivência

    Mas que é apenas vazio
    Preenchido com a presença
    Dessa existência aparente

    Essa realidade é desvio
    Que cedo leva à descrença
    E torna o ser inconsciente.

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  49. “Incontornável”

    Humanidade insolvente
    À beira do inconformismo
    Observa descontente
    O incontornável abismo

    Dará um passo em frente
    Ou numa de realismo
    Assumir-se-á demente
    Pr’a evitar o cataclismo

    E assim louca sem estar
    Com o abismo transformado
    Numa insanidade global

    Para o abismo há de saltar
    Não pode ser contornado
    É o seu destino afinal.

    Prof Eta

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    1. A Alternativa!


      Na tarefa gigantesca
      Que hoje se lhes apresenta,
      Quem os concentra na "pesca",
      Mesmo quando a "pesca" os tenta?

      Vá-se à "pesca" de valores,
      D`equilíbrio emocional,
      Da justiça, sem pendores,
      Do amor por seu igual...

      Decerto, algum retrocesso...
      Nunca aquele que os monopólios
      Vão servindo "de bandeja"!

      Haja Luta! Este processo
      Seja activo e nunca espólios,
      Como o Capital deseja!


      Maria João


      Ai, poeta! Em termos poéticos, isto vai sendo um subproduto da poesia... mas diz exactamente o que penso! O que acontece é que a Poesia deve nascer de outras fontes que não as impostas no momento, na sequência de outras palavras ou temas dados. Acredite que era assim comigo e com todos os grandes da Poesia com quem lidei... aquela que se presta MESMO a isto, é a que se traduz em quadras. Não há dúvida de que as quadras são a forma ideal de "desgarrar"!
      Abraço grande!

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  50. “Desigualdade”

    Igualdade é utopia
    Pois tudo é desigual
    É um gasto de energia
    Discussão sobre o igual

    Mesmo a meio cortada
    Essa simetria perfeita
    De igualdade imaginada
    Resulta logo desfeita

    Na desigualdade real
    A vida adquire beleza
    E também a harmonia

    Esta verdade fundamental
    É uma lei da natureza
    Logo não se contraria.

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    1. Razão científica

      Mas ninguém pede igualdade
      Da clonada ou gemelar!
      Dessa, qualquer um se evade,
      Quase sempre a protestar...

      Venha, então, a dos direitos,
      Mas dentro das circunstâncias,
      Tendo em conta alguns "defeitos"
      E outras pequenas... "distâncias"!

      Aplicar o Darwinismo
      A qualquer governação,
      Dá naquilo que bem vemos

      E já não há conformismo
      Que nos cale esta razão
      Quando ela é tudo o que temos!


      Maria João


      Abraço grande, Poeta!

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  51. A NÃO EPOPEIA

    Tanto mar nós fomos ver,
    Decerto foi p´ra mostrar
    O modo de estagnar,
    A arte de empobrecer.

    Um Povo deve pugnar
    P´lo lugar onde nascer
    E não pensar em explorar
    Quem livre deve crescer

    A cruz pintada nas velas
    Das garbosas caravelas
    Não augurou coisa boa

    Não ensinámos ninguém,
    Voltámos pobres, também
    Às colinas de Lisboa
    Vive este povo a olhar
    Das colinas, para além
    Mas agora já ninguém
    Quer voltar a navegar
    Nossa riqueza invulgar
    Tratamo-la com desdém…
    Esta nação está refém
    E já nem quer ver o mar
    Já nem quer os estaleiros
    Para as frotas construir
    Já nem quer ter marinheiros
    Embarcou noutra maré
    E basta-lhe o ir e vir
    Da onda da Nazaré.

    Eduardo

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  52. “Acordarão”

    Pobreza envergonhada
    E silenciosa também
    Avança pela calada
    É tratada com desdém

    Cada pobre vale nada
    Uma conta que convém
    Para que seja aumentada
    A riqueza mais além

    Já foram contabilizados
    Estatisticamente falando
    Bem acima dum milhão

    Pobres e silenciados
    Consciência vão tomando
    E um dia acordarão.

    Prof Eta

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    1. Sem fôlego e com muita febre - a malvada gripe "agarrou-me"... - não lhe consigo responder... mas sempre lhe digo que ninguém vai entendendo muito bem como é que alguns dos mais excluídos podem estar bem mais acordados do que os que se agarram com unhas e dentes aos seus problemas pessoais porque ainda acreditam que escaparão se mantiverem as posturas de "bem comportadinhos"...

      Abraço grande e febrl, Poeta!

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