O TEU SILÊNCIO, Ó COMPANHEIRO!
(Soneto em decassílabo heróico)
Por vezes vem de manso a voz do vento,
Murmurar-me em segredo… e diz-me mais,
Mais alto e mais audível que as normais
Que por cá repercutem qual lamento
A que sempre faltou raiva e talento
Mas soam como sopram vendavais,
Bradando sem cuidar dessoutros ais
Que ousem fazem soar seu desalento
Porque o sofrem na carne… e se não calam!
Aos que possam provar que, quando falam,
Bem mais razões terão que os do “poleiro”,
Junto o sopro de uns versos que me exalam
O vivo odor das brasas que em mim estalam
Se te encontro em silêncio, ó companheiro!
Maria João Brito de Sousa – 19.04.2014 – 14.48h
“Se existe”
ResponderEliminarSe existes logo pagas
Fazendo-o sem questionar
E suportas essas chagas
Fruto do auto flagelar
E acreditas na bondade
Mesmo má sem questionar
Dominando essa vontade
Que te faria enfim lutar
Estás no olho do furacão
Mas manténs esse lugar
Qu'o crente nunca desiste
Pode alterar a feição
Mas não deixa de pagar
É sua obrigação se existe.
Prof Eta
EliminarPaga crente e paga ateu
Quanto aos bolsos vai levando
O capital que se encheu
À custa de um povo brando
E se "paga, logo existe",
Não tenhamos ilusões
Porque um povo, mesmo triste,
Sempre "rende" uns bons milhões!
... mas há sempre a resistência,
O protesto, a lucidez
De quem traz, na consciência,
O orgulho português
Que, sem mais condescendência,
Faz frente ao ladrão burguês!
Maria João
Cá vai com o abraço do costume, Poeta!
“Eternamente”
ResponderEliminarO tempo é que tem tempo
E faz dele o que quiser
Nós somos seu passatempo
Para o que lhe aprouver
Tempo pode libertar-nos
Se achar que é o caminho
Ou então aprisionar-nos
Para não correr sozinho
Só mesmo a eternidade
A esta lei se sobrepõe
Pois se o tempo parar
Continua em liberdade
Que dela ninguém dispõe
Nem a pode aprisionar.
Do tempo fazemos parte
EliminarTal como tudo o que é vivo
E, afinal, tudo o que existe,
Mas perduramos se a arte,
Ao passar no duro crivo,
Nos mostrar que`inda resiste...
M. João
Vai só uma sextilha, Poeta, com o forte abraço do costume!
Chá assaltado.
ResponderEliminarPobre Chá! Vou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Perfeitos”
ResponderEliminarO ser humano perfeito
Não alcança a perfeição
Pois tem sempre um defeito
Embora lhe pareça que não
Destoa por querer parecer
Aquilo que lhe aparenta
Mas o que parece sem saber
É que a imperfeição representa
Somos todos muito iguais
Nesta nossa perfeição
A diferença nem se nota
Há o perfeito demais
O perfeito por definição
E há o perfeito idiota.
Prof Eta
Eheheheh... esse foi um final "em beleza", Poeta...
EliminarOs perfeitos idiotas,
A bem da governação,
Tomaram conta das "notas",
Julgando terem razão
Mas, fizeram tais batotas,
Que abriram, no nosso chão
Uma cova em que as derrotas
Ganham nova dimensão;
Tanta asneira cometida,
Tanta falta exacerbada,
Tanta mentira mentida,
Que, cada vez mais cavada,
Fica a cova tão perdida
Quanto a malta em si lançada...
M. João
Vai muito mau e coxo, Poeta, mas estou na pen e receio bem que ela me faça calar a qualquer momento... abraço!
“Nas asas da esperança”
ResponderEliminarTem asas a esperança
Verde será sua côr
Não esperes a mudança
Faz-te já um corredor
Só correndo e suando
Te poderá recompensar
Esta melodia cantando
Faz a tua alma voar
Destinada a quem insiste
Recompensa mais além
Um dia tu alcançarás
Esperança nunca desiste
Não desistas tu também
Corre muito e voarás.
Chá comandado.
ResponderEliminarA ligação está num dos seus "dias não"... vai e vem, vem e vai...
EliminarVou tentar ir ver o Chá!
“Salvos”
ResponderEliminarEis aqui a salvação
E agora o salvador
Sob a forma d’injecção
Para aliviar essa dôr
Uma dose a cada nação
Para o seu banco central
Administrar cada milhão
Na sua economia real
Fica melhor a finança
E os bancos serão salvos
Pois a liquidez aumenta
Ao som da música dança
Esse conjunto de papalvos
É o povo, muito aguenta.
Prof Eta
... o êmbolo da "seringa"...
EliminarD`injecções de capital,
Pouco percebo, mas sei
Que podem fazer-nos mal
Quando dadas "contra a grei"
E penso de forma igual
Se disser que não gostei
Que isso se torne normal
E feito em nome da lei...
Além do mais, bem se viu
Que onde o capital põe mão,
Tudo é feito ao arrepio
Dos muitos que ficarão
Entre o "nada" e o "vazio"
Que exista em cada aflição...
Maria João
Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!
PROFECIAS DO BAND ARRA
ResponderEliminarALDEIA EM MUTAÇÃO
Na aldeia de Cambalacho
Ninguém queria trabalhar
Ambicionava-se um tacho
E viver a descansar.
As terras, por cultivar
E não se olhava p´ro sacho,
Não se ia ao peixe, ao mar
E nem mesmo ao riacho.
Até que chegou um dia
Em que outro vento soprou,
Um dia tinha que ser…
Quem só o tacho queria,
Ao ver que ele se quebrou,
Cedo quis outro viver.
Eduardo
Elefantes no chá.
ResponderEliminar... que estranho, Poeta! Não o facto de haver elefantes no Chá... o nosso Chá é suficientemente grande para conter seja o que for Refiro-me ao facto de só hoje me ter chegado este seu comentário à caixa do correio
EliminarMas olhe que assim foi...
Vou ver o Chá!
É que provavelmente este não era correio azul.
EliminarAhahahahah!!! Era, era! A minha caixa de correio está azul!
EliminarNão vou poder cá estar muito tempo porque a ligação partilhada ainda não voltou e a pen deve estar quase no fim...
Abraço, Poeta!
belíssimo soneto, a estilhaçar silêncio(s)
ResponderEliminargostei muito
cumprimentos
Obrigada, Heretico!
EliminarContinuo a estar impedida de comentar qualquer blog da blogspot, mas vou de imediato visitá-lo!
“Matas”
ResponderEliminarQueres fazer a guerra
Um motivo encontrarás
Mas é difícil na terra
Haver motivos p'rá paz
Ouro negro é uma razão
E os diamantes também
P'ra que não haja discussão
Uma qualquer razão convém
Matas contra o terrorismo
Matas em nome da lei
Matas contra a invasão
Matas por patriotismo
Matas, porquê já não sei
Matas, porque é a tua missão.
Não mato!
EliminarPoeta, eu não mato nada,
Mas passou-me pel`ideia
Desancar a "corja grada"
E metê-la na cadeia!
Não posso ficar calada,
Sei que não é coisa feia,
- nem sequer é coisa errada -
Dar, à corja, uma tareia!
Logo, mesmo não matando,
Não serei, decerto, "mansa",
Pois se a corja for grassando,
Não preconizo matança;
Isto, de que estou falando,
É justiça, não vingança!
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço do costume! Vou mesmo ter de sair já a seguir!
“Ocupados”
ResponderEliminarN'Europa estão a anunciar
Começou a grande guerra
Ninguém se parece importar
Por não existir paz na terra
Mas sim a sede de matar
Discurso demagogo descerra
A enorme vontade de parar
Mas logo na prática emperra
Contra os canhões marchar
Não vislumbro outra opção
Marcharemos alinhados
Grande guerra a começar
Não nos traz a salvação
Mas mantém-nos ocupados.
Prof Eta
Só posso crer numa "guerra"
EliminarSe for pr`á libertação
De quem defenda uma terra
Da estrangeira ocupação!
Na mão que um golpe desferra
Pr`arredar uma intrusão,
Digo sim, quando a refrega
Se torna em revolução,
Mas à Guerra, no geral,
Digo não! Que vença a Paz
Tornada internacional
Porquanto a História se faz
Contra a guerra e contra o mal
Que essa mesma guerra traz!
Maria João
Cá vai com o meu abraço, Poeta!
Chá escuta.
ResponderEliminarVou tentar escutar o que que o Chá escuta, Poeta!
Eliminar“Nós”
ResponderEliminarViver só terá sentido
Se houver sentido p'rá vida
Como tal vem incluído
No menu logo à partida
A busca da eternidade
Dando sentido à existência
Finita da humanidade
E à infinita consciência
De sermos apenas poeira
Que por fruto do acaso
Um dia se viu animada
Por muito que se não queira
Surge no horizonte o ocaso
Nós, a poeira estagnada.
"Nós, vida!"
EliminarPor acaso e por razões
Que alguns nunca entenderão,
Brotou vida dos vulcões
Foi-se enchendo dela o chão!
Geradas as condições
Pr`á chamada criação;
Procariotas, aos milhões,
Evoluem na função
Pois, sem quaisquer ilusões,
Surge a nova dimensão
Da vida a três dimensões
E da multiplicação
De quem tem boas razões
Pr`a saber que tem razão...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o meu abraço do costume!
Com quais versos vamos saudar os companheiros daqui da TERRAE BRASILIS?
ResponderEliminarSempre aqui travestidos de bucólicos
Mostram a podre face do meu Brasil
Os nossos companheiros sempre eufóricos,
Dispostos a provocar guerra civil.
Adílio Belmonte,
Belém - Pará- BRASIL
Bom dia, Poeta Extase!
EliminarNão sei se entendi bem o sentido destes seus versos. Diz que os seus compatriotas mais "bucólicos" são provocadores? Será isso?
Um fraterno abraço!
É verdade há uns companheiros influindo nos destinos do Brasil que se fazem de anjos, mas no fundo são lobos vorazes, inclusive para dilapidar o património público desse nosso país RICO-POBRE , principalmente em educação e cultura.
EliminarAbraço,
Adílio Belmonte
Obrigada pelo esclarecimento, amigo Adílio!
EliminarO meu abraço!
“Recomeço”
ResponderEliminarA pergunta compreender
Será demasiado exigente
Mais fácil será responder
Sem escutar nada da gente
Somos povo p'ra espremer
Não creio que seja diferente
Enquanto a gente ceder
A tanta proposta indecente
Novo começo é possível
Mas sem esta humanidade
Toda conspurcada de sangue
É cada vez mais previsível
A explosão e luminosidade
Resultante do novo big bang.
Prof Eta
Mil e um recomeços... e nem um predestinado...
EliminarNão é fácil de prever,
Nem fácil de deduzir,
Que o Big Bang vá renascer
Quando alguém o decidir,
Mas não deixo de entender
Que é bem fácil de engolir
Tudo aquilo que se quer
Quando se pensa em explodir...
Se esta ligação quiser,
Se o estro de mim fluir
E se a magia se der,
Voltarei a traduzir
Quanto verso me nascer
Das letras que eu seduzir...
Maria João
Aqui vai o que me ocorreu dizer a partir da leitura do seu sonetilho, Poeta! Mais ou menos conciso, limito-me , sempre, a deixar fluir... depende sempre da primeiríssima leitura que eu faço, muitas vezes mais emocional do que racional, mas sempre transportando um pouco de ambas...
Abraço grande!
Chá afundou.
ResponderEliminarPobre Chá! Vou ver se lhe posso dar uma mãozinha...
Eliminar“Preenchido”
ResponderEliminarÉ meu povo meu país
O medo não me assiste
Venho ouvir o que diz
Não serei eu quem desiste
Já desce o desemprego
Já afunda o submarino
Estamos aqui sem apêgo
É um sonho de menino
Comandar uma armada
Ou conduzir o destino
Desta enorme nação
Até posso ficar sem nada
Mas este povo latino
Preenche-me o coração.
Prof Eta
Tanta dor, tanto mal-estar
EliminarEstão agora a preencher
Esta "veia" de rimar
Que comigo quis nascer,
Que nem penso em versejar
Até que volte a crescer
A ânsia de poetar
Nas razões pr`a me dizer...
Escrever, criar, produzir,
São ramos de um mesmo arbusto
Que não pára de florir,
Embora, às vezes a custo
E, outras tantas, a sorrir,
Mesmo perante um trato injusto...
Maria João
Cá vai, Poeta! Votos de um feliz Domingo e um forte abraço!
Chá de opções.
ResponderEliminarVou ver as opções do Chá, Poeta!
Eliminar“País bento”
ResponderEliminarA culpa morre solteira
Ainda qu'exista culpado
Esta é uma lei certeira
No futebol e no estado
Mas vai-se difarçando
Verdadeiro estado da nau
O barro à parede atirando
Isto afinal não está mau
E enquanto navegar
Tempestade é disfarçada
E a peneira tapa o sol
Se o destino é naufragar
Mesmo sem culpa de nada
Algum bento vai no rol.
Prof Eta
Eliminar"Tapa o sol c`uma peneira,"
"Leva um rio no teu dedal"
E estarás, a vida inteira,
A fazer... fazendo mal!
Os senhores de tanta asneira
Vão tapando Portugal
Com seda e serapilheira
De uma forma desigual...
Bento sai e outro que tal,
Qual Xico da Cantareira,
Faz a "cantata" final
Que sempre encontra maneira
De tornar-se original
E de afirmar-se a primeira...
Maria João
Com o abraço do costume, Poeta!
Chá além.
ResponderEliminarSempre quero ver esse Chá, Poeta!
Eliminar“País santo”
ResponderEliminarO novo banco está velho
Administração deu à sola
Uma família sem trambelho
Vai pôr-nos a pedir esmola
Ouvi dizer está parado
Num estado deprimente
Tod'o espólio foi gamado
Quem vai pagar é a gente
É a prenda de natal
Que nos calhou em sorte
Sem que quiséssemos tanto
Já nos habituou Portugal
Que entre a vida e a morte
Louvemos ao espírito santo.
Prof Eta
O BANQUETE...
EliminarPonho o sal, deito o fermento
e, aquecendo em fogo lento,
há-de, a seu tempo, ferver
este petisco almejado
a que chamo “cozinhado”
e, a seguir, irei comer!
Não será grande banquete...
Sem um molho vinagrette
talvez nem seja gostoso
mas, criá-lo de improviso,
pode ser que acabe em riso
e vai dar-me um grande gozo...
Lanço mais ingredientes
o banquete é dos valentes! -
e o tacho “deita por fora”...
que grande consternação!
O pitéu vai “virar” pão
coberto de doce ou Flora...
Maria João
Acredite, ou não, estas sextilhas "encaixam" no tema do seu sonetilho, Poeta! Não são, de forma nenhuma, uma descrição das minhas inabilidades culinárias...
Abraço grande!
Chá falido.
ResponderEliminarCoitadinho do nosso Chá! Vou vê-lo!
Eliminar“A receita”
ResponderEliminarSe somos não contradigo
Mas parecer não parece
Até o bom senso antigo
Com o tempo esmorece
Tudo achamos normal
Enquanto a terra aquece
O arrefecimento é global
A humanidade escurece
Não será a idade média
Tempo das trevas tão pouco
Mas o retrocesso espreita
E p'ra evitar uma tragédia
Que ponha este mundo louco
Inteligente deve ser a receita.
A "receita", meu amigo,
EliminarNão é treta nem ficção
E não nos traz maior p`rigo;
Vai ser a Revolução!
Nem sequer o contradigo,
Mas vou chamar-lhe a atenção
Para uns tantos sem-abrigo
Que dormem no próprio chão...
Basta de capitalismo!
No meio da confusão,
Vai-se abrindo enorme abismo
E é grande a contradição
Que nos abana, qual sismo,
Rumo à nova condição!
Maria João
Segue com o abraço do costume, Poeta!
“Somos nós”
ResponderEliminarTemos a decapitação
Servida sem preconceito
Passa até na televisão
Este fenómeno sem jeito
Isto em dia de eleição
Para que o país perfeito
Sofra uma implosão
Segundo disse o sujeito
Não existe construção
Decapitados estamos
De ideias agregadoras
Sente-se a destruição
Depressa nos esfumamos
Ante mentes destruidoras.
Prof Eta
Guilhotinas e cisalhas,
EliminarNo presente e no passado,
Guilhotinem lá, sem falhas
Que fica o caso arrumado...
As damas, mesmo grisalhas,
Estando de escalpe cortado,
Já não se importam com gralhas,
Nem mesmo c`o verbo errado...
Sem qualquer inspiração,
Deixo a minha opinião
E vou ter de desligar-me,
Porquanto não vejo nada
Estou com a cabeça "ourada"
E perdi todo o meu "charme"...
M. João
Abraço grande, Poeta!
Chá com bolos.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Poderes anormais”
ResponderEliminarQue seja normalidade
Humana não certamente
Pois padece de insanidade
Quase toda a humana gente
Anormalidade é poder
Nisso acredito piamente
Se o querem engrandecer
Minta-se descaradamente
E para que saia perfeita
Esta fórmula poderosa
Deve-se ainda acrescentar
O fazer parte duma seita
Suficientemente escabrosa
E capaz de nos ignorar.
Prof Eta
HIPO-VISÃO E HIPER-DOR-DE-CABEÇA...
EliminarSem inspiração, nem vista,
Já nem sei que hei-de dizer...
Vou juntar-me à grossa lista
Dos que não gostam de ler,
Ou, então, caso subsista
A dificuldade em ver,
Pode ser que o oculista
Me volte a fazer escrever...
Entretanto, se eu puder,
Escrevo a mensagem prevista
E embora me vá doer,
Solto a vontade humanista,
E "poeto" o que souber
Enquanto a função resista...
M. João
Cá vai, Poeta, muito mauzinho e a condizer com o meu estado geral, mas com o abraço do costume!
Razão do chá.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Desiste”
ResponderEliminarO que é um desistente
Mesmo se não desiste
É um vírus insolente
No seu caminho persiste
Olha e segue em frente
A sua genética insiste
Em tornar tudo diferente
O que era alegre é triste
Determinado avança
E só pensa em impor
Aura de destruição
Consumindo a esperança
Espalhando a sua dôr
Que desista, pois então.
Quem?
EliminarAo que impõe destruição,
Recomendo a desistência;
Não tem determinação,
Tem é falta de consciência,
Mas se é genético, ou não,
Não lhe sei dizer... paciência...
Se um herói passa a vilão,
Quem lhe adivinha essa essência?
Porém, ao que faz tenção
De espalhar, com inocência,
Toda a sua inspiração,
Direi que ganha em paciência,
Pois nunca trabalha em vão,
Nem traduz impertinência...
Mª João
O meu abraço grande, Poeta!
Chá preguiçoso.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarCANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminarSOU UM ESQUECIDO
Os cento e cinquenta mil,
Se acaso os recebi
Há muito que me esqueci,
Isto não é um ardil.
Pode parecer subtil
Mas aquilo que senti,
Foi que eu me distraí
E até já esqueci Abril
E não me chamem senil
Ou qualquer coisa mais feia
Tal seria um acto vil
Se querem tudo esclarecido
Perguntem à Assembleia
Que eu nunca lembro o que olvido
Eduardo
NÃO ESQUECI!
EliminarDesse Abril, não me esqueci,
Nem jamais me esquecerei,
Pois foi nel`que renasci
Mal nel`me reencontrei
Nesse Abril me desprendi
E foi ness`Abril que achei
Quanto abraço eu dividi,
Quanto passo antes não dei...
Se jamais me irei esquecer
Dess`Abril, tão prometido,
Do que sonho reviver,
Como posso ter esquecido
Ess`Abril que, ao suceder,
Deixou Portugal florido?
Maria João
Este seu Sonetilho não apareceu na minha caixa de correio, amigo Eduardo! Descobri-o por mero acaso, depois de ver o aviso do Poeta Zarolho sobre a publicação do Chá.
Ocorreu-me, no entanto, esta resposta
Forte abraço para si e sua esposa!
... agora é que apareceu na minha caixa de correio, Poeta... valha-me a santaineficácia!
Eliminar“Sociedade light”
ResponderEliminarÉ light esta sociedade
Apenas no seu linguajar
Pois sente a necessidade
Do demónio branquear
Pode esventrar crianças
Cabeças também decepar
Para o crime há fianças
Se o discurso o aligeirar
São as forças subversivas
Que se estão a combater
Tudo se permite à partida
Condição para que vivas
Outro lado tem que morrer
Com a morte se dá vida.
Prof Eta
Chá mudou.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Distorção”
ResponderEliminarEsses medos incutidos
Distorceram a filosofia
Os avessos discutidos
Não o serão mais um dia
Cultura estamos a matar
Estreito será o acesso
Para um novo caminhar
Faz-se agora o retrocesso
Apregoando a evolução
Humanidade está estagnada
Num caminho extraordinário
Não sentimos a distorção
Da nova filosofia aplicada
Ond’o cérebro é desnecessário.
... endireitando...
EliminarCérebro desnecessário?
Sei que o não devo aceitar
Pois, muito pelo contrário,
É o que mais vai faltar...
Como gerir certo erário
Sem sequer poder pensar?
Eu penso, de modo vário,
Que é melhor raciocinar
Não sem antes ter "sentido"
- com a cabeça, também! -
Quanto nos for permitido
Pois, cabeça, o que contém,
Muito mais que o já vivido,
É o que nos leva além...
Maria João
Cá vai, um bocado "martelado" para que me não falhem as sete sílabas métricas que a redondilha impõe, mas muitíssimo sentido e directo, Poeta! Abraço grande!!!
Chá no paraíso.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Turbilhões”
ResponderEliminarHarmonia foi destronada
Pelo poder do dinheiro
O homem não vale nada
As coisas estão primeiro
Humanidade afogada
Só sabe viver a crédito
Sementeira está estragada
E a caminho do descrédito
A mente está formatada
Pelo carácter urgente
Da próxima realização
A tarefa não terminada
Duma forma displicente
Não vai ver-se no turbilhão.
Prof Eta
CANTE DO AVÔ CANTIGAS
ResponderEliminarELE NÃO ERA UM ESQUECIDO…
Ele não era um esquecido
E até se tinha lembrado
De arranjar um afilhado
P´ra abafar o alarido!
Com o rabo destapado,
Ao sentir-se perseguido
Com álibi bem urdido
Julgou que o tinha tapado
Mas ninguém mordeu o isco
E a salvadora Assembleia
Até lhe aumentou o petisco
Por hoje, fico por aqui
Senão vou para a cadeia
E o ladrão fica por aí.
Eduardo
Se o ladrão fica por cá,
EliminarMeu amigo, então não vá,
Pois por cá será preciso
Enquanto os ladrões roubarem
Para depois nos mostrarem
O seu cínico sorriso...
M. João
Ocorreu-me uma sextilha, amigo Eduardo!
Muito grata por mais esta partilha. Abraço!
Chá big.
ResponderEliminarCheguei agora do hospital e tenho tudo por fazer... vou ver esse Chá!
EliminarChá louco.
ResponderEliminarPobre, pobre Chá... ou não, dependendo da projecção do conceito...
Eliminar“O tempo dos sons”
ResponderEliminarNo início percorre-me
Trazendo a sabedoria
Com o tempo morre-me
Gastando o que sabia
Tudo trás e tudo leva
Neste balanço inato
E ninguém se sobreleva
Ao tempo sempre ingrato
Soa ao longe o carrilhão
Entoando a melodia
Cada nota uma passada
Não lhe colocou a questão
Foi vivendo a cada dia
Ao tempo não deve nada.
Tempo a tempo
EliminarAo tempo se deve tudo
Pois, vivendo dia a dia,
Jamais esse tempo iludo,
E nem mesmo o tentaria,
Pois ele, embora sisudo,
Tudo engendra e tudo cria,
Por vezes sereno e mudo,
Outras em grande folia...
Tempo e som criam compasso!
Mesmo aí ninguém dirá
Que não tem lugar no espaço
O tempo que assim nos dá
O seu progressivo abraço
A tudo o que existe ou há......
Maria João
Cá vai a minha eterna visão do tempo, essa coisa inerente à escrita, à poesia, às línguas... à Vida! Abraço, Poeta!
Chá questiona.
ResponderEliminarVou tentar responder-lhe, Poeta!
Eliminar“Tempos assimétricos”
ResponderEliminarEm tempos assimétricos
Maremotos de liberdade
Complementos poéticos
Inundou-se essa cidade
São dilúvios proféticos
Duma falsa honestidade
Com benefícos patéticos
Em jeito de caridade
Não tentemos explicar
Se o sabemos inexplicável
Estes tempos são p'ra ficar
Como solução recomendável
Devemos aprender a nadar
Na realidade indesejável.
A tão grande assimetria
EliminarMal me lembro de assistir,
Mas bem sei que ela existia
E que o pior está pr`a vir,
Mas povo que resistia,
Vai voltar a resistir!
Quando acordar da apatia,
Não se hão-de ficar a rir!
O que vai acontecendo
E o que está pr`acontecer
São, do que estamos vivendo,
Mil formas de descrever
Que muito bem compreendo
Mesmo estando sem as ver...
Maria João
Vai com o abraço do costume, Poeta!!!
“Emigráveis”
ResponderEliminarOs cérebros emigraram
E com eles a inteligência
Mas os intestinos ficaram
E a malcheirosa escorrência
Sargetas de Portugal
Ao poder imediatamente
Para que não cheire tão mal
E tão mal não faça à gente
Cumpram a vossa missão
Escoem todo o escremento
Que à tona se mantem
Para qu'esta intoxicação
Termine a todo momento
Se não emigramos também.
Prof Eta
Sonetilho de coda
EliminarNão emigro! Nem pensar!!!
Há "viscerais" sentimentos
Que ninguém pode mudar,
Mesmo que estejam mais "lentos",
Mas bem sei desse emigrar
De alguns, com muitos lamentos,
Pois quereriam ficar
E... nem pão, nem mais sustentos...
Estou, talvez, entre excrementos,
Mas... que fazer? Sem chorar,
Sem quaisquer falsos intentos,
Hei-de-me sempre esforçar
Por amainar quantos ventos
Me impeçam de navegar
Nestes poços turbulentos
Onde me coube afundar
Esquecendo os demais eventos...
M. João
Segue outro, com o meu abraço!!!
Chá mais tarde.
ResponderEliminar... vou ver se já chegou
Eliminar“Ser infinito”
ResponderEliminarAquilo que sou aceito
Se outro fosse também
Trato todos com repeito
Nenhum merece desdém
Outro em mim procurar
Ensina-me a conhecer
O que de mim esperar
Sem receio de perder
Nos caminhos percorridos
Pedaços de tanta gente
Nem esta independência
Pois egos pré concebidos
Podem aprisionar a mente
Levando à dependência.
... nos "egos pré-concebidos",
EliminarSe assim se podem chamar
Quantos, nos seus tempos idos,
Nem cuidaram de pensar,
Vejo passos tão perdidos
Que nem dá pr`a lhe contar
E outros que já estão vencidos
Mesmo antes de começar,
Pr`a não falar dos vendidos
E dos que entendam pisar
Quantos não estando rendidos
Não se cansam de lutar,
Mesmo sendo proibidos
De, sequer, poder falar...
Maria João
Cá vai com o abraço do costume, Poeta!
“Lideranças”
ResponderEliminarE é o povo que paga
Cambada d'ignorantes
Nada fica como estava
Fica tudo como dantes
Mundam-se as lideranças
Lindas gamelas doiradas
São das cadeiras as danças
Quais poltronas enfeitadas
Ó santinho padroeiro
Lança aqui a tua luz
P'ra iluminar Portugal
Eles que pensem primeiro
No que a política induz
Tenham consciência social.
Prof Eta
Danças...
EliminarConsciência social,
Essa coisa inseparável
Duma classe laboral
Que seja eficaz e estável
No pequeno Portugal
Que afinal é sustentável
Se um termo contratual
Lhe puder ser favorável...
Longa dança, a das cadeiras
E grande, a boa vontade
De quem, décadas inteiras,
Sonha alguma dignidade
Sem primárias - nem primeiras... -
E sem grande austeridade...
M. João
Cá vai, Poeta, muito "a correr" e "martelado", mas mantendo alguma coerência melódica... abraço grande!!!
Chá à pressa.
ResponderEliminar... à pressa e, para mim, com este atraso todo... vou agora vê-lo, Poeta!
Eliminar“Dançando”
ResponderEliminarJá chegou o salvador
Ó arautos da desgraça
Reparem na sua graça
E em redor o esplendor
A tapeçaria escarlate
Sob castiçais dourados
Os desígnios planeados
Acabar com o disparate
Portugal mobilizando
Em busca da maioria
Que nos trará a esperança
Mas só se fôr dançando
No meio da escadaria
Onde começou a dança.
Prof Eta
EliminarQuem procura salvadores
E outros "heróis de papel",
Terá bem fracos valores
E aspirações "de cordel"
Porque, afinal, tais "actores"
Podem trazer-nos o fel
Que nos enche de amargores
Em vez de of`recer-nos mel...
Se não lutas, companheiro,
Em vez de entrar nessa dança,
Vais mantendo o cativeiro
E se a tua própria esperança
Se esgotar no teu dinheiro...
O que entendes por mudança?
M. João
Cá vai, com um grande abraço, Poeta.
“Sonhos”
ResponderEliminarQualquer sonho é possível
Basta sonhá-lo acordado
Para que se torne visível
O que queres ver realizado
Lutando até ao impossível
Logo será materializado
O desejo duma alma sensível
É real por ser sido sonhado
Assim se molda o futuro
Carregado de imaginação
E em busca da felicidade
Fruto do sonho mais puro
Fazendo fintas à ilusão
O sonho será a tua verdade.
Pr`a mim, não são pessoais,
EliminarNunca falam só de mim
Os sonhos de que falais
Quando os nomeais assim...
Falo em sonhos sociais
Quando soa o tal clarim
Que faz dos sonhos normais
Um sonho que não tem fim!
Por mim... tenho algumas metas,
Pequeninas, podeis crer,
Que passam como cometas
Pr`á vida me acontecer
Tal qual como a dos poetas
Que não desistem de o SER...
Maria João
Encontrei este seu sonetilho já meio "abandonado"... aqui vai com outro abraço!
Chá senão.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Vozes”
ResponderEliminarQuem és não está definido
Apenas depende do amor
Só assim não fará sentido
O que diz qualquer rumor
Cresce livre sem escutar
Essas vozes que não vês
Podes mesmo imaginar
Porque gastam o português
Com o tempo que sobrar
Molda um melhor futuro
Do que aquele que descrevem
Essas vozes que ao falar
Não têm sentimento puro
Nem falam aquilo que devem.
Prof Eta
Desligar o "botãozinho" do som...
EliminarPor não ligar mesmo nada
Às vozes do "diz que disse",
Estou muito mais descansada,
Nem quero ouvir... se é tolice!
Mas se ficasse agastada,
Ou ligasse a tal tontice,
Teria a postura errada,
Seria enorme, a chatice...
Deste lado, o que me importa
Um vozear tão mesquinho?
Deste meu lado da porta
Dou a volta ao botãozinho
E a voz que uma intriga exorta
Ganha um tom falso e "baixinho".
M. João
Vai horrível, mas vai com o meu abraço, Poeta!
TEMPOS ASSIMÉTRICOS
ResponderEliminarQuando houver tempos simétricos
Nivelados dos dois lados
Vou achá-los muito armados
E preferir os assimétricos.
Parecerão, estes, patéticos
E, até, mal aparelhados,
Desasados e heréticos
Mas serão mais variados.
Quanto à falsa honestidade,
Sempre a houve e vai ficar
E nem com boa vontade
Vou encontrar a verdadeira:
Cansado de as joeirar
Gastei o fundo à peneira.
Eduardo
Em tempos de assimetria,
EliminarVenha o tal crivo apontar
O valor da mais-valia
Da peneira a joeirar...
Confesso que me arrepia
E me chega a agoniar
A ideia da razia
Que a assimetria causar...
Coube-me, hoje, estar zangada
Por causa de um pormenor
Que precede uma carrada
De acções de causar pavor;
Mata-se por tudo e nada
E a razão perde o valor...
Maria João
Obrigada, amigo Eduardo! A minha caixa do correio está num estado lastimoso, com as mensagens novamente fora da ordem cronológica habitual... só agora me deparei com este seu excelente sonetilho aos Tempos Assimétricos.
Fraterno abraço para si e Maria dos Anjos!
PS - Parabéns pela vitória do Tomás
Chá sem demência.
ResponderEliminarOra ainda bem!!! Vou vê-lo!
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