O TEU SILÊNCIO, Ó COMPANHEIRO!

 


 



 


(Soneto em decassílabo heróico)


 


Por vezes vem de manso a voz do vento,


Murmurar-me em segredo… e diz-me mais,


Mais alto e mais audível que as normais


Que por cá repercutem qual lamento


 


A que sempre faltou raiva e talento


Mas soam como sopram vendavais,


Bradando sem cuidar dessoutros ais


Que ousem fazem soar seu desalento


 


Porque o sofrem na carne… e se não calam!


Aos que possam provar que, quando falam,


Bem mais razões terão que os do “poleiro”,


 


Junto o sopro de uns versos que me exalam


O vivo odor das brasas que em mim estalam


Se te encontro em silêncio, ó companheiro!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 19.04.2014 – 14.48h

Comentários

  1. “Se existe”

    Se existes logo pagas
    Fazendo-o sem questionar
    E suportas essas chagas
    Fruto do auto flagelar

    E acreditas na bondade
    Mesmo má sem questionar
    Dominando essa vontade
    Que te faria enfim lutar

    Estás no olho do furacão
    Mas manténs esse lugar
    Qu'o crente nunca desiste

    Pode alterar a feição
    Mas não deixa de pagar
    É sua obrigação se existe.

    Prof Eta

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    1. Paga crente e paga ateu
      Quanto aos bolsos vai levando
      O capital que se encheu
      À custa de um povo brando

      E se "paga, logo existe",
      Não tenhamos ilusões
      Porque um povo, mesmo triste,
      Sempre "rende" uns bons milhões!

      ... mas há sempre a resistência,
      O protesto, a lucidez
      De quem traz, na consciência,

      O orgulho português
      Que, sem mais condescendência,
      Faz frente ao ladrão burguês!


      Maria João

      Cá vai com o abraço do costume, Poeta!

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  2. “Eternamente”

    O tempo é que tem tempo
    E faz dele o que quiser
    Nós somos seu passatempo
    Para o que lhe aprouver

    Tempo pode libertar-nos
    Se achar que é o caminho
    Ou então aprisionar-nos
    Para não correr sozinho

    Só mesmo a eternidade
    A esta lei se sobrepõe
    Pois se o tempo parar

    Continua em liberdade
    Que dela ninguém dispõe
    Nem a pode aprisionar.

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    1. Do tempo fazemos parte
      Tal como tudo o que é vivo
      E, afinal, tudo o que existe,
      Mas perduramos se a arte,
      Ao passar no duro crivo,
      Nos mostrar que`inda resiste...

      M. João

      Vai só uma sextilha, Poeta, com o forte abraço do costume!

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  3. “Perfeitos”

    O ser humano perfeito
    Não alcança a perfeição
    Pois tem sempre um defeito
    Embora lhe pareça que não

    Destoa por querer parecer
    Aquilo que lhe aparenta
    Mas o que parece sem saber
    É que a imperfeição representa

    Somos todos muito iguais
    Nesta nossa perfeição
    A diferença nem se nota

    Há o perfeito demais
    O perfeito por definição
    E há o perfeito idiota.

    Prof Eta

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    1. Eheheheh... esse foi um final "em beleza", Poeta...

      Os perfeitos idiotas,
      A bem da governação,
      Tomaram conta das "notas",
      Julgando terem razão

      Mas, fizeram tais batotas,
      Que abriram, no nosso chão
      Uma cova em que as derrotas
      Ganham nova dimensão;

      Tanta asneira cometida,
      Tanta falta exacerbada,
      Tanta mentira mentida,

      Que, cada vez mais cavada,
      Fica a cova tão perdida
      Quanto a malta em si lançada...


      M. João


      Vai muito mau e coxo, Poeta, mas estou na pen e receio bem que ela me faça calar a qualquer momento... abraço!

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  4. “Nas asas da esperança”

    Tem asas a esperança
    Verde será sua côr
    Não esperes a mudança
    Faz-te já um corredor

    Só correndo e suando
    Te poderá recompensar
    Esta melodia cantando
    Faz a tua alma voar

    Destinada a quem insiste
    Recompensa mais além
    Um dia tu alcançarás

    Esperança nunca desiste
    Não desistas tu também
    Corre muito e voarás.

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  5. Respostas
    1. A ligação está num dos seus "dias não"... vai e vem, vem e vai...

      Vou tentar ir ver o Chá!

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  6. “Salvos”

    Eis aqui a salvação
    E agora o salvador
    Sob a forma d’injecção
    Para aliviar essa dôr

    Uma dose a cada nação
    Para o seu banco central
    Administrar cada milhão
    Na sua economia real

    Fica melhor a finança
    E os bancos serão salvos
    Pois a liquidez aumenta

    Ao som da música dança
    Esse conjunto de papalvos
    É o povo, muito aguenta.

    Prof Eta

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    1. ... o êmbolo da "seringa"...

      D`injecções de capital,
      Pouco percebo, mas sei
      Que podem fazer-nos mal
      Quando dadas "contra a grei"

      E penso de forma igual
      Se disser que não gostei
      Que isso se torne normal
      E feito em nome da lei...

      Além do mais, bem se viu
      Que onde o capital põe mão,
      Tudo é feito ao arrepio

      Dos muitos que ficarão
      Entre o "nada" e o "vazio"
      Que exista em cada aflição...


      Maria João


      Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!

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  7. PROFECIAS DO BAND ARRA

    ALDEIA EM MUTAÇÃO

    Na aldeia de Cambalacho
    Ninguém queria trabalhar
    Ambicionava-se um tacho
    E viver a descansar.

    As terras, por cultivar
    E não se olhava p´ro sacho,
    Não se ia ao peixe, ao mar
    E nem mesmo ao riacho.

    Até que chegou um dia
    Em que outro vento soprou,
    Um dia tinha que ser…

    Quem só o tacho queria,
    Ao ver que ele se quebrou,
    Cedo quis outro viver.

    Eduardo

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  8. Respostas
    1. ... que estranho, Poeta! Não o facto de haver elefantes no Chá... o nosso Chá é suficientemente grande para conter seja o que for Refiro-me ao facto de só hoje me ter chegado este seu comentário à caixa do correio
      Mas olhe que assim foi...

      Vou ver o Chá!

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    2. É que provavelmente este não era correio azul.

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    3. Ahahahahah!!! Era, era! A minha caixa de correio está azul!

      Não vou poder cá estar muito tempo porque a ligação partilhada ainda não voltou e a pen deve estar quase no fim...

      Abraço, Poeta!

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  9. belíssimo soneto, a estilhaçar silêncio(s)

    gostei muito

    cumprimentos

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    1. Obrigada, Heretico!

      Continuo a estar impedida de comentar qualquer blog da blogspot, mas vou de imediato visitá-lo!

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  10. “Matas”

    Queres fazer a guerra
    Um motivo encontrarás
    Mas é difícil na terra
    Haver motivos p'rá paz

    Ouro negro é uma razão
    E os diamantes também
    P'ra que não haja discussão
    Uma qualquer razão convém

    Matas contra o terrorismo
    Matas em nome da lei
    Matas contra a invasão

    Matas por patriotismo
    Matas, porquê já não sei
    Matas, porque é a tua missão.

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    1. Não mato!

      Poeta, eu não mato nada,
      Mas passou-me pel`ideia
      Desancar a "corja grada"
      E metê-la na cadeia!

      Não posso ficar calada,
      Sei que não é coisa feia,
      - nem sequer é coisa errada -
      Dar, à corja, uma tareia!

      Logo, mesmo não matando,
      Não serei, decerto, "mansa",
      Pois se a corja for grassando,

      Não preconizo matança;
      Isto, de que estou falando,
      É justiça, não vingança!

      Maria João

      Cá vai, Poeta, com o abraço do costume! Vou mesmo ter de sair já a seguir!


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  11. “Ocupados”

    N'Europa estão a anunciar
    Começou a grande guerra
    Ninguém se parece importar
    Por não existir paz na terra

    Mas sim a sede de matar
    Discurso demagogo descerra
    A enorme vontade de parar
    Mas logo na prática emperra

    Contra os canhões marchar
    Não vislumbro outra opção
    Marcharemos alinhados

    Grande guerra a começar
    Não nos traz a salvação
    Mas mantém-nos ocupados.

    Prof Eta

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    1. Só posso crer numa "guerra"
      Se for pr`á libertação
      De quem defenda uma terra
      Da estrangeira ocupação!

      Na mão que um golpe desferra
      Pr`arredar uma intrusão,
      Digo sim, quando a refrega
      Se torna em revolução,

      Mas à Guerra, no geral,
      Digo não! Que vença a Paz
      Tornada internacional

      Porquanto a História se faz
      Contra a guerra e contra o mal
      Que essa mesma guerra traz!

      Maria João


      Cá vai com o meu abraço, Poeta!

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  12. “Nós”

    Viver só terá sentido
    Se houver sentido p'rá vida
    Como tal vem incluído
    No menu logo à partida

    A busca da eternidade
    Dando sentido à existência
    Finita da humanidade
    E à infinita consciência

    De sermos apenas poeira
    Que por fruto do acaso
    Um dia se viu animada

    Por muito que se não queira
    Surge no horizonte o ocaso
    Nós, a poeira estagnada.

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    1. "Nós, vida!"

      Por acaso e por razões
      Que alguns nunca entenderão,
      Brotou vida dos vulcões
      Foi-se enchendo dela o chão!

      Geradas as condições
      Pr`á chamada criação;
      Procariotas, aos milhões,
      Evoluem na função

      Pois, sem quaisquer ilusões,
      Surge a nova dimensão
      Da vida a três dimensões

      E da multiplicação
      De quem tem boas razões
      Pr`a saber que tem razão...



      Maria João


      Cá vai, Poeta, com o meu abraço do costume!

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  13. Com quais versos vamos saudar os companheiros daqui da TERRAE BRASILIS?

    Sempre aqui travestidos de bucólicos
    Mostram a podre face do meu Brasil
    Os nossos companheiros sempre eufóricos,
    Dispostos a provocar guerra civil.

    Adílio Belmonte,
    Belém - Pará- BRASIL

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    1. Bom dia, Poeta Extase!

      Não sei se entendi bem o sentido destes seus versos. Diz que os seus compatriotas mais "bucólicos" são provocadores? Será isso?

      Um fraterno abraço!

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    2. É verdade há uns companheiros influindo nos destinos do Brasil que se fazem de anjos, mas no fundo são lobos vorazes, inclusive para dilapidar o património público desse nosso país RICO-POBRE , principalmente em educação e cultura.

      Abraço,

      Adílio Belmonte

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    3. Obrigada pelo esclarecimento, amigo Adílio!

      O meu abraço!

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  14. “Recomeço”

    A pergunta compreender
    Será demasiado exigente
    Mais fácil será responder
    Sem escutar nada da gente

    Somos povo p'ra espremer
    Não creio que seja diferente
    Enquanto a gente ceder
    A tanta proposta indecente

    Novo começo é possível
    Mas sem esta humanidade
    Toda conspurcada de sangue

    É cada vez mais previsível
    A explosão e luminosidade
    Resultante do novo big bang.

    Prof Eta

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    1. Mil e um recomeços... e nem um predestinado...

      Não é fácil de prever,
      Nem fácil de deduzir,
      Que o Big Bang vá renascer
      Quando alguém o decidir,

      Mas não deixo de entender
      Que é bem fácil de engolir
      Tudo aquilo que se quer
      Quando se pensa em explodir...

      Se esta ligação quiser,
      Se o estro de mim fluir
      E se a magia se der,

      Voltarei a traduzir
      Quanto verso me nascer
      Das letras que eu seduzir...


      Maria João


      Aqui vai o que me ocorreu dizer a partir da leitura do seu sonetilho, Poeta! Mais ou menos conciso, limito-me , sempre, a deixar fluir... depende sempre da primeiríssima leitura que eu faço, muitas vezes mais emocional do que racional, mas sempre transportando um pouco de ambas...

      Abraço grande!

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  15. “Preenchido”

    É meu povo meu país
    O medo não me assiste
    Venho ouvir o que diz
    Não serei eu quem desiste

    Já desce o desemprego
    Já afunda o submarino
    Estamos aqui sem apêgo
    É um sonho de menino

    Comandar uma armada
    Ou conduzir o destino
    Desta enorme nação

    Até posso ficar sem nada
    Mas este povo latino
    Preenche-me o coração.

    Prof Eta

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    1. Tanta dor, tanto mal-estar
      Estão agora a preencher
      Esta "veia" de rimar
      Que comigo quis nascer,

      Que nem penso em versejar
      Até que volte a crescer
      A ânsia de poetar
      Nas razões pr`a me dizer...

      Escrever, criar, produzir,
      São ramos de um mesmo arbusto
      Que não pára de florir,

      Embora, às vezes a custo
      E, outras tantas, a sorrir,
      Mesmo perante um trato injusto...


      Maria João

      Cá vai, Poeta! Votos de um feliz Domingo e um forte abraço!

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  16. “País bento”

    A culpa morre solteira
    Ainda qu'exista culpado
    Esta é uma lei certeira
    No futebol e no estado

    Mas vai-se difarçando
    Verdadeiro estado da nau
    O barro à parede atirando
    Isto afinal não está mau

    E enquanto navegar
    Tempestade é disfarçada
    E a peneira tapa o sol

    Se o destino é naufragar
    Mesmo sem culpa de nada
    Algum bento vai no rol.

    Prof Eta

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    1. "Tapa o sol c`uma peneira,"
      "Leva um rio no teu dedal"
      E estarás, a vida inteira,
      A fazer... fazendo mal!

      Os senhores de tanta asneira
      Vão tapando Portugal
      Com seda e serapilheira
      De uma forma desigual...

      Bento sai e outro que tal,
      Qual Xico da Cantareira,
      Faz a "cantata" final

      Que sempre encontra maneira
      De tornar-se original
      E de afirmar-se a primeira...


      Maria João


      Com o abraço do costume, Poeta!

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  17. “País santo”


    O novo banco está velho
    Administração deu à sola
    Uma família sem trambelho
    Vai pôr-nos a pedir esmola

    Ouvi dizer está parado
    Num estado deprimente
    Tod'o espólio foi gamado
    Quem vai pagar é a gente

    É a prenda de natal
    Que nos calhou em sorte
    Sem que quiséssemos tanto

    Já nos habituou Portugal
    Que entre a vida e a morte
    Louvemos ao espírito santo.

    Prof Eta

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    1. O BANQUETE...

      Ponho o sal, deito o fermento
      e, aquecendo em fogo lento,
      há-de, a seu tempo, ferver
      este petisco almejado
      a que chamo “cozinhado”
      e, a seguir, irei comer!

      Não será grande banquete...
      Sem um molho vinagrette
      talvez nem seja gostoso
      mas, criá-lo de improviso,
      pode ser que acabe em riso
      e vai dar-me um grande gozo...

      Lanço mais ingredientes
      o banquete é dos valentes! -
      e o tacho “deita por fora”...
      que grande consternação!
      O pitéu vai “virar” pão
      coberto de doce ou Flora...


      Maria João

      Acredite, ou não, estas sextilhas "encaixam" no tema do seu sonetilho, Poeta! Não são, de forma nenhuma, uma descrição das minhas inabilidades culinárias...

      Abraço grande!

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  18. “A receita”

    Se somos não contradigo
    Mas parecer não parece
    Até o bom senso antigo
    Com o tempo esmorece

    Tudo achamos normal
    Enquanto a terra aquece
    O arrefecimento é global
    A humanidade escurece

    Não será a idade média
    Tempo das trevas tão pouco
    Mas o retrocesso espreita

    E p'ra evitar uma tragédia
    Que ponha este mundo louco
    Inteligente deve ser a receita.

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    1. A "receita", meu amigo,
      Não é treta nem ficção
      E não nos traz maior p`rigo;
      Vai ser a Revolução!

      Nem sequer o contradigo,
      Mas vou chamar-lhe a atenção
      Para uns tantos sem-abrigo
      Que dormem no próprio chão...

      Basta de capitalismo!
      No meio da confusão,
      Vai-se abrindo enorme abismo

      E é grande a contradição
      Que nos abana, qual sismo,
      Rumo à nova condição!


      Maria João

      Segue com o abraço do costume, Poeta!

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  19. “Somos nós”

    Temos a decapitação
    Servida sem preconceito
    Passa até na televisão
    Este fenómeno sem jeito

    Isto em dia de eleição
    Para que o país perfeito
    Sofra uma implosão
    Segundo disse o sujeito

    Não existe construção
    Decapitados estamos
    De ideias agregadoras

    Sente-se a destruição
    Depressa nos esfumamos
    Ante mentes destruidoras.

    Prof Eta

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    1. Guilhotinas e cisalhas,
      No presente e no passado,
      Guilhotinem lá, sem falhas
      Que fica o caso arrumado...

      As damas, mesmo grisalhas,
      Estando de escalpe cortado,
      Já não se importam com gralhas,
      Nem mesmo c`o verbo errado...

      Sem qualquer inspiração,
      Deixo a minha opinião
      E vou ter de desligar-me,

      Porquanto não vejo nada
      Estou com a cabeça "ourada"
      E perdi todo o meu "charme"...


      M. João


      Abraço grande, Poeta!

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  20. “Poderes anormais”

    Que seja normalidade
    Humana não certamente
    Pois padece de insanidade
    Quase toda a humana gente

    Anormalidade é poder
    Nisso acredito piamente
    Se o querem engrandecer
    Minta-se descaradamente

    E para que saia perfeita
    Esta fórmula poderosa
    Deve-se ainda acrescentar

    O fazer parte duma seita
    Suficientemente escabrosa
    E capaz de nos ignorar.

    Prof Eta

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    1. HIPO-VISÃO E HIPER-DOR-DE-CABEÇA...

      Sem inspiração, nem vista,
      Já nem sei que hei-de dizer...
      Vou juntar-me à grossa lista
      Dos que não gostam de ler,


      Ou, então, caso subsista
      A dificuldade em ver,
      Pode ser que o oculista
      Me volte a fazer escrever...

      Entretanto, se eu puder,
      Escrevo a mensagem prevista
      E embora me vá doer,

      Solto a vontade humanista,
      E "poeto" o que souber
      Enquanto a função resista...


      M. João

      Cá vai, Poeta, muito mauzinho e a condizer com o meu estado geral, mas com o abraço do costume!

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  21. “Desiste”

    O que é um desistente
    Mesmo se não desiste
    É um vírus insolente
    No seu caminho persiste

    Olha e segue em frente
    A sua genética insiste
    Em tornar tudo diferente
    O que era alegre é triste

    Determinado avança
    E só pensa em impor
    Aura de destruição

    Consumindo a esperança
    Espalhando a sua dôr
    Que desista, pois então.

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    1. Quem?

      Ao que impõe destruição,
      Recomendo a desistência;
      Não tem determinação,
      Tem é falta de consciência,

      Mas se é genético, ou não,
      Não lhe sei dizer... paciência...
      Se um herói passa a vilão,
      Quem lhe adivinha essa essência?

      Porém, ao que faz tenção
      De espalhar, com inocência,
      Toda a sua inspiração,

      Direi que ganha em paciência,
      Pois nunca trabalha em vão,
      Nem traduz impertinência...

      Mª João

      O meu abraço grande, Poeta!

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  22. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    SOU UM ESQUECIDO

    Os cento e cinquenta mil,
    Se acaso os recebi
    Há muito que me esqueci,
    Isto não é um ardil.

    Pode parecer subtil
    Mas aquilo que senti,
    Foi que eu me distraí
    E até já esqueci Abril

    E não me chamem senil
    Ou qualquer coisa mais feia
    Tal seria um acto vil

    Se querem tudo esclarecido
    Perguntem à Assembleia
    Que eu nunca lembro o que olvido

    Eduardo

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    1. NÃO ESQUECI!

      Desse Abril, não me esqueci,
      Nem jamais me esquecerei,
      Pois foi nel`que renasci
      Mal nel`me reencontrei

      Nesse Abril me desprendi
      E foi ness`Abril que achei
      Quanto abraço eu dividi,
      Quanto passo antes não dei...

      Se jamais me irei esquecer
      Dess`Abril, tão prometido,
      Do que sonho reviver,

      Como posso ter esquecido
      Ess`Abril que, ao suceder,
      Deixou Portugal florido?


      Maria João


      Este seu Sonetilho não apareceu na minha caixa de correio, amigo Eduardo! Descobri-o por mero acaso, depois de ver o aviso do Poeta Zarolho sobre a publicação do Chá.
      Ocorreu-me, no entanto, esta resposta

      Forte abraço para si e sua esposa!

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    2. ... agora é que apareceu na minha caixa de correio, Poeta... valha-me a santaineficácia!

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  23. “Sociedade light”

    É light esta sociedade
    Apenas no seu linguajar
    Pois sente a necessidade
    Do demónio branquear

    Pode esventrar crianças
    Cabeças também decepar
    Para o crime há fianças
    Se o discurso o aligeirar

    São as forças subversivas
    Que se estão a combater
    Tudo se permite à partida

    Condição para que vivas
    Outro lado tem que morrer
    Com a morte se dá vida.


    Prof Eta

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  24. “Distorção”

    Esses medos incutidos
    Distorceram a filosofia
    Os avessos discutidos
    Não o serão mais um dia

    Cultura estamos a matar
    Estreito será o acesso
    Para um novo caminhar
    Faz-se agora o retrocesso

    Apregoando a evolução
    Humanidade está estagnada
    Num caminho extraordinário

    Não sentimos a distorção
    Da nova filosofia aplicada
    Ond’o cérebro é desnecessário.

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    Respostas
    1. ... endireitando...


      Cérebro desnecessário?
      Sei que o não devo aceitar
      Pois, muito pelo contrário,
      É o que mais vai faltar...

      Como gerir certo erário
      Sem sequer poder pensar?
      Eu penso, de modo vário,
      Que é melhor raciocinar

      Não sem antes ter "sentido"
      - com a cabeça, também! -
      Quanto nos for permitido

      Pois, cabeça, o que contém,
      Muito mais que o já vivido,
      É o que nos leva além...

      Maria João


      Cá vai, um bocado "martelado" para que me não falhem as sete sílabas métricas que a redondilha impõe, mas muitíssimo sentido e directo, Poeta! Abraço grande!!!

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  25. “Turbilhões”


    Harmonia foi destronada
    Pelo poder do dinheiro
    O homem não vale nada
    As coisas estão primeiro

    Humanidade afogada
    Só sabe viver a crédito
    Sementeira está estragada
    E a caminho do descrédito

    A mente está formatada
    Pelo carácter urgente
    Da próxima realização

    A tarefa não terminada
    Duma forma displicente
    Não vai ver-se no turbilhão.

    Prof Eta

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  26. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    ELE NÃO ERA UM ESQUECIDO…

    Ele não era um esquecido
    E até se tinha lembrado
    De arranjar um afilhado
    P´ra abafar o alarido!

    Com o rabo destapado,
    Ao sentir-se perseguido
    Com álibi bem urdido
    Julgou que o tinha tapado

    Mas ninguém mordeu o isco
    E a salvadora Assembleia
    Até lhe aumentou o petisco

    Por hoje, fico por aqui
    Senão vou para a cadeia
    E o ladrão fica por aí.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Se o ladrão fica por cá,
      Meu amigo, então não vá,
      Pois por cá será preciso
      Enquanto os ladrões roubarem
      Para depois nos mostrarem
      O seu cínico sorriso...

      M. João

      Ocorreu-me uma sextilha, amigo Eduardo!

      Muito grata por mais esta partilha. Abraço!

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  27. Respostas
    1. Cheguei agora do hospital e tenho tudo por fazer... vou ver esse Chá!

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  28. Respostas
    1. Pobre, pobre Chá... ou não, dependendo da projecção do conceito...

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  29. “O tempo dos sons”


    No início percorre-me
    Trazendo a sabedoria
    Com o tempo morre-me
    Gastando o que sabia

    Tudo trás e tudo leva
    Neste balanço inato
    E ninguém se sobreleva
    Ao tempo sempre ingrato

    Soa ao longe o carrilhão
    Entoando a melodia
    Cada nota uma passada

    Não lhe colocou a questão
    Foi vivendo a cada dia
    Ao tempo não deve nada.

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    1. Tempo a tempo


      Ao tempo se deve tudo
      Pois, vivendo dia a dia,
      Jamais esse tempo iludo,
      E nem mesmo o tentaria,

      Pois ele, embora sisudo,
      Tudo engendra e tudo cria,
      Por vezes sereno e mudo,
      Outras em grande folia...

      Tempo e som criam compasso!
      Mesmo aí ninguém dirá
      Que não tem lugar no espaço

      O tempo que assim nos dá
      O seu progressivo abraço
      A tudo o que existe ou há......


      Maria João

      Cá vai a minha eterna visão do tempo, essa coisa inerente à escrita, à poesia, às línguas... à Vida! Abraço, Poeta!

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  30. “Tempos assimétricos”

    Em tempos assimétricos
    Maremotos de liberdade
    Complementos poéticos
    Inundou-se essa cidade

    São dilúvios proféticos
    Duma falsa honestidade
    Com benefícos patéticos
    Em jeito de caridade

    Não tentemos explicar
    Se o sabemos inexplicável
    Estes tempos são p'ra ficar

    Como solução recomendável
    Devemos aprender a nadar
    Na realidade indesejável.

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    1. A tão grande assimetria
      Mal me lembro de assistir,
      Mas bem sei que ela existia
      E que o pior está pr`a vir,

      Mas povo que resistia,
      Vai voltar a resistir!
      Quando acordar da apatia,
      Não se hão-de ficar a rir!

      O que vai acontecendo
      E o que está pr`acontecer
      São, do que estamos vivendo,

      Mil formas de descrever
      Que muito bem compreendo
      Mesmo estando sem as ver...

      Maria João

      Vai com o abraço do costume, Poeta!!!

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  31. “Emigráveis”

    Os cérebros emigraram
    E com eles a inteligência
    Mas os intestinos ficaram
    E a malcheirosa escorrência

    Sargetas de Portugal
    Ao poder imediatamente
    Para que não cheire tão mal
    E tão mal não faça à gente

    Cumpram a vossa missão
    Escoem todo o escremento
    Que à tona se mantem

    Para qu'esta intoxicação
    Termine a todo momento
    Se não emigramos também.

    Prof Eta

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    1. Sonetilho de coda


      Não emigro! Nem pensar!!!
      Há "viscerais" sentimentos
      Que ninguém pode mudar,
      Mesmo que estejam mais "lentos",

      Mas bem sei desse emigrar
      De alguns, com muitos lamentos,
      Pois quereriam ficar
      E... nem pão, nem mais sustentos...

      Estou, talvez, entre excrementos,
      Mas... que fazer? Sem chorar,
      Sem quaisquer falsos intentos,

      Hei-de-me sempre esforçar
      Por amainar quantos ventos
      Me impeçam de navegar

      Nestes poços turbulentos
      Onde me coube afundar
      Esquecendo os demais eventos...

      M. João


      Segue outro, com o meu abraço!!!

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  32. “Ser infinito”

    Aquilo que sou aceito
    Se outro fosse também
    Trato todos com repeito
    Nenhum merece desdém

    Outro em mim procurar
    Ensina-me a conhecer
    O que de mim esperar
    Sem receio de perder

    Nos caminhos percorridos
    Pedaços de tanta gente
    Nem esta independência

    Pois egos pré concebidos
    Podem aprisionar a mente
    Levando à dependência.

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    1. ... nos "egos pré-concebidos",
      Se assim se podem chamar
      Quantos, nos seus tempos idos,
      Nem cuidaram de pensar,

      Vejo passos tão perdidos
      Que nem dá pr`a lhe contar
      E outros que já estão vencidos
      Mesmo antes de começar,

      Pr`a não falar dos vendidos
      E dos que entendam pisar
      Quantos não estando rendidos

      Não se cansam de lutar,
      Mesmo sendo proibidos
      De, sequer, poder falar...


      Maria João


      Cá vai com o abraço do costume, Poeta!

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  33. “Lideranças”

    E é o povo que paga
    Cambada d'ignorantes
    Nada fica como estava
    Fica tudo como dantes

    Mundam-se as lideranças
    Lindas gamelas doiradas
    São das cadeiras as danças
    Quais poltronas enfeitadas

    Ó santinho padroeiro
    Lança aqui a tua luz
    P'ra iluminar Portugal

    Eles que pensem primeiro
    No que a política induz
    Tenham consciência social.

    Prof Eta

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    1. Danças...


      Consciência social,
      Essa coisa inseparável
      Duma classe laboral
      Que seja eficaz e estável

      No pequeno Portugal
      Que afinal é sustentável
      Se um termo contratual
      Lhe puder ser favorável...

      Longa dança, a das cadeiras
      E grande, a boa vontade
      De quem, décadas inteiras,

      Sonha alguma dignidade
      Sem primárias - nem primeiras... -
      E sem grande austeridade...


      M. João


      Cá vai, Poeta, muito "a correr" e "martelado", mas mantendo alguma coerência melódica... abraço grande!!!


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  34. Respostas
    1. ... à pressa e, para mim, com este atraso todo... vou agora vê-lo, Poeta!

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  35. “Dançando”

    Já chegou o salvador
    Ó arautos da desgraça
    Reparem na sua graça
    E em redor o esplendor

    A tapeçaria escarlate
    Sob castiçais dourados
    Os desígnios planeados
    Acabar com o disparate

    Portugal mobilizando
    Em busca da maioria
    Que nos trará a esperança

    Mas só se fôr dançando
    No meio da escadaria
    Onde começou a dança.

    Prof Eta

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    1. Quem procura salvadores
      E outros "heróis de papel",
      Terá bem fracos valores
      E aspirações "de cordel"

      Porque, afinal, tais "actores"
      Podem trazer-nos o fel
      Que nos enche de amargores
      Em vez de of`recer-nos mel...

      Se não lutas, companheiro,
      Em vez de entrar nessa dança,
      Vais mantendo o cativeiro

      E se a tua própria esperança
      Se esgotar no teu dinheiro...
      O que entendes por mudança?


      M. João


      Cá vai, com um grande abraço, Poeta.

      Eliminar
  36. “Sonhos”

    Qualquer sonho é possível
    Basta sonhá-lo acordado
    Para que se torne visível
    O que queres ver realizado

    Lutando até ao impossível
    Logo será materializado
    O desejo duma alma sensível
    É real por ser sido sonhado

    Assim se molda o futuro
    Carregado de imaginação
    E em busca da felicidade

    Fruto do sonho mais puro
    Fazendo fintas à ilusão
    O sonho será a tua verdade.

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    1. Pr`a mim, não são pessoais,
      Nunca falam só de mim
      Os sonhos de que falais
      Quando os nomeais assim...

      Falo em sonhos sociais
      Quando soa o tal clarim
      Que faz dos sonhos normais
      Um sonho que não tem fim!

      Por mim... tenho algumas metas,
      Pequeninas, podeis crer,
      Que passam como cometas

      Pr`á vida me acontecer
      Tal qual como a dos poetas
      Que não desistem de o SER...


      Maria João


      Encontrei este seu sonetilho já meio "abandonado"... aqui vai com outro abraço!

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  37. “Vozes”

    Quem és não está definido
    Apenas depende do amor
    Só assim não fará sentido
    O que diz qualquer rumor

    Cresce livre sem escutar
    Essas vozes que não vês
    Podes mesmo imaginar
    Porque gastam o português

    Com o tempo que sobrar
    Molda um melhor futuro
    Do que aquele que descrevem

    Essas vozes que ao falar
    Não têm sentimento puro
    Nem falam aquilo que devem.

    Prof Eta

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    1. Desligar o "botãozinho" do som...

      Por não ligar mesmo nada
      Às vozes do "diz que disse",
      Estou muito mais descansada,
      Nem quero ouvir... se é tolice!

      Mas se ficasse agastada,
      Ou ligasse a tal tontice,
      Teria a postura errada,
      Seria enorme, a chatice...

      Deste lado, o que me importa
      Um vozear tão mesquinho?
      Deste meu lado da porta

      Dou a volta ao botãozinho
      E a voz que uma intriga exorta
      Ganha um tom falso e "baixinho".

      M. João

      Vai horrível, mas vai com o meu abraço, Poeta!



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  38. TEMPOS ASSIMÉTRICOS

    Quando houver tempos simétricos
    Nivelados dos dois lados
    Vou achá-los muito armados
    E preferir os assimétricos.

    Parecerão, estes, patéticos
    E, até, mal aparelhados,
    Desasados e heréticos
    Mas serão mais variados.

    Quanto à falsa honestidade,
    Sempre a houve e vai ficar
    E nem com boa vontade

    Vou encontrar a verdadeira:
    Cansado de as joeirar
    Gastei o fundo à peneira.

    Eduardo

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    1. Em tempos de assimetria,
      Venha o tal crivo apontar
      O valor da mais-valia
      Da peneira a joeirar...

      Confesso que me arrepia
      E me chega a agoniar
      A ideia da razia
      Que a assimetria causar...

      Coube-me, hoje, estar zangada
      Por causa de um pormenor
      Que precede uma carrada

      De acções de causar pavor;
      Mata-se por tudo e nada
      E a razão perde o valor...


      Maria João

      Obrigada, amigo Eduardo! A minha caixa do correio está num estado lastimoso, com as mensagens novamente fora da ordem cronológica habitual... só agora me deparei com este seu excelente sonetilho aos Tempos Assimétricos.

      Fraterno abraço para si e Maria dos Anjos!

      PS - Parabéns pela vitória do Tomás

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