CALAR PALAVRAS...

CD.jpg


 


Calar quando as palavras se me adentram


E me correm nas veias galopando,


Calar quando, ind` além do que comando,


Sou razão das razões que elas concentram


 


Se, nunca me bastando, mais me tentam


E mais me justificam se, cantando,


Nos dedos que são meus, frutificando,


Me crescem, me revelam, me sustentam...


 


Como calar-me, então, sem ser calada,


Mesmo por força bem intencionada,


Por falta de que sei estar inocente?


 


Como tornar-me, então, neutra, indif`rente


E reduzir-me, em vida, a quase nada,


Antes de assim sentir-me amordaçada?


 


Maria João Brito de Sousa - 28.10.2015 - 21.06h


 


Gravura de Cipriano Dourado


 

Comentários

  1. Respostas
    1. ... nem o meu cursor, Poeta! Já o ecrã, flutua que é uma maravilha, parece um pneu a derrapar em estrada molhada... mas vou ver se chego lá!

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  2. “Caminharei”

    Não pode parar, caminhará
    Parte cedo, a cada instante
    Não porque seja importante
    Um dia, alguém o seguirá

    Sempre sentiremos cá
    Seu espírito entusiasmante
    Mesmo estando distante
    Corrente não se quebrará

    Pode nunca ser escutado
    No seu modo de falar
    Mas palavra é dom divino

    Muito além do nosso fado
    O importante é caminhar
    Já que partir é o destino.

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    1. Ah, pode lá descansar
      quem tanto tem pr`a fazer
      que a certeza de parar
      só lhe vem quando morrer?

      Pode lá abandonar,
      quem se "esfalfa" por viver,
      este ensejo de lutar
      E esta vontade de "ser"?

      Se partirmos da certeza
      de que adiando a partida
      se produz maior riqueza,

      Cada horinha desta vida
      ganha, em força e natureza
      sem jamais tombar vencida...

      Maria João


      Mais algumas acrobacias informáticas e ... parece que vou conseguir enviar-lhe mais um sonetilho e mais um abraço grande!

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  3. “Olha o robot”

    O trabalho absorveu
    Todo o meu imenso ser
    Logo a mente adoeceu
    Trabalho para esquecer

    Felizmente a psicologia
    Desenvolveu a equação
    Mas logo a economia
    Disse não ter solução

    Pra sanar a dicotomia
    Logo a medicina atestou
    Dá saúde o trabalhar

    Se a cabeça se avaria
    Passo a ser um robot
    Trabalho sem descansar.

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    Respostas
    1. Quem trabalha a poesia,
      Não produz por produzir
      E deve dar primazia
      Ao projecto "evoluir",

      Sei, porém, que a maioria,
      Não pensando em progredir,
      Não trabalha a melodia
      Porque a não consegue "ouvir"...

      Quanto ao trabalho, em geral,
      Submetido a tais pressões,
      Faz, decerto, muito mal,

      Mas decretam, os patrões,
      Que encontra o Santo Graal
      Quem acumula uns tostões...

      Maria João

      Poeta, sempre consegui responder, mas não estou mesmo nada bem. Ou melhor, eu não estou bem e o computador continua meio desconfigurado, com um ecrã "flutuante" e um cursor que, sem rato, mal se move... tentarei levar-lhe este sonetilho, mas não posso prometer nada... forte abraço!

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  4. “Tempo que não resta”

    O avião pousa no chão
    Com almas despedaçadas
    Arca de vidas estilhaçadas
    Mas já não era avião

    As palavras espalhadas
    Não espelham a situação
    De infinita consternação,
    Caixas negras encontradas

    Não trazem a explicação
    Para estas vidas roubadas
    Eram como flores plantadas

    Numa imensa plantação
    De esperança polvilhadas
    E porquê assim ceifadas?

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    Respostas
    1. Poeta, hoje faço anos,
      mas de tão mal que vou estando,
      nem sequer penso em tais danos...
      Não estou - juro! - aguentando!

      Pr`a tentar manter-me viva,
      apesar desta infecção
      que de tal forma me priva
      de força e concentração,

      Devo parar, por momentos,
      e concentrar-me em viver...
      Se fraquejo; adeus lamentos,

      Adeus , poeta-mulher,
      adeus versos e talentos
      que eu nem sei que mais fazer...


      Maria João


      Fisicamente infectada - há demasiado tempo que estou a esgotar-me neste braço-de -ferro com a Klebsiela - e com o computador tão louco que parece ter contraído "epilepsia-informática", tenho mesmo de moderar a minha velocidade Poeta...

      Abraço grande!

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  5. “Cenários”

    Para melhor se mudará
    Quando se bate no fundo
    Ou pelo menos esse será
    O desejo mais profundo

    A saída se encontrará
    Pra regressar ao mundo
    Química permanecerá
    Nesse teu ser fecundo

    Uma reacção produzirá
    Empurrando o imundo
    Para um plano secundário

    Magia do ser sobressairá
    Digo-to e não te confundo
    Pois já vivi um tal cenário.

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    1. Cenários não mudarão
      Se nunca os mudarmos nós...
      Será sempre a nossa mão
      E também a nossa voz

      A mudar a situação
      - por muito que seja atroz... -
      Para uma outra encenação,
      Mas nunca o faremos sós...

      Haja, então, força e vontade
      Pr`a mudar... mudando a sério,
      Não por simples veleidade!

      A mudança é desidério
      Não de gente que se evade,
      Nem de algum estranho mistério...

      M. João


      Aqui vai... e eu já no limite das minhas poucas forças para continuar a fazer braço-de-ferro com este computador instável... abraço grande, Poeta!

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  6. “Cansado”

    Novo dia amanheceu
    À sombra da azinheira
    Mas o sol não apareceu
    Foi imensa a canseira

    Pois logo me ocorreu
    Procurar uma clareira
    Onde pudesse ver o céu
    Durante a manhã inteira

    Mas o meu ser adormeceu
    À sombra, sem sol na eira
    Um pedaço assim se passou

    Em que o sonho se deu
    Acordei cansado sobremaneira
    Porque este sonho me cansou.

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    1. Quem dera que fosse um sonho
      O que agora me acontece
      Ou que sendo assim, medonho,
      Não fosse quanto parece...

      Quando o termómetro ponho,
      Sobe, sobe e tanto aquece
      Que fica o corpo tristonho
      E a razão nem me esclarece....

      Isto é pr`a justificar
      Este atraso imperdoável
      E este versejo ao mal-estar

      Pois mesmo estando "imprestável"
      Gosto de me desculpar
      E tentar manter-me amável...


      Mª João


      Desculpe, Poeta! O dia não foi nada fácil para mim e nem sequer me sinto em condições de versejar... lá me saiu este sonetilho,meio marteladito, nem sei como pois estou mesmo febril...

      Abraço grande!




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  7. A MINHA NOTAÇÂO

    Há pr´aí umas agências
    Que notam, mas notam mal,
    O que são as apetências
    Do guloso capital.

    Desdenham para comprar
    O que sabem ter valor
    Avaliam ao sabor
    De quem manda avaliar.

    E tal como os espelhos
    Trocam direita e esquerda
    Reflectindo ilusões


    E a quem se põe de joelhos
    Chamam lixo, eles são merda
    Como as suas notações.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Por muito que eu procurasse,
      Não poderia encontrar
      Coisa que as adjectivasse
      Melhor. ... fica-lhe a matar!

      Reafirmo; se eu tentasse,
      Realmente adjectivar
      E se acaso não falhasse,
      Tarde ou cedo iria dar

      Ao mesmo termo. Que impasse!
      Nem sei como confessar
      Que se um outro termo usasse

      Decerto iria falhar...
      Merda são... e, se o calasse,
      Muito estaria a calar...


      Maria João


      Estando de saida para tentar dar os passos correctos no sentido da erradicação, não das ditas agências de notação - a tanto não chego... - mas da bacteriazinha multirresistente, deixo-lhe um sonetilho feito à pressa, Eduardo.
      Muito obrigada por este seu sonetilho que tão bem adjectiva as ditas agências. Forte abraço.


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  8. “Existir”

    Cada tempo o tempo apanha
    Mas nada de errado em nascer
    Do outro lado da montanha
    Onde é necessário parecer

    Também aí há quem não pareça
    Por ter sentimento diverso
    E por isso desobedeça
    À lei do actual universo

    O universo da vaidade
    Da luxúria e do possuir
    Diga não em consciência

    Use o manto da simplicidade
    Baste-se com sítio pra dormir
    Recuse vertiginosa inexistência.

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    Respostas
    1. Assim sou, nunca exigindo
      - seria exigir demais... -
      Que todos se vão sentindo,
      Neste ponto, meus iguais...

      Na prisão do consumismo
      Do escravo que a escravo aspira,
      Não me sinto em conformismo
      Com tanta ausência de... lira

      Em prol do topo-de-gama,
      Dos acessórios, do excesso
      E dessa vistosa lama

      A que alguns chamam progresso...
      Quando o progresso me chama,
      Vou-lhe abrindo um novo acesso...

      Mª João

      De novo "de saída", desta vez para o laboratório, deixo-lhe este sonetilho feito á pressa e lembro que "nem oito, nem oitenta"... também não preconizo que as soluções passem por exigir a todos um tecto e uma cama, Poeta.... mas não duvide de que me apercebo muito bem da vertigem consumista para a qual o capitalismo nos empurra desavergonhadamente. Pois se dela vive e se alimenta...

      Abraço grande!

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  9. “Mundo maldito”

    Em pleno século XXI
    Há motivos p’ra matar
    Eu não encontro nenhum
    Que o possa justificar

    Justifica-se isso sim
    O semelhante ajudar
    Não importa qual o fim
    Todos se podem adaptar

    Mataremos no entanto
    Porque assim está escrito
    Porque o mundo é animal

    Justifica-se outro tanto
    Porque no mundo maldito
    Coexistem o bem e o mal.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Que o mundo seja animal,
      Não posso eu contradizer,
      Mas... isso é tão natural,..
      Que mais poderia el` ser?

      Refiro-me eu, afinal,
      Aos homens, mas... há que ver
      Que há gente "artificial".
      Apesar de o não saber...

      Não é, decerto, por sê-lo
      Que "vai o gato às filhós",
      Mas talvez por nem sabê-lo...

      Bichos somos todos nós!
      Se pudermos entendê-lo,
      Estaremos bem menos sós...

      Maria João

      Poeta, as melhores e mais humanas pessoas que conheci ao longo da minha vida eram profundamente conhecedoras da sua condição animal e, também, perfeitamente capazes de sacrificar os seus interesses pessoais aos interesses colectivos . Os anos que vivi - muitos, já... - apenas serviram para cimentar mais ainda esta opinião que formei desde muito, muito cedo.
      Abraço grande!


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  10. CÓDIGO ANTI - da VINCI

    Pese o sorriso seráfico
    Que exibes, por divisa,
    P´ra seres uma Artemisa,
    Tinha que ser mais enfático

    Sem cenho de profetisa
    E um certo ar majestático
    Com um bigode aristocrático,
    Terias máscula divisa.

    Para te por no museu,
    Leonardo, numa fona,
    À pressa, te concebeu…

    E Sem ar de Pitonisa,
    Que graça tem uma mona
    Que ainda por cima é lisa?!

    Eduardo

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    Respostas
    1. Como eu gostaria de me sentir em condições de lhe responder, amigo Eduardo, mesmo nunca tendo lido o tal Código Da Vinci...

      Tentarei, embora muito provavelmente tenha de parar, devido ao agravamento do meu estado de saúde, várias vezes ao longo da tentativa, o que me "quebra" completamente o ritmo poético... não sairá nenhuma obra-prima "davinciana"... nem sequer sei se sairá qualquer coisa de legível... e inteligível...

      Mona Lisa, pela graça
      E por mestria do traço,
      Conquistaste tempo e espaço
      E afirmaste-te com "raça"...

      Hoje, não sei que mais faça,
      Ou que diga , pois não faço,
      Da dimensão do teu "laço",
      Nem dos segredos da "traça",

      A mais pequenina ideia...
      Sei que não és nada feia,
      Mas parece-me exagero

      Ver-te assim, como sereia...
      Se a doença me cerceia,
      Só penso em vencê-la. E espero.

      Mª João

      Cá vai a minha muito pragmática "visão" da Gioconda, à luz das minhas muito pontuais - espero eu... - limitações, amigo Eduardo.

      Forte abraço!



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  11. Cara poetisa,
    As profundezas e mistérios diversos
    faz-nos caminhar por muitos universos,
    Pois só com a inspiração nascem os versos.

    Adílio Belmonte
    Belém-PA , BRASIL




    ALMA INSINUANTE


    Calar o meu espírito e toda a alma
    Quando me mostras ávido silêncio
    Numa oração forte que me acalma
    E percebo da morte o anúncio.

    Nesta minha jornada solitária
    Vejo-te afastada e bem distante
    E ao meu coração já refratária,
    Mesmo quando a alma se faz insinuante.

    Ah! Aonde foram as tuas vãs palavras,
    Que sempre me calavam o pavor
    De ouvir os estribilhos sempre fúnebres?

    Hoje a minha angústia já lavras,
    Numa demonstração de puro amor
    Com os gestos telúricos, mas nobres.

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    Respostas
    1. Caro amigo Adílio,

      o meu problema de saúde tem piorado nestes últimos dias e nem sequer me tem permitido estar ao computador senão de forma muito espaçada e apenas alguns minutos de cada vez.
      Sem dúvida nos adentramos por muitos universos - sendo que por "universos" entendo as diversificadíssimas temáticas que ousamos aflorar- e que é a inspiração que nos move, muito embora eu reconheça, desde muito jovem, que sem um sério e afincado trabalho da poesia e de estudo da língua portuguesa, dificilmente os nossos poemas adquirirão alguma qualidade. É exactamente a esse nível que, de momento, me sinto bastante diminuída pela acção desgastante de uma infecção bacteriana que desde o mês passado veio agravar o meu problema de saúde crónico.
      Agradeço-lhe muito o poema que aqui me deixou e despeço-me com um fraterno abraço.

      Maria João

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  12. “Descartados”

    Tu que estás em debandada
    Arrastas um corpo doído
    Uma alma esquartejada
    Vês teu direito preterido

    E a luz quase apagada
    Pertences ao povo ferido
    À humanidade infectada
    Que não vê nem tem ouvido

    E essa surdez a arrastará
    Até aos confins do inferno
    Tu serás um condenado

    Já ninguém te quererá
    Pois neste mundo moderno
    Ser humano será descartado.

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    Respostas
    1. Descartado não será,
      desde que aprenda a pensar
      e a cobrar, de quanto dá,
      quanto lhe caiba cobrar...

      "Descartáveil!", dir-se-á...
      Di-lo-ão sem nem sonhar
      que é ele quem acabará
      por manter-se e por teimar

      Em crescer e libertar-se
      das amarras primitivas
      dessas velhas profecias

      Que não vão concretizar-se
      pois são palavras cativas
      das mais vãs filosofias...

      Mª João


      Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!

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  13. UMA GALA (no CCB*)

    O magala é um soldado
    De todos é o mais raso
    Tem serventia de acaso,
    Vira-se p´ra todo o lado…

    Não passa de um pau-mandado
    O magala, caso a caso,
    Por todos é humilhado,
    É um soldado a prazo.

    Serviçal do capitão,
    Ninguém promove o magala…
    Ele é carne p´ra canhão.

    Morreu numa emboscada
    Lá houve, enfim, uma gala
    Ao magala dedicada

    Eduardo Maximino

    *Centro de Comandos de Beirolas

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    Respostas
    1. A responder-lhe a este sonetilho já eu não me atrevo, amigo Eduardo... pelo menos neste estado e quando as próprias teclas me parecem exercícios "pesados"... mas agradeço-lhe muito, pois está muito bem aproveitado o "jogo" entre o magala e a gala...

      Nem sequer sabia onde era Beirolas, imagine! Tive de ir ao Google para verificar se existia mesmo ou se era uma mera liberdade poética...

      Forte abraço!

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  14. “Pàf again”

    O terror volta à europa
    Culpada foi esta nação
    Trio armou-se em tropa
    Desapareceu muito milhão

    Pânico é o sentimento vigente
    Após golpe mal intencionado
    Certo emigrará muita gente
    Antes de tudo ser incendiado

    Virá mais cedo que tarde
    Uma lição assim aprendida
    Sem recurso a sermão

    E enquanto a nação arde
    Uma multidão arrependida
    Cedo clamará pela coligação.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Perdoe-me o aparente "cliché", mas... a LUTA CONTINUA!

      Eu bem sei que esta direita,
      Mesmo torta e derrotada,
      Nunca esta derrota aceita;
      Fá-las-á "pela calada"

      E há gente de mente estreita
      Que vai julgar-se enganada
      E pensar que já "está feita"
      Se a "obra" for demorada...

      Bem recordo a dolorosa
      Primeiríssima versão
      Dessa voz "silenciosa"

      Que, alegando ter razão,
      Se alimentou, venenosa,
      Da contra-revolução...

      Maria João


      Cá vai, com outro abraço!

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  15. “Oh yeah come on”

    Sou alentejano cidadão
    Em pleno no universo
    Escrevo em língua de cão
    Por vezes também em verso

    Desta forma de expressão
    Planto entendimento diverso
    Oh yeah come on, ão, ão, ão
    Or don’t come on, ao inverso

    Se escrevendo alentejano
    Me fizera assim entender
    O inglês houvera preterido

    Mas o ingleses do camano
    Nunca quiseram aprender
    O meu linguajar preferido.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu subscrevo o seu protesto!
      Nosso, muito nosso idioma
      Materno, cantante, honesto,
      A esse... ninguém mais doma!

      Escreva-se em bom Português!
      Porque havemos de teimar
      Em escrever num "estrangeirês"
      Que mal sabemos falar?

      Que nunca nos falte espaço
      Para o bom regionalismo
      Com pronúncia original!

      Fortifique-se esse laço
      A que o dito estrangeirismo
      Vai fazendo tanto mal...


      Mª João

      Aqui vai, martelado, colado e rebitado quanto baste, atendendo ao meu muito mau estado físico, mas com o abraço de sempre, Poeta!

      Eliminar
  16. “Retóricas”

    São mestres na retórica
    Comunicam as soluções
    Esta sua prática teórica
    Produz lindas comunicações

    Surgiu uma etapa histórica
    Vem cheia de convicções
    Veremos se não é folclórica
    Se não defraudas populações

    Finge sempre acreditar
    Em todo o ilusionismo
    Tens direito de admissão

    Bilhete tiveste que pagar
    Chega agora o malabarismo
    Para completar essa ilusão.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bonitas, não me parecem,
      Nem úteis serão, sequer,
      Do que em retórica tecem,
      O vazio que acabo a ver

      Mas se em confronto acontecem,
      Nele acabarão por ser,
      Nos argumentos que of´recem,
      Coisas que hão-de acontecer...

      Ao tal passo, agora dado,
      Nel`se envolveu quem lutando
      O viu, por fim consumado,

      E eu, também participando,
      Nunca o hei-de pôr de lado
      (historicamente falando...)

      Maria João


      Cá vai, Poeta, com muita fita-cola para compensar a total falta de inspiração, mas com o abraço de sempre!

      Eliminar
  17. “Pinturas”

    O mundo assim pintado
    Tão negro, eu nunca o vi
    Aguardo outro resultado
    Pois novo mundo sorri

    Será um mundo plantado
    Em tons de rosa sem espinho
    Mas eu não estou descansado
    Porque é estreito o caminho

    Apenas em vereda florida
    Essa esperança germinará
    Produto de nova semente

    Muita alma colorida
    Nesse mundo habitará
    Que assim sorrirá prá gente.

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    Respostas
    1. Negro, negrinho de todo,
      Já o vi, em tempos idos;
      Toda a "paz" era de lodo,
      Por toda a parte, bandidos

      Que, deste ou de um outro modo,
      Vestindo "brandos vestidos",
      Espiavam quem, com denodo,
      Defendesse os perseguidos...

      Não esqueci, nem esquecerei
      Essa negra "guerra fria"
      Que, em tempos, presenciei,

      Nem a demente razia
      Do: - "Fala!" - "Não falarei!"
      Em que a gente então vivia...


      Mª João


      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre e, como quase sempre, numa perspectiva abrangente e tão objectiva quanto possivel.

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