UM SONETO PARA FLORBELA
A ti que mais não podes pois te pesa
Um não sei quê, que nunca me pesou
E, quão mais livre, mais te sentes presa
A tudo quanto, a mim, me libertou,
Mas que, da poesia, és chama acesa
Que em tantos anos nunca se apagou,
A ti, mão criadora da beleza
Que em teus sonetos se manifestou,
Que consegues chorar como quem reza
Pois vais rezando como quem chorou
Cada palavra que é servida à mesa
Do verso heróico que te consagrou;
Quem, de pura amargura e de incerteza,
Te fez morrer... mas nunca te matou?
Maria João Brito de Sousa - 12.12.2015 -12.33h
IMAGEM - Fotografia de Florbela Espanca retirada do Google
“E=mc2”
ResponderEliminarHoje é dia de encontro
Com o oxigénio parido
Em atmosferas d’espanto
Plenas de azoto sofrido
Passam no crivo entretanto
Moléculas d’esperança
Mas o hidrogénio é tanto
Jurando logo vingança
Terão desfecho fatal
A cada inspiração
Sendo o dióxido lançado
Com uma força abissal
Donde resulta a explosão
Num futuro já passado.
Transponha as variáveis "massa" e "espaço"
EliminarPr`á dimensão do nosso entendimento,
E, ao conceito "energia", imponha um traço
Mais brando para o meu discernimento...
À "v`locidade", oponha o meu cansaço
E, ao quadrado de tudo, o meu sustento;
Verá surgir, Poeta,do que eu faço,
A relatividade em que me invento,
Mas, relativamente ao que me diz,
Nada lhe sei dizer de mais concreto
E se assim justifico o que aqui fiz,
Não vendo, em seu poema, um mero repto,
Mas porque, decidindo, assim o quis,
Deixo este raciocínio algo incompleto...
M. João
Aqui vai, Poeta, a resposta possível neste momento e nestas circunstâncias, para mim, nada favoráveis a grandes - ou pequenas... - dissertações. Abraço grande!
“Cem anos”
ResponderEliminarCem anos de solidão
Abismo sentimental
Sejam agora ou não
Sendo apenas sinal
Cem anos de solidão
Entre o bem e o mal
Apenas esse senão
O abismo é fatal
Cem anos de solidão
Entre supremo juízo
Cem anos de solidão
Não pagam o prejuízo
Cem anos de solidão
Apagaram o sorriso.
Só senti a solidão
Eliminarao vivê-la acompanhada,
mas compreendo a razão
de vê-la tão criticada
Porque, para mim, não são,
conceitos, coisa acordtada..
O que, pr`a um, é paixão,
é, pr`a outro, "palhaçada"
E já foi há tantos anos
- mais de quarenta passaram... -
que li o livro citado
Que mal lembro os desenganos...
Poucas palavras ficaram
desse pouco que é lembrado...
M. João
Muito martelado, mas segue com o fraterno abraço de sempre, Poeta!
“Desconcertação”
ResponderEliminarEscravidão encapotada
Por lampejos de ternura
Da concertação social
Onde a discussão perdura
Onde ninguém te quer mal
Onde és parte da salada
Por apaziguadores temperada
Verás uma miragem salarial
Onde a esperança foi roubada.
Zé da Ponte
Onde o meu percurso finda,
EliminarNão se acaba o mundo inteiro;
Vai-se o meu, nesse atoleiro,
Mas restam milhões, ainda
E outro mundo se deslinda...
Nenhum mundo é derradeiro
Desde esse instante primeiro
Que fez, da vida, bem-vinda
(e eu não creio que que prescinda,
dessa vida, este canteiro...)
Mª João
Chá melhora.
ResponderEliminarPoeta, ao negro quadro dos variados - e graves... - problemas insoluveis que, em simultâneo, convergiram sobre a minha vida pessoal, juntaram-se uma forte gripe e um agravamento notório da minha falta de vista... ainda bem que o Chá melhorou. Eu não melhorei e se ainda não entrei num quadro de claro esgotamento, foi porque, conhecendo-me muitíssimo bem, me retirei a tempo e quase por completo das publcações, leituras e partilhas online.
EliminarNão posso dizer quanto tempo levarei a recuperar, uma vez que se trata de um problema reactivo e não endógeno, sendo, portanto, dependente de factores externos e não dependentes da minha vontade, ou mesmo da minha capacidade de recuperação.
Tenho conseguido abrir pequeninas excepções, por aqui, para tentar responder-lhe, mas nem esse quase nada posso garantir por muito mais tempo... apenas posso prometer ir agora ver o Chá e, se o conseguir, dar seguimento a quaisquer palavras que ele me possa suscitar. Tudo isto será feito muito, muito lentamente, como deve calcular...
O chá melhora e a Maria João melhora, vai ver.
EliminarEspero bem que tenha razão, Poeta, e agradeço-lhe a boa vontade, mas... nada ou quase nada parece estar em vias de ser solucionado e as pressões externas que consegui ir ultrapassando durante anos, tornaram-se, agora, demasiado prementes para que as consiga remeter para segundo plano e estão a ser geridas no limite dos limites.
EliminarPara já, é-me absolutamente impossível retomar o ritmo de leituras, partilhas e publicações.
Abraço grande!
“Transformação”
ResponderEliminarMudança anda no ar
Nessa conhecida dança
Onde nada vai mudar
Apenas releva a esperança
Para logo a castrar
Mas vejo transformação
Nada a poderá parar
Sob a forma de explosão
E uma nova forma de amar.
Zé da Ponte
Ai muda, Poeta ai muda,
Eliminarmas talvez nunca pr`a mim...
Desde que a cabeça expluda,
chega a produção ao fim...
Fraterno abraço!
“Já sem alma”
ResponderEliminarUma palavra cunhada
Com honra e sentimento
Não pode ser violada
Tão pouco servir d’instrumento
Só a alma profanada
Poder dar assentimento
Estando a morte consumada
Desde tão belo momento.
Zé da Ponte
Esperemos que nunca o seja,
Eliminarmesmo não sabendo qual
seja a palavra, afinal,
à qual tanto se deseja...
Maria João
Fraterno abraço, Poeta!
“Tempos”
ResponderEliminarTempo de tempo sem tempo
Com a alma enclausurada
Muitas promoções a destempo
Que não te oferecem nada
São promessas de fartura
Num tempo de ilusão
E enquanto a ilusão dura
Não existe lugar à razão
Buscando o tempo perdido
Vais correndo e tropeçando
Atingindo cedo a exaustão
A quem não tiver corrido
Muito tempo verá sobrando
Para completar a missão.
Pr`a mim, tempo de repouso,
Eliminarpois não tenho outro remédio
e a "acelerar" já nem ouso,
para não morrer de tédio...
De qualquer forma, cansada
de um mar de mediocridade,
pouco faço - quase nada.,
sobretudo em quantidade... -
Tenho "em mãos" outra infecção
- prendazinha de Natal... -
pr`a combater, quando não,
Fico mesmo muito mal...
Já me basta, para acção,
combate tão desigual...
M. João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
PAI NATAL… em crise
ResponderEliminarO meu Natal, finalmente,
Vai ser um Natal igual
Ao Natal de antigamente.
Nada de árvore e Pai Natal…
Quero que tenha, somente,
Este Natal divino,
Uma gruta com o Menino
E que ele tenha, também,
São José e a Virgem Mãe
A cumulá-lo de afagos!...
Depois vêm os Reis Magos
Chegados do Oriente,
Cada qual com seu presente,
Guiados por uma estrela,
A mais brilhante e mais bela
Do azul do firmamento…
E há-de haver, p´ra meu contento
A compor o ambiente
E a torná-lo mais quente,
Uma vaca e um jumento…
E hão-de vir os pastores,
Chamados por um Anjinho
Que lhes ensina o caminho,
Cantar hinos e louvores!
E, eu hei-de ir à chaminé,
Pressuroso, manhãzinha,
Da minha cama à cozinha,
Espreitar à chaminé,
Onde o lume se apagou,
O que é que lá me deixou,
No sapato que eu lá pus,
O Deus Menino, Jesus!
Um Natal, assim diferente
Do que vai sendo usual
Aconteceu, afinal,
Porque o dito Pai Natal
Está de cama, doente.
Querem saber a razão?
Ora escutem lá, então:
Contou as renas, dez vezes
E qual foi o seu espanto,
Depois de as contar tanto,
Deu por falta de três reses!
E, agora, para seu mal,
O Nicolau, o Pai Natal,
Não sei por tais reveses,
Está com crise renal!
Eduardo
(DUO)décima
EliminarTambém eu, sem ter contado,
Nem perdido essas três renas
Porque as "maleitas" dão penas
Sem terem qualquer cuidado
C`o que é perdido... ou achado
E , as minhas, não são pequenas
Pois dão cólicas obscenas,
Deixam-me em pésimo estado
E, sem ter trenó, nem gado,
Se algo perdi, foi apenas
De euritos, umas centenas
E, de peso, um bom bocado...
Maria João
Muito obrigada pelo seu bem disposto poema, amigo Eduardo!
Não estou nada bem e apercebi-me de que até psicologicamente me estava a sentir fragilizada, mas mantenho razoavelmente intacto o meu sentido de humor que, na ausência da tal inspiração, ainda me permitiu tentar responder-lhe com uma (duo)décima algo dorida, mas ainda brincalhona.
Deixo um forte abraço e reforço os meus votos de Boas Festas para si e toda a família!
Chá vencido.
ResponderEliminarAcontece aos melhores, Poeta.
EliminarEstou de saída, mas vou ver o Chá.
“Quem não morre”
ResponderEliminarQuem não morre
Por ter morrido
Quem não come
Por ter comido
Quem não corre
Por ter corrido
Seguramente é herói
Que não sobrevive
Pois não foi assistido.
Zé da Ponte
... ou foi tão bem assistido,
Eliminarinvadido, assoberbado
pelo excesso de cuidado
que mais teria valido
que alguém tivesse entendido
que ficou desenquadrado
e certamente afogado
por mil coisas sem sentido
que o deixaram tão perdido
que antes quis estar"desligado"...
M. João
Poeta, penso que se refere ao jovem que morreu vítima de falta de assistência médica no hospital de São José, mas não resisti a deixar um pequeno registo do que se está a passar comigo e que acabou por me levar a esta prolongada pausa na única rede social em que publiquei diariamente durante anos a fio... entendo que não seja fácil compreender o funcionamento do cérebro - e não só... - de uma poeta sinesteta, mas a verdade é que apanhei uma autêntica indigestão de informação visual e, se não tivesse parado a tempo, teria mesmo entrado numa situação muito pouco saudável, do ponto de vista da minha saúde mental (a única que vai funcionando "sobre rodas", em mim, e me permite gerir bastante eficazmente a minha criatividade)
Entre "desligar-me" pelo tempo que sinta ser-me necessário e entrar num processo de declarado esgotamento mental, optei pelo primeiro. Claro está que as mil e uma pressões que entretanto me surgiram na vida real também contribuíram de forma muito significativa para aumentar as minhas vulnerabilidades ao nível da percepção, descodificação e interiorização da informação visual e o facto de cada vez ver pior - por falta de óculos adequados - pode e deve ter sido outro dos factores desencadeantes...
Aproveito para renovar os meus votos de Boas Festas e deixar outro abraço grande!
Chá doente.
ResponderEliminarTambém eu, Poeta, também eu... e aquela bomba daquele antibiótico de toma única ia-me deixando desidratada de todo...(a reacção do meu organismo não foi nada pacífica...)
EliminarSe se encontra entre aqueles que pensam que para nos mantermos hidratados basta beber muita água, digo-lhe já que as coisas não são assim tão lineares É exactamente aí que entram os tais iões que tanto me vão fugindo e sem os quais é mesmo impossível viver...
Venham iões ãos montões...
EliminarEheheheheh... espero bem que sim... as cãibras não são nada fáceis de suportar, mesmo que sejam apenas o primeiro e mais visível sintoma de um desequilíbrio hidro-electrolítico...
Eliminar“Natal ao contrário”
ResponderEliminarÉ o muro da vergonha
Auschwitz revisitado
Com a vida já não sonha
David não foi operado
Falou mais alto o Golias
Dos dias da indiferença
E na indiferença dos dias
Assim passam a sentença
Arrefecem as noites frias.
Zé da Ponte
É bem certo; assassinato,
Eliminarnegligência criminosa,
desrespeito pela vida
que um sistema caricato
nos revela enquanto goza,
no privado, outra medida
Eu nem mesmo imaginava
que num hospital central
surgisse uma falha destas!
Neurologista não estava?
Mas que sistema anormal
e.... que cambada de bestas!
Maria João
Desculpe Poeta, mas... que raio de gestão pode condenar à morte um jovem que, tanto quanto li sobre o assunto, teria grandes hipóteses de sobreviver se atempadamente submetido a uma específica cirurgia - neuro cirurgia, neste caso- ? E por que estranhíssima descoordenção ou incúria não foram tomadas medidas preventivas, como contactar, de imediato, outro hospital que pudesse ceder um dos seus neuro-cirurgiões?