UM SONETO PARA FLORBELA

F[1].E. Biblioteca 001.jpg


 


A ti que mais não podes pois te pesa


Um não sei quê, que nunca me pesou


E, quão mais livre, mais te sentes presa


A tudo quanto, a mim, me libertou,


 


Mas que, da poesia, és chama acesa


Que em tantos anos nunca se apagou,


A ti, mão criadora da beleza


Que em teus sonetos se manifestou,


 


Que consegues chorar como quem reza


Pois vais rezando como quem chorou


Cada palavra que é servida à mesa


 


Do verso heróico que te consagrou;


Quem, de pura amargura e de incerteza,


Te fez morrer... mas nunca te matou?


 


 


Maria João Brito de Sousa - 12.12.2015 -12.33h


 


IMAGEM - Fotografia de Florbela Espanca retirada do Google


 


 

Comentários

  1. “E=mc2”

    Hoje é dia de encontro
    Com o oxigénio parido
    Em atmosferas d’espanto
    Plenas de azoto sofrido

    Passam no crivo entretanto
    Moléculas d’esperança
    Mas o hidrogénio é tanto
    Jurando logo vingança

    Terão desfecho fatal
    A cada inspiração
    Sendo o dióxido lançado

    Com uma força abissal
    Donde resulta a explosão
    Num futuro já passado.

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    1. Transponha as variáveis "massa" e "espaço"
      Pr`á dimensão do nosso entendimento,
      E, ao conceito "energia", imponha um traço
      Mais brando para o meu discernimento...

      À "v`locidade", oponha o meu cansaço
      E, ao quadrado de tudo, o meu sustento;
      Verá surgir, Poeta,do que eu faço,
      A relatividade em que me invento,

      Mas, relativamente ao que me diz,
      Nada lhe sei dizer de mais concreto
      E se assim justifico o que aqui fiz,

      Não vendo, em seu poema, um mero repto,
      Mas porque, decidindo, assim o quis,
      Deixo este raciocínio algo incompleto...

      M. João

      Aqui vai, Poeta, a resposta possível neste momento e nestas circunstâncias, para mim, nada favoráveis a grandes - ou pequenas... - dissertações. Abraço grande!

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  2. “Cem anos”

    Cem anos de solidão
    Abismo sentimental
    Sejam agora ou não
    Sendo apenas sinal

    Cem anos de solidão
    Entre o bem e o mal
    Apenas esse senão
    O abismo é fatal

    Cem anos de solidão
    Entre supremo juízo
    Cem anos de solidão

    Não pagam o prejuízo
    Cem anos de solidão
    Apagaram o sorriso.

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    Respostas
    1. Só senti a solidão
      ao vivê-la acompanhada,
      mas compreendo a razão
      de vê-la tão criticada

      Porque, para mim, não são,
      conceitos, coisa acordtada..
      O que, pr`a um, é paixão,
      é, pr`a outro, "palhaçada"

      E já foi há tantos anos
      - mais de quarenta passaram... -
      que li o livro citado

      Que mal lembro os desenganos...
      Poucas palavras ficaram
      desse pouco que é lembrado...


      M. João

      Muito martelado, mas segue com o fraterno abraço de sempre, Poeta!

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  3. “Desconcertação”

    Escravidão encapotada
    Por lampejos de ternura
    Da concertação social
    Onde a discussão perdura
    Onde ninguém te quer mal
    Onde és parte da salada
    Por apaziguadores temperada
    Verás uma miragem salarial
    Onde a esperança foi roubada.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Onde o meu percurso finda,
      Não se acaba o mundo inteiro;
      Vai-se o meu, nesse atoleiro,
      Mas restam milhões, ainda
      E outro mundo se deslinda...
      Nenhum mundo é derradeiro
      Desde esse instante primeiro
      Que fez, da vida, bem-vinda
      (e eu não creio que que prescinda,
      dessa vida, este canteiro...)


      Mª João

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  4. Respostas
    1. Poeta, ao negro quadro dos variados - e graves... - problemas insoluveis que, em simultâneo, convergiram sobre a minha vida pessoal, juntaram-se uma forte gripe e um agravamento notório da minha falta de vista... ainda bem que o Chá melhorou. Eu não melhorei e se ainda não entrei num quadro de claro esgotamento, foi porque, conhecendo-me muitíssimo bem, me retirei a tempo e quase por completo das publcações, leituras e partilhas online.
      Não posso dizer quanto tempo levarei a recuperar, uma vez que se trata de um problema reactivo e não endógeno, sendo, portanto, dependente de factores externos e não dependentes da minha vontade, ou mesmo da minha capacidade de recuperação.
      Tenho conseguido abrir pequeninas excepções, por aqui, para tentar responder-lhe, mas nem esse quase nada posso garantir por muito mais tempo... apenas posso prometer ir agora ver o Chá e, se o conseguir, dar seguimento a quaisquer palavras que ele me possa suscitar. Tudo isto será feito muito, muito lentamente, como deve calcular...

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    2. O chá melhora e a Maria João melhora, vai ver.

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    3. Espero bem que tenha razão, Poeta, e agradeço-lhe a boa vontade, mas... nada ou quase nada parece estar em vias de ser solucionado e as pressões externas que consegui ir ultrapassando durante anos, tornaram-se, agora, demasiado prementes para que as consiga remeter para segundo plano e estão a ser geridas no limite dos limites.
      Para já, é-me absolutamente impossível retomar o ritmo de leituras, partilhas e publicações.

      Abraço grande!

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  5. “Transformação”

    Mudança anda no ar
    Nessa conhecida dança
    Onde nada vai mudar
    Apenas releva a esperança
    Para logo a castrar
    Mas vejo transformação
    Nada a poderá parar
    Sob a forma de explosão
    E uma nova forma de amar.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Ai muda, Poeta ai muda,
      mas talvez nunca pr`a mim...
      Desde que a cabeça expluda,
      chega a produção ao fim...

      Fraterno abraço!

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  6. “Já sem alma”

    Uma palavra cunhada
    Com honra e sentimento
    Não pode ser violada
    Tão pouco servir d’instrumento
    Só a alma profanada
    Poder dar assentimento
    Estando a morte consumada
    Desde tão belo momento.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Esperemos que nunca o seja,
      mesmo não sabendo qual
      seja a palavra, afinal,
      à qual tanto se deseja...

      Maria João

      Fraterno abraço, Poeta!

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  7. “Tempos”

    Tempo de tempo sem tempo
    Com a alma enclausurada
    Muitas promoções a destempo
    Que não te oferecem nada

    São promessas de fartura
    Num tempo de ilusão
    E enquanto a ilusão dura
    Não existe lugar à razão

    Buscando o tempo perdido
    Vais correndo e tropeçando
    Atingindo cedo a exaustão

    A quem não tiver corrido
    Muito tempo verá sobrando
    Para completar a missão.

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    Respostas
    1. Pr`a mim, tempo de repouso,
      pois não tenho outro remédio
      e a "acelerar" já nem ouso,
      para não morrer de tédio...

      De qualquer forma, cansada
      de um mar de mediocridade,
      pouco faço - quase nada.,
      sobretudo em quantidade... -

      Tenho "em mãos" outra infecção
      - prendazinha de Natal... -
      pr`a combater, quando não,

      Fico mesmo muito mal...
      Já me basta, para acção,
      combate tão desigual...

      M. João


      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!

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  8. PAI NATAL… em crise

    O meu Natal, finalmente,
    Vai ser um Natal igual
    Ao Natal de antigamente.
    Nada de árvore e Pai Natal…
    Quero que tenha, somente,
    Este Natal divino,
    Uma gruta com o Menino
    E que ele tenha, também,
    São José e a Virgem Mãe
    A cumulá-lo de afagos!...
    Depois vêm os Reis Magos
    Chegados do Oriente,
    Cada qual com seu presente,
    Guiados por uma estrela,
    A mais brilhante e mais bela
    Do azul do firmamento…
    E há-de haver, p´ra meu contento
    A compor o ambiente
    E a torná-lo mais quente,
    Uma vaca e um jumento…
    E hão-de vir os pastores,
    Chamados por um Anjinho
    Que lhes ensina o caminho,
    Cantar hinos e louvores!
    E, eu hei-de ir à chaminé,
    Pressuroso, manhãzinha,
    Da minha cama à cozinha,
    Espreitar à chaminé,
    Onde o lume se apagou,
    O que é que lá me deixou,
    No sapato que eu lá pus,
    O Deus Menino, Jesus!
    Um Natal, assim diferente
    Do que vai sendo usual
    Aconteceu, afinal,
    Porque o dito Pai Natal
    Está de cama, doente.
    Querem saber a razão?
    Ora escutem lá, então:
    Contou as renas, dez vezes
    E qual foi o seu espanto,
    Depois de as contar tanto,
    Deu por falta de três reses!
    E, agora, para seu mal,
    O Nicolau, o Pai Natal,
    Não sei por tais reveses,
    Está com crise renal!

    Eduardo

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    Respostas
    1. (DUO)décima

      Também eu, sem ter contado,
      Nem perdido essas três renas
      Porque as "maleitas" dão penas
      Sem terem qualquer cuidado
      C`o que é perdido... ou achado
      E , as minhas, não são pequenas
      Pois dão cólicas obscenas,
      Deixam-me em pésimo estado
      E, sem ter trenó, nem gado,
      Se algo perdi, foi apenas
      De euritos, umas centenas
      E, de peso, um bom bocado...


      Maria João

      Muito obrigada pelo seu bem disposto poema, amigo Eduardo!
      Não estou nada bem e apercebi-me de que até psicologicamente me estava a sentir fragilizada, mas mantenho razoavelmente intacto o meu sentido de humor que, na ausência da tal inspiração, ainda me permitiu tentar responder-lhe com uma (duo)décima algo dorida, mas ainda brincalhona.

      Deixo um forte abraço e reforço os meus votos de Boas Festas para si e toda a família!

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  9. “Quem não morre”

    Quem não morre
    Por ter morrido
    Quem não come
    Por ter comido
    Quem não corre
    Por ter corrido
    Seguramente é herói
    Que não sobrevive
    Pois não foi assistido.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. ... ou foi tão bem assistido,
      invadido, assoberbado
      pelo excesso de cuidado
      que mais teria valido
      que alguém tivesse entendido
      que ficou desenquadrado
      e certamente afogado
      por mil coisas sem sentido
      que o deixaram tão perdido
      que antes quis estar"desligado"...


      M. João

      Poeta, penso que se refere ao jovem que morreu vítima de falta de assistência médica no hospital de São José, mas não resisti a deixar um pequeno registo do que se está a passar comigo e que acabou por me levar a esta prolongada pausa na única rede social em que publiquei diariamente durante anos a fio... entendo que não seja fácil compreender o funcionamento do cérebro - e não só... - de uma poeta sinesteta, mas a verdade é que apanhei uma autêntica indigestão de informação visual e, se não tivesse parado a tempo, teria mesmo entrado numa situação muito pouco saudável, do ponto de vista da minha saúde mental (a única que vai funcionando "sobre rodas", em mim, e me permite gerir bastante eficazmente a minha criatividade)

      Entre "desligar-me" pelo tempo que sinta ser-me necessário e entrar num processo de declarado esgotamento mental, optei pelo primeiro. Claro está que as mil e uma pressões que entretanto me surgiram na vida real também contribuíram de forma muito significativa para aumentar as minhas vulnerabilidades ao nível da percepção, descodificação e interiorização da informação visual e o facto de cada vez ver pior - por falta de óculos adequados - pode e deve ter sido outro dos factores desencadeantes...

      Aproveito para renovar os meus votos de Boas Festas e deixar outro abraço grande!

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  10. Respostas
    1. Também eu, Poeta, também eu... e aquela bomba daquele antibiótico de toma única ia-me deixando desidratada de todo...(a reacção do meu organismo não foi nada pacífica...)

      Se se encontra entre aqueles que pensam que para nos mantermos hidratados basta beber muita água, digo-lhe já que as coisas não são assim tão lineares É exactamente aí que entram os tais iões que tanto me vão fugindo e sem os quais é mesmo impossível viver...

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    2. Eheheheheh... espero bem que sim... as cãibras não são nada fáceis de suportar, mesmo que sejam apenas o primeiro e mais visível sintoma de um desequilíbrio hidro-electrolítico...

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  11. “Natal ao contrário”

    É o muro da vergonha
    Auschwitz revisitado
    Com a vida já não sonha
    David não foi operado
    Falou mais alto o Golias
    Dos dias da indiferença
    E na indiferença dos dias
    Assim passam a sentença
    Arrefecem as noites frias.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. É bem certo; assassinato,
      negligência criminosa,
      desrespeito pela vida
      que um sistema caricato
      nos revela enquanto goza,
      no privado, outra medida

      Eu nem mesmo imaginava
      que num hospital central
      surgisse uma falha destas!
      Neurologista não estava?
      Mas que sistema anormal
      e.... que cambada de bestas!

      Maria João

      Desculpe Poeta, mas... que raio de gestão pode condenar à morte um jovem que, tanto quanto li sobre o assunto, teria grandes hipóteses de sobreviver se atempadamente submetido a uma específica cirurgia - neuro cirurgia, neste caso- ? E por que estranhíssima descoordenção ou incúria não foram tomadas medidas preventivas, como contactar, de imediato, outro hospital que pudesse ceder um dos seus neuro-cirurgiões?

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