NAS TUAS MÃOS
Fotografia de Carlos Ricardo * NAS TUAS MÃOS * Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro nessas mãos uma guarida Em que a chama que sou não tenha preço * Eu, ave, só te entrego o que não peço: Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu não sonharás e eu nem meço * E que outra ave marinha ofertaria Tanta e tão profundíssima alegria, Que outra alma se daria em seda pura? * As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de amor e de ternura? * Maria João Brito de Sousa Maio 2007 ***
Sexta-feira 13?
ResponderEliminarPromete!
e eu prometo
que não falto
Eu posso prometer-to, Rogério, mas se estiver tão afónica quanto hoje fiquei, falo, falo e ninguém ouve nada, rsrsrsrs... mas, sim, é mesmo numa sexta-feira 13!
EliminarO azar é mesmo estar agora neste triste estado de que terei de recuperar rapidamente, ou ver-me-ei obrigada a "palestrar" sem voz, para além de sem (alguns) dentes...
TANTO CRAVO
ResponderEliminarTanto cravo descorado,
Tanto cravo que murchou,
Tanto cravo que enfeitou
A lapela do malvado.
Tanto malvado que usou
Tanto cravo encarnado,
Tanto cravo desolado
Com a farpela que adornou.
Tanto néscio disfarçado
Na lapela colocou
Tanto cravo envergonhado,
Tanto cravo amargurado,
Tanto cravo que corou
De ver-se, assim, ultrajado.
Eduardo
Estou com febre, falta de ar e embora tenha tomado a aminofilina - SOS - não consigo encontrar a bomba de salbutamol... não coseguiria escrever poema nenhum nestas condições, mas cá voltarei amanhã, amigo Eduardo!
EliminarEstou sem voz e estou febril,
EliminarNem sei como hei-de fazer
Mas, sendo cravo de Abril,
Sei que, um dia, irei vencer
Pois nem tudo foi tão vil
Que o fizesse esmorecer
Quando levado ao redil
Dos que fazem por nem ver
Que, na luta desigual,
Que este cravo há-de enfrentar,
Tudo pode ser vital
Para a luta equilibrar
E que a vitória final
Sempre se há-de conquistar
Maria João
Aqui vai, amigo Eduardo, com muita dificuldade porque a gripe continua a evoluir e, neste momento, não garanto que não tenha passado a infecção bacteriana. Forte abraço!
“Desiguais”
ResponderEliminarEm busca da simetria
Na assimetria vigente
Posso encontrá-la um dia
Mas isso é-me indiferente
Importante é o caminho
Nesta busca incessante
O resultado eu adivinho
Como pouco interessante
Caminharei sem cessar
Em busca desse ideal
A simetria da razão
Estou certo de encontrar
Uma outra desigual
Assimetria da emoção.
Com simetria, ou sem ela,
EliminarTerei de seguir em frente
E, se esta mão ma cinzela,
Assim, tão naturalmente,
Porque a considero bela,
Ficarei muito contente
Por ter conseguido aquela
Que se nega a tanta gente...
Racional por natureza,
Descubro, por toda a parte,
As mil formas de beleza
Que há que transformar em arte
E, não procuro a grandeza
Nem aqui, nem mesmo em Marte...
Maria João
Poeta, desculpe esta maluqueira deste sonetilho, mas foi o que me foi saindo no meio deste contexto de febre e dispneia, com uma amiga preocupada a querer falar comigo ao telefone... quando estou afonica e sem fôlego. Mas que saiu, saiu e vou aproveitá-lo porque não sei se logo vou estar capaz de escrever seja o que for. Abraço grande!
Chá disponível.
ResponderEliminarEstou mesmo de saída par uma consulta SOS, mas aindavou tentar ir ao chá, Poeta!
Eliminar“Ranieri”
ResponderEliminarEra um não campeão
Com trajecto invejável
Após muito trambolhão
Permanecia intocável
Este eterno falhado
A caminho do sucesso
Destino tinha traçado
Não existindo retrocesso
A uma equipa desconhecida
Com um historial discreto
Num inferno indescritível
Deu-lhe o sopro de vida
E dum irrealizável projecto
Nasceu a raposa invencível.
“Paraísos”
ResponderEliminarVasculhar o paraíso
Esse da alta finança
Já não habita juízo
Nos doutores da balança
Finança é fogo que arde
Que queima e pode matar
Não se agigante o covarde
E o poderoso deixe-se estar
Esta maré vai serenar
A troco duma mudança
Todos sabem qual será
Desde logo nada mudar
A troco da enorme esperança
Que o paraíso recompensará.
Prof Eta