MULHER * Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos Trazendo nos olhos sorrisos e penas... Como esta há centenas, encontram-se aos molhos Por entre os restolhos, louras e morenas. * Marias e helenas que contornam escolhos, Com ou sem piolhos, virtuosas, obscenas, São como açucenas; a chave e ferrolhos Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas * Derrubam empenas, são donas das ruas, Das marés, das luas... Em todos os astros Ergueram os mastros das coisas mais suas * E sempre assim, nuas, deixaram seus rastos Nos muros dos castros, no chão das faluas E até no que intuas dos seus corpos gastos. * Maria João Brito de Sousa - 03.02.2021 - 14.04h *** Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.
Pronto, amanhã ja tenho assunto
ResponderEliminare muito
Abraço, Rogério! Estou mesmo de saída para o hospital!
Eliminar(conto ter alta definitiva...)
Extraordinário vídeo, merece ampla divulgação.
ResponderEliminarObrigada, Poeta! A iniciativa e o trabalho de montagem do vídeo foram da amiga Maria de Lourdes M. Henriques, do Horizontes da Poesia. Também foi uma surpresa para mim!
Eliminar“Esse”
ResponderEliminarCom certeza voltaremos
Sem a certeza de nada
Apenas que deixaremos
Nossos passos nessa estrada
Nossos passos nessa estrada
Com todo o nosso fulgor
Será leve a caminhada
Porque nos guia o amor
Porque nos guia o amor
Faz-se leve pesada cruz
Somos gente sonhadora
Somos loucos sim senhor
Sonhamos com um tal Jesus
Esse da Nossa Senhora.
Que essa vossa caminhada
EliminarTraga o sabor do pão quente
E, apenas, parte da estrada
Que percorre toda a gente;
Se a Vida não está parada,
Se sempre caminha em frente
E cresce e é renovada,
Cada passada é semente
Que a cada passo é lançada
Mais certa, ou erradamente,
Na terra seca, ou molhada,
Mesmo que o sol esteja ausente
E ás vezes, por tudo e nada,
Pareça menos contente...
Maria João
Aqui vai, Poeta, o que me ocorreu, assim, de repente...
Um pouco pior (eu), desde ontem à tarde, tem-me sido mesmo absolutamente necessário passar a maior parte do tempo deitada. Veremos como cumpro, ou não, a minha caminhada de hoje.
Peço desculpa por não termos tido a oportunidade de ler alguns sonetos, eu e o Joaquim Sustelo, conforrme estava programado, mas as pessoas começaram a sair e já não foi possível terminar a palestra segundo o que quereríamos.
Um forte abraço!
“Nevoeiros”
ResponderEliminarAlém da compreensão
Há muito a compreender
Embora digam que não
Os que não conseguem ver
Eu consigo dizer que sim
Mas sem a total visão
Pois o nevoeiro em mim
Impõe o filtro da razão
Há barreira a romper
A todo e qualquer instante
Senão o nevoeiro perdura
Além da razão podes crer
Compreendes de rompante
Com o filtro da loucura.
LOUCURA - Clarificação do conceito de...
EliminarAh... loucura não filtra nada,
Bem muito pelo contrário
Porque, abrindo a porta errada,
Faz, dum gato, um dromedário
Dando, à coisa visionada,
Um bizarro corolário
Que a pobre gente, enganada,
Julga ver nesse cenário...
Gente há que nada sabendo
- gente, ignorante, imatura... -
Julga mal, logo dizendo
Que toda e qualquer procura
Passa a ser, quando não sendo,
Fruto de humana loucura...
Maria João
Estava a ver que não conseguia... mas consegui responder a mais este seu sonetilho, Poeta.
Tenho estado a piorar e cada passo dado, cada frase lida e processada me estão a custar muito, por enquanto... e sei lá até quando...
Quanto ao "alegado filtro da loucura"... Poeta, já lidei com demasiadas pessoas dementes para poder falar disso com ligeireza.
A demência não filtra coisa nenhuma, é tremenda e provoca um sofrimento atroz. O nosso conceito de loucura é que muito pobre e demasiado complacente; facilmente chamamos loucura àquilo que vai um pouco além dos padrões da mais sofrível das normalidades... fazêmo-lo por pura ignorância do que é, efectivamente, uma demência.
Um muito forte abraço!
“Densos nevoeiros”
ResponderEliminarDo lado errado da noite
Já eu fiz uma caminhada
Não que agora me afoite
A copiar essa passada
Esse lado da existência
Esmaga-nos a compreensão
Não sei se será demência
Mas é total a distorção
Alma grita por socorro
E o corpo não lhe dá voz
A loucura vem primeiro
Ou me matam ou eu morro
E neste sofrimento atroz
A saída é por um bueiro.
Talvez haja um lado errado
EliminarE talvez pelo bueiro
Se saia desse tal lado,
Quem sabe, de corpo inteiro..
Talvez coisa reactiva,
Talvez coisa funcional,
Coisa degenerativa,
Dessas a que chamam "mal"...
Passível de tratamento?
Com certeza! Sê-lo-á,
Com ou sem internamento,
Mais controlada estará...
Só não sei se esse tormento
Algum dia acabará...
Maria João
Poeta, penso que me descreveu um quadro clínico de um qualquer distúrbio mental que não posso identificar... mais uma vez, respondo um pouco "às cegas". Desta vez também no sentido literal da expressão, pois mal vejo o que escrevo...
Abraço grande!
“Névoa”
ResponderEliminarA mente está aberta
E é minha convicção
Plenamente desperta
Para males que virão
Mas uma coisa é certa
Não interessa a explicação
Seja psiquiatra ou poeta
Todos na palma da mão
Da mentira ou verdade
Numa mente transversal
Que dá a continuidade
Seja p’ró bem ou p’ró mal
Ao rasto da humanidade
Coisa suprema e universal.
Será sempre desejável
EliminarTer bom-senso, lucidez
E, à noção do que é provável
Juntar, sempre, a do "talvez",
Ir mendindo o mensurável,
Ir descobrindo os porquês
E analisando o palpável
Dia a dia, mês a mês...
Porque somos ser`s pensantes,
Faz-nos falta assim pensar...
Nada volta ao que era dantes,
Tudo está sempre a mudar
E as mudanças são constantes;
Tudo muda sem parar...
Maria João
Poeta, a tosse voltou e, ontem à noite, estava de novo febril. Infelizmente nem tudo muda para melhor, assim, tão literalmente quanto o desejaríamos, tanto ao nível do pessoal, quanto do colectivo... estarei por aqui enquanto conseguir, mas bem menos regularmente do que costumava estar, porque cada vez me vai sendo mais difícil ver, manter a concentração e "processar" o que vou lendo. Esperemos que seja uma situação pontual e que dentro das tais seis semanas - agora já são cinco - a situação possa ter melhorado um pouco.
Um GRANDE e grato abraço!
“Entupimentos”
ResponderEliminarPorquê a felicidade?
Se a infelicidade podes ter!
Porquê a tua cidade?
Se no campo podes viver!
Para quê tanta capacidade?
Se vês a incapacidade vencer!
Para quê tanta verdade?
Com a mentira a florescer!
Por onde vais realidade?
Se te atropela o virtual
Se te aprisiona o ruído
Pensando bem, na verdade
Nunca me poderei dar mal
Tenho o cérebro entupido.
Prof Eta
Poeta, estou mesmo,mesmo de saída para mais do que uma consulta e posterior entrega de "papeladas" burocráticas, mas... vou ver o que me sai, assim, de repente...
EliminarTem o cérebro entupido?
Poeta, tem a certeza?
Digo-lhe já que duvido,
Vendo a sua ligeireza...
Nunca o vendo adormecido
E a rimar com tal destreza,
Apesar desse ruído
Tem alguma chama acesa
É, por vezes, divertido
E manda embora a tristeza
Quando não faça sentido
Vê-la somar-se em grandeza
A verso que, comedido,
Mostre tal delicadeza...
Maria João
Um abraço forte, Poeta!
Chá de lua.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarForte abraço!
“Presunção da matéria”
ResponderEliminarO louco desadaptado
Adaptou-se à loucura
Esse foi o resultado
Desta sanidade impura
Presença em todo o ser
Por muito que seja negada
Somos dela sem querer
Quem não a vê, não vê nada
Somos matéria com vida
Outra existe inanimada
Outra está p’ra decisão
Esta existência dividida
Não foi ainda comprovada
Podemos ser presunção.
Bicharocos complicados,
EliminarSomos, com toda a certeza;
Alguns muito equilibrados,
Outros não... mas, com franqueza!
São tais - e tão mal estudados... -
Os dons desta natureza
Que me parecem escusados
Se olhados sem subtileza
Pois, antes de tudo o mais,
Convém tudo ir aferindo,
Não vão passar a "normais"
Os que, nunca reagindo;
São "burros" convencionais
Que , açoitados, vão sorrindo...
Maria João
Cá vai mais um bocadinho de "presunção da matéria", embora, conforme lhe disse, eu não costume gostar de tratar com esta ligeireza as situações de psicoses e demências que considero gravíssimas e que em tudo diferem das situações de desadaptação ditas reactivas.
Um abraço grande, Poeta!
O meu amigo Vitorino é o dono da última retrosaria de Grândola Vila-morena.
ResponderEliminarConheci-o em pequenino, com 12 ou 13 anos quando lá era moço de recados.
A ÚLTIMA RETROSARIA
Passei por Vila Morena
E numa praça pequena,
Naquela retrosaria,
Tanta coisa que lá havia!
Ele eram agulhas e linhas,
Nastros para as bainhas,
Eram dedais, eram fitas,
Eram flanelas e chitas,
Alfinetes e botões,
Eram sedas e algodões,
Gregas e atoalhados,
Eram rendas e bordados,
Eram galões e canelas,
Eram cordões e fivelas,
Eram novelos, meadas,
Eram lençóis, almofadas…
De tudo ali havia
Naquela retrosaria!
E havia, atrás do balcão,
O empregado e patrão
Para atender as freguesas,
Distribuir gentilezas
E para contar histórias,
Fruto das suas memórias.
Ele era amola-tesouras,
Ele ensinava as Senhoras
A talhar suas farpelas
Ele cosia entretelas…
Um poço de sabedoria
Naquela retrosaria
Onde está desde menino.
Ele é o sábio Vitorino
Eduardo
Muito gostei deste seu poema ao seu amigo Vitorino e à última retrosaria da Vila Morena, amigo Eduardo!
EliminarEnvio um grato abraço para si e sua esposa, desejando-vos um excelente fim-de-semana.
Maria João
“Anti Shakespeare”
ResponderEliminarNeste mundo virtual
Nosso corpo nossa mente
Sendo partes do real
Têm utilidade aparente
Para o bem e para o mal
Tudo agora é diferente
O que era sentimental
É tido como indiferente
Ser ou não ser não é questão
Shakespeare estava errado
Por tudo o que possuímos
Somos possuídos em vão
Nosso ser foi transformado
Como máquinas não sentimos.
Utilidade real,
EliminarTerão nosso corpo e mente,
Pois mesmo no virtual
Sempre foi mais que aparente
Essa que, a bem ou a mal,
Modela a vida da gente;
Cada um, sendo animal,
Cada qual sendo dif`rente,
Mas... como máquinas? Não!
Por mais que elas se aproximem
Vão-se aproximando em vão,
Pois coitadas, não se exprimem
Senão sob a nossa mão,
Nos dedos que as teclas primem...
Maria João
Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
“Canto zero”
ResponderEliminarAs garrafas e garrafões esvaziados
Que aqui na antiga Tasca da Xana
Por desgostos que vimos afogados
Dia após dia, semana após semana
Em ambiente de festa mergulhados
Assim limpamos nossa alma humana
Pobre o corpo que tanto embriagaram
Mas ao qual suas manchas limparam
Houve por vezes disputas furiosas
Em questões que foram abraçando
Por recalcarem as razões acintosas
Que tais diferendos foram criando
E assim estas memórias gloriosas
Na Tasca da Xana se foram gizando
Dum memorial imenso farão parte
Edificado ao povo em toda a sua arte.
Zé da Ponte
Eliminar... e também às palavras valerosas
Que nossos versos foram dilatando,
Exaltarei na Terra, ou mesmo em Marte,
Se acontecer por lá ter de encontrar-te!
Maria João
Poeta... não resisti , foi mesmo isto o que me ocorreu de imediato.
Segue com o abraço grande de sempre!
“Extinções”
ResponderEliminarEterno nunca será
Pois até a eternidade
Um dia se extinguirá
Por perder a mocidade
Alguém não acreditará
Por ser mentira ou verdade
Mas outrem sempre haverá
P’ra desmentir a saudade
E assim se forma o vazio
No vazio do pensamento
De quem pensa ter vivido
Na eternidade onde faz frio
Vivendo cada momento
Mesmo que tenha morrido.
Não me extinga já, Poeta,
EliminarPorque estou muito enervada;
Não consigo estar quieta,
Já não sei pensar em nada
Senão na coisa concreta
Que, não estando anunciada,
Continua a ser secreta
E eu queria ver publicada...
Bem lamento este "umbiguismo",
Mas, verdade, verdadinha,
Fico à beira de um abismo
E presa por uma linha;
Meu corpo a vibrar num sismo
E a minh`alma "apertadinha"...
Maria João
Peço desculpa, Poeta, mas... neste momento não consigo pensar em mais nada senão no Prémio a que concorri e que vai ser anunciado hoje. Tudo o que me ocorreu dizer foi isto, embora não pretenda a relativa eternidade para mim e sim para a poesia... ou, mais especificamente, para a forma poética por que me apaixonei aos 55 anos, o soneto. Acredito que vale a pena lutar por ele, embora a minha própria sobrevivência seja toda ela uma luta e, por vezes, uma luta "in extremis"...
Abraço grande!
“Evasões”
ResponderEliminarEm fuga sempre me vi
Só não consegui fugir
Mas disposto a resistir
Dentro de mim permaneci
São fronteiras limitadas
As do corpo em redor
Seria dum mundo maior
Se as vira extravasadas
Remetido a espaço conciso
Sem possibilidade d’evasão
Sou um corpo que se arrasta
Mas pensar não é preciso
Remeto-me à contemplação
Se a evasão de mim se afasta.
Poeta, peço desculpa, mas... não tinha ainda visto este seu sonetilho...
Eliminar(In)vasões...
Não me evado; permaneço
Bem firmada nas raízes
Do poema em que me esqueço
Das razões que tu desdizes
E, se de nada te impeço
Nem te aponto as directrizes
Em função de um recomeço
Na matriz de outros matizes,
Porque houvera de evadir-me
Desta terra que escavei?
Melhor fora, de vez, ir-me,
Sem cuidar que aqui deixei,
Nem tempo pr`a despedir-me,
Tudo o que, na vida, amei...
Maria João
Cá vai o meu (in)vasões, Poeta, que me ocorreu, como habitualmente, quase automaticamente... de novo peço desculpa, mas parece que a lentidão alastra e se me vai estendendo ao "funcionamento"...
Abraço grande!
“Valorização”
ResponderEliminarPrefiro não existir
E ser aquilo que sou
A verem-me sucumbir
Às ordens do que pensou
Pensem tudo, não p’ra mim
Pensem tudo, sem cessar
Se em tudo pensarem enfim
Poderão parar de pensar
Esgotados os pensamentos
Chega a hora de meditar
Em nova lei universal
Regressar aos sentimentos
O ser humano valorizar
Como valor fundamental.
Há valor`s fundamentais
EliminarQue haverá que preservar
Nas "viragens" cruciais
Por que estamos a passar
E que parecem ser mais
Do que dá pr`aguentar
Por homens e animais
Que habitem neste lugar...
Tudo é feito de mudança,
Mas jamais foi tão veloz
Essa que tanto nos cansa
Parecendo até ser f`roz
Quando a todos nos balança
De uma forma quase atroz...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
Para a minha amiga Vitória que acaba de ser bisavó (duas vezes avó)
ResponderEliminarREALEZA
Matilde, havia uma,
De Bolonha, era Condessa,
Mas Matilde Portuguesa
Não me lembro de nenhuma.
Hoje, a amiga Vitória,
Que tem nome de Rainha
Apresentou-me a netinha
Que chegou p´ra sua glória.
Felicitamos a avozinha
E os pais, também, com certeza
E igualmente a Marianinha,
Pelo tesouro chegado
Que vai ser uma Princesa
E há-de ter o seu Reinado
Agora lembrei-me eu,
Juro à fé de quem sou
Que só por razão silábica
Não mencionei o avô.
São coisas da gramática…
Desculpe Rei Amadeu
Seja, então, muito bem-vinda
EliminarA vida que despontou
Nessa Matilde tão linda
E tão qu`rida desse avô...
Já a nova me soara
Noutro espaço e noutro dia
E à família eu já saudara
Com genuína alegria
Hoje quero renovar
Meus votos de longa vida
À que acaba de chegar
E, de todos, é tão qu`rida!
Maria João
Aqui fica, com o meu forte abraço de parabéns e renovando os meus votos de saúde, felicidade e longa vida, amigo Eduardo!
REALEZA é de Eduardo. Sorry
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