SE AMOR DISSECO...

Henrique Simot Lombardo.jpg


 


(Soneto em decassílabo heróico)


 


 


Se Amor disseco, quanta vez me espanto


Da minha mão, cirúrgica, precisa,


Que, mal pressinta Humor, tudo analisa


Serenamente e sem qualquer quebranto...


 


No mesmo suave Amor que exalto e canto,


Pressinto humano Humor que a "ratio" visa


E que detecto, assim que a mão desliza


Pr`ó despojar desse inventado manto...


 


Mas, porque o faço tão naturalmente


Como respiro, ou vejo, claramente,


Que vão embranquecendo os meus cabelos


 


E os dentes me sucumbem, dente a dente...


Como evitá-lo, se a razão não mente,


Porquê escondê-lo, quando eu posso vê-los?


 


 


Maria João Brito de Sousa - 10.06.2016 - 15.41h


 


 


Imagem - "Anatomia do Coração",  Enrique Simonet Lombardo


 


 

Comentários

  1. Respostas
    1. ... como quem respira, sim, Rogério, mas não me tomes por uma "fria analista", que o não sou! Disseco, no entanto, tudo o que me é humanamente possível dissecar, desde que ao Amor respeite, bem como tudo o que respeite ao ser humano, embora não só.

      Abraço grande!

      (sonetos em Word, foi tudo o que hoje consegui fazer. e este foi a minha homenagem a Camões porque tentei - e penso ter tentado bem - seguir-lhe os mais ínfimos acordes musicais... )

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  2. A razão não mente
    a alma também não
    (a menos que lho ordene o coração)

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    Respostas
    1. Por isso me é tão, mas tão precioso o equilíbrio e a harmonia entre eles, Rogério...

      Não resisto a deixar-te aqui uma obra de Wagner que estou agora a ouvir e que considero lindíssima...

      Abraço grande!

      https://youtu.be/oXQ8Vm6jDuk

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